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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Inverno exige atenção redobrada para crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer

SOBOPE reforça a importância da vacinação contra a influenza e de medidas preventivas para reduzir o risco de infecções respiratórias e complicações durante a estação mais fria do ano

 

Com a chegada do Inverno, no próximo dia 21, e o aumento da circulação de vírus respiratórios, crianças e adolescentes em tratamento oncológico precisam de cuidados especiais para reduzir o risco de infecções e complicações. Dentre as medidas preventivas, está a vacinação contra a influenza, por exemplo. 

A Dra. Mariana Bohns Michalowski, oncologista pediátrica e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), explica que crianças em tratamento contra o câncer apresentam maior vulnerabilidade a infecções respiratórias, que podem evoluir de maneira mais grave devido à redução da imunidade causada pela doença e por terapias como quimioterapia, radioterapia e transplante de medula óssea. “A prevenção, sem dúvida, é uma das ferramentas mais importantes para garantir a segurança desses pacientes durante o Inverno, já que infecções respiratórias podem resultar em internações, interrupções do tratamento e complicações graves.” 

De acordo com a médica, a vacinação anual contra a influenza é recomendada para essa faixa-etária, respeitando a avaliação individual de cada paciente e a orientação da equipe médica responsável. Segundo ela, a vacina contra a gripe é uma medida segura e eficaz e, além da imunização da criança e do adolescente em tratamento, é fundamental que pais, irmãos e demais pessoas que convivam com eles também estejam vacinadas, criando, assim, uma rede de proteção. “O momento ideal para a vacinação deve ser discutido com o oncologista pediátrico, considerando a fase do tratamento e as condições clínicas de cada paciente”, afirma.

 

Outros cuidados

Além da vacinação, Dra. Mariana recomenda outras medidas preventivas durante a estação mais fria do ano, como higienizar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel; evitar contato próximo com pessoas que apresentem sintomas gripais; manter ambientes ventilados, mesmo em dias frios; evitar aglomerações e locais fechados com pouca circulação de ar; utilizar máscara em situações de maior risco; manter uma alimentação e hidratação equilibradas e adequadas ao tratamento; respeitar o calendário de consultas, exames e terapias, e observar sinais de alerta, como febre, tosse persistente, dificuldade respiratória, cansaço excessivo ou alterações no estado geral. “Pacientes oncológicos pediátricos podem apresentar rápida evolução de quadros infecciosos. Por isso, qualquer episódio de febre ou sintoma respiratório deve ser comunicado imediatamente à equipe médica”, reforça, ao ressaltar que o diagnóstico precoce e o atendimento oportuno fazem a diferença para evitar complicações. A vacina contra a influenza é gratuita e oferecida pelo SUS para toda a população a partir de 6 meses de idade.


Copa do Mundo une torcidas, mas também exige atenção redobrada à saúde respiratória

Infectologista pediátrica alerta que grandes aglomerações favorecem a circulação de vírus e reforça a importância da prevenção para aproveitar os jogos com segurança 

 

A contagem regressiva para a Copa do Mundo costuma ser marcada por expectativa, confraternizações e encontros entre amigos, familiares e colegas de trabalho. Seja em bares, restaurantes, fan fests ou reuniões em casa, o torneio mobiliza milhões de pessoas em torno de uma paixão em comum. Mas, junto com a festa, especialistas alertam para um fator que não entra em campo, mas costuma ganhar força durante grandes eventos: a transmissão de doenças respiratórias. 

Diversos estudos científicos já demonstraram que aglomerações facilitam a circulação de vírus respiratórios. Um estudo publicado na revista científica Current Opinion in Pulmonary Medicine, intitulado Transmission of Respiratory Tract Infections at Mass Gathering Events, concluiu que eventos que reúnem grandes concentrações de pessoas aumentam o risco de disseminação de infecções respiratórias transmitidas por aerossóis e gotículas. 

O estudo mostra ainda que esse tipo de ambiente favorece a circulação de vírus entre indivíduos vindos de diferentes regiões, ampliando a cadeia de transmissão. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) considera eventos esportivos internacionais, como a Copa do Mundo, exemplos clássicos de grandes aglomerações, justamente pelo potencial de concentração de pessoas em um mesmo local e período. 

Para a infectologista pediátrica Carolina Brites, isso não significa abrir mão dos momentos de celebração, mas sim adotar medidas simples para reduzir os riscos. 

"É importantíssimo a gente ter essas confraternizações para a nossa saúde mental, física e para a socialização. Muitas vezes, porém, acabamos esquecendo das vulnerabilidades de saúde que estão envolvidas.

Por isso, é fundamental manter uma boa qualidade de vida, alimentação saudável, hidratação adequada e realizar as prevenções vacinais antes dessas exposições", destaca. 

A médica explica que a Covid-19 não é a única preocupação nesses períodos. Diversos outros vírus encontram nas aglomerações um ambiente ideal para se espalhar. 

"Além da Covid-19, temos influenza, parainfluenza, adenovírus, rinovírus e o vírus sincicial respiratório, que merece atenção especial em crianças menores de dois anos e idosos. São agentes que apresentam grande facilidade de transmissão quando as pessoas estão em ambientes lotados", explica. 

Outro fator frequentemente negligenciado é a ventilação dos ambientes fechados. Durante os jogos, é comum que bares, restaurantes e até meios de transporte operem com alta ocupação, aumentando a proximidade entre as pessoas. 

"A ventilação inadequada facilita a transmissão dos vírus. O ideal é que haja circulação constante de ar, com portas e janelas abertas sempre que possível. Uma boa ventilação ajuda a reduzir a concentração de partículas virais no ambiente e, consequentemente, o risco de transmissão", orienta. 

A preocupação encontra respaldo na literatura científica. Pesquisas mostram que ambientes fechados e mal ventilados favorecem a permanência de partículas respiratórias suspensas no ar, aumentando a exposição dos frequentadores. Estudos também apontam que melhorias na ventilação podem reduzir significativamente o risco de transmissão de vírus respiratórios. 

Embora as atenções costumam se voltar para medidas de proteção durante os eventos, Carolina reforça que a preparação deve começar antes mesmo do apito inicial. "O ideal é sempre se prevenir. Se já sabemos que teremos um período com mais aglomerações, precisamos nos preparar. Isso inclui alimentação equilibrada, hidratação, prática regular de atividade física e conferência da carteira de vacinação. Muitas vezes esquecemos que adultos também precisam se vacinar, não apenas as crianças." 

A especialista lembra ainda que pessoas mais vulneráveis, como idosos, bebês e indivíduos com doenças crônicas, merecem atenção especial durante esse período. Quando apresentam sintomas respiratórios, é recomendável evitar exposições desnecessárias e ambientes muito cheios. 

"Não basta apenas se expor e curtir intensamente. A prevenção é um fator importantíssimo para que possamos aproveitar esses momentos de forma prazerosa e sem intercorrências relacionadas à saúde", ressalta. 

Em um evento capaz de mobilizar torcedores em todos os cantos do planeta, o equilíbrio entre celebração e responsabilidade pode ser o melhor esquema tático fora das quatro linhas. Afinal, cuidar da saúde também faz parte da torcida.

  



Carolina Brites - CRM-SP: 115624 | RQE: 122965 - concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.


Impactos do excesso de informação para a formação médica no Brasil

O crescimento acelerado da produção científica em saúde, associado à expansão da IA generativa, tem alterado a dinâmica da formação médica no Brasil. Com o volume de conhecimento clínico dobrando a cada 73 dias, identificar informações de qualidade tem se tornado um desafio, impactando diretamente a capacidade de tomada de decisão, como apontam dados da pesquisa Challenges and Opportunities Facing Medical Education.

 

Apesar do livre acesso a bases de conhecimento, os estudantes têm lidado com excesso de informação, nem sempre filtrada ou adequada à prática, o que pode impactar na aplicação dos seus conhecimentos em cenários clínicos. Nesse contexto, a educação digital influencia diretamente a nova geração de médicos recém-formados, gerando uma preocupação relacionada ao nível de qualidade desses profissionais para 95,1% das instituições, de acordo com a pesquisa realizada pela Wolters Kluwer em parceria com a ANAHP. 

Historicamente, o curso de medicina exigia dos estudantes a memorização de um grande volume de conteúdo em pouco tempo, o que reduzia o espaço para compreensão e retenção efetiva do conhecimento. Com a chegada das ferramentas digitais e a multiplicação de fontes clínicas disponíveis, o estudante passou a lidar também com a dificuldade de identificar quais informações e recursos merecem mais atenção, o que pode aumentar a complexidade do processo de aprendizagem.

 

Paradoxo do excesso de informação 

Este cenário é um reflexo da transformação digital que vem adaptando o ensino médico e o perfil do profissional da área da saúde. O avanço das tecnologias e a alta oferta de conteúdo permitiram que os discentes moldassem seus estudos de acordo com a crescente base de pesquisa e as ferramentas disponíveis. 

Essa adaptação poderia prejudicar o desempenho acadêmico, visto que 33,3% das 72 instituições de ensino respondentes da pesquisa Desafios e abordagens para a formação médica em tempos de saúde digital no Brasil afirmam que os estudantes possuem alto nível de conhecimento tecnológico, enquanto apenas 19,4% dos professores estão totalmente preparados para utilizar ferramentas digitais e metodologias modernas no ensino. 

Ainda que soluções tecnológicas possam auxiliar na seleção e organização do conhecimento, o excesso de informação sem instrução é um problema recorrente e pode ser prejudicial para a formação. A mesma pesquisa aponta que 70,8% dos estudantes de medicina sofrem com sobrecarga de conteúdo teórico e 36,1% têm dificuldade de acompanhar literatura médica.

 

Perspectivas do ensino médico 

Embora o contexto atual apresente gargalos, o ensino médico no Brasil apresenta grande potencial qualitativo, visto que 50% das instituições promovem a Medicina Baseada em Evidências (MBE) como prática padrão e 72,2% oferecem acesso a ferramentas de suporte à decisão (SDC), mitigando o impacto de possíveis inconsistências na literatura médica e seguindo as melhores diretrizes disponíveis. 

Atrelado ao excesso de informação e complexidade no gerenciamento de conteúdo, os estudantes e médicos recém-formados vêm apresentando dificuldades para aplicar o conhecimento em cenários práticos e na tomada de decisões rápidas e baseadas em evidências. Os avanços informacionais e tecnológicos têm ocorrido em ritmo exponencial, tornando desafiador para especialistas acompanharem todas as alterações e demandas. 

Por isso, os estudantes, posicionados no início dessa cadeia de transformação, enfrentam obstáculos para se adaptar aos padrões e novas metodologias do ensino moderno, que exigem constante atualização, domínio de novas ferramentas e maior capacidade de aprendizagem contínua. 

Considerando esse cenário, a aplicação de ferramentas digitais, como SDC, aliada ao uso da Medicina Baseada em Evidências (MBE), é fundamental para ajudar o aluno a melhor navegar este cenário com excesso de informações e consolidar uma base confiável de conhecimento científico. 

Essa abordagem contribui para otimizar a tomada de decisão de estudantes e profissionais da saúde, mitigar os desafios decorrentes da expansão acelerada do conhecimento e ajudá-los a encontrar conhecimento clínico baseado em evidências com qualidade. Além disso, pode favorecer seu desenvolvimento e simplificar a compreensão e a aplicação prática do conhecimento.

 

Fabio Miyagawa- Diretor de Marketing da Wolters Kluwer Health no Brasil


Pacientes com câncer podem tomar vacina? Saiba o que é recomendado


De acordo com infectologista do IBCC Oncologia, esquema vacinal exige estratégia individualizada e atenção ao momento do tratamento para garantir proteção sem comprometer a resposta imunológica

 

Pacientes em tratamento oncológico têm maior risco de desenvolver infecções graves e, por isso, não devem seguir o calendário vacinal padrão da população geral. Nesse caso, a imunização precisa ser planejada de forma individualizada, levando em conta o tipo de tumor, a terapia adotada e o grau de imunossupressão.

 

A recomendação é que o esquema vacinal seja integrado ao próprio plano de tratamento oncológico, com definição do tipo de vacina e do momento mais adequado para aplicação. O objetivo é reduzir complicações infecciosas, evitar internações e impedir interrupções em terapias como a quimioterapia, que podem comprometer os resultados clínicos.

 

“A vacinação é uma estratégia fundamental no cuidado do paciente com câncer. Ao prevenir infecções, conseguimos reduzir intercorrências que muitas vezes levam à suspensão do tratamento”, afirma a infectologista Adriana Coracini Tonacio de Proença, coordenadora da área no IBCC Oncologia.

 

Pacientes em tratamento oncológico apresentam maior risco de desenvolver infecções por agentes como pneumococo, influenza, covid-19 e meningococo. Além de mais frequentes, essas infecções tendem a evoluir de forma mais grave, com maior necessidade de internação.


 

Quais vacinas são recomendadas e quando devem ser aplicadas

 

As principais vacinas indicadas para pacientes oncológicos são as inativadas ou de subunidade proteica, por não conterem vírus vivos. “O ideal é que essas vacinas sejam aplicadas pelo menos 14 dias antes do início da quimioterapia ou de qualquer terapia imunossupressora. Esse intervalo permite que o organismo tenha tempo de desenvolver uma resposta imunológica mais adequada”, orienta a infectologista.

 

Ainda assim, a vacinação não deve ser interrompida caso o tratamento já tenha começado. “Mesmo durante alguns tratamentos, como a quimioterapia, vacinas como influenza e covid-19 continuam sendo recomendadas. A resposta pode não ser tão robusta, mas ainda assim há benefício clínico”, completa.

 

Entre as principais vacinas disponíveis no SUS para esse público estão pneumocócicas (13 e 23-valente), meningocócica ACWY, hepatites A e B, dTpa, influenza, covid-19, HPV (até 45 anos) e Haemophilus influenzae tipo B, além das vacinas do calendário básico.


 

Atenção: algumas vacinas requerem avaliação médica antes da administração

 

As vacinas de vírus vivos atenuados exigem avaliação individualizada e, na maioria dos casos, não são indicadas durante o tratamento oncológico. “Vacinas como tríplice viral, varicela, febre amarela e dengue, de forma geral, são contraindicadas durante a quimioterapia”, destaca a infectologista do IBCC Oncologia.

 

Para pacientes com tumores sólidos, como câncer de mama, pulmão, próstata ou intestino, pode haver exceções. “Em alguns casos específicos, essas vacinas podem ser consideradas, desde que aplicadas pelo menos quatro semanas antes do início do tratamento”, explica.

 

Outro ponto importante envolve terapias imunológicas específicas. De acordo com a infectologista, pacientes que utilizam anticorpos monoclonais, como o Rituximabe, apresentam uma resposta vacinal muito reduzida. “Nesses casos, recomendamos aguardar cerca de seis meses após a última dose para buscar uma resposta mais efetiva à vacina e com segurança”, acrescenta.


 

É possível se vacinar durante o tratamento

 

Durante a quimioterapia e alguns tipos de radioterapia, vacinas inativadas podem ser administradas durante o tratamento, mas a eficácia da vacina pode ser menor. Ainda assim, a recomendação é manter a vacinação.

 

Já em pacientes em imunoterapia, a orientação é clara: “Durante a imunoterapia, encorajamos a manutenção da rotina vacinal normalmente. Os benefícios da prevenção de infecções superam os riscos potenciais”, diz a médica.


 

O papel fundamental de familiares e cuidadores

 

A proteção do paciente oncológico vai além dele. Familiares e cuidadores têm um papel importante nesse processo. “A vacinação dos contatos próximos é pilar de proteção. Quando familiares estão com o calendário vacinal em dia, conseguimos reduzir a circulação de agentes infecciosos no ambiente do paciente”, explica a especialista.

 

Muitas vezes o paciente não pode receber determinadas vacinas, como as de vírus vivos. Por isso, é fundamental que as pessoas ao redor estejam imunizadas, criando um verdadeiro “escudo de proteção”. 

 

 

Mitos e verdades sobre vacinação em pacientes com câncer

 

A desinformação ainda é um desafio importante. A infectologista do IBCC Oncologia, Adriana Coracini Tonacio de Proença, esclarece os principais pontos:

 

Vacinas podem causar câncer ou piorar o tumor?

“Isso é um mito. Não existe evidência de que vacinas causem câncer ou acelerem a progressão tumoral. Já temos milhões de doses aplicadas em pacientes oncológicos sem qualquer sinal de piora da doença.”

 

Pacientes em imunoterapia não podem se vacinar?

“Também é mito. Eles podem e devem se vacinar. Existe uma discussão teórica sobre eventos imunomediados, mas, na prática, os benefícios superam os riscos.”

 

A vacina da gripe causa gripe?

“Não. A vacina utilizada é inativada, ou seja, não tem capacidade de causar a doença.”

 

Após a remissão, a vacinação deixa de ser necessária?

“De forma alguma. O sistema imunológico pode continuar fragilizado por um período após o tratamento. Por isso, o acompanhamento médico e a atualização do calendário vacinal continuam sendo fundamentais.”

 

Vacinação como parte do tratamento oncológico 


Para a especialista, a mensagem é clara: a vacinação deve ser incorporada ao plano terapêutico do paciente oncológico. “A gente precisa enxergar a vacinação como parte do cuidado oncológico. Não é algo secundário. É uma estratégia que protege o paciente, evita complicações e contribui diretamente para o sucesso do tratamento”, conclui Adriana Coracini Tonacio de Proença.

 

Pintura de ruas durante a Copa do Mundo: docente da UMC explica o que pode e o que é considerado infração

 

 Decoração viária requer autorização da prefeitura em espaço público; em condomínios, liberação depende da administração


 A Copa do Mundo vai começar e, no Brasil, é costume pessoas se juntarem para decorar suas ruas com a temática esportiva. Cidades de vários estados brasileiros, inclusive, têm estimulado moradores com concursos que premiarão as ruas mais bonitas e decoradas. Contudo, nem toda via pública pode ser pintada e a falta de autorização de órgão competente pode resultar em infração, com risco de penalização para quem alterá-la. O alerta é de Tiago Trentinella, professor de Direito Ambiental no curso de Direito da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), pós-doutorado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e doutor e mestre pela Faculdade de Direito e Política da Universidade de Osaka (Japão).

“Apesar de toda a mobilização social que um evento esportivo grandioso como a Copa do Mundo causa, é preciso saber que a pintura de rua pode ser interpretada como alteração da via que gera confusão ao condutor, comprometendo a sinalização e segurança viária. A rua é patrimônio público e não pode ser usada de forma diversa de sua destinação legalmente definida”, explica Trentinella.

O docente da UMC detalha que os municípios têm secretarias que cuidam do trânsito e qualquer intervenção nas ruas, seja a pintura em si ou o bloqueio viário para a pintura temática, deve ser precedida por autorização da prefeitura. “Isso tem acontecido em diversos municípios, que incentivaram a pintura de vias por meio de procedimento administrativo simplificado, abrindo espaço para a arte durante a competição”, diz.

Ainda que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não preveja penalidade específica para a pintura das ruas, a obstrução de vias para viabilizar sua decoração é considerada infração gravíssima, punida com multa.

“Em qualquer caso, a prefeitura pode demandar que o ‘artista’ responsável remova a pintura para reparar o patrimônio público, e que eventuais danos à rua sejam ressarcidos ao erário”, observa Trentinella.

Geralmente, as pinturas são autorizadas pelas prefeituras em vias de pouco movimento, onde o bloqueio parcial para a decoração não cause transtornos para as pessoas e para o trânsito local.



E em condomínios fechados?

No caso de decoração especial para a Copa do Mundo em condomínios fechados ou vias internas particulares, há diferença, segundo o professor de Direito Ambiental.

“Se as vias condominiais forem particulares, serão bens de uso comum dos condôminos. Qualquer intervenção, inclusive a pintura, deve obedecer às prescrições do regulamento interno. Assim, é prudente pleitear autorização ao síndico ou à assembleia de condôminos antes que qualquer intervenção seja realizada nas dependências do condomínio. Há muitas situações nas quais o regulamento interno investe o síndico com poderes para aplicar multas e pleitear que o ‘artista’ arque com os custos de retornar a via a seu estado original”, alerta.

Para evitar que o momento de festa se transforme em dor de cabeça, Trentinella dá algumas orientações.

“Se for em ambiente particular, peça a liberação junto ao administrador. Se a pintura ou decoração for em via pública, busque a autorização, indicando o local onde a pintura será realizada para a avaliação da autoridade competente. A prefeitura pode impor condições, como a de que o material utilizado seja de fácil remoção e que não haja intervenções em faixas de pedestres, faróis ou qualquer sinalização de trânsito. A paixão pelo futebol não é desculpa para deixar de ser um bom cidadão. A rua é patrimônio público. Devemos lembrar que a Copa do Mundo é evento passageiro e que a cidadania é qualidade permanente para o bem viver de todos”, conclui o docente da UMC.

 

Com alta das compras no Dia dos Namorados, Santander alerta para golpes mais comuns


Promoções muito vantajosas e condições especiais podem esconder golpes e prejudicar financeiramente milhares de consumidores que vão às compras para comemorar o Dia dos Namorados, festejado em 12 de junho. Como forma de proteger os clientes e proporcionar melhores experiências nos ambientes físico e digital, o Santander lista sete dicas para que as pessoas adotem hábitos simples para identificar situações que podem comprometer a segurança digital. 

“Como as pessoas ficam mais dispostas para compras em datas comemorativas, golpistas aproveitam para agir e causar prejuízos financeiros. Por isso, é preciso acender o sinal de alerta, redobrar a atenção e adotar medidas de segurança digital. No Santander, o investimento em monitoramento, tecnologias antifraude e educação digital é constante para proteger os clientes e a sociedade”, afirma Leandro Granja, CISO do Santander.

 

Sete dicas do Santander para não cair em golpes:

 1. Utilize o cartão online para compras na internet, que pode ser gerado facilmente no app Santander e conta com a proteção do código de segurança dinâmico, que muda periodicamente. 

2. Cuidado com anúncios em redes sociais, e-mail, SMS ou WhatsApp. Sempre confira se a oferta é verdadeira no aplicativo e/ou site oficial das lojas. 

3. Fique atento ao receber um Alerta de Segurança ao fazer um Pix ou pagar um boleto: pare, leia e decida seguir ou não com a transação; 

4. Ao comprar em lojas físicas, sempre verifique se o valor da compra está correto antes de aproximar ou digitar a senha do cartão na maquininha. Caso não seja possível ver o valor, não pague! 

5. Nunca entregue o cartão a terceiros. Prefira o pagamento por aproximação para que o cartão não saia da mão e evite o golpe da troca do cartão. 

6. O Santander avisa por WhatsApp, push do app ou SMS sobre compras suspeitas, em que pede para que o cliente reconheça ou não a compra. Fique atento ao selo de verificação no WhatsApp para identificar o número oficial do Banco. 

7. Desconfie de entregas de presentes inesperadas por motoboy que solicitam pagamento de taxas ou para tirar uma foto para receber a encomenda. Pode ser golpe!  

O Santander possui mecanismos que protegem não apenas os dados dos clientes, mas também as transações, seguindo as melhores práticas do mercado e adotando tecnologias de ponta. Soluções como a Confirmação de Compras Suspeitas e o Cartão Online proporcionam segurança nas compras. Essas são duas das mais de 20 funcionalidades voltadas à proteção do cliente.

Em caso de suspeita de fraude, o Santander sempre recomenda aos clientes a entrarem em contato com a Central de Atendimento pelos números 4004-3535 (capitais e regiões metropolitanas), 0800 702 3535 (demais localidades), pelo link de atendimento em Libras (canal exclusivo para atendimento em Libras) ou também pelo chat no aplicativo. Para os casos de fraudes com PIX, os clientes também tem à disposição o autosserviço de contestação, no app do Banco: Menu > PIX > selecionar a transação > reportar problema PIX > seguir as orientações.

 


Férias sem imprevistos: 8 cuidados que fazem diferença nas viagens em família

Free Pik 
Com passagens aéreas mais caras e famílias optando cada vez mais pelo carro, especialistas da AutoZone Brasil reúnem orientações que vão além da revisão básica do veículo

 

As férias de julho estão chegando e muitas famílias já começaram o planejamento das viagens. Em um cenário de aumento nos custos do transporte aéreo e maior busca por alternativas que ofereçam flexibilidade e economia, o carro segue como uma das principais escolhas para quem pretende viajar com crianças. 

Segundo levantamento da Decolar, a procura por hospedagens para as férias de julho de 2026 cresceu 40% em relação ao mesmo período do ano anterior, com destaque para destinos nacionais. O cenário reforça o aquecimento do turismo doméstico e o planejamento antecipado das famílias para o período de férias escolares.

Na AutoZone Brasil, o período que antecede as férias também costuma registrar um aumento de 40% na procura por itens voltados para viagens e de 55% nos serviços de revisão e manutenção preventiva oferecidos gratuitamente nas lojas da rede, reforçando a preocupação dos motoristas com a segurança antes de pegar a estrada. 

Segundo especialistas da AutoZone Brasil, o segredo para uma viagem tranquila vai muito além de abastecer o carro e programar o GPS. 

"Quando a viagem envolve crianças, planejamento e segurança ganham ainda mais importância. Pequenos cuidados antes da partida podem evitar imprevistos, reduzir o estresse durante o trajeto e tornar a experiência mais agradável para toda a família."
 

Confira as principais recomendações da AutoZone:
 

1. Faça a revisão antes da alta temporada

Quanto mais próximo das férias, maior costuma ser a procura por oficinas e serviços automotivos. Antecipar a revisão permite identificar problemas com pneus, amortecedores, freios, bateria, iluminação e sistema de arrefecimento sem correria.
 

2. Verifique se a cadeirinha ainda está adequada

Muitos pais esquecem que a cadeirinha ideal muda conforme a idade, peso e altura da criança. Antes da viagem, vale conferir se o equipamento continua apropriado e está corretamente instalado.
 

3. Planeje as paradas antes de sair de casa

Em viagens longas, programar pausas estratégicas ajuda a reduzir o cansaço das crianças e do motorista. Uma parada a cada duas ou três horas pode tornar o trajeto muito mais confortável.
 

4. Não deixe objetos soltos dentro do veículo

Garrafas, mochilas, brinquedos e eletrônicos podem se transformar em projéteis em caso de frenagem brusca. O ideal é manter tudo organizado em compartimentos ou no porta-malas.
 

5. Atenção ao transporte dos pets

Quem viaja com animais de estimação deve utilizar caixa de transporte, cinto de segurança específico ou assento apropriado. Além de garantir mais proteção, a medida evita distrações ao motorista.
 

6. Monte um kit de emergência para crianças

Água, lanches rápidos, medicamentos de uso contínuo, muda de roupa, lenços umedecidos e carregadores portáteis podem evitar diversos contratempos ao longo da viagem.
 

7. Teste o ar-condicionado antes de pegar a estrada

Um sistema que funciona bem faz diferença principalmente em viagens longas. Além do conforto, ajuda a reduzir o desgaste dos ocupantes e contribui para uma condução mais segura.
 

8. Faça um teste de viagem dentro da cidade

Para famílias que vão viajar com bebês ou crianças pequenas pela primeira vez, uma dica pouco lembrada é realizar pequenos trajetos mais longos nos dias anteriores. Isso ajuda a identificar necessidades de ajustes na cadeirinha, organização interna e rotina de paradas.
 

Para a AutoZone Brasil, a preparação do veículo deve fazer parte do roteiro da viagem da mesma forma que a reserva do hotel ou a escolha do destino. 

"As melhores férias são aquelas em que a preocupação fica apenas em aproveitar o passeio. Quando o veículo está em boas condições e a viagem é planejada com antecedência, as chances de imprevistos diminuem significativamente", conclui a empresa.


Brasil do futebol, Brasil do café: duas paixões nacionais que movimentam bilhões e conquistam o mundo


Em ano de Copa, especialista aponta semelhanças entre dois dos maiores símbolos do país: o futebol e o café

 

 

Quando a Seleção Brasileira entra em campo, milhões de pessoas se unem em torno de uma paixão que ajudou a construir a identidade nacional. Mas existe outro patrimônio brasileiro que também conquistou o mundo, gera riqueza, empregos e orgulho nacional: o café.

 

Em pleno clima de Copa do Mundo, um comparativo curioso chama atenção. Se o futebol transformou o Brasil em uma potência esportiva global, o café consolidou o país como protagonista absoluto no mercado internacional. Líder mundial na produção e exportação do grão há mais de 150 anos, o Brasil responde por aproximadamente um terço do café consumido no planeta e embarca sua produção para mais de 100 países.

 

Ao mesmo tempo em que exporta jogadores para as principais ligas do mundo, o país exporta cafés que hoje são reconhecidos entre os melhores do mercado internacional.

 

Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), as exportações brasileiras de café movimentam mais de US$ 10 bilhões por ano. Já a cadeia produtiva do café gera cerca de 8 milhões de empregos diretos e indiretos em todo o país, desde o campo até cafeterias e pontos de venda.

 

"O futebol e o café são duas marcas do Brasil perante o mundo. Ambos carregam história, tradição, talento e paixão. A diferença é que o futebol está presente no imaginário do brasileiro há décadas, enquanto o café vive um momento de redescoberta pelo consumidor nacional", afirma Cristian Figueiredo, fundador da Mr. Black Café.

 

O brasileiro está aprendendo a valorizar o café que produz

 

Se o futebol sempre ocupou espaço privilegiado na cultura brasileira, o consumo de café passa por uma transformação silenciosa, mas significativa.

 

Embora o Brasil seja o segundo maior mercado consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, durante décadas o foco esteve no volume consumido e não necessariamente na qualidade da bebida.

 

Nos últimos anos, porém, esse cenário começou a mudar. O crescimento dos cafés gourmet e especiais, o surgimento de novas cafeterias e o interesse dos consumidores pela origem dos grãos, métodos de preparo e experiências de consumo mostram uma evolução semelhante à que ocorreu em mercados mais maduros, como Estados Unidos, Austrália e alguns países europeus.

 

"O brasileiro sempre foi apaixonado por café, mas agora começa a entender melhor o produto. É um movimento parecido com o que aconteceu com o vinho anos atrás. As pessoas querem saber de onde vem o grão, como foi produzido e quais são suas características", explica Figueiredo.


 

Futebol e café movimentam economias bilionárias

 

As semelhanças também aparecem nos números. A indústria global do futebol movimenta centenas de bilhões de dólares anualmente entre direitos de transmissão, publicidade, patrocínios, turismo, produtos licenciados e eventos esportivos. Somente a Copa do Mundo da FIFA é considerada um dos maiores eventos econômicos do planeta, atraindo audiência de bilhões de pessoas e gerando impactos econômicos em diversos setores.

 

Já o mercado global de café movimenta mais de US$ 200 bilhões por ano, considerando toda a cadeia produtiva, da lavoura ao consumo final.

 

No Brasil, o café também impulsiona outro segmento em expansão: o franchising. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), alimentação continua entre os segmentos mais procurados por investidores, com destaque para operações ligadas ao consumo recorrente e à experiência do cliente.

 

As cafeterias acompanham esse movimento ao unir conveniência, experiência, relacionamento e consumo de um produto que faz parte da rotina dos brasileiros.


 

Da exportação à experiência

 

Se durante décadas o Brasil foi reconhecido principalmente por exportar café verde para o exterior, hoje cresce o interesse em agregar valor ao produto dentro do próprio país. A expansão das cafeterias gourmet representa uma mudança importante nesse processo. Mais do que vender café, esses estabelecimentos ajudam a educar o consumidor e a fortalecer uma cultura de apreciação semelhante à existente em grandes mercados consumidores internacionais.

 

"Existe uma nova geração de consumidores que quer viver experiências. As cafeterias deixaram de ser apenas um local para tomar café e passaram a ser espaços de encontro, trabalho, relacionamento e convivência. Isso fortalece toda a cadeia do café brasileiro", afirma o empresário.


 

A cafeteria como ponte entre o produtor e o consumidor

 

Foi justamente observando essa transformação do mercado que nasceu a Mr. Black Café. Fundada em Belo Horizonte por Cristian Figueiredo, a rede surgiu com a proposta de democratizar o acesso ao café gourmet, oferecendo uma experiência de qualidade com preços acessíveis e ambiente acolhedor.

 

A marca apostou em um modelo de negócio que une três tendências em crescimento: a valorização do café brasileiro, a busca por experiências de consumo e o avanço do franchising no setor de alimentação. O resultado foi a construção de uma rede com mais de 40 unidades em operação, faturamento superior a R$ 30 milhões e presença em diferentes regiões do país.

 

Mais do que uma cafeteria, a Mr. Black Café se posiciona como um espaço de convivência, onde o consumidor pode experimentar cafés de origem controlada, bebidas autorais, produtos artesanais e momentos de conexão, seja para uma reunião de trabalho, um encontro entre amigos ou uma pausa na rotina.

 

"O brasileiro está descobrindo que é possível consumir um café de qualidade sem que isso seja algo elitizado. Nosso objetivo sempre foi aproximar as pessoas do universo do café gourmet, mostrando que esse produto pode fazer parte do dia a dia", afirma Cristian Figueiredo.

 

Para sustentar a expansão, a rede desenvolveu um modelo de franquias baseado em operação simplificada, suporte contínuo ao franqueado e foco na experiência do cliente. A estratégia acompanha uma tendência observada em todo o país: consumidores mais exigentes e empreendedores em busca de negócios ligados a produtos de consumo recorrente e forte identificação cultural.

 

Nesse cenário, a Mr. Black Café enxerga uma oportunidade semelhante à que impulsionou o crescimento do mercado de cafeterias em países como Estados Unidos e Austrália: transformar um produto tradicionalmente consumido pelos brasileiros em uma experiência capaz de gerar valor para toda a cadeia, do produtor ao consumidor final.


 

Uma oportunidade para empreendedores

 

Assim como milhares de jovens sonham em construir uma carreira no futebol, cresce também o número de brasileiros interessados em empreender em segmentos ligados ao café.

 

O avanço das franquias especializadas acompanha o amadurecimento do consumidor e a valorização crescente do café de qualidade.

 

Para especialistas do setor, o cenário é favorável principalmente em cidades médias e regiões do interior, onde o consumo premium cresce acima da média nacional e ainda existe espaço para expansão de marcas estruturadas.

 

Em ano de Copa do Mundo, o paralelo entre futebol e café ajuda a reforçar uma constatação: poucas atividades representam tão bem a identidade brasileira quanto essas duas paixões. Uma é celebrada nos estádios. A outra, diariamente, em milhões de xícaras espalhadas pelo país e pelo mundo. 



Mr. Black Café Gourmet
https://mrblackcafe.com.br/


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