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quinta-feira, 14 de março de 2024

Ataque a múltiplos órgãos e desequilíbrio imune: estudo revela como o vírus chikungunya leva à morte

 

Criomicroscopia eletrônica do vírus chikungunya,
endêmico no Brasil há mais de uma década
 (
imagem: NIH 3D)

Equipe internacional que inclui virologistas, médicos, epidemiologistas, clínicos, físicos e estatísticos descobriu novos mecanismos relacionados à infecção do sistema nervoso central em casos fatais da infecção. Resultados foram publicados na revista Cell Host & Microbe

 

O vírus chikungunya, transmitido por mosquitos das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus e responsável por mais de 900 mortes no Brasil desde que chegou ao país há cerca de dez anos, é capaz de se espalhar pelo sangue, atingir múltiplos órgãos e atravessar a barreira hematoencefálica, que protege o sistema nervoso central. Os mecanismos de ação observados pela primeira vez em casos fatais por um grupo de pesquisadores brasileiros, americanos e britânicos foram relatados em artigo publicado nesta terça-feira (12/03) na revista Cell Host & Microbe . Os achados reforçam a necessidade de atualização dos protocolos de tratamento e vigilância.

Com mais de 10 milhões de casos registrados em cerca de 125 países nos últimos 20 anos, sendo 2 milhões apenas no Brasil, onde é endêmica há mais de uma década, a doença causada pelo vírus chikungunya (CHIKV) ainda é equivocadamente considerada menos mortal do que a dengue. Para ajudar a desfazer esse mito, os pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp), do Kentucky (Estados Unidos), de São Paulo (USP), do Texas Medical Branch (Estados Unidos) e Imperial College London (Reino Unido), além do Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen), realizaram a análise mais completa sobre o tema até o momento. No ano passado, o grupo já havia relatado alta letalidade do CHIKV no Ceará, Estado com o maior número de casos do país (leia mais em: agencia.fapesp.br/41078).

O estudo, financiado pela FAPESP (projetos 17/25588-117/13981-018/14389-019/00098-719/24251-9 e 19/27333-6), analisou dados relativos a 32 pacientes mortos. Foram incluídos resultados de testes para a presença de CHIKV no organismo, informações laboratoriais e de autópsia. Em amostras de soro sanguíneo, líquido cefalorraquidiano e outros tecidos (como cérebro, coração, fígado, baço e rins), foram feitos exames de histopatologia (técnica que consiste em analisar, em microscópio, o tecido fixado em parafina), quantificação de citocinas (proteínas sinalizadoras secretadas por células de defesa), metabolômica (análise do conjunto de metabólitos presente no soro), proteômica (conjunto de proteínas) e análises genômicas virais, além de reações em cadeia da polimerase por transcrição reversa em tempo real (RT-qPCR), técnica laboratorial que permite a detecção e quantificação precoce de vírus por meio de seu material genético.

Para efeitos de comparação, os cientistas avaliaram também amostras e exames de outros dois grupos, sendo um composto de 39 sobreviventes de infecção aguda por CHIKV e outro de 15 doadores de sangue (pessoas adultas sem nenhuma infecção e presumidamente saudáveis).

Invasão do sistema nervoso central

Um dos achados que mais chamaram a atenção dos pesquisadores foi a presença do CHIKV em amostras de líquido cefalorraquidiano, o que indica sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, camada física que protege o sistema nervoso central e normalmente barra a entrada de patógenos.

Segundo o artigo, essa “invasão” acontece por meio de dois mecanismos: no primeiro, o vírus infecta monócitos CD14+CD16+ (células de defesa que têm na superfície moléculas CD14 e CD16) e, na presença de altos níveis de CCL-2 (uma proteína reguladora de inflamação que faz parte do sistema imune), migra através da barreira e é transportado para o cérebro; no segundo, a infecção afeta proteínas importantes para manter unidas as células epiteliais da barreira hematoencefálica.

“Isso mostra que o CHIKV, além de ser responsável por uma artralgia [dor nas articulações], que causa febre, dor muscular e inchaço articular, também leva a danos neurológicos”, explica William Marciel de Souza, professor na University of Kentucky (Estados Unidos) e primeiro autor do estudo.

“No sangue, observamos uma alteração severa na cascata de coagulação, com a diminuição de algumas proteínas-chave, bem como danos hemodinâmicos nos órgãos, ou seja, excesso de líquidos. No sistema imune, os níveis de citocinas associadas à inflamação se mostraram maiores que os observados em pacientes com chikungunya que sobreviveram.”


Resumo gráfico dos principais achados do artigo
(
imagem: acervo dos pesquisadores)


Saúde pública

Compreender os mecanismos biológicos de qualquer doença contribui para o desenvolvimento de tratamentos eficazes, biomarcadores prognósticos e estratégias de manejo clínico. De acordo com os pesquisadores envolvidos no trabalho, isso é fundamental no caso do chikungunya por dois motivos:

“Ainda não existem programas de imunização em grande escala – a primeira vacina contra o vírus foi aprovada pela Food and Drug Administration [órgão norte-americano de vigilância sanitária] em novembro do ano passado – e os surtos devem continuar seguindo o mesmo padrão no Brasil, ou seja, afetando muitas pessoas de uma vez, porém, em pequenos bolsões geográficos”, avalia José Luiz Proença Módena, professor do Instituto de Biologia da Unicamp. “As equipes de saúde pública precisam estar preparadas para isso, inclusive com vigilância genômica, sorológica e em porta de UTI [unidade de terapia intensiva].”

“Além disso, quadros de insuficiência cardíaca e neurológicos não são tradicionalmente associados à doença, mas, em uma fração da população acometida por esse vírus, isso pode ocorrer e deixar sequelas ou até mesmo levar à morte”, completa Souza.

A pesquisa também recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação Bill & Melinda Gates, do Global Virus Network, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), National Institutes of Health (NIH), Burroughs Wellcome Fund e Wellcome Trust.

O artigo Pathophysiology of chikungunya virus infection associated with fatal outcomes pode ser lido em: www.cell.com/cell-host-microbe/fulltext/S1931-3128(24)00054-4. 



Julia Moióli
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/ataque-a-multiplos-orgaos-e-desequilibrio-imune-estudo-revela-como-o-virus-chikungunya-leva-a-morte/51081


Hepatites virais: medidas preventivas e diagnóstico precoce podem salvar vidas

Em artigo, infectologista da Unimed Araxá explica as diferenças, os tratamentos e faz alerta sobre a importância da conscientização

 

 

As hepatites virais são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, mas nos últimos anos tivemos grandes avanços em relação a elas e se torna uma coisa importante falar sobre o assunto para que possamos evitar complicações e para orientarmos sobre medidas de prevenção e vacinas para aquelas que existem.

 

No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Existem ainda, com menor frequência, o vírus da hepatite D (mais comum na região Norte do país) e o vírus da hepatite E, que é menos frequente no Brasil, sendo encontrado com maior facilidade na África e na Ásia.

 

Estes vírus causam uma infecção que prejudica o fígado levando a alterações leves, moderadas ou graves. Na maioria das vezes são infecções silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas. As infecções sintomáticas agudas podem se manifestar com cansaço, febre, mal-estar, tontura, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura cor de coca-cola e fezes claras. Algumas destas podem se tornar crônicas (hepatites B e C) e evoluir por décadas sem o devido diagnóstico. O avanço da infecção compromete o fígado sendo causa de fibrose avançada ou de cirrose, que podem levar ao desenvolvimento de câncer e necessidade de transplante do órgão. Todas são causadas por vírus diferentes e podem ser transmitidas de diferentes maneiras.

 

A Hepatite A é uma infecção causada pelo vírus A (HAV) da hepatite, também conhecida como “hepatite infecciosa”. Na maioria dos casos, a hepatite A é uma doença de caráter benigno, contudo, o curso sintomático e a letalidade com possível infecção fulminante aumentam com a idade.

 

A transmissão da hepatite A é fecal-oral (contato de fezes com a boca). As medidas de prevenção contra a hepatite A incluem a lavagem das mãos depois de ir ao banheiro, trocar fraldas e tocar no lixo ou na roupa suja. Além disso, lave as mãos antes de preparar alimentos e comer, não beber leite não pasteurizado ou alimentos feitos com ele, lavar bem as frutas e vegetais antes de comê-los, manter a geladeira mais fria que 40°F (4,4°C) e o freezer mais frio que 0°F (-17,8°C), cozinhar a carne e os frutos do mar até ficarem bem passados, cozinhar os ovos até a gema ficar firme e lavar as mãos, facas e tábuas de corte depois de tocarem em alimentos crus.

 

A vacina contra a hepatite A é altamente eficaz e segura e é a principal medida de prevenção contra a hepatite A.

 

A Hepatite B pode ser transmitida da mãe para o filho durante a gestação ou durante o parto, sendo esta via denominada de transmissão vertical, pelo sangue e principalmente pelo sexo.

 

A Hepatite B crônica não tem cura. Entretanto, o tratamento disponibilizado no SUS objetiva reduzir o risco de progressão da doença e suas complicações, especificamente cirrose, câncer hepático e morte.

 

Na transmissão de mãe para filho é importante o diagnóstico porque existem medidas que podem ser realizadas tanto na mãe quanto no feto que diminuem muito esta transmissão.

 

A principal forma de prevenção da infecção pelo vírus da hepatite B é a vacina, que está disponível no SUS para todas as pessoas não vacinadas, independentemente da idade.

 

Outras formas de prevenção devem ser observadas, como usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings.

 

Se o indivíduo tem infecção ativa pelo vírus da hepatite B, é possível minimizar as chances de transmissão para outras pessoas. As pessoas com infecção devem ter seus contatos sexuais e domiciliares e parentes de primeiro grau testados para hepatite B ,não compartilhar instrumentos perfurocortantes e objetos de higiene pessoal ou outros itens que possam conter sangue, cobrir feridas e cortes abertos na pele, limpar respingos de sangue com solução clorada e não doar sangue ou esperma.

 

A Hepatite C é um processo infeccioso e inflamatório causado pelo vírus C da hepatite e que pode se manifestar na forma aguda ou crônica, sendo esta segunda a forma mais comum. A hepatite crônica pelo HCV é uma doença de caráter silencioso que evolui sorrateiramente e se caracteriza por um processo inflamatório persistente no fígado. Aproximadamente 60% a 85% dos casos se tornam crônicos e, em média, 20% evoluem para cirrose ao longo do tempo.

 

A transmissão do HCV pode ser por sangue (principal forma) que pode acontecer através do contato com sangue contaminado, pelo compartilhamento de agulhas, seringas e outros objetos para uso de drogas (cachimbos), reutilização ou falha de esterilização de equipamentos médicos ou odontológicos, falha de esterilização de equipamentos de manicure, reutilização de material para realização de tatuagem, procedimentos invasivos (ex: hemodiálise, cirurgias, transfusão) em os devidos cuidados de biossegurança e uso de sangue e seus derivados contaminados. A transmissão também pode ocorrer através de relações sexuais sem o uso de preservativos (menos comum) e transmissão de mãe para o filho durante a gestação ou parto (menos comum).

 

O tratamento da hepatite C é feito com os chamados antivirais de ação direta (DAA), que apresentam taxas de cura de mais 95% e são realizados, geralmente, por 8 ou 12 semanas. O tratamento da hepatite C é feito com diferentes medicamentos que são uma combinação de dois ou mais medicamentos. Os medicamentos vêm em forma de comprimidos. O tratamento geralmente dura de 2 a 3 meses e apresentam taxas de cura de mais 95%. Não existe vacina contra a hepatite C.

 

Para evitar a infecção é importante não compartilhar com outras pessoas qualquer objeto que possa ter entrado em contato com sangue (seringas, agulhas, alicates, escova de dente, etc), usar preservativo nas relações sexuais, não compartilhar quaisquer objetos utilizados para o uso de drogas e toda mulher grávida precisa fazer este exame...

 

Dra. Jaqueline Ribeiro da Silva - infectologista



Nesta sexta-feira (15) é comemorado o Dia Mundial do Sono - 1 em cada 3 brasileiros tem apneia do sono

As queixas que alertam sobre a presença da apneia do sono nas diferentes faixas etárias da população


A apneia do sono é caracterizada pela interrupção do fluxo da respiração por 10 ou mais segundos durante o sono. Estas pausas podem ocorrer várias vezes durante a noite provocando fragmentação do sono e quedas de oxigênio. Ronco, engasgos noturnos, acordar com a boca seca, dores de cabeça matinais, irritabilidade, agitação e sonolência excessiva diurna são os principais sinais da apneia do sono, que vão se manifestar de maneira diferente, dependendo da faixa etária. 

Crianças podem ter apneia, apesar de homens e mulheres na menopausa serem os mais acometidos. Como é um distúrbio que piora com a idade, os idosos devem estar atentos. As apneias aumentam o risco de déficit de atenção, aprendizado, hiperatividade, alterar a curva de crescimento nas crianças, obesidade, depressão, infarto do miocárdio, derrame cerebral, hipertensão arterial, arritmia cardíaca, acidentes domésticos e de trânsito, principalmente nos adultos e idosos.

A obesidade, as doenças de nariz e garganta, muito comuns nas crianças respiradoras bucais, as desproporções entre a cabeça e a face, como queixos pequenos e para trás e hábitos como a ingestão de bebida alcoólica em excesso, tabagismo e uso de medicações sedativas aumentam o risco para apneia do sono. 


Até 17 de março a Semana do Sono da ABS irá alertar sobre a importância da qualidade do sono

A Associação Brasileira do Sono, realizará até o dia 17 de março, em todo o país, a Semana do Sono 2024 com o tema “Oportunidade de sono a todos para saúde global”. A campanha educativa brasileira, premiada internacionalmente, acontece todo ano para promover a saúde do sono. “Nas mais variadas regiões do país uma ação conjunta, integrativa, com claro interesse para a população, onde discutiremos formas de melhorar nosso sono, destacando o tratamento de vários distúrbios do sono para que essa importante fase da vida seja plenamente respeitada e trazendo um sono mais igual para todos. Esta meta contribuiu para melhorar a saúde global”, afirma Luciano Drager, presidente da Associação Brasileira do Sono.

A Semana do Sono 2024 conta com centenas de atividades realizadas por especialistas da área. Entre as ações de forma online estão as Gotas de Sono (vídeos com dicas de profissionais), lives e webinars com informações de qualidade e as novidades das últimas pesquisas sobre sono. Já as atividades públicas, em dezenas de cidades, serão ampliadas para atingir um número ainda maior de brasileiros. “Esse ano pretendemos continuar expandindo ações com o envolvimento de mais cidades. Nos últimos anos, a nossa presença virtual foi muito importante e marcante inclusive no período da pandemia com as restrições presenciais, mas temos retomado a expansão de atividades presenciais tão relevantes nas relações pessoais”, revela Davi Sobral, coordenador da Semana do Sono.

Dormir bem auxilia na redução de doenças cardiovasculares e diabetes, fortalece o sistema imunológico, ajuda na manutenção do peso corporal saudável, consolida a memória e previne a demência, regula o humor, reduz o estresse, melhora o foco e a concentração e reduz acidentes de trabalho automobilísticos.  

Mais informações no site da Semana do Sono

Cartilha do Sono: https://semanadosono.com.br/wp-content/uploads/2024/02/cartilha-semana-do-sono-2024.pdf 

 



Dr. Luciano Drager- Cardiologista, Presidente da Associação Brasileira do Sono http://lattes.cnpq.br/5811068817217953


Doença atinge seis milhões de brasileiras e, em alguns casos, pode causar infertilidade

A Endometriose é a maior causa de infertilidade feminina em todo o mundo. Só no Brasil, a doença, considerada silenciosa, atinge seis milhões de pessoas (cerca de 15% das mulheres em idade reprodutiva). Enquanto isso, outro dado preocupante acompanha a estatística: 50% das brasileiras desconhecem a patologia.

As informações são da Associação Brasileira de Endometriose (SBE) e reforçam a importância da campanha Março Amarelo, voltada mundialmente para a conscientização da Endometriose. A doença surge quando o tecido que reveste o interior do útero (o endométrio) cresce para fora do órgão reprodutor feminino. Ali, as células se multiplicam e podem acabar obstruindo as tubas uterinas, o que dificulta a fecundação do óvulo e espermatozoide.

Segundo o ginecologista e obstetra dr. José Bento, “o diagnóstico da Endometriose demora, em média, oito anos”. Ele explica que os sintomas, como a cólica menstrual intensa, por exemplo, não acendem rapidamente o sinal vermelho. “Ao longo dos anos, as dores podem até reduzir a qualidade de vida da mulher”, acrescenta.

Alguns fatores de risco favorecem o surgimento da doença, como um sistema imunológico deficiente, histórico familiar, entre outros. Para a mulher que quer engravidar, mas esbarra na infertilidade, existem tratamentos complementares como a massagem, que aumentam as chances de sucesso na realização desse sonho.
 

Massagem como aliada da tentante 

Dr. José Bento aprofundou-se em pesquisas que atestam a prática da massagem como fator que pode contribuir de forma positiva para o processo de fertilização. “Os benefícios da massagem voltada para mulheres que estão grávidas são reconhecidos, mas poucos sabem quanto essa terapia é importante para aquelas que desejam engravidar ou para as que estão vivenciando um tratamento de fertilidade”, diz.

Dessa forma, dr. José Bento aliou seus estudos à expertise da massoterapeuta Renata França, criadora de técnicas de massagem consideradas revolucionárias, e juntos, desenvolveram a Babymoon, protocolo que conta com mais de 90 manobras. No caso da Endometriose, especificamente, o protocolo ajuda no fortalecimento do sistema imunológico da tentante, melhorando o quadro da doença. 

Segundo o obstetra, o “objetivo era que Renata desenvolvesse um protocolo voltado especialmente para as mulheres que sonham em ser mães, e que pudesse contribuir também para a diminuição do estresse inerente a esse período”. Renata garante que cada manobra foi desenvolvida para trazer benefícios reais ao corpo da futura mãe. “Mesclei manobras de drenagem linfática e de relaxamento profundo. Todas elas têm influência positiva em várias outras funções do organismo dessa mulher”, finaliza.


5 técnicas de alongamento para melhorar a saúde física no home office

 Especialista do CEJAM explica passo a passo para manter a postura e evitar desconfortos

 

Com a crescente tendência do trabalho remoto, surge a preocupação com os impactos que o sedentarismo pode trazer para a saúde. Segundo a Pesquisa Saúde e Trabalho, realizada pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) em 2023, estima-se que 52% dos brasileiros raramente ou nunca praticam atividades físicas.

Além disso, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que cerca de 9,5 milhões de pessoas trabalhavam remotamente no país em 2022. E, em 2023, a busca na internet por oportunidades nesse sentido cresceu 50%, de acordo com o Google Trends.

Os diferentes dados se correlacionam, no sentido de que, ao se trabalhar em casa, muitos brasileiros acabam assumindo um estilo de vida mais sedentário, com longos tempos sentados em frente ao computador, por exemplo. Isso, por sua vez, pode resultar em uma série de complicações futuras.

Pensando especificamente na saúde física, os alongamentos passam a ser uma prática crucial para mitigar alguns dos efeitos negativos no corpo. "Eles melhoram a circulação sanguínea, proporcionam sensação de relaxamento, diminuem o estresse e a sensação de tensão, além de evitar encurtamento muscular e, consequentemente, dores musculares”, afirma Washington de Souza, educador físico da UBS Jardim Comercial, gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim" em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

Normalmente, na correria do dia a dia, a ação nem sempre é levada em consideração. Mas o fato é que adotá-la faz toda a diferença, podendo evitar dores nas costas, pescoço, coluna, braços, mãos, entre outras regiões.

“Sugerimos pequenas pausas de 5 a 10 minutos a cada hora de trabalho, que é suficiente para a prática dos alongamentos. Se possível, é indicado já praticá-los ao acordar, para assim preparar o corpo para o dia de trabalho, e antes de dormir, visando o relaxamento para o descanso. Essas são formas de potencializar ainda mais os benefícios", explica o especialista.

Os alongamentos, quando bem executados, também ajudam a melhorar a postura e a flexibilidade, contribuindo para o bem-estar. Porém, é importante ter em mente que eles também dependem de outras questões.

“Ter acesso à cadeira, mesa e computador em alturas ideais e totalmente ajustados para a melhor ergonomia, manter a postura adequada, praticar, além dos alongamentos, exercícios de fortalecimento muscular regularmente também fortalecem o corpo”, reforça o educador físico.

Como fazer alongamento corretamente?

Para realizar o alongamento da forma certa durante o home office, Washington dá algumas dicas essenciais. “Inicie com alongamentos suaves, dentro de uma zona de conforto, sem forçar tanto ao ponto de sentir dor. Controle a respiração, inspirando pelo nariz e soltando pela boca, e atente-se à postura ideal, mantendo a coluna ereta e os ombros relaxados.”

Inicialmente, o especialista indica manter a posição escolhida por 15 segundos e, à medida que for praticando o exercício, aumentar para 30 segundos cada um.

Mas para você que já está se perguntando qual movimento realizar para obter bons resultados, confira abaixo os 5 mais recomendados, de acordo com as necessidades decorrentes da rotina de trabalho em casa:

1.Alongamento dos flexores do quadril: Ajuda a aliviar a tensão nos flexores do quadril, que podem ficar encurtados devido ao longo tempo sentado.

Como fazer: Em pé, apoie uma mão em algo fixo, flexione uma das pernas e, com a outra mão, segure o peito do pé e puxe até sentir a parte da frente da coxa alongada.

  1. Alongamento dos músculos peitorais: Ajuda a reverter a postura inclinada para frente, conhecida como protusão dos ombros, frequentemente adotada ao trabalhar no computador, além de evitar tensão nos ombros e nas costas.

Como fazer: Fique em pé, entrelace os dedos atrás das costas e estenda os braços para trás, levantando o peito e abrindo os ombros. Em seguida, mantenha os dedos entrelaçados e estenda os cotovelos acima da cabeça.

  1. Alongamento dos músculos do pescoço: Alivia a tensão e o desconforto no pescoço e nos ombros, causados por longos períodos de trabalho na frente do computador.

Como fazer: Em pé, com a coluna ereta, incline a cabeça para um lado, tentando encostar a orelha no ombro, mantendo os ombros relaxados.

  1. Alongamento dos músculos das costas: Alivia a rigidez e a tensão nas costas, comuns após longos períodos de trabalho sentado.

Como fazer: Sente-se na beira da cadeira com os pés no chão, incline o tronco para a frente e dirija as mãos em direção ao chão.

  1. Alongamento dos isquiotibiais: Ajuda a alongar os músculos posteriores da coxa, que tendem a ficar encurtados quando estamos sentados por longos períodos.

Como fazer: Em pé, afaste e estenda uma perna, com o calcanhar no chão, incline-se para frente e para baixo, até sentir um alongamento na parte de trás da coxa.



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
cejamoficial
site da instituição


Dia Nacional dos Animais: Como transportar pets nas linhas 4-Amarela e 5-Lilás de metrô?



Nesta quinta-feira (14), comemora-se o Dia Nacional dos Animais, data para lembrar de todo o amor pelo pet de estimação. Pelas linhas 4-Amarela e 5-Lilás de metrô, a exemplo de todo o sistema metroferroviário de São Paulo, existem normas para o deslocamento dos bichinhos. Por exemplo, os animais precisam estar contidos em uma caixa de transporte limpa e o peso máximo permitido para o amiguinho é de 10 kg.

 

Os responsáveis devem ficar atentos também aos horários em que podem carregar os animais pelo sistema, não sendo permitido nos horários de pico de segunda a sexta-feira, ou seja, das 6h às 10h, e entre 16h e 19h, visando tanto a segurança dos pets quanto dos passageiros. Já aos sábados, domingos e feriados, o transporte dos bichanos é liberado durante toda a operação de metrô, das 4h40 à meia-noite.

 

Somente cães-guia estão liberados para circularem pelo sistema de transporte em quaisquer horários e dias, tanto no auxílio às pessoas com deficiência visual, quanto no processo de socialização e treinamento deles. O deslocamento do animal deve ocorrer de forma que não incomode os demais passageiros, e que não atrapalhe o funcionamento do sistema de transporte. Também é proibida a entrada de pets ferozes e venenosos. 


Envio da declaração do Imposto de Renda

Receita Federal espera receber mais de 43 milhões de declarações; contadores explicam as principais mudanças do IRPF 2024

 

O envio das declarações do Imposto de Renda Pessoa Física 2024, ano-base 2023, começa amanhã (15) e vai até 31 de maio. A Receita Federal espera receber 43 milhões de declarações. Este ano as regras para declaração do RRPF 2024 tiveram mudanças significativas. Elas vão desde o valor mínimo dos rendimentos tributáveis, até o valor dos bens.

 

Quem explica as novas regras são os professores de Ciências Contábeis do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Renan Carvalho e Estevam Robetti. Eles também mostram as implicações para quem não declarar (mesmo quem é considerado isento pelas regras) e as dicas para fazer a declaração de forma mais rápida e fácil.

 

Rendimentos tributáveis

Até o ano passado, as pessoas que recebiam rendimentos de até R$ 28.559,70 não precisavam declarar imposto. Agora, a faixa de isenção subiu para R$ 30.639,90. “Este valor é referente aos ganhos em 2023. Rendimentos tributáveis são, por exemplo, salários e aluguéis de imóveis. E para o ano que vem, a expectativa é por um novo aumento, pois desde 2015 não havia alterações nas regras”, explica Renan.

 

O produtor rural também teve mudanças. Antes, quem obteve valor bruto de até R$ 124.798,50 por meio da atividade no campo não precisava declarar imposto. Esse valor aumentou para R$ 153.199,50.

 

Freepik

Rendimentos isentos e não tributáveis

Esses ganhos referem-se a investimentos como poupanças, LCIs, LCAs entre outros. Até então, quem tinha até R$ 40 mil aplicado não precisava declarar imposto de renda. Agora, essa faixa de isenção subiu para até R$ 200 mil.

 

Um exemplo de quem pode ser impactado pelo novo valor são alunos que têm bolsas de estudos com valor elevado. Quem recebe R$ 4 mil ao mês, por exemplo, somava R$ 48 mil ao fim do ano e era obrigado a declarar. Agora, com a nova faixa, os bolsistas ficam isentos.

 

Bens e direitos

Esse campo refere-se aos bens propriamente ditos como imóveis, carros, barcos e teve a maior das mudanças nas regras. No imposto de renda do ano passado, qualquer pessoa que tivesse soma de bens acima de R$ 300 mil era obrigada a declarar. Este ano, o limite subiu para R$ 800 mil.

 

“Em meu ponto de vista, os valores estavam muito defasados. Uma hora teria atualização”, diz Renan. Já o professor Estevam explica que, mesmo que a pessoa esteja como isenta, por não possuir bens acima de R$ 800 mil, mas se possuir rendimentos tributáveis acima dos R$ 30.639,90, por exemplo, tem que declarar. “Para ser isento de declaração, é preciso estar dentro de todas as regras. Se o contribuinte não se encaixar em qualquer uma delas, já obrigatoriamente precisa acertar as contas com o leão”.

 

Outra novidade é para quem possui bens no exterior. O contribuinte continua não sendo obrigado a declará-lo. O que mudou é que, para quem tem e declara, o valor do imóvel agora pode ser atualizado e há incentivo para isso. O contribuinte agora pode pagar uma alíquota menor, de 8%, para atualizar esses bens, enquanto a anterior era de 15%.


 

O que não muda na declaração do Imposto de Renda


Para quem possui investimento em ações ou fundos imobiliários, por exemplo, nada mudou. A declaração é obrigatória para quem realiza vendas no ano acima de R$ 40 mil. “Ou se vendeu acima de R$ 20 mil num mês ou realizou day trades (compra e venda de uma mesma ação no mesmo dia), tem que declarar”, conta Renan.

 

"E também é importante constar que é possível deixar parte do Imposto de Renda devido para a nossa cidade, fazendo a doação para os Fundos da Criança e Adolescente e também para o Fundo do Idoso. Em vez de o imposto ir para o Governo Federal, fica na nossa cidade e ajuda as instituições. É possível doar até 6% do imposto devido para esses fundos e o próprio sistema informa o quanto pode doar", ressalta Estevam.


 

Dicas para entregar a declaração de forma rápida e segura


O professor Renan explica que há três opções para preencher e entregar a declaração do IRPF 2024/2023. A primeira é pelo portal eCAC. A segunda é pelo aplicativo Meu Imposto de Renda, que pode ser baixado no celular pelas lojas de aplicativos. O terceiro é baixar o programa gerador de declaração no computador, disponível no site da Receita Federal.

 

Em qualquer destas opções, explicam os professores, a pessoa pode puxar a declaração pré-preenchida, com informações previamente cadastradas. Porém, isso só funciona para quem tem conta no GOV.BR - plataforma do governo federal que integra diversas informações sociais do cidadão.

 

Por meio dessa plataforma é possível buscar automaticamente informes de rendimentos, gastos com saúde, saldos das contas bancárias, investimentos em ações, entre outras facilidades. Isso porque as instituições (empresas, bancos, médicos e clínicas, etc.) são obrigadas a entregar ao governo federal essas informações financeiras.

 

“O contribuinte só precisa conferir as informações e preencher algumas outras que não vieram automáticas, como por exemplo, os bens. E mesmo assim, se o contribuinte tiver salvo no mesmo aparelho (computador ou celular), também é possível puxar estes dados adicionais. Basta só conferir ou atualizar valores”, explica Estevam.

 

Em 2022, primeiro ano em que a Receita Federal abriu a possibilidade de usar a declaração pré-preenchida, 7% dos contribuintes brasileiros utilizaram a ferramenta. Em 2023, subiu para 24%. Este ano, a expectativa da RF é chegar a 75%. Quanto mais cedo for a entrega do IRPF, mais cedo será a restituição.


 

O que acontece se eu não fizer a declaração do Imposto de Renda?


Os professores mostram que, o primeiro problema para quem não declarar o imposto de renda é ficar com o CPF irregular. “Isso traz várias dificuldades, como não conseguir tirar ou renovar o passaporte, solicitar empréstimos e financiamentos, não conseguir um cartão de crédito. Até mesmo a aprovação num concurso público fica prejudicada. O aprovado não consegue assumir o cargo público se o CPF estiver em situação irregular”, enfatiza Estevam.

 

Além disso, há o pagamento de multa que incide sobre o total do imposto devido, variando entre 1% até o máximo de 20% desse total, sendo que o valor mínimo é de R$ 165,74.


 

Se sou isento, preciso entregar alguma coisa?


Estevam explica que mesmo as pessoas isentas da declaração do Imposto de Renda devem preencher a documentação e enviar no prazo estipulado, especialmente quem deseja fazer algum financiamento bancário.

 

“Para essas operações, os bancos exigem uma cópia do IRPF. Se não declarar ou entregar fora do prazo, os bancos podem entender como indício de fraude. Para evitar problemas, a recomendação é declarar dentro do prazo”, complementa Estevam Robetti.

 


Centro Universitário Integrado


Dia do Reset: Instituto Ampara Animal convoca a comunidade para promover a conscientização sobre o tráfico de animais selvagens no Instagram


   

     

O Instituto Ampara Animal anuncia o "Dia da Reinicialização dos Algoritmos", uma iniciativa marcante que ocorrerá no dia 14 de março, coincidindo com o Dia Nacional dos Animais. Esta ação destina-se a chamar a atenção para as questões relacionadas ao tráfico de animais selvagens e à exploração deles como pets, enquanto incentiva uma mudança de comportamento por meio da conscientização e da promoção de uma relação mais harmônica com a biodiversidade.

 Num momento em que as redes sociais desempenham um papel significativo na formação de comportamentos e na promoção de causas, o "Dia da Reinicialização dos Algoritmos" torna-se crucial. Por trás de vídeos aparentemente "fofos" de animais selvagens sendo humanizados ou interagindo com humanos, reside um cenário sombrio de privação de comportamentos naturais, maus-tratos e retirada desses animais de seu habitat natural. O conteúdo superficial e romantizado que promove a ideia de ter animais selvagens como pets alimenta um ciclo perigoso que ameaça a biodiversidade. 

O Instituto Ampara Animal lança esta campanha com medidas ousadas para desencorajar a participação involuntária no tráfico de animais selvagens, especialmente no Instagram, onde aproximadamente 37% das buscas por compra de macacos são geradas diretamente por conteúdos da plataforma. Mesmo animais considerados menos populares, como cobras e serpentes, têm 18% de suas compras impulsionadas por conteúdos do aplicativo. 

A iniciativa não se limita apenas à exposição física, mas visa principalmente resetar o Instagram e reduzir curtidas e compartilhamentos de postagens que tratam animais selvagens como pets. O Instituto Ampara Animal está compartilhando publicações impactantes, envolventes e esclarecedoras, juntamente com personalidades influentes como Lara D’Avila, Rodrigo Dorado, Val Drummond, Letícia Veloso e outros, incentivando os seguidores a refletirem sobre a influência de suas interações online e a participarem ativamente da reinicialização dos algoritmos. 

"Estamos comprometidos em combater o tráfico de animais selvagens de maneira inovadora, sensível e eficaz. Acreditamos que ao resetar os algoritmos do Instagram e despertar o olhar da sociedade para esta problemática, podemos desencorajar indiretamente a promoção dessa prática criminosa", afirma Juliana Camargo, fundadora do Instituto Ampara Animal. 

O Instituto Ampara Animal convida todos a se juntarem a eles nesta jornada para criar um ambiente online mais consciente e responsável, onde as interações digitais não contribuam inadvertidamente para a exploração de animais selvagens.


Dia Mundial do Consumidor: dez direitos que talvez você não saiba

Clientes devem se atentar no Código de Defesa do Consumidor 

 

Você sabia que quando se leva um produto para reparos, o fornecedor é obrigado a elaborar um orçamento prévio? Ou que o consumidor tem direito à restituição em dobro com acréscimo de juros em casos de cobrança indevida? Para o Dia Mundial do Consumidor, comemorado em 15 de março, o especialista em direito do consumidor Watson Silva, do Amaury Andrade Advogados, lista 10 direitos que talvez você não saiba. Confira:  

 

1 – Amostras grátis

Nenhuma empresa pode cobrar por um produto ou serviço sem que o consumidor tenha solicitado. Caso isso aconteça, será entendido como uma “amostra grátis”. Caso pague por algo que não pediu, deve ter direito à restituição.

 

2 – Orçamento

Quando você leva um produto, como um eletrônico, para reparos, o fornecedor é obrigado a elaborar um orçamento prévio, em que deve constar o valor da mão de obra, os materiais usados, condições de pagamento, data de início e término da manutenção. O prestador de serviços também só poderá realizar a manutenção se tiver uma autorização expressa do cliente.

 

3 – Direito de arrependimento

Você já se arrependeu de comprar algo? Pois bem, existem situações, como em casos de compras feitas por telefone, catálogos ou via internet, em que o consumidor poderá recorrer ao ‘Direito de Arrependimento’. “Como não se obteve um contato direito com o produto, e no caso só confiou na propaganda, o consumidor possui um prazo de 7 dias para desistir da aquisição, a partir da data de recebimento do produto”, explica o advogado Watson Silva, especialista em direito do consumidor. 

 

4 – Produto com defeito

O fornecedor é obrigado a trocar um produto com defeito, em um prazo máximo de 30 dias. De acordo com o Procon, o produto deve ser entregue para a loja onde foi comprado. Caso o problema não seja resolvido nesse período, pode-se solicitar um novo produto ou restituição imediata da quantia paga.

 

6 – Cobrança indevida

Quando existe cobrança indevida, o consumidor tem direito à restituição em dobro, acréscimo de juros e correção monetária, segundo o Código de Defesa do Consumidor. “O consumidor tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável”, alerta o especialista.

 

7 – Venda casada

A venda casada acontece quando o consumidor é obrigado a adquirir um produto ou serviço com outro atrelado. O cliente não é obrigado a comprar os dois produtos juntos.

 

8 – Crédito negado

Ao negar crédito, a instituição deve informar o motivo. Dessa forma, o cliente poderá pensar em soluções para resolver o problema. 

 

9 – Gravação de atendimento telefônico

O consumidor tem direito à gravação telefônica quando liga para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). Para isso, é importante anotar os número de protocolos de todas as ligações.

 

10 - Conta-corrente básica

Muitos consumidores também desconhecem o direito de ter uma conta-corrente básica, sem que sejam cobradas tarifas. Desde a Resolução nº 3.919 de 2010, estabelecida pelo Banco Central, todos os bancos nacionais são obrigados a oferecer uma conta corrente sem cobrança de taxas para pessoas físicas.

 

Dia Mundial do  Consumidor

O Dia Mundial dos Direitos do Consumidor foi comemorado, pela primeira vez, em 15 de março de 1983.  No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor foi instituído em 11 de setembro de 1990, com a Lei nº 8.078, mas entrou em vigor apenas em 11 de março de 1991. 



CCUS: o pilar mais estratégico na transição energética para o Brasil

À medida em que o mundo continua a lidar com a necessidade urgente de enfrentar as mudanças climáticas e reduzir as emissões de carbono, as tecnologias de Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS) emergem como algo crucial e com significativas perspectivas para o Brasil. Com seus vastos recursos naturais, diversos setores industriais e o compromisso com o desenvolvimento sustentável, o país pode assumir, na próxima década,  uma posição de destaque na utilização dessas tecnologias para mitigar as emissões de gases de efeito estufa e acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.

O Brasil possui um potencial imenso para a implantação de CCUS em múltiplos setores, incluindo energia, petróleo e gás, manufatura e agricultura. Segundo um estudo recente da Mckinsey & Co, o mundo precisa que o país descarbonize, não apenas porque é o sétimo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, mas também porque está posicionado de forma única para se tornar uma potência de apoio à transição energética global.

Aqui, são emitidas cerca de 2,2 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2eq) a cada ano – metade das quais provém do desmatamento, sendo um quarto do setor agrícola, um quinto do transporte e energia, e o restante da indústria e resíduos. Cerca de 80% dessa situação, ocorre no bioma Amazônico, impulsionado, principalmente, por iniciativas ilegais associadas a um ciclo complexo de grilagem de terras públicas. Para se tornar uma potência em sustentabilidade, o Brasil deve reduzir significativamente este problema e abordar a legislação de propriedade de terras.

Importante destacar que vários fatores contribuem para as perspectivas favoráveis de CCUS por aqui. O país conta com uma enorme abundância de fontes de carbono, incluindo usinas de energia, instalações industriais e operações agrícolas. Essas fontes apresentam inúmeras oportunidades para captura e utilização de CO2. Além disso, existem vastas extensões de florestas, áreas úmidas, entre outros ecossistemas naturais que atuam como sumidouros de carbono. A preservação e restauração são fundamentais para sequestrar carbono da atmosfera.

Em segundo lugar, há um setor de energia desenvolvido e abrangente, caracterizado por uma diversidade de fontes de geração, sendo hidrelétrica, eólica, solar e baseada em combustíveis fósseis que, certamente, oferecem aplicações potenciais para CCUS. As tecnologias de captura de carbono podem ser integradas às usinas de energia baseadas em combustíveis fósseis para reduzir as emissões e melhorar a sustentabilidade ambiental. A Petrobras, por exemplo, tem investido em várias iniciativas interessantes. A empresa tem injetado CO2 para recuperação avançada de petróleo (EOR) em seus campos de águas profundas desde 1987.

A empresa desenvolveu diversas embarcações de produção, armazenamento e descarga flutuantes (FPSO) que capturam CO2 da produção de gás natural e o reinjetam nos reservatórios produtores. As injeções de CO2 ajudam a manter um platô mais longo de produção de petróleo e evitam a emissão de milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera. A Petrobras tem um dos maiores projetos de CCUS em operação no mundo, com uma capacidade total de injeção de CO2 de cerca de 5 milhões de toneladas por ano.

Somado a isso, o país vem buscando ativamente colaboração e parcerias internacionais com o objetivo de mitigar as mudanças climáticas e ampliar o desenvolvimento sustentável. Há, ainda, um ecossistema de pesquisa e inovação, apoiado por instituições acadêmicas, organizações de pesquisa e iniciativas governamentais, fomentando o desenvolvimento e a implantação de tecnologias CCUS. Apesar destes avanços, o país enfrenta diversos desafios.

Um dos mais importantes refere-se às políticas públicas e regulamentações adequadas para acelerar e promover novos investimentos, principalmente as destinadas à energia renovável, implementação do mercado de crédito de carbono, incentivos para redução de emissões e gestão ambiental. O sucesso destas iniciativas está diretamente relacionado com a capacidade do Governo e agências reguladoras em promover um ambiente de negócios favorável, com previsibilidade, estabilidade e segurança jurídica.

Outro desafio diz respeitos a recursos para financiamento. Os projetos de CCUS demandam altos custos de capital, sendo assim, exigem mecanismos robustos de investimento e financiamento. Parcerias público-privadas, mecanismos de precificação e/ou aceleração da regulamentação do mercado de crédito de carbono, além de incentivos para implantação de tecnologia, podem facilitar e acelerar os financiamentos.

Adicionalmente, vale destacar a necessidade de infraestrutura de transporte e armazenamento de CO2, que é essencial para a implantação eficaz dessas tecnologias. Investimentos em redes de dutos, locais de armazenamento e sistemas de monitoramento são necessários para apoiar a implantação em larga escala e garantir a integridade operacional. Atualmente, o país possui uma malha dutoviária bastante limitada para o transporte de CO2. A infraestrutura existente é voltada para o transporte de petróleo, gás natural e biocombustíveis, com pouca capacidade dedicada ao transporte específico de CO2 para fins de captura e armazenamento.

Outro ponto de grande relevância diz respeito à integração tecnológica e ganhos de escala. De fato, integrar tecnologias CCUS em processos industriais existentes e instalações de geração de energia, requer planejamento cuidadoso e profunda expertise em engenharia. Escalabilidade, eficiência e compatibilidade com a infraestrutura existente são considerações extremamente relevantes na implantação desta tecnologia.

O alinhamento de políticas nacionais, marcos regulatórios e incentivos com objetivos climáticos de longo prazo são essenciais para criar um ambiente favorável à implantação de CCUS. Regulamentações claras, consistentes e certezas regulatórias, fornecem o quadro necessário para investimento e inovação. Assim, existe a expectativa de que o projeto de lei 1425/2022, que tramita na Câmera dos Deputados, possa ser um primeiro passo.

Além disso, a conscientização da sociedade e o engajamento das partes interessadas são fundamentais para promover a aceitação e o apoio a estes projetos. Comunicação transparente, envolvimento da sociedade e iniciativas educacionais, podem abordar preocupações relacionadas à segurança, impacto ambiental e conformidade regulatória.

As tecnologias CCUS têm um potencial imenso como uma estratégia-chave de mitigação das mudanças climáticas no Brasil. Ao aproveitar suas abundantes fontes de carbono, sumidouros naturais, setor energético estratégico e parcerias colaborativas, o país pode se posicionar como líder em inovação e implantação destes projetos. Abordar desafios relacionados à investimento, infraestrutura, integração tecnológica, engajamento público e alinhamento de políticas, será crucial para realizar todo o potencial dessa oportunidade, tornando o Brasil um dos líderes na transição para um futuro de baixo carbono e muito mais sustentável, garantindo um ambiente melhor para as gerações futuras. Top of Form

 

 

Felipe Kury - ex-diretor da ANP – Agência Nacional de Petróleo e Managing Partner na FK Energy Partners.

Instituto Brasil-Israel disponibiliza gratuitamente “Guia contra o antissemitismo”, diante de crescimento de casos

 Material digital aprofunda o tema, com explicações e orientações para quem presencia esse tipo de crime 

 

Em face ao aumento preocupante do número de casos de antissemitismo, o Instituto Brasil-Israel (IBI) disponibiliza gratuitamente o “Guia contra o Antissemitismo”. O material, em formato digital, traz com linguagem simples as definições sobre antissemitismo, orientações para quem se deparar com algum caso de antissemitismo, além de sua história dos primórdios até os dias de hoje e a perspectiva antissemita nacional.

Por aqui, os casos de antissemitismo têm se multiplicado diante de grande parte da sociedade com pouca ou nenhuma informação sobre o assunto. O guia foi produzido pela entidade com o objetivo de didaticamente explicar o que é o ódio aos judeus em suas diferentes formas e também como combater esse crime.

Para Ruth Goldberg, presidente do IBI, o guia também pode ser considerado um convite, uma oportunidade para um debate qualificado sobre o tema. “Partimos do princípio de que nenhuma forma de discriminação é justificável, e uma sociedade saudável deve enfrentar o preconceito de maneira consistente. A luta contra o antissemitismo é a mesma que combate o racismo, a LGBTQIA+fobia, a xenofobia, a intolerância religiosa e tantas outras, contra o ódio, o preconceito e a ignorância”.

Ruth faz um alerta: “Em cada país, o antissemitismo se manifesta de uma maneira distinta, mas suas bases são as mesmas. Normalmente, aparece em ofensas direcionadas a uma pessoa ou aos judeus como grupo, seja com acusações, difamações, seja com discursos de incitação ao ódio em manifestações públicas, redes sociais, sites, plataformas de comunicação e portais de notícias, ou ainda em pichações de símbolos nazistas em espaços públicos e privados, além de violência física, agressões verbais, cerceamento de direitos, assassinatos e perseguições motivadas”

“Nesse conjunto, também não podemos esquecer de ataques por meio de charges, supostas piadas, deboches e insinuações corriqueiras. Estas, aliás, são formas de antissemitismo muitas vezes blindadas sob o pretexto de liberdade de expressão”, destaca a presidente do IBI.


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