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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Wesley e Estêvão: entenda as lesões que tiraram a chance dos jogadores na Copa do Mundo 2026

 
   Especialistas explicam as lesões e o que levou ao corte da dupla da Seleção Brasileira.


Enquanto a Seleção Brasileira disputa a Copa do Mundo, dois nomes que estavam cotados acompanham o torneio longe dos gramados. O lateral-direito Wesley França foi cortado após sofrer uma lesão muscular de grau três no músculo adutor da coxa esquerda durante um amistoso contra o Egito. Já o atacante Estêvão Willian ficou fora da lista de convocados por ainda estar em recuperação de uma grave lesão no bíceps femoral, na parte posterior da coxa.

Embora as duas lesões tenham ocorrido na região da coxa, elas afetam músculos com funções diferentes dentro do futebol e exigem processos específicos de recuperação.


O que aconteceu com Wesley?

O lateral-direito Wesley sofreu uma lesão de grau três no músculo adutor, grupo muscular localizado na parte interna da coxa que é muito exigido em movimentos de mudança rápida de direção, cortes laterais e chutes.

Segundo Dr. Fabrício Buzatto, médico fisiatra e professor da pós-graduação em Medicina do Esporte da Afya Vitória, esse é o estágio mais grave das lesões musculares. "Uma lesão de grau três representa uma ruptura total ou quase total das fibras musculares. O músculo perde sua integridade estrutural, causando dor importante, perda imediata de função e um tempo de recuperação prolongado", explica.

De acordo com o especialista, o período de cicatrização costuma variar entre oito e 12 semanas, tornando inviável a participação do atleta em uma competição curta e de alta exigência física como a Copa do Mundo.


O caso do atacante Estevão 

No caso de Estêvão, a lesão ocorreu no bíceps femoral, músculo que integra o grupo dos isquiotibiais, localizado na parte posterior da coxa. Essa musculatura é fundamental para arrancadas, acelerações e desacelerações rápidas. "O bíceps femoral é o músculo mais frequentemente lesionado em atletas de velocidade, justamente porque suporta grande carga durante os momentos de sprint", afirma Dr. Fabrício Buzatto.

A ruptura sofrida pelo atacante foi considerada extensa, atingindo cerca de 80% do músculo. Ainda assim, o tratamento não exigiu cirurgia. Segundo o especialista, esse tipo de procedimento costuma ser reservado para situações específicas, como quando há desinserção completa do tendão do osso. "Quando a lesão ocorre na transição entre músculo e tendão ou no ventre muscular, o tratamento conservador costuma ser a melhor opção. O tecido muscular possui boa vascularização e grande capacidade de cicatrização quando o processo de reabilitação é conduzido adequadamente", explica.

A evolução clínica do atacante chamou atenção após exames realizados semanas depois da lesão indicarem uma recuperação melhor do que a inicialmente prevista. De acordo com Dr. Fabrício, isso pode acontecer porque os primeiros exames costumam ser influenciados pelo edema e pelo hematoma provocados pelo trauma. "Nos momentos iniciais, o inchaço pode fazer a lesão parecer mais grave do que realmente é. Com a redução do processo inflamatório e a evolução da cicatrização, os exames passam a mostrar com mais precisão a recuperação das fibras musculares", afirma.

Além disso, fatores como acompanhamento especializado, controle rigoroso das cargas de treinamento e os recursos utilizados no esporte de alto rendimento podem acelerar a recuperação biológica do atleta.


Como funciona a recuperação de uma lesão muscular grave?

Dr. Raul Oliveira, professor do curso de Fisioterapia da Afya Centro Universitário Itaperuna, explica que a fisioterapia é apenas uma parte do tratamento, que envolve uma equipe multidisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas e preparadores físicos. "O tratamento é o conjunto de todas as medidas adotadas para a recuperação do atleta. A fisioterapia tem papel fundamental na restauração da força, da mobilidade, do controle muscular e da capacidade funcional necessária para o retorno ao esporte", afirma.

Segundo ele, a recuperação costuma seguir etapas bem definidas. "Primeiro buscamos controlar a lesão e recuperar os movimentos. Depois iniciamos o fortalecimento progressivo, a readaptação aos gestos esportivos e, por fim, o retorno gradual aos treinamentos e às partidas."


Por que não é possível acelerar o retorno?

Embora a pressão por resultados seja grande, especialistas alertam que antecipar o retorno aos gramados pode trazer consequências sérias. "O principal risco é a recidiva, ou seja, a lesão acontecer novamente, muitas vezes de forma ainda mais grave", destaca Dr. Raul.

Além disso, o atleta pode desenvolver compensações musculares, sobrecarregando outras regiões do corpo e aumentando a chance de novos problemas físicos. A liberação para voltar a competir não depende apenas do tempo de recuperação. São avaliados critérios como força muscular, mobilidade, resistência, ausência de dor e desempenho em testes específicos do esporte.

"O mais importante é verificar se o atleta consegue executar arrancadas, mudanças de direção, saltos e chutes com segurança e desempenho próximos ao nível pré-lesão", explica o fisioterapeuta.


Lesões musculares estão cada vez mais comuns no futebol

Para os especialistas, o aumento das lesões musculares está diretamente relacionado à evolução do futebol moderno. "O calendário atual atingiu um nível extremamente exigente. Muitas vezes o atleta não dispõe do tempo necessário para recuperação completa entre uma partida e outra", afirma o médico da Afya Vitória..

Além disso, os jogadores percorrem maiores distâncias em alta velocidade e realizam mais sprints e desacelerações bruscas do que em décadas anteriores, aumentando a sobrecarga sobre a musculatura.

Por isso, mesmo quando a recuperação evolui bem, a decisão de deixar um atleta fora de uma competição costuma ser tomada para preservar sua saúde a longo prazo.

No caso de Wesley e Estêvão, a ausência na Copa representa uma perda técnica importante para a Seleção Brasileira, mas também reflete a preocupação das equipes médicas em garantir uma recuperação completa e segura para o futuro da carreira dos dois jogadores. 



Afya
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Conheça os mitos e verdades sobre a doação de sangue, um gesto que pode salvar a vida de pacientes com leucemia[1]

Com apenas 1,6% da população brasileira doando sangue em 2024[2], Junho Vermelho reforça a importância da atitude para pacientes com leucemia, que podem depender de transfusões durante o tratamento

 

O Brasil deve registrar 12.220 novos casos de leucemia por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA)[3]. Para pacientes em tratamento, a doação de sangue é essencial, já que transfusões podem fazer parte do suporte necessário ao longo da jornada de cuidado1. Apesar disso, apenas 1,6% da população brasileira doou sangue em 2024, totalizando 3,31 milhões de bolsas coletadas no país1. No Junho Vermelho[4], tire suas dúvidas e conheça os principais mitos e verdades sobre a doação de sangue.

 

A doação que devolve a vida: força e fôlego para a batalha de hoje

A jornada do paciente contra a leucemia é desafiadora. A quimioterapia, tratamento essencial contra a doença, deixa o corpo exausto e com baixa defesas[5]. É nesse momento que a doação de sangue e seus componentes entram em cena, mas não como um mero gesto. Uma transfusão de hemácias pode ajudar a aliviar o cansaço intenso associado à anemia, enquanto a transfusão de plaquetas ajuda a prevenir sangramentos graves em pacientes com baixa contagem[6]. 

Veja abaixo algumas curiosidades:

  • Mito 1: Doar sangue é complicado, dói muito ou causa fraquza permanente.
  • Verdade: O processo da doação de sangue total é simples e rápido. A dor é mínima, e o corpo se recupera em poucas horas, sem qualquer alteração ou vício.[7]
  • Mito 2: Toda doação de sangue é igual e ajuda da mesma forma.

  • Verdade: Não. Existe a doação específica de plaquetas. Nesse procedimento, chamado aférese, um equipamento separa as plaquetas do sangue do doador e devolve os demais componentes ao organismo. Para pacientes com leucemia, que podem apresentar queda importante na contagem de plaquetas e maior risco de sangramentos, essa doação pode ser fundamental como suporte ao tratamento.[8]

  • Mito 3: Qualquer pessoa pode doar sangue.
  • Verdade: A doação de sangue é aberta a muitos voluntários, mas não a qualquer pessoa. Para doar, é necessário cumprir critérios como ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50 kg, estar em boas condições de saúde, bem alimentado, ter dormido ao menos seis horas nas últimas 24 horas e apresentar documento oficial com foto. Menores de 18 anos precisam de autorização do responsável legal, e pessoas entre 60 e 69 anos só podem doar se já tiverem doado antes dos 60. Além disso, todos passam por triagem antes da doação.[9]

  • Mito 4: Quem tem tatuagem não pode doar sangue
  • Verdade: Em partes, pessoas com tatuagem podem doar sangue, desde que o procedimento tenha sido feito há pelo menos seis meses. Caso não seja possível avaliar as condições de segurança do procedimento, o período de espera é de 12 meses.[10]

 

A doação que garante o amanhã: a chance de um novo começo

Quando a cura depende de um transplante, a esperança pode estar em encontrar um doador de medula óssea compatível na “loteria genética da vida”. Apenas 25% a 30% dos pacientes encontram um doador 100% compatível na família[11]. Para ampliar as possibilidades de quem aguarda por essa compatibilidade, o primeiro passo do voluntário é se cadastrar no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), que já reúne mais de 6 milhões de pessoas cadastradas[12]. 

  • Mito 1: A doação de medula óssea é retirada da coluna espinhal e é perigosa.
  • Verdade: Absolutamente falso. A doação não tem qualquer relação com a medula espinhal. Na maioria das vezes, as células-tronco são coletadas do sangue, através de um equipamento que as filtra. Em outros casos, são retiradas do osso da bacia, com anestesia.[13]

  • Mito 2: Se eu me cadastrar, sou obrigado a doar caso seja compatível.
  • Verdade: Não. O cadastro é apenas a entrada em um banco de possíveis doadores. Se você for encontrado como compatível, a equipe do REDOME entrará em contato para explicar todo o processo. Você passará por novos exames e receberá todas as informações para tomar sua decisão. A escolha final de prosseguir com a doação será sempre sua[14].

 

Como doar sangue? 

Para doar sangue, o voluntário deve procurar o hemocentro ou serviço de coleta mais próximo de sua região. Em geral, é necessário ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50 kg, estar em boas condições de saúde, alimentado e apresentar documento oficial com foto. Menores de 18 anos precisam de autorização do responsável legal, e pessoas entre 60 e 69 anos devem ter realizado ao menos uma doação antes dos 60 anos.

 

Como doar medula?

Para se tornar um doador de medula óssea, é necessário ter entre 18 e 35 anos, estar em bom estado de saúde, não ter doença infecciosa transmissível pelo sangue, como HIV ou hepatite, além de não apresentar histórico de câncer, doença hematológica ou autoimune, como lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide¹⁷. 

Para consultar informações sobre critérios e orientações para doação de sangue e plaquetas, acesse a página oficial do Ministério da Saúde[15] e o Inca[16]. Para se cadastrar como possível doador de medula óssea, acesse o Redome11. 




Eli Lilly do Brasil
Lilly do Brasil
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[1] INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Doação de sangue. Rio de Janeiro: INCA, 20 jun. 2022. Atualizado em: 1 ago. 2022. Disponível em: Link. Acesso em: 28 mai. 2026.

[2] BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde lança campanha para incentivar doação regular de sangue. Brasília: Ministério da Saúde, 16 jun. 2025. Atualizado em: 23 jun. 2025. Disponível em: Link. Acesso em: 27 mai. 2026.

[3] INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa 2026–2028: síntese de resultados e comentários. Rio de Janeiro: INCA, 2026. Disponível em: Link. Acesso em: 28 mai. 2026.

[4] MINISTÉRIO DA SAÚDE. 14/6 – Dia Mundial do Doador de Sangue. Disponível em: Link/. Acesso em: 22 mai. 2026.

[5] PAIVA, Bianca Kemmilly Rodrigues; SARANDINI, Yohana Machado; SILVA, Amanda Estevão da. Sintomas de fadiga e força muscular respiratória de pacientes onco-hematológicos em quimioterapia. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 67, n. 3, 2021. Disponível em: Link. Acesso em: 22 mai. 2026.

[6]REDE HEMOSUL/MS. Manual de Orientação Hemoterápica. Versão 01. Campo Grande: Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, 2025. p. 16 e 27. Disponível em: Link. Acesso em: 25 mai. 2026.

[7] A.C.CAMARGO CANCER CENTER. Tudo sobre doação de sangue. São Paulo: A.C.Camargo Cancer Center. Disponível em: Link. Acesso em: 22 mai. 2026.

[8] HOSPITAL MOINHOS DE VENTO. Já ouviu falar sobre a doação de plaquetas? Porto Alegre, 3 jan. 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 25 mai. 2026.

[9] BRASIL. Ministério da Saúde. No período pré-carnaval, Ministério da Saúde reforça sobre a importância da doação de sangue para manter estoques em todo o país. Brasília: Ministério da Saúde, 12 fev. 2026. Disponível em: Link. Acesso em: 28 mai. 2026.

[10] BRASIL. Ministério da Saúde. Confira 18 tópicos sobre doação de sangue. Brasília: Ministério da Saúde, 14 jan. 2025. Disponível em: Link. Acesso em: 28 mai. 2026.

[11] REGISTRO BRASILEIRO DE DOADORES VOLUNTÁRIOS DE MEDULA ÓSSEA (REDOME). REDOME participa do II Simpósio de Transplante de Medula Óssea do Hupes-UFBA. Rio de Janeiro: INCA; Ministério da Saúde, 3 out. 2025. Disponível em: Link. Acesso em: 22 mai. 2026.

[12] REGISTRO BRASILEIRO DE DOADORES VOLUNTÁRIOS DE MEDULA ÓSSEA (REDOME). Doadores: como ser um doador? Rio de Janeiro: INCA; Ministério da Saúde. Disponível em: Link. Acesso em: 25 mai. 2026.

[13] REGISTRO BRASILEIRO DE DOADORES VOLUNTÁRIOS DE MEDULA ÓSSEA (REDOME). Doadores: saiba como é feita a doação. Rio de Janeiro: INCA; Ministério da Saúde. Disponível em: Link. Acesso em: 25 mai. 2026.

[14] REGISTRO BRASILEIRO DE DOADORES VOLUNTÁRIOS DE MEDULA ÓSSEA (REDOME). Doadores: já sou um doador! E agora? Rio de Janeiro: INCA; Ministério da Saúde. Disponível em: Link. Acesso em: 25 mai. 2026.

[15] BRASIL. Ministério da Saúde. Doação de Sangue. Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em: Link. Acesso em: 27 mai. 2026.

[16] INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Doação de plaquetas. Rio de Janeiro: INCA, 20 jun. 2022. Atualizado em: 20 jun. 2022. Disponível em: Link. Acesso em: 28 mai. 2026.

17 SÃO PAULO (SP). Prefeitura. Saiba como se tornar um doador de medula óssea. Disponível emLink. Acesso em: 1 jun. 2026


Substância do alho aumenta a eficácia de quimioterapia contra o câncer colorretal


Derivado do alho, o dissulfeto de dialila é um produto natural biologicamente ativo
que tende a ser bem tolerado,  facilmente disponível e de baixo custo
 (imagem:
Jcomp/Magnific)
Estudo em modelos celulares demonstrou ação do dissulfeto de dialila em combinação com um medicamento comumente usado no combate à doença

 

Um composto derivado do alho denominado dissulfeto de dialila é capaz de agir em interação com um quimioterápico muito utilizado contra algumas linhagens de câncer colorretal, o 5-fluorouracilo, aumentando a citotoxicidade do fármaco e possivelmente a efetividade do tratamento. Essa foi a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), que estudam a interação entre os genes e a dieta.

O 5-fluorouracilo foi escolhido para a pesquisa por ser um medicamento que demonstrou melhorar significativamente a sobrevida dos pacientes com esse tipo de tumor, o segundo mais diagnosticado e a segunda principal causa de morte relacionada ao câncer em todo o mundo. O seu uso é indicado em combinação com cirurgia mesmo nos casos metastáticos, quando a doença já se espalhou.

Já o dissulfeto de dialila é um produto natural biologicamente ativo (nutracêutico), classe que tende a ser bem tolerada, facilmente disponível e de baixo custo. Além disso, é um agente que já apresentou mecanismos antitumorais anteriormente, como inibição do crescimento e proliferação celular, regulação do metabolismo carcinogênico, estimulação da apoptose (morte celular programada e saudável), prevenção da angiogênese (formação de novos vasos sanguíneos, um processo desregulado no caso do câncer e que permite ao tumor criar sua própria rede vascular e crescer), invasão e migração, além da redução dos efeitos colaterais.

O estudo é financiado pela FAPESP (projetos 21/09381-3 e 22/13151-6) e os resultados foram descritos em artigo publicado na revista Nutrients.

Durante o projeto de mestrado da pós-graduanda Estéfani Maria Treviso, o grupo avaliou o impacto de diferentes tratamentos em células de câncer colorretal (dos tipos Caco-2 e HT-29) e em células saudáveis da veia umbilical humana. Os dois grupos celulares foram expostos por 24 horas ao quimioterápico 5-fluorouracilo e ao composto dissulfeto de dialila — aplicados de forma isolada ou combinada. Ao final do período, os pesquisadores analisaram a citotoxicidade de cada abordagem, ou seja, a capacidade das substâncias de destruir as células tumorais preservando as saudáveis.

“A conclusão foi que a sinergia entre o extrato de alho e o quimioterápico levou a uma ação mais eficaz contra as células tumorais utilizadas no estudo, mostrando que o uso do nutracêutico é promissor em tratamentos adjuvantes na quimioterapia”, afirma Lusânia Maria Greggi Antunesprofessora associada da FCFRP-USP.


Experiência prévia

A equipe já acumula experiência com o dissulfeto de dialila. O composto foi utilizado anteriormente no doutorado de Ana Rita Thomazela Machado, que focou em modelos celulares de câncer de fígado – o sétimo tipo mais comum e a quinta causa de morte por câncer no mundo. Os resultados dessa pesquisa foram publicados no periódico Pharmaceutics. Como as opções de tratamento para a doença costumam ser limitadas, os pesquisadores defendem que associar quimioterápicos tradicionais a compostos bioativos de plantas é uma estratégia promissora.

Nesse caso, a ação do ativo extraído do alho e do sorafenibe – quimioterápico já usado clinicamente que atua bloqueando vasos sanguíneos que nutrem o tumor e sinalizando para que as células cancerosas parem de crescer– foi testada in vitro isoladamente e em combinação para avaliar seu desempenho contra células de carcinoma hepatocelular.

“No segundo trabalho, o dissulfeto de dialila foi testado em uma linhagem de carcinoma de fígado humano conhecida por sua alta taxa de proliferação e por alterações genéticas que ajudam o tumor a sobreviver. O composto foi capaz de induzir a morte dessas células, inibir sua migração e autofagia, além de alterar a expressão de suas proteínas”, conta Antunes. “Quando combinado com o quimioterápico sorafenibe, o composto apresentou efeitos sinérgicos, mostrando-se uma estratégia promissora para o desenvolvimento de novos protocolos clínicos”, aponta.

O artigo Toxigenomic evaluation of diallyl disulfide effects and its association with the chemotherapeutic agent 5-Fluorouracil in colorectal cancer cell lines pode ser lido em: mdpi.com/2072-6643/17/15/2412.

O artigo Diallyl disulfide induces chemosensitization to sorafenib, autophagy, and cell cycle arrest and inhibits invasion in hepatocellular carcinoma pode ser lido em: pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36559076/.

 

Thais Szegö

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/substancia-do-alho-aumenta-a-eficacia-de-quimioterapia-contra-o-cancer-colorretal/58407


Saiba tudo sobre a Imigração Japonesa, que completa 118 anos nesta quinta, 18/6

Navio Kasato Maru, que trouxe os primeiros japoneses para o Brasil. Foto: Reprodução.

Chegada do navio Kasato Maru, em 1908, marcou o início de uma das

mais importantes correntes migratórias da história do Brasil


Em 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru atracou no Porto de Santos trazendo os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil. A chegada de 781 passageiros marcou o início de uma das mais importantes correntes migratórias da história brasileira e deu origem à maior comunidade de descendentes de japoneses fora do Japão – projeções apontam entre 2,5 e 2,7 milhões vivendo em solo nacional. 

Mais de um século depois, a imigração japonesa continua sendo tema relevante para a formação da sociedade brasileira. O assunto costuma aparecer em vestibulares, relacionado aos movimentos migratórios, à economia cafeeira, às transformações sociais do início do século XX e à construção da diversidade cultural do nosso País. 

Segundo Juliana Gomes, formada em História, e atualmente coordenadora de relacionamentos do Ensino Médio da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP), compreender esse processo vai muito além da memorização de datas. “A imigração japonesa ajuda a entender como o Brasil foi formado por diferentes povos e como questões econômicas, políticas e culturais influenciam os deslocamentos populacionais. É um tema que dialoga com história, geografia e atualidades, por isso aparece com frequência nos vestibulares.”
 

Por que os japoneses vieram para o Brasil? 

Para entender a imigração japonesa, é preciso observar o contexto vivido pelos dois países naquele período. Durante a Era Meiji (1868-1912), liderada pelo imperador Mutsuhito, o país passou de uma sociedade feudal e isolada para uma potência industrial e moderna, com forte avanço econômico - mas por outro lado isso gerou dificuldades para parte da população rural. O crescimento demográfico, a escassez de terras e as mudanças econômicas fizeram com que muitas famílias buscassem oportunidades fora do Japão. 

Ao mesmo tempo, o Brasil precisava de trabalhadores para as lavouras de café. Após a abolição da escravidão, em 1888, os fazendeiros passaram a procurar mão de obra estrangeira para atender à demanda das fazendas. “Os dois países tinham interesses complementares. O Japão buscava alternativas para o excedente populacional, enquanto o Brasil precisava substituir a mão de obra escravizada. Esse encontro de necessidades favoreceu o acordo migratório”, contextualiza a docente da EIA.
 

Como foi a Imigração Japonesa para o Brasil? 

A imigração japonesa foi um movimento migratório iniciado oficialmente em 1908, quando o Kasato Maru chegou ao Brasil trazendo famílias que buscavam melhores condições de vida e oportunidades de trabalho. Embora a chegada do navio seja considerada o marco oficial da imigração japonesa, o fluxo migratório continuou por vários anos, especialmente nas primeiras décadas do século XX. 

Ao longo desse período, milhares de japoneses deixaram seu país de origem e se estabeleceram em diferentes regiões brasileiras. Os imigrantes nascidos no Japão são chamados Issei; os filhos dos imigrantes, Nissei; os netos, Sansei; os bisnetos, Yonsei; e os tataranetos, Gossei. “A chegada do Kasato Maru representa apenas o começo de um processo muito maior. Ao longo dos anos, novas levas de imigrantes vieram para o Brasil, formando comunidades que tiveram papel importante no desenvolvimento econômico e cultural do país”, explica a professora. 

Os primeiros emigrantes desembarcaram no Porto de Santos após uma viagem que durou cerca de dois meses. Em seguida, foram encaminhados principalmente para fazendas de café no interior paulista. A adaptação, porém, não foi simples. Além das diferenças de idioma e cultura, muitos encontraram condições de trabalho bastante diferentes das expectativas criadas antes da viagem. 

“A experiência dos primeiros imigrantes foi marcada por desafios. Havia dificuldades de comunicação, adaptação aos costumes locais e questões relacionadas ao trabalho. Ainda assim, muitas famílias conseguiram se estabelecer e construir uma nova vida no Brasil”, afirma a especialista.
 

Qual foi a contribuição dos imigrantes japoneses para o Brasil? 

Após os primeiros anos nas lavouras de café, muitos japoneses passaram a atuar como pequenos proprietários rurais. Eles tiveram papel importante na diversificação da agricultura brasileira, especialmente na produção de hortaliças, legumes, frutas e chá. Além disso, a influência japonesa se espalhou por diversos aspectos e setores da sociedade, incluindo comércio, indústria, educação, esportes e produção científica. 

Práticas esportivas como judô, karatê e kendô, além de manifestações culturais como mangás, animes, festivais típicos e celebrações tradicionais, tornaram-se populares em várias regiões do país. Em estados como São Paulo e Paraná, a presença da comunidade nipo-brasileira ajudou a criar importantes centros culturais responsáveis por preservar tradições e fortalecer o intercâmbio entre Brasil e Japão. 

“Uma das principais contribuições da imigração japonesa foi mostrar como diferentes culturas podem colaborar para o desenvolvimento de um país. O legado vai muito além da agricultura e pode ser percebido em diferentes áreas da vida brasileira. Quando observamos a popularidade da culinária japonesa, dos festivais orientais ou das artes marciais, percebemos como a imigração deixou marcas profundas na cultura brasileira. É um exemplo claro de troca cultural”, destaca a professora.
 

Tema pode cair no Enem e vestibulares 

A relevância da imigração japonesa para os vestibulares e para o Enem está justamente na capacidade do tema de conectar diferentes conteúdos cobrados nas provas, como movimentos migratórios internacionais, economia cafeeira, formação da população brasileira e diversidade cultural. Mais do que decorar datas ou nomes, os estudantes precisam compreender as causas que levaram milhares de japoneses a deixar seu país e os impactos que esse processo gerou na sociedade brasileira. Segundo a professora da Escola Internacional de Alphaville, as bancas têm valorizado cada vez mais a habilidade de relacionar fatos históricos a contextos sociais, econômicos e culturais. 

“O candidato que entende por que os japoneses vieram ao Brasil, quais desafios enfrentaram e como contribuíram para o desenvolvimento do País tem mais condições de interpretar e resolver as questões”, explica. “Estudar o tema é compreender que o Brasil foi construído pela participação de diferentes povos. Essa diversidade é uma das principais características da nossa sociedade e continua sendo um tema fundamental para entender o País de hoje”, conclui a docente. 

 

Juliana Gomes - coordenadora de relacionamentos do High School da Escola Internacional de Alphaville, onde também atuou como professora de História e Global Studies nos segmentos de Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Também é tutora no programa de Convivência Ética, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização na mesma instituição. Com mais 25 anos de experiência na Educação, construiu uma trajetória sólida que abrange docência, consultoria acadêmica, coordenação pedagógica e desenvolvimento de currículos e materiais didáticos, tanto para a educação básica quanto para o ensino superior. É graduada em História pela Universidade de São Paulo, instituição na qual também concluiu um MBA em Gestão Escolar.


International Schools Partnership – ISP
Para mais informações, acesse o site.


Três lições da Educação Financeira para formar crianças conscientes


Envato
Atividades práticas e hábitos simples ajudam crianças a desenvolver consumo consciente e responsabilidade em casa e na escola 

 

Tudo começa com pequenas escolhas. Aprender a importância de uma alimentação saudável, evitar o desperdício de água, comida e energia, cuidar dos materiais escolares e compartilhar com outras pessoas aquilo que já não é mais utilizado, mas que ainda está em bom estado de conservação, são atitudes simples que ajudam a desenvolver consciência, cidadania e senso de compromisso desde cedo. Situações que parecem comuns à infância são, na verdade, os primeiros passos para desenvolver responsabilidade sobre o consumo em casa. E não é de hoje que a educação financeira vem ganhando espaço também dentro das escolas. Uma das estratégias é aproximar o tema da realidade dos estudantes de forma prática e acessível, especialmente durante o Ensino Fundamental.

A proposta é mostrar que aprender sobre escolhas financeiras faz parte da formação cidadã. A iniciativa deve estar pautada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). No documento, que orienta a organização da Educação Básica em todo o país, a Educação Financeira está entre os Temas Contemporâneos Transversais. Na prática, isso significa que o assunto pode ser trabalhado em diferentes componentes curriculares e contextos, indo muito além da Matemática e estimulando reflexões sobre consumo, organização e tomada de decisões. “Na infância, a Educação Financeira começa a ser desenvolvida em situações muito simples do dia a dia, como aprender a cuidar dos próprios brinquedos, fazer escolhas e até mesmo no planejamento cotidiano, como em uma lista de compras, quando possível. Ao desenvolver esse olhar desde cedo, há mais chance da criança construir uma relação de equilíbrio com o consumo e com o planejamento”, explica a editora de conteúdo de Matemática da Aprende Brasil Educação Luana Baier.

As atividades voltadas ao Ensino Fundamental precisam ser pensadas para dialogar com a faixa etária dos estudantes. Nos Anos Iniciais, os conteúdos aparecem em histórias, atividades lúdicas e projetos temáticos que ajudam as crianças a diferenciar desejos e necessidades. Conforme a idade escolar avança, os estudantes passam a discutir planejamento, cooperação, organização e hábitos de consumo mais conscientes.


Participação da família é fundamental

A aprendizagem sobre Educação Financeira pode ser fortalecida com a participação da família, especialmente por meio de situações vivenciadas no dia a dia. Conversas durante as compras do mês, o uso consciente dos recursos financeiros, a definição de pequenas metas ou até decisões relacionadas ao reaproveitamento de materiais ajudam crianças e adolescentes a compreender que o dinheiro está diretamente ligado a escolhas, prioridades e consequências. Luana dá alguns exemplos de atividades para aplicar os princípios da Educação Financeira em casa:


1. Necessidades X Desejos

“Quando for às compras com a criança, em vez de apenas colocar os produtos no carrinho, dê a ela uma missão. Antes de sair, façam juntos uma lista dos itens que precisam ser comprados. Então, quando ela pedir algo extra, pergunte: ‘Isso é uma necessidade? Ou isso é um desejo e queremos apenas por prazer?’”, explica a especialista. Essa é uma forma de aplicar o pilar do consumo consciente, que ensina a criança a priorizar o que é uma necessidade e entender que o recurso é finito, nesse caso o dinheiro.


2. O grande sonho 

Uma das prerrogativas da Educação Financeira é incentivar o planejamento. Então, em vez de apenas dar dinheiro à criança, sem falar sobre destino ou objetivo, procure conversar com ela e identificar objetivos de curto prazo, como um brinquedo, um livro ou um passeio. Cole uma foto desse objetivo no pote ou cofrinho que será usado para guardar o dinheiro. “Isso ensina a espera gratificada e o planejamento financeiro. A criança aprende que poupar é uma ferramenta para realizar escolhas futuras.”


3. Orçamento de pequenas decisões

Luana lembra que as crianças precisam exercitar a autonomia, mas com algum tipo de supervisão. “Dê autonomia para a criança em situações controladas. Diga a ela, por exemplo: ‘temos R$ 30,00 para escolher o lanche do piquenique de hoje. O que compensa mais comprar?’. E, então, deixe que ela compare sozinha preços e marcas”, aconselha. Situações como essa trabalham a tomada de decisão e a responsabilidade. Ao errar - por exemplo, comprando algo caro que acaba rápido -, os pequenos aprendem as consequências das escolhas que fazem em um ambiente seguro, desenvolvendo autonomia crítica.

A especialista reforça, no entanto, que a Educação Financeira vai muito além do aprendizado relacionado ao dinheiro. Esse é um tema que envolve o desenvolvimento de hábitos, valores e competências que contribuem para escolhas mais conscientes e responsáveis ao longo da vida. Com crianças de até dez anos, isso pode ser trabalhado por meio de experiências simples e significativas, como o reaproveitamento de alimentos em receitas – utilizando cascas de frutas para preparar geleias, bolos e outras receitas. Já com crianças e adolescentes de dez a 14 anos, é possível ampliar essa discussão por meio da construção de composteiras, da criação de hortas em casa ou nas comunidades, da análise de rótulos de produtos e da reflexão sobre temas que relacionam saúde, consumo e sustentabilidade, por exemplo.

Essa perspectiva está alinhada ao conceito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A Educação Financeira é o processo pelo qual indivíduos e sociedades desenvolvem conhecimentos, valores e competências que lhes permitem compreender oportunidades e riscos, tomar decisões informadas, buscar orientação quando necessário e adotar práticas que contribuam para seu bem-estar e para a construção de uma sociedade mais responsável e comprometida com o futuro. Dessa forma, ela não se limita à gestão de recursos monetários, mas abrange também o consumo consciente, o uso responsável dos recursos naturais, a valorização da saúde e o desenvolvimento da cidadania. 



Aprende Brasil Educação
aprendebrasil.com.br

 

Como viajar entre Estados Unidos, Canadá e México com mais segurança e tranquilidade

Divulgação: Universal Assistance
Universal Assistance destaca a importância do planejamento e da assistência ao viajante para acompanhar o maior Mundial da história 

 

A possibilidade de assistir a partidas em diferentes cidades e países transforma a Copa em uma verdadeira jornada internacional, marcada por deslocamentos frequentes, conexões aéreas e travessias de fronteiras. Nesse cenário, o planejamento da viagem ganha ainda mais relevância. A combinação entre grande volume de turistas, aeroportos movimentados e longas distâncias entre cidades-sede pode aumentar a ocorrência de situações como atrasos de voos, perda de conexões, alterações de itinerário e extravio de bagagens. 

É justamente nesses momentos que contar com uma assistência ao viajante faz a diferença. A Universal Assistance reforça que o suporte especializado permite que o viajante tenha acesso rápido a orientações e soluções para imprevistos que possam comprometer a programação durante o evento. Além de proteção completa, a empresa disponibiliza um aplicativo robusto, que possui serviço de telemedicina 24 horas por dia, 7 dias por semana, com atendimento em português, com reembolso de gastos facilitado e outras ferramentas que tornam o atendimento mais rápido, simples e seguro, onde quer que o viajante esteja. 

“A Copa do Mundo de 2026 será uma experiência única para os torcedores, mas também exigirá uma atenção especial à logística. O viajante circulará entre diferentes cidades e países, muitas vezes em intervalos curtos entre os jogos. Ter uma assistência preparada para oferecer suporte durante toda a jornada proporciona mais tranquilidade para que o foco permaneça na experiência e não nos imprevistos”, destaca Vinicius Valadares, Gerente Regional de Vendas da Universal Assistance no Brasil. 

Com milhões de turistas esperados ao longo da competição, a recomendação da Universal Assistance é que os viajantes organizem seus roteiros com antecedência, acompanhem possíveis alterações operacionais e contem com serviços de assistência que ofereçam suporte durante toda a viagem. 

Mais do que assistir aos jogos, a Copa de 2026 será uma oportunidade para explorar novos destinos e viver uma experiência internacional completa. E, para aproveitar cada momento com mais segurança e tranquilidade, estar preparado para os imprevistos é tão importante quanto garantir o ingresso para a partida.

 

Saiba como identificar e se proteger de cobranças falsas contra o MEI

Microempreendedores individuais são alvos constantes de boletos fraudulentos, falsas ameaças de cancelamento de CNPJ e cobranças de associações. Único pagamento mensal obrigatório do MEI é o imposto DAS

 

O sonho de ter o próprio negócio tem sido alvo de criminosos que se aproveitam da falta de informação para aplicar golpes em Microempreendedores Individuais (MEIs) em todo o país. Com abordagens que simulam comunicações oficiais da Receita Federal, de cartórios ou do próprio Sebrae, golpistas enviam falsas cobranças e ameaçam o cancelamento do CNPJ das vítimas para forçar pagamentos rápidos. O Sebrae reforça o alerta sobre as principais fraudes que têm sido identificadas e ensina como o empreendedor pode se blindar contra essas armadilhas. 

A proliferação de canais digitais facilitou o contato com os empreendedores, mas também abriu espaço para a atuação de criminosos que utilizam a pressão psicológica, senso de urgência e termos jurídicos complexos para assustar suas vítimas. Ao receber uma mensagem informando que sua empresa está "irregular" ou prestes a ser "protestada", o microempreendedor muitas vezes realiza o pagamento sem checar a veracidade da cobrança.

 

Os golpes mais comuns que miram o MEI 

Denúncias reunidas pelo Sebrae apontam que os golpistas costumam variar as abordagens, mas utilizam três táticas principais:

 

1. Falso boleto de associação comercial ou sindicato  

O empreendedor recebe uma correspondência física ou e-mail com uma cobrança, geralmente de valor baixo (entre R$ 50 e R$ 150), com nomes que simulam entidades oficiais, como "Associação Comercial do Brasil" ou "União de Microempreendedores". O Sebrae esclarece que nenhuma filiação a sindicato ou associação é obrigatória para o MEI.  

 

2. Ameaça de protesto em cartório e guia DAS clonada  

Mensagens via SMS, WhatsApp ou e-mail alertam sobre uma suposta "notificação extrajudicial" ou "dívida ativa". Junto à mensagem, é enviado um link para pagamento via Pix ou boleto. Muitas vezes, esses links direcionam para sites falsos que imitam o visual do Portal do Empreendedor e emitem uma guia DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional) clonada. Importante: a Receita Federal e o Sebrae não enviam cobranças ou guias por canais de mensagem.

 

3. Cobrança por formalização ou alteração de cadastro  

Muitos empreendedores caem em golpes quando estão buscando formalizar o negócio. Ao consultarem em sites de busca por "abrir MEI", clicam em anúncios patrocinados que parecem páginas do governo, mas pertencem a empresas privadas que cobram taxas para realizar o cadastro. A abertura, a alteração de dados e a baixa do MEI são processos 100% gratuitos quando realizados diretamente pelo portal do governo.

 

O único pagamento obrigatório do MEI 

O Sebrae reforça que o microempreendedor individual tem apenas uma obrigação financeira mensal: o pagamento do imposto DAS-MEI. Este valor é fixo e varia de acordo com a atividade (comércio, indústria ou serviços). A guia do DAS deve ser emitida pelo próprio empreendedor diretamente nos canais oficiais, como o app Sebrae, nunca por meio de boletos enviados por terceiros.

 

Checklist de segurança do MEI: evite cair em ciladas

 Para não se tornar mais uma vítima na estatística, adote as seguintes práticas de segurança no dia a dia do seu negócio: 

• Desconfie da urgência: Golpistas sempre exigem pressa ("pague hoje para não ter o CNPJ cancelado"). Órgãos oficiais dão prazos amplos de defesa.

 • Atenção ao endereço do site (URL): Portais do governo federal sempre terminam com a extensão .gov.br (como em gov.br/mei). Desconfie de finais como .com, .org ou .net. 

• Confira o beneficiário antes de pagar: Ao ler o código de barras de um boleto ou a chave Pix, verifique quem receberá o dinheiro. O destinatário final das obrigações fiscais deve ser a Secretaria da Receita Federal do Brasil ou o Simples Nacional, nunca o nome de uma pessoa física ou de uma empresa terceirizada desconhecida. 

• Ignore links em mensagens: Não clique em links recebidos por WhatsApp, SMS ou e-mails de remetentes desconhecidos. 

 

Onde buscar ajuda e denunciar 

Se você recebeu uma cobrança duvidosa ou tem dúvidas sobre a regularidade do seu CNPJ, procure o Sebrae antes de realizar qualquer pagamento. O atendimento é totalmente gratuito e pode ser feito pelo telefone ou WhatsApp 0800 570 0800, pelo portal sebrae.com.br ou presencialmente em uma das centenas de agências de atendimento do país.

O portal oficial para qualquer transação do microempreendedor é o gov.br/mei.


Homeschooling: escola vai além da transmissão de conteúdo e tem papel essencial na formação cidadã, afirma especialista

Especialista defende que a escola exerce papel fundamental na socialização, no desenvolvimento socioemocional e na formação de cidadãos em uma sociedade plural.

 

O debate sobre a regulamentação do homeschooling volta e meia retorna ao centro das discussões educacionais no Brasil. Enquanto defensores da modalidade destacam a autonomia das famílias e a personalização do ensino, especialistas em educação alertam para um aspecto muitas vezes negligenciado: a escola vai muito além da transmissão de conteúdos. 

Para Luiza Sassi, diretora-geral do Instituto GayLussac, a instituição escolar desempenha um papel fundamental na formação cidadã, funcionando como um espaço de convivência com a diversidade e de aprendizado das regras coletivas que sustentam a vida em sociedade. 

“A escola é um marco civilizatório. É nela que crianças e adolescentes aprendem a conviver com diferentes visões de mundo, exercitam a cidadania e desenvolvem habilidades de diálogo, respeito e participação social”, afirma. 

Segundo a educadora, a experiência escolar permite que os alunos tenham contato com pessoas de diferentes origens, crenças e opiniões, algo difícil de reproduzir em ambientes educacionais restritos ao núcleo familiar. 

“Além do aprendizado acadêmico, a escola oferece experiências fundamentais para o desenvolvimento socioemocional. É no convívio diário que os estudantes aprendem a lidar com diferenças, resolver conflitos, trabalhar em equipe e compreender a importância das regras coletivas”, destaca. 

A discussão ganha relevância em um momento em que especialistas apontam a necessidade de fortalecer espaços de convivência democrática e de combate à polarização social. Nesse cenário, surge uma reflexão importante: qual é o papel da escola na construção de cidadãos preparados para viver em uma sociedade plural? E até que ponto a educação domiciliar consegue oferecer as mesmas oportunidades de socialização e desenvolvimento humano proporcionadas pelo ambiente escolar? 

Para Luiza Sassi, a resposta passa pelo reconhecimento de que a educação não se limita à aquisição de conhecimento formal. “Formar cidadãos é um dos principais compromissos da escola. O ambiente escolar proporciona vivências que ajudam crianças e adolescentes a compreender o mundo, respeitar o próximo e participar de forma ativa e responsável da sociedade”, conclui.


Brasil pode se tornar o país com mais clubes de futebol patrocinados por plataforma adulta no mund


Com Vila Nova, Operário e negociação com o Corinthians, FatalFans mira expansão: “Queremos conectar a marca a clubes relevantes”, diz Kellerson Kurtz 

 

O futebol brasileiro pode se tornar o primeiro grande mercado do mundo a transformar o patrocínio de uma plataforma adulta em estratégia recorrente entre clubes profissionais. Com acordos já fechados com Vila Nova e Operário, ambos da Série B, a FatalFans negocia com o Corinthians um contrato estimado em R$ 17 milhões por um ano, envolvendo quatro modalidades. A possível entrada em um dos maiores clubes do país muda o patamar da discussão: o que antes parecia uma ação improvável passa a ser um teste sobre os limites comerciais, reputacionais e financeiros do esporte. 

A entrada da plataforma no futebol começou pelo Vila Nova, em março de 2026, quando foi fechado contrato de um ano para estampar a marca dentro da numeração da camisa do clube goiano. Poucas semanas depois, veio o segundo passo, com o Operário Ferroviário, de Ponta Grossa, em acordo também anual para exposição no meião e no calção. A sequência colocou a empresa em dois clubes profissionais da Série B em menos de um mês e abriu caminho para uma ambição maior: transformar contratos que poderiam parecer pontuais em uma estratégia nacional de patrocínio esportivo. 

Para a empresa, a entrada no futebol brasileiro faz parte de uma estratégia de aproximação com clubes de forte presença regional e torcidas engajadas. Segundo Kellerson Kurtz, diretor de negócios da plataforma, “o futebol brasileiro tem uma capacidade única de gerar visibilidade, conversa pública e conexão com diferentes públicos”, por isso a marca busca “conectar a FatalFans a clubes relevantes, com torcidas fortes e presença nacional”. 

A negociação com o Corinthians é o ponto de virada da história. Um acordo com um dos maiores clubes do Brasil, dono de uma das torcidas mais numerosas do país e de forte apelo comercial, levaria a FatalFans a um patamar inédito no futebol nacional. Mais do que ampliar o portfólio da plataforma, a possível entrada no clube paulista reforçaria a tese de que o Brasil pode ocupar uma posição única no mercado esportivo global, tornando-se o país com mais clubes profissionais patrocinados por uma plataforma adulta. 

Para a plataforma, a possibilidade de participar desse movimento é vista como reflexo da força comercial do futebol brasileiro e da abertura dos clubes a novos modelos de parceria. Kellerson Kurtz afirma que a empresa enxerga o avanço com responsabilidade, especialmente por estar ligada a uma discussão que pode colocar o país em uma posição inédita no mercado esportivo. “O Brasil tem clubes com torcidas muito engajadas e uma capacidade enorme de gerar visibilidade. Fazer parte desse processo mostra que o mercado brasileiro está aberto a novas formas de conexão entre marcas, clubes e torcedores. Para nós, é motivo de orgulho contribuir para esse movimento com responsabilidade e respeito às instituições”, conclui.


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