No Colégio Presbiteriano Mackenzie
Agnes, equipe multidisciplinar defende que o bom desempenho em vestibulares
nasce de uma aprendizagem significativa, crítica e acompanhada de perto
Os resultados mais recentes do Programa Internacional de Avaliação
de Estudantes, o PISA, reacenderam um alerta importante sobre a aprendizagem
matemática no Brasil. Segundo o levantamento, mais de 70% dos estudantes
brasileiros avaliados apresentaram dificuldades básicas em Matemática, ficando
abaixo do nível considerado adequado para o exercício pleno da cidadania.
O dado reforça uma questão central para as escolas: como tornar o
ensino de Matemática mais prazeroso, significativo e próximo da realidade dos
estudantes, sem deixar de lado a preparação para vestibulares, ENEM e demais
avaliações externas?
No Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, esse desafio é tratado
de forma integrada pela equipe multidisciplinar do Ensino Médio, envolvendo
Coordenação Pedagógica, Orientação Educacional e professores da área de
Matemática. A proposta é compreender que bons resultados acadêmicos não
dependem apenas de treino, repetição e memorização, mas de um acompanhamento
formativo que ajude o estudante a pensar matematicamente.
Para Ronaldo Queiroz, Coordenador do Ensino Médio, resultado e
aprendizagem crítica não devem ser vistos como caminhos opostos. “Não podemos
reduzir a Matemática à memorização de fórmulas ou à repetição mecânica de
exercícios. O estudante que compreende o que faz, por que faz e em que
situações pode aplicar determinado conhecimento está mais preparado para
enfrentar provas, vestibulares e desafios da vida. O bom desempenho é
consequência de uma aprendizagem bem estruturada”, afirma.
Segundo o coordenador, a preparação para exames precisa unir
domínio técnico, interpretação, análise de dados, raciocínio lógico e
argumentação. Por isso, a escola busca acompanhar não apenas as notas dos
estudantes, mas também suas dificuldades, avanços, lacunas conceituais e formas
de resolução.
A Orientação Educacional, representada por Wendell Gonzaga, também
tem papel fundamental nesse processo. O acompanhamento dos estudantes permite
identificar fatores emocionais, comportamentais e organizacionais que
interferem diretamente na relação com a Matemática.
“Muitos alunos não têm dificuldade apenas com o conteúdo. Às
vezes, eles carregam insegurança, medo de errar ou uma ideia de que não são
capazes de aprender Matemática. Nosso trabalho é ajudá-los a reorganizar essa
percepção, desenvolver confiança e compreender que o erro também faz parte do
processo de aprendizagem”, destaca Wendell Gonzaga.
Essa visão é importante porque, para muitos estudantes, a
Matemática se torna uma disciplina associada à ansiedade e à resposta certa ou
errada. Quando o erro passa a ser tratado como diagnóstico, e não como fracasso,
o aluno consegue compreender melhor onde está sua dificuldade e quais
estratégias pode utilizar para avançar.
Na sala de aula, os professores de Matemática Bruno Henrique e Israel Veríssimo atuam diretamente nesse equilíbrio entre rigor acadêmico e aprendizagem significativa. A proposta é manter a exigência própria da disciplina, mas tornando o processo mais claro, contextualizado e participativo.
Para o professor Bruno Henrique, uma aula de
Matemática mais prazerosa não significa uma aula mais fácil.
“O prazer em aprender Matemática aparece quando o estudante percebe sentido no que está estudando. Isso acontece quando ele entende o conceito, consegue relacionar o conteúdo com situações reais e percebe que há diferentes caminhos para resolver um problema. O rigor continua existindo, mas ele vem acompanhado de compreensão”, explica.
Nesse sentido, resolver questões de vestibulares e do ENEM continua sendo uma estratégia importante, mas não pode ser a única. O exercício precisa ser acompanhado de leitura cuidadosa do enunciado, análise das informações, comparação de estratégias, discussão dos erros e validação dos resultados.
O professor Israel Veríssimo reforça que a Matemática
deve ser apresentada como uma linguagem para interpretar o mundo. “Quando trabalhamos
com gráficos, tabelas, situações do cotidiano, tecnologias, jogos intelectuais
e problemas contextualizados, o estudante percebe que a Matemática não está
restrita ao livro ou à prova. Ela está presente nas decisões financeiras, na
leitura de dados, na ciência, na tecnologia e na vida prática”, afirma.
Essa abordagem dialoga com as competências previstas para o Ensino Médio, que indicam a necessidade de desenvolver raciocínio, investigação, resolução de problemas, comunicação e argumentação matemática. Assim, o estudante deixa de apenas aplicar fórmulas e passa a construir estratégias, justificar respostas e avaliar a coerência dos resultados encontrados.
No trabalho conjunto da equipe multidisciplinar do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, a Matemática é compreendida como parte da formação integral do estudante. A Coordenação acompanha os resultados e direciona intervenções pedagógicas; a Orientação Educacional observa aspectos emocionais e de organização dos estudos; e os professores transformam essas informações em estratégias didáticas para a sala de aula.
Essa integração permite que a pressão por resultados seja transformada em oportunidade pedagógica. Em vez de mecanizar o ensino, os dados de desempenho ajudam a identificar necessidades reais, planejar retomadas, propor desafios e fortalecer a autonomia dos estudantes.
“Ensinar Matemática de forma prazerosa não significa diminuir o rigor, mas dar sentido ao que se aprende. Quando o estudante percebe propósito, recebe acompanhamento e é desafiado de forma adequada, ele passa a se envolver mais com a própria aprendizagem”, conclui Ronaldo Queiroz.
Mais do que tornar a Matemática “fácil”, o desafio é torná-la
compreensível, relevante e possível. Quando coordenação, orientação educacional
e professores atuam de maneira integrada, o estudante deixa de enfrentar a
disciplina sozinho e passa a ser acompanhado em seu percurso de
desenvolvimento. Nesse processo, o prazer em aprender nasce da descoberta de
que a Matemática tem sentido, utilidade e propósito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário