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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Dor de garganta em crianças no inverno exige atenção aos sinais de alerta

Sintoma comum em gripes e resfriados pode também indicar infecção bacteriana e deve ser avaliado quando há febre persistente, dificuldade para engolir, alterações respiratórias ou piora do estado geral 

A dor de garganta é uma das queixas mais frequentes entre crianças durante o inverno, período em que as infecções respiratórias se tornam mais comuns no Rio Grande do Sul. O frio, o ar seco e a maior permanência em ambientes fechados favorecem a irritação das mucosas e a circulação de vírus respiratórios. Em muitas crianças, a dor aparece junto com coriza, tosse, rouquidão, vermelhidão na garganta e febre. Em outros casos, pode haver dificuldade para se alimentar, recusa de líquidos, queda no nível de disposição, sonolência excessiva e queixas progressivas de dor, sinais que merecem atenção dos pais e responsáveis. 

Segundo o 1º vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Silvio Baptista, embora muitas vezes esteja associada a quadros virais, como gripes e resfriados, a dor de garganta também pode indicar infecções bacterianas, especialmente em crianças maiores, quando vem acompanhada de febre, dor importante ao engolir, mal-estar e ausência de sintomas respiratórios, como coriza. 

“A dor de garganta, assim como as demais doenças infantis, preocupa quando atinge significativamente o estado geral da criança, com dificuldade para respirar, diminuição da ingesta alimentar e de líquidos, prostração, sonolência excessiva e queixas progressivas de dor”, explica. 

A avaliação do conjunto de sintomas é essencial para diferenciar quadros leves daqueles que exigem consulta médica. Nos primeiros dois a três anos de vida, as infecções bacterianas de orofaringe, causadas principalmente pelo Streptococcus pyogenes, são menos frequentes, sendo os vírus os principais agentes etiológicos nessa faixa etária. Em crianças maiores, as infecções bacterianas costumam provocar dor, febre e mal-estar, geralmente sem coriza ou outros sinais respiratórios. Ao exame, podem aparecer aumento de volume das tonsilas palatinas, conhecidas como amígdalas, hiperemia, que é a vermelhidão intensa da garganta, além de secreção ou placas. 

“Pode ser difícil diferenciar as causas infecciosas, entre virais e bacterianas. Existem exames com pesquisa direta na orofaringe para identificação de bactérias patogênicas, como Streptococcus sp., que podem ser solicitados para ajudar o médico nessa diferenciação”, destaca o médico. 

Em casa, os responsáveis devem observar o estado geral da criança, manter a hidratação e utilizar apenas medicações já orientadas previamente pelo pediatra, como analgésicos para controle da dor. Medicamentos para febre devem ser usados quando houver mal-estar ou dor associados, sempre conforme orientação profissional. A automedicação deve ser evitada, especialmente com antibióticos, anti-inflamatórios e xaropes sem prescrição. O uso inadequado pode mascarar sintomas, causar efeitos adversos e contribuir para resistência bacteriana. 

“Nem toda dor de garganta precisa de antibiótico. Na maioria das vezes, a causa é viral e o tratamento envolve hidratação, repouso, controle da dor e acompanhamento da evolução. O antibiótico só deve ser usado quando houver confirmação de infecção bacteriana, sempre com prescrição médica”, afirma. 

Entre os cuidados que podem ajudar na prevenção estão manter a criança bem hidratada, estimular a respiração pelo nariz, evitar exposição ao frio intenso, proteger adequadamente o corpo em dias de baixa temperatura e manter os ambientes ventilados. Em locais muito secos, medidas simples para melhorar a umidade do ar podem reduzir o ressecamento das vias respiratórias. Líquidos mornos também podem aliviar o desconforto, desde que adequados à idade da criança e oferecidos com segurança. 

A SPRS orienta que a criança seja levada ao pronto atendimento ou emergência diante de dificuldade para respirar, piora do estado geral, prostração, sonolência excessiva, sinais de desidratação, recusa persistente de líquidos, dor intensa que impeça a alimentação ou febre e dor que persistam apesar das medicações orientadas. Em bebês, crianças pequenas ou pacientes com doenças crônicas, a atenção deve ser ainda maior.

 

Marcelo Matusiak


Por que algumas pessoas têm mais resultado com exercício físico do que outras? Ciência e esporte ajudam a explicar


Quem já treinou com amigos ou frequenta academia de ginástica provavelmente já percebeu: enquanto algumas pessoas evoluem rapidamente e ganham massa muscular, perdem peso ou melhoram o condicionamento físico em poucas semanas, outras parecem avançar em um ritmo bem mais lento, mesmo com treinos semelhantes. A explicação para essa diferença não está apenas na dedicação ou intensidade. A ciência mostra que o desempenho físico é resultado de uma combinação complexa de fatores biológicos, genéticos e metabólicos. 

Estudo do periódico científico Japanese Journal of Physical Fitness and Sports Medicine¹ indica que há uma grande variabilidade individual na resposta ao treino e parte importante dessa diferença está no DNA. Revisões científicas mostram que força, resistência e capacidade aeróbica podem ter herdabilidade média em torno de 50% a 60%, dependendo do fenótipo analisado. Análises mais recentes publicada na Revista Frontiers in Physiology ²corroboram essa visão e apontam que até 66% da variação no desempenho atlético pode estar associada a fatores genéticos², com o restante influenciado por estilo de vida, treino e ambiente. 

“Cada organismo reage de forma única ao exercício. Isso envolve desde a composição muscular até fatores hormonais e metabólicos, que variam bastante entre as pessoas”, explica Luiz Augusto Riani Costa, médico do esporte Alta Diagnósticos, marca premium da Dasa. Segundo ele, essa variabilidade é natural e não deve ser interpretada como falta de esforço ou disciplina. 

A Dasa é patrocinadora oficial dos exames laboratoriais e diagnósticos dos atletas do Comitê Olímpico do Brasil (COB), reforçando o papel cada vez mais estratégico da medicina e da ciência na preparação de esportistas de alto rendimento. O acompanhamento envolve monitoramento clínico, avaliações fisiológicas e análise individualizada de indicadores de saúde e performance, algo que o cardiologista do exercício Raffael Francisco Pires Fraga, ex-atleta de ginástica olímpica, acompanha de perto tanto na prática médica quanto na rotina da filha, a esgrimista Ana Beatriz Fraga, de 16 anos. 

A jovem que vem ganhando destaque no cenário internacional. Em 2026, conquistou a etapa de Bogotá da Copa do Mundo Cadete, um feito inédito para o Brasil na modalidade, além da medalha de bronze em Boston e um lugar entre as dez melhores atletas em competição realizada na Geórgia. Sua trajetória é acompanhada por uma estrutura multidisciplinar que integra treino técnico, avaliações médicas, fisiológicas e acompanhamento contínuo da evolução física. 

“O esporte de alto rendimento exige monitoramento médico, fisiológico e diagnóstico cada vez mais sofisticado. Ter esse suporte é fundamental não apenas para a performance, mas também para a saúde e longevidade do atleta”, afirma Raffael Fraga. Entender as particularidades de cada organismo permite otimizar desempenho, reduzir riscos e potencializar resultados, seja em atletas de elite, seja em pessoas que buscam qualidade de vida e envelhecimento saudável.

 

Cada corpo responde de um jeito e isso pode ser medido
 

Além da genética, o funcionamento do corpo também influencia diretamente os resultados. "Hormônios como testosterona, cortisol e os hormônios da tireoide desempenham papel importante na forma como o organismo responde ao treino, impactando o ganho de massa muscular, a queima de gordura, a energia e até a recuperação após o exercício. Alterações hormonais podem interferir significativamente no desempenho e na evolução”, reforça Riani. 

Nos últimos anos, analisar o perfil genético de uma pessoa para identificar predisposições relacionadas ao desempenho físico também se tornou uma prática relevante. 

“Duas pessoas podem seguir o mesmo treino e ter resultados completamente diferentes e a genética é uma das principais explicações para isso. Hoje, conseguimos usar essas informações para potencializar performance, reduzir riscos de lesão e tornar os cuidados com o corpo muito mais precisos”, afirma o médico geneticista Gustavo Guida, da Dasa Genômica e do laboratório Sérgio Franco, no Rio de Janeiro. 

Nesse cenário, testes como o Painel Esportivo da Genera vêm ganhando espaço ao oferecerem uma leitura mais aprofundada do funcionamento do corpo. A análise é feita a partir de uma amostra de saliva, coletada de forma simples e não invasiva, que permite mapear variantes genéticas associadas a desempenho, recuperação, metabolismo e risco de lesões. A partir desses dados, o exame indica tendências individuais como maior aptidão para força ou resistência e contribui para a personalização de treinos e estratégias de saúde. 

Além disso, algumas marcas, como o Alta Diagnósticos, oferecem o check-up esportivo, uma avaliação completa que integra exames laboratoriais, cardiológicos, hormonais e de imagem para mapear o estado de saúde e a aptidão física do paciente. O objetivo é identificar possíveis riscos, orientar a prática segura de exercícios e apoiar a construção de um plano mais eficiente e individualizado, tanto para atletas quanto para pessoas que desejam melhorar o desempenho ou iniciar uma rotina de atividade física com acompanhamento médico. 

Apesar de toda essa influência biológica, especialistas reforçam que a genética não determina limites, mas sim pontos de partida diferentes. "todas as pessoas podem evoluir com a prática regular de exercícios e a diferença está no caminho e no tempo necessário para atingir determinados resultados. Quando o treino é alinhado às características individuais, os resultados tendem a ser mais consistentes e sustentáveis”, conclui Guida.
 



Referências:
1. Link
2. Link



Junho Vermelho: campanha do GSH Banco de Sangue convoca população para “entrar em campo pela vida

 


 Banco de Sangue de São Paulo abrirá normalmente no feriado de Corpus Christi, 4 de junho, para receber doadores com conforto e segurança


Em clima de Copa do Mundo, o GSH Banco de Sangue de São Paulo lança sua campanha Junho Vermelho com o mote “Você foi convocado para fazer história!”, convidando a população a transformar a paixão nacional pelo futebol em um gesto de solidariedade capaz de salvar vidas. A iniciativa faz uma analogia entre a força da torcida brasileira e a mobilização necessária para manter os estoques de sangue em equilíbrio em um momento considerado crítico para os bancos de sague pelo país.

Inspirada na união que toma conta do país durante os grandes campeonatos, a campanha reforça que, fora dos gramados, cada pessoa também pode fazer a diferença. Afinal, uma única doação de sangue pode salvar até quatro vidas. A ação já começa a circular nos canais digitais da instituição com a mensagem: “A cada quatro anos, o Brasil veste a mesma camisa e joga junto como uma só torcida. E é na força dessa união, desse passe coletivo, que podemos ir além do estádio e entrar em campo pela vida”.

Com as temperaturas mais frias do outono e os feriados prolongados, as doações registram quedas significativas e os estoques sanguíneos estão, neste momento, em estado crítico, enquanto a demanda hospitalar permanece alta. Por isso, o Junho Vermelho surge como um importante movimento nacional de conscientização sobre a necessidade da doação regular.

“O futebol mostra como o brasileiro é capaz de se unir por um objetivo em comum. E é exatamente esse espírito que queremos despertar no Junho Vermelho. Cada doador é um jogador essencial nessa partida pela vida. Quando a população se mobiliza, conseguimos manter os estoques em níveis seguros e garantir atendimento aos pacientes que dependem dos hemocomponentes diariamente para se restabelecerem”, destaca Janaína Ferreira, líder de captação do GSH Banco de Sangue de São Paulo.

O sangue é um recurso insubstituível e fundamental em diversas situações médicas, como cirurgias, acidentes graves, tratamentos oncológicos e doenças hematológicas. Apesar disso, a adesão regular à doação ainda é baixa no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas cerca de 1,4% da população brasileira doa sangue regularmente, percentual considerado insuficiente para atender de forma estável toda a demanda hospitalar.


Dia Mundial do Doador de Sangue

A escolha do mês não é por acaso, já que em 14 de junho se comemora o Dia Mundial do Doador de Sangue, em homenagem ao nascimento de Karl Landsteiner, imunologista austríaco que descobriu o fator Rh e as diferenças entre os tipos sanguíneos.

A campanha também reforça a importância da renovação constante dos estoques, já que os hemocomponentes possuem prazo de validade limitado. As plaquetas, por exemplo, podem ser armazenadas por apenas cinco dias.


Atendimento no feriado

Para ampliar o acesso e proporcionar mais comodidade aos voluntários, o GSH Banco de Sangue de São Paulo funcionará normalmente no feriado de 4 de junho, nos seguintes endereços:

  • Unidade Paraíso: Rua Tomás Carvalhal, 711, bairro Paraíso – atende diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos finais de semana e feriados;
  • Unidade Bela Vista | Hospital BP, Rua Maestro Cardim 769, Bela Vista (Portaria 2) – atende diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos finais de semana e feriados;
  • Unidade Santo André, Av. Dom Pedro II, 877 (Próximo ao Parque Celso Daniel), atende de segunda a sábado, das 7h às 12h.


Confira a lista completa dos pré-requisitos para doação de sangue:

• Apresentar um documento oficial com foto (RG, CNH etc.) em bom estado de conservação;

• Ter idade entre 16 e 69 anos desde que a primeira doação seja realizada até os 60 anos (menores de idade precisam de autorização e presença do responsável legal no momento da doação);

• Não é permitido realizar doação acompanhado de menores de 12 anos (exceto se o menor estiver acompanhado de dois adultos, sendo necessário o revezamento dos mesmos enquanto acontece a doação);

• Estar em boas condições de saúde, se sentindo bem, sem qualquer sintoma;

• Pesar a partir de 50 kg e ter dormido ao menos 6h na última noite;

• Não ter feito uso de bebida alcoólica nas últimas 12 horas;

• Não é necessário estar em jejum, evitar alimentos gordurosos;

• Se fez tatuagem e/ou piercing, aguardar 12 meses. Exceto para região genital e boca (12 meses após a retirada);

• Em caso de diabetes, deverá estar controlada e não fazer uso de insulina;

• Se passou por endoscopia ou procedimento endoscópico, aguardar 6 meses;

• Não ter tido Doença de Chagas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST);

• Candidatos que apresentaram sintomas de gripe e/ou resfriado devem aguardar 7 dias após cessarem os sintomas e o uso das medicações;

• Aguardar 48h para doar caso tenha tomado a vacina da gripe, desde que não esteja com nenhum sintoma.


Alienação parental: como o conflito afeta a saúde mental de crianças e adolescentes

 No Dia mundial dos pais (01.06), especialistas explicam o fenômeno da Alienação parental e apontam 9 sinais de alerta 

 

A Lei nº 12.318/2010 define a alienação parental como a interferência na formação psicológica de crianças ou adolescentes causada por um dos responsáveis ou por quem detenha sua guarda. Criada para coibir esse tipo de prática, a lei reconhece que conflitos familiares podem afetar diretamente o desenvolvimento emocional dos mais jovens. Por isso, prevê medidas que vão de advertência à inversão da guarda, com o objetivo de garantir o direito à convivência equilibrada e a um ambiente familiar saudável.


Na prática, porém, identificar e enfrentar a alienação parental ainda é um desafio. O processo exige análise cuidadosa das dinâmicas familiares e, muitas vezes, avaliações psicológicas detalhadas. Isso porque, embora não seja um diagnóstico clínico, a alienação parental pode gerar consequências profundas na saúde mental de crianças e adolescentes, afetando autoestima, segurança emocional e capacidade de estabelecer vínculos ao longo da vida. Em meio a disputas e rupturas, o impacto vai além do contexto jurídico e reforça a necessidade de olhar para o tema também como uma questão de saúde pública e bem-estar psicológico.


Para a Dra. Mariana Ramos, professora de psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, a complexidade desses casos exige um olhar amplo e integrado. “Estamos lidando com um fenômeno que envolve dimensões emocionais, cognitivas, jurídicas e relacionais. Por isso, a atuação multiprofissional é fundamental”, explica. Segundo ela, a intervenção precoce é decisiva para reduzir danos e evitar que padrões disfuncionais se consolidem ao longo da vida. 


Dra. Mariana destaca que a criança tende a internalizar comportamentos e discursos dos pais, o que pode afetar diretamente sua autoimagem. “Difamar a imagem de um dos responsáveis não impacta apenas essa pessoa, mas também a construção do autoconceito da criança, o que pode acarretar danos significativos”, afirma. Nesse sentido, equipes formadas por psicólogos, assistentes sociais, profissionais do Direito e educadores contribuem para uma abordagem mais assertiva e centrada no bem-estar do menor.


A terapia, segundo a especialista, funciona como um espaço seguro para que a criança ou adolescente possa expressar sentimentos muitas vezes reprimidos ou distorcidos. “O terapeuta não atua como julgador, mas como mediador da compreensão emocional. Entre os objetivos estão fortalecer a autonomia emocional, trabalhar a regulação de sentimentos como culpa e ansiedade e, quando possível, auxiliar na reconstrução de vínculos familiares”, pontua.


Dr. Rodrigo Eustáquio, médico e professor da pós-graduação em Psiquiatria  da Afya Vitória, reforça que os impactos podem ser profundos e duradouros. Crianças expostas a rupturas forçadas de vínculo têm maior risco de desenvolver transtornos de ansiedade, especialmente ansiedade de separação, além de sintomas depressivos e dificuldades na formação de relações afetivas. “Você tem um prejuízo no desenvolvimento da confiança interpessoal da criança, com colegas, professores e até no contexto familiar”, explica. Segundo ele, esses efeitos podem se estender até a vida adulta, influenciando a construção da identidade e até favorecendo o desenvolvimento de transtornos de personalidade.


Dr. Rodrigo também chama atenção para a necessidade de cautela na análise dos casos, especialmente diante de situações mais graves. “A gente tem que ter prudência no diagnóstico e enxergar as conclusões de forma responsável, com avaliação multidisciplinar e escuta qualificada”, afirma. Ele ressalta que nem toda rejeição a um dos pais é resultado de alienação parental, podendo estar associada a históricos de negligência ou violência.


Apesar da gravidade que alguns casos podem atingir, incluindo níveis extremos de ruptura emocional, os especialistas são unânimes em afirmar que o foco deve estar sempre na proteção da criança. Isso implica promover vínculos saudáveis, reduzir conflitos e garantir que qualquer intervenção seja baseada em evidências e conduzida com responsabilidade.


 

9 sinais de possível alienação parental, segundo especialistas 

  1. Rejeição intensa e sem justificativa clara em relação a um dos responsáveis
  2. Repetição de falas negativas ou acusações com linguagem “adultizada”
  3. Polarização afetiva, com um responsável visto como totalmente bom e o outro como totalmente ruim
  4. Medo, culpa ou ansiedade ao demonstrar afeto por um dos responsáveis
  5. Rompimento abrupto de um vínculo que antes era saudável
  6. Dificuldade em expressar sentimentos próprios sobre o conflito familiar
  7. Irritabilidade ou mudanças de comportamento
  8. Alterações no sono
  9. Queda no rendimento escolar

 

Afya
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ir.afya.com.br



O caso AJX, o pedido de bloqueio de R$ 50 milhões e o desafio da proteção dos investidores no Brasil

Não se trata apenas de investimentos malsucedidos ou de promessas não cumpridas de rentabilidade. O que está em jogo são economias construídas ao longo de décadas, aposentadorias colocadas em risco, famílias inteiras tentando compreender como recursos acumulados durante uma vida desapareceram em estruturas que aparentavam legitimidade, segurança e profissionalismo.

O caso AJX recoloca no centro do debate uma pergunta que há muito acompanha o mercado financeiro brasileiro: quem está efetivamente protegendo o investidor? 

O Instituto Social de Proteção e Garantia do Equilíbrio nas Relações de Consumo (IPGE) ajuizou ação coletiva com pedido de bloqueio patrimonial de R$ 50 milhões contra a AJX e demais envolvidos, buscando a proteção de consumidores e investidores supostamente lesados em um contexto que, segundo os elementos apresentados ao Judiciário, ultrapassa a esfera privada e assume evidente relevância social. 

Os levantamentos reunidos na atuação coletiva apontam para mais de cem vítimas já identificadas, prejuízos milionários e um fluxo contínuo de pessoas buscando orientação jurídica. Entretanto, talvez o dado mais preocupante esteja na dimensão potencial do caso. Informações citadas em investigações correlatas indicam a possibilidade de mais de dez mil investidores afetados. 

Segundo os fatos narrados na ação, a estrutura investigada teria se apoiado em captação irregular de poupança popular por meio de Cédulas de Crédito Bancário, acompanhada da promessa de rentabilidades extraordinárias e da alegação de existência de lastro vinculado a ações físicas do antigo BESC, ativos cuja consistência econômica vem sendo questionada em documentos e precedentes mencionados na própria investigação. 

Os elementos reunidos na ação civil pública também apontam para uma estratégia baseada em forte presença digital, publicidade intensiva, contato ativo com potenciais investidores e uma narrativa empresarial construída para transmitir segurança e credibilidade ao público. 

O impacto humano desse tipo de engrenagem não pode ser medido apenas em números. Ele se traduz em sofrimento financeiro, insegurança, litígios espalhados por diferentes regiões do país e investidores que acreditavam estar protegendo o patrimônio familiar, e não assumindo riscos incompatíveis com sua realidade econômica. 

É exatamente nesse ponto que a atuação coletiva assume papel relevante. A medida proposta pelo IPGE não pretende apenas discutir eventual responsabilização futura, mas enfrentar uma das maiores dificuldades relacionadas às grandes fraudes financeiras: o desaparecimento patrimonial antes da efetiva resposta judicial. 

Por essa razão, a ação requer medidas urgentes como bloqueio de ativos, rastreamento patrimonial, investigação financeira, bloqueio de criptoativos, quebra de sigilos, suspensão de atividades e comunicação a órgãos como Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários, Receita Federal e Ministério Público. 

O episódio também impõe uma reflexão mais ampla sobre o funcionamento do mercado de investimentos no Brasil. Vivemos um ambiente marcado por operações cada vez mais sofisticadas, linguagem técnica complexa, publicidade digital agressiva e crescente assimetria de informação entre quem oferece produtos financeiros e quem investe. 

Nesse cenário, a prevenção não pode ser substituída por reações tardias. Surge então uma questão inevitável: os mecanismos de fiscalização conseguem acompanhar a velocidade e a complexidade dos riscos contemporâneos? 

Agir apenas depois do colapso revela-se insuficiente, sobretudo quando famílias já perderam reservas financeiras, quando investidores passam anos enfrentando disputas judiciais e quando a reconstrução patrimonial vem acompanhada da difícil tarefa de recuperar confiança. 

Casos dessa magnitude exigem mais do que indignação retrospectiva. Exigem instituições vigilantes, mecanismos efetivos de fiscalização, transparência e respostas jurídicas capazes de equilibrar uma relação frequentemente desigual entre investidores dispersos e estruturas empresariais complexas. 

Patrimônio perdido não representa apenas dinheiro. Representa tempo de vida, trabalho, planejamento e confiança. E nenhuma sociedade economicamente madura deveria naturalizar a perda de algo tão valioso.

 

Mayra Vieira Dias - advogada especialista na defesa de vítimas de fraudes financeiras e sócia do escritório Calazans & Vieira Dias

 

Google inicia piloto de Message Ads no Brasil

Campanha visa transformar buscas em jornadas conversacionais de alta conversão


O Google iniciou, no Brasil, os testes de uma nova tecnologia que pode transformar a forma como empresas geram leads e convertem clientes: o Message Ads, integração entre Google Ads e RCS (Rich Communication Services). Em vez de direcionar o usuário para formulários ou landing pages tradicionais, o anúncio leva diretamente para uma conversa contextualizada e interativa com a marca — reduzindo fricção e acelerando a jornada de conversão. 

Diante dessa novidade, a Pontaltech, um dos principais parceiros do Google para RCS no Brasil e referência no desenvolvimento de jornadas conversacionais voltadas à aquisição, conversão e retenção de clientes, está buscando clientes estratégicos e os apoiando na execução do projeto piloto. 

Carlos Feist, Diretor de Growth Platforms da Pontaltech, explica que o movimento representa uma mudança estrutural nos modelos tradicionais de aquisição digital. “Estamos falando de uma nova camada de performance para marketing digital. Pela primeira vez, a intenção capturada na busca do Google pode ser convertida instantaneamente em uma conversa rica, contextualizada e interativa. Isso reduz etapas, aumenta a qualificação dos leads e melhora indicadores críticos como CPC, taxa de conversão e ROAS”, afirma. 

A proposta do Message Ads é transformar a conversa em parte central da estratégia de aquisição. Ao eliminar etapas intermediárias da jornada — como formulários extensos e páginas de conversão pouco eficientes — o modelo tende a reduzir abandono e aumentar o engajamento já no primeiro contato. 

A interação acontece no momento de maior intenção do consumidor, permitindo qualificação em tempo real, personalização da experiência e aceleração do processo de decisão de compra. 

Para áreas de marketing, growth e aquisição, o impacto potencial vai além da experiência do usuário. A expectativa é aumentar a eficiência de mídia e melhorar métricas associadas à geração de demanda e conversão, tornando a jornada mais fluida e orientada a resultado. 

O Brasil foi escolhido para os testes iniciais por ser um dos mercados mais avançados do mundo em messaging e canais conversacionais, consolidando o protagonismo do país na evolução das experiências digitais de relacionamento entre marcas e consumidores. 

Mais do que habilitar o canal, a Pontaltech atua na construção estratégica das jornadas conversacionais que sustentam essa nova experiência, combinando automação, inteligência conversacional, integração com CRM e desenho de fluxos focados em conversão. 

A empresa é, hoje, uma das principais referências em RCS e messaging no país, acumulando experiência na implementação de experiências conversacionais para grandes marcas em setores como financeiro, educação, varejo, mobilidade e turismo. 

Diversos segmentos com alta demanda de geração de leads tendem a capturar valor imediato desse novo modelo. Mas, segundo Feist, o potencial da tecnologia depende diretamente da capacidade das empresas de desenharem jornadas conversacionais eficientes. “Não basta apenas ativar o canal. O ganho real acontece quando a conversa é desenhada para conversão. Isso envolve estratégia, UX conversacional, integração de dados, automação e otimização contínua da jornada”, complementa. 

Para o diretor, o avanço do Message Ads sinaliza uma transformação mais ampla no mercado digital: a migração de experiências baseadas em clique para experiências baseadas em conversa. “O futuro da aquisição será cada vez mais conversacional. As empresas que entenderem isso primeiro terão vantagem competitiva relevante nos próximos anos. Estamos orgulhosos de participar desse movimento ao lado do Google e ajudar marcas brasileiras a explorarem todo o potencial dessa nova geração de experiências”, finaliza Feist. 

 

Pontaltech



CEO x Conselho: como um desalinhamento entre eles pode comprometer as empresas?

 

A relação entre o CEO e o Conselho está entre as mais estratégicas para a sustentabilidade de uma empresa — e, ao mesmo tempo, as mais delicadas de administrar. Por mais que uma divergência de pensamentos e visões entre eles seja algo natural (e saudável) de existir, qualquer desalinhamento mais profundo nessa relação é capaz de romper com a governança interna, prejudicando a capacidade de tomadas de decisões com consistência, velocidade e estratégia. A grande questão, então, é como evitar que a situação chegue a esse nível? 

Por mais que muitos ainda olhem para as divergências entre eles como uma falha, é crucial mudar essa percepção para um sinal de maturidade interna. Afinal, os conselhos existem, justamente, para desafiar premissas, ampliar perspectivas, provocar reflexões e elevar a qualidade das decisões estabelecidas. Quando todos concordam com tudo que é dito ou feito, os riscos de que os debates estratégicos se tornem superficiais se elevam, além de abrir espaço para que este grupo atue de forma passiva em uma posição tão importante para o destaque corporativo. 

Segundo uma pesquisa publicada no Harvard Law School Forum on Corporate Governance, 60% desses conflitos entre CEO e Conselho têm origem em falhas de comunicação e expectativas de desempenho mal estabelecidas desde o início da relação - o que torna o esclarecimento a respeito dos papéis, deveres e limites de cada lado algo primordial para evitar essa falta de alinhamento. 

Enquanto é dever do Conselho direcionar a companhia estrategicamente, supervisionar o que é feito, acompanhar eventuais riscos, avaliar o CEO e pensar na perpetuidade da empresa, o C-Level deve executar as estratégias que forem alinhadas, liderar as operações, desenvolver as pessoas e entregar os resultados esperados. Nesse sentido, os problemas podem aparecer quando o conselho começa a operar empresa, ou quando a diretoria deixa de ter transparência e alinhamento com o board, por exemplo.  

Uma relação saudável entre as partes envolve transparência, fluxo constante de informações, clareza sobre responsabilidades, alinhamento estratégico a longo prazo e, acima de tudo, comunicação frequente entre eles. Não precisam concordar com tudo, mas atuar como parceiros estratégicos alinhados à perpetuidade e sustentabilidade do negócio. 

Conselhos maduros desafiam as premissas, questionam riscos, ampliam o repertório e intencionam discussões estratégicas que amadureçam a performance corporativa, construindo a perpetuidade sustentável das operações. Ao mesmo tempo, bons CEOs prezam por um conselho que agregue e desafie sua visão, com amplo repertório, experiência e capacidade de antecipar o futuro – reduzindo vieses nas decisões e medidas impulsivas ou concentradas nos executivos em si. 

O grande ponto a este respeito é que divergências, em si, não necessariamente são um problema, apenas quando deixam de ser institucionais e passam a se tornar relacionais ou políticas - derivadas por disputas internas por poder, agendas paralelas entre eles, vaidade ou, justamente, a falta de clareza entre cada um dos seus papéis - o que costuma ocorrer em empresas que estão em um contexto de crescimento acelerado, em processo de sucessão familiar, ou que mantiveram estruturas antigas ou arcaicas que não fazem mais sentido no mercado atual. 

Uma boa governança transforma essas divergências em oportunidades de qualificar as tomadas de decisões, estabelecendo uma visão forte a longo prazo que traga resultados que gerem valor ao negócio. Não é sobre evitar tensão, mas usá-la de forma positiva como inteligência coletiva, gerando debates saudáveis com respeito institucional que sempre se comprometam com o melhor interesse para a empresa em si. 

Essa é uma jornada eterna, que não existe regra de bolo que sirva para toda empresa. Apesar disso, boas práticas podem ser inspiradas como pilar central em cada negócio, de forma que essas diferenças sejam encaradas como algo positivo a favor de fortalecer a governança e tomadas de decisões, fortalecendo cada vez mais as operações como um todo.  



Jordano Rischter - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.



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4 experiências para viver Corumbau, o paraíso do sul da Bahia

 

DepositPhotos
Destino combina preservação ambiental e vivências fora do turismo convencional


Entre extensas faixas de areia, mar cristalino e vegetação nativa, Corumbau se destaca no sul da Bahia pelo turismo de experiência. Cercada por áreas de Mata Atlântica e formações marinhas, a antiga vila de pescadores reúne diferentes formas de contato com a natureza, que vão de trilhas à beira-mar e mergulho a birdwatching e observação de baleias. 


Riqueza de aves na região

A paisagem natural e a biodiversidade local ajudam a definir a experiência no destino. Manguezais, vegetação costeira e áreas de mata nativa favorecem a presença de diferentes espécies de aves, atraindo observadores e fotógrafos interessados em birdwatching.


Mergulho em águas cristalinas

Em dias de mar calmo, a costa revela um cenário quase translúcido. Recifes e formações marinhas surgem próximos à faixa de areia, convidando a atividades como flutuação e mergulho livre, em que o tempo parece desacelerar junto com a maré.


Percursos pela costa de Corumbau

Além das atividades ligadas à biodiversidade marinha, a contemplação da paisagem também faz parte da experiência em Corumbau. As caminhadas à beira-mar estão entre as vivências procuradas por visitantes que buscam um ritmo mais desacelerado durante a viagem, especialmente em trajetos em direção à Ponta do Corumbau, conhecida pela extensa faixa de areia que avança sobre o mar.


Observação de baleias-jubarte

Entre julho e outubro, o litoral de Corumbau também se transforma em ponto de observação de baleias-jubarte. Nesse período, os passeios de barco passam a integrar as experiências oferecidas na região, conduzindo visitantes a áreas de avistamento em mar aberto, em roteiros voltados à contemplação da paisagem e da fauna marinha. 

Segundo Sandra Catelan, presidente da AMA Corumbau (Associação de Moradores e Amigos de Corumbau), o diferencial da região está na forma como a atividade turística se integra à paisagem e à comunidade. “O destino mantém características que passaram a ser cada vez mais valorizadas no turismo, como contato com a natureza, tranquilidade e uma relação mais próxima com a cultura local”, afirma. 

Em meio à procura por lugares menos massificados e mais associados ao bem-estar e à desaceleração, Corumbau consolida sua relevância no turismo ao reunir preservação ambiental, contemplação da paisagem e vivências relacionadas ao território. 

 

Por que os adolescentes precisam conhecer a Amazônia?



Na década de 1970, um anúncio de carro, veiculado na TV, retratava um pequeno automóvel percorrendo um trecho da BR 230, uma cicatriz aberta no meio da floresta pela rodovia Transamazônica. Em outra cena, enormes tratores de esteira derrubavam árvores gigantescas para a abertura da dita “estrada da integração nacional”. O slogan da campanha era: “desbravando o inferno verde”.

Passados 50 anos, infelizmente ainda há muito reflexo deste ideal de ocupação da Amazônia, baseado em conhecimentos exóticos, de total desconhecimento e desrespeito às realidades amazônicas, principalmente nos meios políticos e empresariais. Isso porque é mais fácil destruir que conhecer, é mais fácil matar o desconhecido, do que aceitar novas perspectivas e novas formas de convívio com o ambiente natural.

Os jovens que não vivem na Amazônia e, também muitos dos que estão nas grandes e médias cidades amazônicas, pouco ou nenhum conhecimento têm sobre este extenso e rico território. Os currículos escolares pouco retratam a geografia e a história de ocupação da Amazônia, o que deixa um vácuo na formação de nossos jovens, que conhecem mais sobre os parques temáticos dos Estados Unidos e da Europa, do que sobre as maravilhas observadas, ao navegar os rios e igarapés amazônicos.

Embora, muitos devam trazer a Amazônia em seu imaginário, pois, invariavelmente, o noticiário relata acontecimentos infelizes, como garimpo em terras indígenas, tráfico de drogas e de animais silvestres, desmatamentos por atividades irregulares, perseguição e morte de lideranças comunitárias, de servidores públicos e de ambientalistas.

Por outro lado, o contato com a ambiente amazônico e o convívio com comunidades ribeirinhas e com os saberes tradicionais, provocam um choque cultural em quem tem esta oportunidade. Na Amazônia o ritmo é outro, e quem tem o privilégio de vivenciar tais experiências, se sente revivido e muda o modo de pensar e de agir.

É preciso perceber as belezas do ambiente amazônico, além de seus problemas e sua realidade da degradação ambiental, para saber discernir sobre que futuro queremos para a Amazônia e, por que não dizer, para o nosso planeta.



Paulo Spínola - biólogo, analista ambiental e autor do livro “O Mistério do Povo Mamoé”, uma obra para adolescentes que atravessa a história de ocupação e a geografia da Amazônia.

 

Estudantes da 3ª série do Ensino Médio têm até o dia 5 de junho para confirmar participação no Enem

Neste ano, estudantes da rede estadual têm inscrições automáticas e basta confirmar idioma estrangeiro de preferência para as provas 

 

Estudantes matriculados na 3ª série do Ensino Médio têm até o próximo dia 5 de julho, terça-feira, para confirmarem a inscrição no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2026.  

 

Neste ano, o cadastro para estudantes da rede pública é automático. Para confirmar participação na prova, cada aluno precisa acessar o sistema do Enem e, na Página do Participante, escolher o município onde deseja realizar as provas, escolher a língua estrangeira (entre língua inglesa e espanhola) e, se necessário, solicitar recursos de acessibilidade e tratamento pelo nome social.

 

As provas do Enem 2026 estão marcadas para os dias 8 e 15 de novembro. 

 

Provão Paulista

Além do Enem, estudantes da rede pública têm no Provão Paulista Seriado mais uma oportunidade de ingresso no ensino superior. Em três edições, o vestibular do Governo do Estado de São Paulo abriu mais de 46 mil vagas na USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Fatecs (Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo) e Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo).

 

Prepara SP

A plataforma Prepara SP é uma iniciativa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) focada na preparação gratuita de alunos do Ensino Médio para o Provão Paulista, Enem e outros vestibulares. A ferramenta oferece simulados, trilhas personalizadas, tutor virtual e correções.  


No Prepara SP, estão disponíveis aulas com didática exclusiva, com duração entre sete e 15 minutos cada uma. Os conteúdos da plataforma incluem também resumos e cards e disponibilizados digitalmente, a fim de auxiliar o estudante na assimilação e recapitulação do que foi visto em aula. O uso da ferramenta não é obrigatório, mas complementa as aulas do currículo oficial e apoia estudantes na preparação para as provas que dão acesso ao ensino superior.


Docência: uma profissão enferma e inviabilizada

Os dados não deixam dúvidas: os professores estão doentes e submetidos a todo tipo de violência. Em 2025, por exemplo, o estado de São Paulo registrou a média de 95 afastamentos diários de docentes por problemas relacionados à saúde mental, segundo o Centro do Professorado Paulista. Pesquisa recente do Centro de Estatística Aplicada do Instituto de Matemática da USP, em conjunto com o Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo, apontou que 63,5% dos educadores da rede municipal afastaram-se por problemas de saúde ao longo de doze meses, enquanto 84% declararam sofrer algum tipo de transtorno mental. Nacionalmente, a pesquisa “Saúde Mental dos Educadores 2022”, realizada pela Nova Escola, em parceria com o Instituto Ame Sua Mente, demonstrou que 21,5% dos educadores consideram a sua saúde mental “ruim” ou “muito ruim”.

Além disso, as escolas brasileiras são notoriamente violentas e inseguras. Nesse sentido, a mesma pesquisa da USP constatou que 62,5% dos professores entrevistados relataram ter sido vítimas de algum tipo de violência em seu ambiente de trabalho. De acordo com a FAPESP, os casos de violência escolar triplicaram em dez anos no país. Outrossim, de acordo com o 4º boletim técnico “Escola que Protege” (MEC/MDHC), entre 2001 e 2025, foram identificados 47 ataques de violência extrema, com 177 vítimas  56 fatais e 121 feridas.

O caminho para se chegar a esse estado de coisas foi construído ao longo de décadas, especialmente por políticos oportunistas, acadêmicos fanatizados e burocratas sedentos de cargos. Primeiro, providenciou-se a completa precarização das escolas e da carreira docente, materializada por prédios caindo aos pedaços, falta de material básico, diminuição progressiva da equipe de funcionários, baixos salários, etc.

Paralelamente, ideais antiensino e anti-intelectuais espalharam-se pelos cursos de formação e começaram a guiar as políticas públicas, atacando a importância dos conhecimentos escolares – base do desenvolvimento de qualquer tipo de competência , da memorização, do ensino explícito e dos métodos comprovadamente eficazes de alfabetização, trocando-os por uma barafunda de ideias pseudocientíficas e desastrosas, consubstanciadas na BNCC e na Reforma do Ensino Médio.

A cada resultado educacional ruim, a burocracia estatal respondia com mais controle, mais papelada, mais sobrecarga e, nos últimos anos, mais ameaças e punições. Por outro lado, anulou-se a autoridade do professor, desacreditado diante das famílias e dos próprios alunos.

Não bastava, porém, depredar a educação; era preciso encontrar um culpado para tamanho fracasso. O bode expiatório, é claro, foi o professor, tachado de despreparado, ineficiente, retrógrado, preguiçoso, elitista, tirânico e doutrinador. Assim, mesmo sem condições mínimas de trabalho e segurança, ele passou a ser tratado como a “Geni” do setor escolar, um rematado incompetente, mas que, paradoxalmente, recebe cada vez mais as incumbências negligenciadas pelo restante da sociedade. Como é bom, para os poderosos e omissos, culpar a vítima.

A educação brasileira está na lona e o apagão docente já se anuncia no horizonte. Para reverter essa trajetória, será preciso devolver racionalidade ao sistema educacional, pautando as reformas pelas evidências científicas e experiências bem-sucedidas, além de aprimorar o investimento, repensar maneiras de lidar com a violência dentro das escolas e devolver o comando das salas de aula a quem de direito: o professor. Do contrário, a docência continuará sendo sinônimo de adoecimento, e toda a sociedade brasileira continuará padecendo da enfermidade do analfabetismo e da ignorância.

 

Arthur V. F. Furtado - professor, coordenador pedagógico, doutor em Educação Escolar e autor do livro “Queimem todos os professores”

 

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