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quinta-feira, 20 de julho de 2023

Sono e obesidade: qual é a relação?

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A combinação de hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e poucas horas de sono impactam no excesso de peso corporal


Já é bem descrito, há longos anos, que o sedentarismo e hábitos alimentares inadequados são importantes fatores de risco para obesidade e suas inerentes comorbidades (diabetes e dislipidemia). Entretanto, dormir mal, seja devido tempo insuficiente ou um sono de baixa qualidade, é outro comportamento que influencia de maneira colossal para o excesso de peso corporal.

“Porém, mesmo o sono sendo uma necessidade biológica inegociável e que regula majestosamente o organismo, incluindo a composição corporal, é negligenciado por grande parte das pessoas, inclusive para quem já demonstra certa preocupação com estética e saúde”, enfatiza Rafael Genario, nutricionista, doutorando em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP e professor na pós-graduação da Faculdade UNIGUAÇU.

O ganho de peso só acontece quando ocorre um cenário de superávit calórico, ou seja, um maior consumo de calorias, enquanto há um menor gasto. Isso comumente é facilitado pelo sedentarismo, propiciando menor gasto calórico, e por hábitos alimentares inadequados que propiciam maior consumo energético, em especial o excesso no consumo de alimentos ultraprocessados que, em grande maioria, é abundante em calorias e com baixo valor nutricional. Entretanto, dormir mal também é um facilitador nesse processo. E isso acontece por três principais motivos, que são:


1) Dormir mal aumenta a fome e diminui a saciedade: alguns estudos relatam que noites mal dormidas, em especial as condições de privação de sono grave (dormir 5 horas ou menos), promovem um desequilíbrio em hormônios que regulam o apetite. O hormônio que sinaliza a fome, conhecido como grelina, fica mais elevado, principalmente no período noturno. O hormônio que sinaliza a saciedade, conhecido como leptina, acontece o oposto. “Esse cenário desajustado, por fim, facilita um maior consumo de calorias que pode chegar próximo de 400 kcal ao longo do dia (menos ou mais, dependendo a pessoa)”, pontua Genario.


2) Dormir mal altera a homeostasia de circuitos cerebrais envolvidos com nosso comportamento alimentar: será que essa fome aumentada é por salada, frutas, alimentos saudáveis?  Presumimos que não!

Já é bem elucidado pela ciência que dormir mal altera a homeostasia de algumas regiões cerebrais que estão intimamente ligadas ao comportamento alimentar, em especial as conectividades entre córtex pré-frontal e a região límbica. Dormir mal gera maior necessidade de consumir alimentos hiper palatáveis, ou seja, aqueles com excesso de calorias, gordura saturada, sódio e aditivos. “Além de haver um aumento considerável de calorias em detrimento da fome desregulada, há um aumento no consumo por alimentos com baixo ou nenhum valor nutricional importante”, relata o nutricionista.


3) Dormir mal gera menor motivação para a prática de exercícios: lembra da história do superávit calórico?

É nítido que dormir mal facilita uma parte, o maior consumo calórico. Mas uma gama de trabalhos científicos já alerta para a outra parte em detrimento do sono ruim: um menor gasto.

Noites mal dormidas promovem importantes alterações neurofisiológicas envolvidas com a tomada de decisões e motivação. Matthew Walker, neurocientista renomado e autor do livro “por que nós dormimos?”, demonstrou em suas pesquisas científicas que pessoas com sono inadequado ficam menos motivadas para praticar exercício, apresentam comportamentos mais depressivos e evitam contatos sociais.

“Bom, esse tema é fascinante para mim, tanto que parte do meu doutorado se debruça sobre o sono. Recentemente, e, referente à essa relação de sono e obesidade, publicamos um artigo científico na revista Scientific Reports no qual descrevemos um importante achado: idosos obesos que possuíam baixa qualidade de sono apresentavam maior percentual de gordura, além de piores parâmetros de massa muscular, força, qualidade de vida, ansiedade e depressão, em comparação a idosos obesos com boa qualidade de sono”, observa Rafael. 


Em silêncio, hepatites virais são responsáveis por milhares de óbitos todo ano no Brasil

Vacinação e medidas preventivas podem mudar o panorama
da doença que entre 2000 e 2021 teve mais de 715 mil
 casos notificados no Brasil, por isso a importância da
conscientização e prevenção para a doença.
Campanha de luta contra as hepatites virais, dá a cor amarela ao mês de julho e alerta para os tipos da doença, riscos de contaminação e formas de prevenção   

 

 

Instituído há quatro anos, o Julho Amarelo é uma campanha nacional de prevenção e conscientização sobre as hepatites virais, o mês foi escolhido em razão do Dia Mundial da Luta Contra Hepatites Virais, estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 28 de julho. Por sua vez, a escolha da cor amarela está ligada a um dos principais sintomas da doença, que causa pele e olhos amarelados, em função do comprometimento das funções hepáticas.

 

De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais de 2022 do Ministério da Saúde, entre 2000 e 2021 foram notificados cerca de 718 mil casos da doença e mais de 80 mil óbitos em decorrência de complicações da doença no país. A hepatite é uma inflamação no fígado, gerando alterações leves, moderadas ou graves.

 

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), na última semana, em laboratórios privados, o número de diagnósticos de hepatite A aumentou 56,2% em janeiro deste ano, em comparação ao mesmo período de 2022. Os casos de hepatite C também tiveram um aumento de 2,4% e somente a hepatite B manteve-se estável no período. Esse levantamento reúne laboratórios responsáveis por 60% dos testes realizados pela saúde suplementar no país.

 

Nos casos das hepatites virais, que são o foco do Julho Amarelo, as variações são classificadas de A a E, sendo que as mais comuns no Brasil os tipos A, B e C. Entre elas, a B e a C, responsáveis pelo maior número de contágios e de mortes – inclusive por raramente terem sintomas agudos e só serem descobertas por exames de rotina ou quando o fígado já está comprometido, e são transmitidas através de relações sexuais desprotegidas, contato com sangue contaminado ou de mãe para filho durante a gravidez. O tipo A está relacionada a condições de saneamento básico, higiene, água tratada e más condições de alimentos e é transmitida pelo contágio fecal-oral.

 

“Os sintomas da doença podem demorar anos para aparecerem e em muitos casos a doença pode ser assintomática até entrar na sua fase aguda, quando seu quadro já está agravado e com poucas chances de reversão, por isso a conscientização da população é fundamental para apoiar a prevenção e garantir o diagnóstico precoce”, explica a hematologista do Sabin Diagnóstico e Saúde de Ribeirão Preto, Maria do Carmo Favarin.

Entre os sintomas mais comuns estão cansaço, febre, tontura, mal-estar, enjoo, vômitos, urina escura, fezes claras e um tom amarelado na pele e nos olhos, que é o sintoma mais característico da doença em razão do ataque ao fígado. O agravamento pode comprometer o órgão e causar cirrose ou até mesmo câncer de fígado.

 

“A vacinação é a principal medida preventiva para os tipos A e B. A primeira dose da vacina para o tipo B deve ser aplicada ao nascer e para o tipo A é recomendada a aplicação aos 15 meses de vida”, esclarece Favarin.

 

A prevenção da doença inclui também a prática de sexo seguro e o não compartilhamentos de instrumentos cortantes ou objetos de higiene pessoal, além de melhoria no sistema de saneamento básico e na higienização de alimentos.

 

“O objetivo do alerta e da conscientização é o fato de que quando adequadamente prevenida e precocemente tratada podemos reduzir os impactos da doença, suas complicações e o número de óbitos. Quando diagnosticadas precocemente e iniciado o tratamento correto a doença pode ser controlada e até curada, dependendo do tipo. A hepatite C por exemplo tem cura em mais de 90% dos casos, quando o tratamento é iniciado precocemente e seguido corretamente”, ressalta Maria do Carmo.

 

O diagnóstico é feito por meio da sorologia para detectar se a hepatite é do tipo A, B, C, D ou E. Além disso, podem ser feitas provas hepáticas e outros exames complementares. 

 

Os resultados dos exames de sangue são rápidos e descobrir a doença de maneira precoce é fundamental para garantir um bom tratamento, evitar complicações e aumentar as chances de cura. Nas situações em que o diagnóstico é confirmado, o médico poderá solicitar exames complementares para detectar se a infecção se encontra ativa e se está em sua fase aguda ou crônica.

 



Grupo Sabin
https://www.sabin.com.br/?cidade=brasilia-df

 

Entenda quais são os quatro tipos de obesidade e qual é o melhor tratamento para cada um deles.

Pesquisadores da Mayo Clinic compararam abordagens no processo de perda de peso e concluíram que adaptar o tratamento gerou mais resultados.


Em um estudo piloto com 165 pessoas, pesquisadores da Mayo Clinic observaram a efetividade em duas abordagens de perda de peso: a intervenção no estilo de vida padrão e a terapia individualizada. A intervenção no estilo de vida padrão inclui a aplicação de uma dieta reduzida, exercícios físicos e terapia comportamental e a abordagem individualizada é baseada em fenótipos e inclui diferentes intervenções, a depender da causa subjacente predominante da obesidade do paciente. Uma dieta baseada em fenótipos considera as características genéticas e fenotípicas da pessoa para criar um plano de alimentação personalizado visando otimizar a saúde e bem-estar.  

Os pesquisadores compararam se as intervenções de dieta e estilo de vida, adaptadas ao fenótipo, apresentariam resultados superiores em termos de perda de peso e redução de fatores de risco cardiometabólicos relacionados à obesidade em comparação a intervenções mais universais de dieta e estilo de vida.  Após 12 semanas, os pesquisadores observaram que as intervenções no estilo de vida adaptadas aos fenótipos resultaram em maior perda de peso do que as intervenções de estilo de vida padrão de dieta reduzida em calorias, exercícios físicos e terapia comportamental.

 

As descobertas após 12 semanas incluíram: 

  • Os pacientes que usaram as intervenções no estilo de vida adaptadas ao fenótipo se saíram melhor no tratamento de sua obesidade do que aqueles que usaram intervenções de estilo de vida padrão. 
  • O grupo de pacientes centrado no fenótipo teve uma perda de peso mais significativa, redução da circunferência da cintura, redução dos triglicerídeos, redução da ingestão calórica diária e menos ansiedade. 
  • O grupo demonstrou um aumento substancial na porcentagem de massa magra.
  • Também foi observado um decréscimo menor no número de calorias que o corpo exige durante as condições de repouso.

“Os resultados enfatizam a relevância de identificar a causa subjacente da obesidade como uma doença complexa com muitos fatores”, explica o Dr. Andre Acosta, Ph.D., pesquisador da Mayo Clinic em obesidade e último autor do estudo.

 

O que é uma intervenção adaptada ao fenótipo? 

Os fenótipos de obesidade são baseados na causa da doença e nos componentes comportamentais, e incluem três áreas principais: 

  • Alimentação homeostática: comer em resposta a uma necessidade de energia percebida pelo cérebro.
  • Comportamento alimentar hedonista: consumir alimentos por prazer, e não pela fome física ou necessidades energéticas. 
  • Gasto energético anormal: o número de calorias queimadas em 24 horas em comparação com uma média pessoal.

Quatro fenótipos acionáveis dessas áreas incluem saciedade anormal (medida pelas calorias ingeridas para sentir saciedade desagradável), duração anormal de saciedade, comportamento alimentar emocional e gasto energético anormal em repouso.

Os pesquisadores relataram que as pessoas que usaram as intervenções no estilo de vida adaptadas ao fenótipo demonstraram melhora significativa em algumas áreas específicas, como saciedade anormal e alimentação emocional.

“Os resultados desse estudo respaldam a necessidade de uma classificação acionável e baseada em fenótipo (de pacientes em tratamento para obesidade) em vez de depender unicamente do número na balança, medidas corporais (caso houver) ou doenças relacionadas com a obesidade, como doença cardíaca, pressão arterial elevada e certos tipos de câncer”, explica o Dr. Acosta.

 

Oportunidades para pesquisa adicional

O Dr. Acosta afirma que é necessário haver mais pesquisa para avaliar os efeitos de longo prazo de uma abordagem baseada em fenótipo. Em particular, estudos adicionais podem ser necessários para analisar outras variáveis físicas e metabólicas para entender as pessoas com fenótipo não identificado. Ele também observa que os efeitos da terapia nas duas abordagens devem ser examinados independentemente. As pessoas com um componente de alimentação emocional receberam uma intervenção mais intensa (com 24 sessões de modificação comportamental) para tratar essa característica subjacente que pode ter um papel importante no desenvolvimento da obesidade. 

“As pesquisas adicionais aprimorarão a abordagem personalizada proposta a partir de dados,” explica o Dr. Acosta. “Continuaremos trabalhando no tratamento individualizado da obesidade visando características específicas para identificar o tratamento certo para o paciente certo.”

 

Declaração de interesses

O Dr. Acosta é um acionista da Gila Therapeutics and Phenomix Sciences. Ele foi consultor da Rhythm Pharmaceuticals, General Mills, Amgen, Bausch Health e RareStone. Possui contratos com a Vivus Inc, Satiogen Pharmaceutical e Rhythm Pharmaceutical e apresentou uma patente para biomarcadores de uma dieta adaptada ao fenótipo. 

 

Mayo Clinic

 

Fisioterapia pélvica na menopausa: cuidados e exercícios para a saúde íntima

Especialistas explicam como se preparar para viver o climatério

 

Apesar de ser um processo natural e inevitável para toda mulher, a menopausa ainda é um assunto tratado como doença e não simplesmente como uma das fases da saúde feminina. Assim como as meninas se preparam para esperar pela primeira menstruação, chamada de menarca, o mesmo deveria acontecer com o último ciclo menstrual, ou seja, a menopausa.

A diferença entre esses dois momentos é que a transição até a menopausa pode vir acompanhada de diversos sintomas, é o que conhecemos como climatério. Você sabia que, além das ondas de calor, existem várias manifestações durante esse período, que estão relacionadas ao enfraquecimento da região pélvica da mulher?

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, a incontinência urinária atinge 72% das mulheres no mundo e cerca de 20% dos casos são de mulheres adultas, e isso se deve ao fato da passagem pela menopausa. Para a fisioterapeuta pélvica na Clínica Ginelife, Laura Barrios, é fundamental que as mulheres tenham consciência da importância de exercitar e fortalecer a região pélvica para que possam prevenir muitos desses desconfortos pós-menopausa.

“Assim como qualquer parte do corpo, que precisa de exercícios para se manter forte e ativa, o assoalho pélvico também funciona assim. Composto por músculos, nervos, ligamentos e tecidos conjuntivos, esse assoalho garante a sustentação da bexiga, do ânus, do útero e da vagina. Quando essa região fica enfraquecida, tudo que ela sustenta pode ser afetado, causando disfunções significativas na rotina da paciente. E a fisioterapia pélvica trabalha para que isso não aconteça e a mulher mantenha sua qualidade de vida”, garantiu Laura.

A médica ginecologista, Dra. Fernanda Lellis, da Clínica Ginelife, explica que o enfraquecimento da região pélvica acontece com todas as mulheres, mas que o grau desse comprometimento irá depender da genética, dos hábitos de vida e principalmente da atenção que ela tem com a saúde. Por isso, os cuidados preventivos e multidisciplinares são indicados para toda mulher.

“Quando acontece a menopausa significa que ovários perderam sua função, pois não tem mais óvulos para liberar para as trompas. Então, começam a atrofiar, deixando de produzir progesterona e estrogênio, que são hormônios essenciais para manter o fortalecimento muscular e conjuntivo de todo corpo, principalmente do assoalho pélvico. Essa queda hormonal gera várias consequências para o organismo da mulher. Sendo assim, é necessário o auxílio médico durante esse período para fazer a suplementação nutricional e medicamentosa, além do acompanhamento fisioterapêutico”, explicou a doutora.

Essa atrofia da musculatura pélvica prejudica a saúde íntima da mulher de diferentes maneiras, podendo causar dores durante a relação sexual, dificuldade de lubrificação, redução da libido, flacidez vaginal, incontinência urinária ou aumento da necessidade de urinar durante o dia e a noite, constipação e até dor pélvica crônica. Alguns fatores, contudo, podem contribuir para o surgimento e piora desses sintomas como: exercícios de impacto, tosse crônica, obesidade, forçar para evacuação e partos naturais.

 “Para conquistar uma menopausa mais tranquila é preciso se preparar o quanto antes. O ideal é não ficar esperando sentir algum sintoma para iniciar a fisioterapia, mas agir preventivamente. Então, se a menopausa, em geral, acontece entre os 45 e 55 anos, os cuidados devem começar próximos aos 40. Assim, a mulher terá autoconhecimento e um acompanhamento por tempo suficiente para viver o climatério com mais qualidade de vida”, finalizou a fisioterapeuta pélvica. 

Além da menopausa, a fisioterapia também é indicada para diversos problemas ginecológicos. Por meio de uma avaliação e consulta clínica, já é possível iniciar o tratamento conforme as queixas da paciente, que poderá ser realizado em sessões com o profissional e manter os exercícios em casa.

 

Laura Barrios - fisioterapeuta pélvica na Clínica Ginelife. Formada em fisioterapia pela Universidade do Grande ABC, com pós-graduação em Fisioterapia Respiratória pela UNICID e em Fisioterapia Pélvica pela Faculdade Inspirar. Mestrado em UTI pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva. Instagram: @clinicaginelife


Dra. Fernanda Lellis - ginecologista na Clínica Ginelife. Médica pela Faculdade de Medicina de Mogi das Cruzes. Residência de Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina do ABC. Especialização de Videoendoscopia Ginecológica pela Faculdade de Medicina do ABC. Título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira e FEBRASGO. Título de especialista em Endoscopia Ginecológica pela Associação Médica Brasileira e FEBRASGO. Preceptora do setor de Videoendoscopia Ginecológica no Hospital Mario Covas.


Miomas: mitos e verdades

 Apesar de comuns, tumores ainda são cercados de dúvidas

 

Os miomas, também conhecidos como fibroma ou leiomioma uterino, são tumores, em sua maioria benignos, que ocorrem no tecido muscular do útero. Eles estão presentes em cerca de 80% das mulheres, com tamanhos e em locais diferentes. Embora o número de pacientes com a doença seja significativamente grande, somente em poucos casos é necessário realizar uma cirurgia.  

Apesar de serem tão comuns, os miomas ainda são cercados de dúvidas. Segundo o especialista em doenças como Endometriose, Adenomiose e Miomas, Dr. Thiers Soares, é fundamental que as  mulheres tenham informações básicas desta doença para se cuidarem, se questionarem e se tratarem, especialmente aquelas que desejam engravidar. 


Abaixo, o Dr. Thiers Soares lista alguns mitos e verdades sobre o mioma:



“Mioma no útero é câncer” – Mito

Ao contrário dos tumores malignos, que conhecemos popularmente como o câncer, os miomas são, em sua maioria, tumores benignos que acontecem durante a idade fértil da mulher. Por serem dependentes dos hormônios estrogênio e progesterona, eles não acontecem antes da primeira menstruação e costumam regredir após a menopausa. 


Os miomas surgem no miométrio, que é a camada mais espessa do útero, através do crescimento de uma única célula muscular. Apesar de serem benignos e raramente evoluírem para um câncer, eles podem causar outros efeitos no corpo que também devem ser levados em consideração. 



“Miomas podem causar infertilidade” – Verdade

A palavra infertilidade causa medo para aquelas que desejam engravidar, mas isso acontece pela falta de conhecimento e até mesmo pelas informações falsas que são divulgadas. Uma pessoa infertil é aquela que tenta engravidar por mais de um ano, sem fazer o uso de métodos contraceptivos e, mesmo assim, não consegue. Só que, ao contrário do que muitos pensam, ainda é possível engravidar, mesmo com o diagnóstico de mioma. Porém, é mais difícil e será necessário fazer um tratamento específico.


A infertilidade não é o único sintoma para quem possui miomas. Por este motivo, fazer o acompanhamento médico ajudará no sonho de gerar um filho, além de aliviar outros males causados pela doença, como ciclo menstrual desregulado, dores durante a relação sexual, sangramento mais intenso durante a menstruação, cólicas na região pélvica, irregularidade ao urinar e desconforto abdominal.



“É possível ter um mioma e não sentir dores” – Verdade

Os sintomas são a forma como o nosso corpo reage à doença. No caso dos miomas, cerca de 30% das mulheres não apresentam nenhum indício. Nessas circunstâncias, o mioma só é detectado por meio de uma check-up feito pelo ginecologista. Os sintomas, geralmente, aparecem devido à idade, aspectos da saúde, tamanho e quantidade de miomas que a mulher possui no organismo. 


Desta forma, é essencial procurar fazer exames regulares, para que seja possível identificar os miomas logo no início. Por mais que eles sejam tumores benignos, ainda existe a necessidade de realizar um tratamento para fazer o controle da doença e impedir o surgimento dos sintomas ou o aumento da gravidade.



“A única opção para os miomas é a remoção do útero” – Mito

 Os miomas podem ser tratados, e quanto mais cedo começar, maiores são as chances de diminuir e até mesmo prevenir alguns sintomas. O mais importante é que é possível preservar o útero da mulher na maioria dos casos, com o uso de medicamentos ou cirurgias menos invasivas, evitando a remoção completa deste órgão.

Existem diversos tratamentos possíveis para o mioma hoje em dia. A escolha do método utilizado vai depender do tamanho, da quantidade e de outros fatores. Converse com o seu médico para saber qual é o melhor para o seu caso. Importante lembrar que todo útero é preservável até que ele te “prove” o contrário. E se você deseja engravidar, não aceite a retirada do útero como opção.

 

 

 

Dr. Thiers Soares - Doctor Honoris Causa pela Universidade Victor Babes/Romênia, Dr. Thiers Soares, graduado em Medicina pela Fundação Universitária Serra dos Órgãos (2001), é ginecologista especialista em doenças como Endometriose, Adenomiose e Miomas. Também é médico do setor de endoscopia ginecológica (Laparoscopia, Robótica e Histeroscopia) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ). O especialista é membro honorário da Sociedade Romena de Cirurgia Minimamente Invasiva em Ginecologia, membro honorário da Sociedade Búlgara de Cirurgia Minimamente Invasiva, membro honorário da Sociedade Romeno-Germânica de Ginecologia e Obstetrícia e membro da diretoria e comitês de duas das maiores sociedades mundiais em cirurgia minimamente invasiva em ginecologia (SLS e AAGL). Recentemente, o Dr. Thiers Soares foi um dos responsáveis por trazer para o Brasil a técnica de Ablação por Radiofrequência dos Miomas Uterino, um tratamento moderno e eficaz, que causa a destruição térmica de tumores uterino.

 

Você sabia que a cor do xixi pode falar muito sobre a sua saúde?

Especialista do CEJAM explica que as diferentes tonalidades podem revelar quadros como infecções, diabetes, síndromes e até tumor


Você já se perguntou, ao utilizar o banheiro, se estava tudo bem ao notar uma cor diferente na urina? Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, além de eliminar toxinas do corpo, a urina também pode fornecer informações valiosas sobre a saúde e, por isso, requer atenção.

"Alterações na cor da urina podem indicar condições como infecções urinárias, diabetes descompensada, lúpus e síndromes nefróticas", afirma a Dra. Alessandra Bonilha Gonçalves, médica nefrologista da Santa Casa de São Roque, gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim" em parceria com a prefeitura do município.

Normalmente, quanto mais clara a cor da urina, melhor. Se ela apresentar tons mais escuros, pode indicar desidratação, o que deve servir como alerta para aumentar a ingestão diária de água.

Além da cor amarela, que estamos acostumados, existem outras características que podem ser úteis para diagnósticos mais críticos. A médica explica como as diferentes cores da urina podem transmitir algumas mensagens importantes:

  • Cor avermelhada: essa coloração indica a presença de sangue na urina, o que pode ser um sinal de problemas no fígado, rim, próstata e infecção ou, em casos mais graves, a presença de tumor;
  • Cor alaranjada: assim como a cor amarelada, pode indicar falta de água;
  • Cor amarronzada: pode indicar desidratação severa, insuficiência renal aguda ou problemas no fígado;
  • Cor azulada ou esverdeada: pode apontar a presença de infecção bacteriana;
  • Cor arroxeada: nesse caso, pode indicar altos níveis de cálcio no sangue ou infecção;
  • Cor turva ou com sedimentos: pode ser um indício da presença de bilirrubina, substância produzida no fígado. A urina também pode ficar turva ou com alteração de cor devido à presença de infecção ou bactérias.


A profissional ressalta ainda que muitos medicamentos e alimentos podem alterar a coloração da urina, destacando, assim, a importância de buscar sempre o apoio especializado em caso de dúvidas. Nessas situações, as mudanças na cor geralmente são temporárias. Somados às cores, outros aspectos também podem relatar enfermidades. Um exemplo é a presença de espuma.

"Geralmente, a espuma pode aparecer devido à alimentação, mas desaparece logo, na maioria dos casos. No entanto, se a espuma persistir após urinar, isso pode indicar a presença de proteínas, sugerindo lesões renais”, afirma Dra. Alessandra. “Doenças como diabetes tipo 1 ou tipo 2 também podem causar espuma na urina, pois afetam o funcionamento dos rins. Essa característica também pode indicar nefrites, que são inflamações nos rins", complementa.

De qualquer forma, para evitar complicações, é essencial manter-se hidratado(a) com água. A recomendação é o consumo de 2 litros diários, mas, para pessoas com 50 anos ou mais, ou que tenham doenças como insuficiência cardíaca ou renal, é imprescindível seguir a orientação médica ou de um nutricionista quanto a quantidade diária de ingestão.



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”


Aumento dos casos de doenças cardiovasculares em mulheres acende alerta para prevenção de forma integrada

 

A saúde da mulher sempre foi historicamente tratada de forma generalizada. Por exemplo: sempre se acreditou que os riscos de doenças cardiovasculares eram os mesmos para homens e mulheres. Em 2022, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) trouxe atenção para o tema com a publicação do Posicionamento sobre Saúde Cardiovascular nas Mulheres. A médica assistente da Disciplina de Cardiologia do Centro Universitário da Faculdade de Medicina do ABC, Dra. Carla Janice Baister Lantieri, que também contribuiu para a construção do documento, reforça que, hoje, a medicina sabe que o ciclo de vida das mulheres apresenta diferentes fases e, cada uma, com suas características, está conectada ao aumento dos fatores de risco. 

Esse tema ganha força com um dado preocupante: o DataSUS revelou que, em 2019, as doenças do aparelho circulatório foram a principal causa de mortalidade feminina no Brasil, superior inclusive à soma de todos os tipos de câncer – são mais de 170 mil óbitos por ano no país. Diante dos números, foi criado o Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher, em 14 de maio, para reflexão sobre o tema. 

“Sim, em cada momento da vida da mulher há prioridades de saúde. Por exemplo, a gravidez é um momento de alteração importante dos níveis hormonais com propensão ao aparecimento da hipertensão arterial gestacional, a qual tem chance de evoluir para a hipertensão sistêmica pós gestação. No pós-parto, há alterações glicêmicas e dificuldade para reduzir o peso. Na menopausa, temos a perda do fator protetor do estrogênio, quando o sistema fica mais vulnerável a sofrer um infarto do miocárdio”, relata a Dra. Carla Janice Baister Lantieri. 

Segundo ela, os fatores de risco relacionados ao sexo ainda incluem síndrome dos ovários policísticos, uso de contraceptivo hormonal e terapia de reposição hormonal na menopausa. “Há distorção da ideia de que mulheres se cuidam mais e vão ao médico mais vezes. Isso acontece devido aos exames ginecológicos, mas não quando falamos das doenças do coração. Estamos usando a expressão janela de oportunidade para os profissionais investigarem a fundo a saúde e o estilo de vida como um todo, encaminhando os casos sempre que necessário para o especialista responsável – nesse caso, o cardiologista – para que se crie uma rotina de cuidados preventivos”, analisa a especialista. 

Todos os sintomas devem ser levados em consideração. Até porque no caso de infarto a mulher pode não apresentar os sinais comuns, negligenciados por médicos e pacientes. “Desconforto epigástrico, fadiga e palpitações acabam sendo vistos como sintomas de ansiedade e atrasam o início do tratamento correto”, destaca a Dra. Carla. 

Ela explica que cuidado e atenção devem vir desde a primeira infância, objetivando construir um comportamento alimentar saudável, com estímulo ao consumo de alimentos in natura e preparo da própria refeição, além de, claro, ter motivação para prática de atividades físicas, e promoção da saúde mental da mulher. 

“Esse assunto não pode ser generalizado, porque o documento elaborado pela SBC também mostra que existe a situação socioeconômica – mulheres de baixa renda passam por todos esses desafios porque estão mais propensas a ter obesidade e colesterol alto, por exemplo, devido à falta de iniciativas que propaguem o conhecimento a respeito da sua saúde. Um dado preocupante é também a violência contra a mulher, muitas vezes essas se encontram expostas ao estresse crônico, que corrobora para o adoecimento precoce”, reforça. 

A exposição ao tabaco, e cigarros eletrônicos sem sido observada em um número considerável entre crianças e adolescentes, o que se torna um problema de saúde pública e deve ser enfrentado de forma intersetorial, para a implementação de medidas preventivas e terapêuticas. “Além disso, também foi constatado que aquelas que iniciam o consumo drogas ilícitas e bebidas alcoólicas na adolescência são mais suscetíveis à gravidez não planejada, que é responsável por alterações físicas e na saúde emocional. Por isso, quando falamos de saúde cardiovascular da mulher o cardiologista não é o único responsável pela atenção: é preciso uma equipe multidisciplinar que entenda e oriente para as diferentes particularidades do ciclo”, completa a médica. 

A campanha Juntos por Elas, da Biolab Farmacêutica, propaga uma nova abordagem para o cuidado com a saúde das mulheres – desde acolhimento, diagnóstico e tratamento à prevenção. “Estamos diante de um novo modelo de rotina. Além da carga do trabalho doméstico as mulheres têm suas carreiras profissionais e, consequentemente, o comprometimento da qualidade de vida. O controle dos fatores de risco para as Doenças Cardiovasculares na mulher devo ser priorizado, bem como a promoção da saúde. Fatores protetores comportamentais, entre eles a alimentação saudável, atividade física regular, saúde emocional e boa qualidade do sono, beneficiam a todas, mas a abordagem da equipe de saúde deve ser feita de forma individualizada e continuada durante toda a vida da mulher. Existe a necessidade de orientá-las para que as chances de adoecimento sejam minimizadas e que a saúde seja preservada”, complementa a Dra. Carla Janice Baister Lantieri.

 

Corrimento de repetição: o que fazer?

Especialista explica como diagnosticar e tratar a candidíase recorrente 


A candidíase recorrente, também conhecida como corrimento de repetição, é caracterizada por diagnósticos de infecção pelo fungo Candida sp. diversas vezes no período de um ano.  

Segundo o Dr. Alexandre Rossi, médico ginecologista e obstetra, responsável pelo ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros e médico colaborador de Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP, a infecção pode acometer homens e mulheres, mas as queixas geralmente são trazidas por elas ao médico ginecologista, com sintomas que incluem vermelhidão na região genital, coceira, corrimento branco e dor ao urinar e durante a relação sexual.

 

Diagnóstico e tratamento  

"A candidíase de repetição é mais comum quando o sistema imunológico está fragilizado ou se um episódio anterior não foi tratado corretamente. Por este motivo, manter uma rotina saudável e seguir corretamente as orientações médicas em caso de infecção são muito importantes", explica o Dr. Alexandre. 

O diagnóstico da candidíase de repetição é iniciado em consultório, com base nas queixas da paciente, e confirmado pela análise de secreções da região genital, que apontarão a infecção pelo fungo Candida sp. A coleta para este exame já é realizada no próprio consultório de alguns médicos ginecologistas, que realizam o encaminhamento ao laboratório, sem que a paciente tenha que se deslocar a um laboratório para isso. 

Em caso de confirmação do diagnóstico, o médico orientará a paciente a tomar o antifúngico indicado de acordo com o resultado de seu exame. A candidíase pode ser causada por diferentes fungos. Os mais comuns são: Candida albicans, Candida glabrata, Candida krusei, Candida tropicalis ou Candida parapsilosis 

Outros exames poderão ser solicitados para complementar o diagnóstico e evitar a recidiva da doença. A deficiência de ferro ou o diabetes, por exemplo, detectados em exames simples de sangue, são condições que, sem tratamento, poderão predispor a novas infecções.   

Como alguns tipos de cândida são sexualmente transmissíveis, é importante envolver o parceiro na pesquisa e tratamento. 

 

Principais causas  

Segundo o Dr. Alexandre, além da baixa imunidade e infecções anteriores que não foram tratadas corretamente, outros fatores podem colaborar para o aparecimento da candidíase de repetição. Confira:   

  • Excesso de estresse
  • Diabetes descompensada
  • Alimentação rica em açúcar
  • Higienização íntima inadequada
  • Uso recorrente de antibióticos
  • Uso excessivo de roupas de tecido sintético ou muito justas

 

 Prevenção 

Além de ficar atenta aos sintomas e procurar ajuda médica assim que os primeiros sinais aparecerem, algumas medidas podem ser tomadas para prevenir o problema.  

Consumir alimentos probióticos, como iogurte, auxiliam a reconstituição da microbiota genital, aumentando a concentração de microrganismos que mantém a saúde da região. Também é importante reduzir o consumo de doces, pois o açúcar favorece o crescimento do fungo.

"Outras medidas preventivas são manter a higiene íntima adequada, utilizando produtos adequados ou apenas água e sabonete neutro, sem lavar excessivamente, e secar bem antes de se vestir, e dar preferência a tecidos de algodão e roupas confortáveis. A prática de atividade física regular também é muito importante", finaliza. 


Maior especialista brasileiro em prótese ocular explica o procedimento de reabilitação estética dos olhos


Perder a visão pode significar uma grande mudança no sentido da vida. Muitas pessoas entram em depressão e desacreditam da possibilidade de retornar à sociedade com autoestima e autoconfiança. A visão é a janela para o mundo. E quando tudo parece estar perdido, a oculoplástica, uma subespecialidade da oftalmologia, é que pode atuar com o que há de mais avançado para o tratamento e reabilitação.

Qualquer pessoa que tenha perdido o olho por acidente ou alguma doença pode ser tratada funcional e esteticamente com o uso de próteses oculares. Cada vez mais procurado, esse procedimento devolve à sociedade um cidadão mais confiante. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 60% a 80% dos casos de cegueira são evitáveis e/ou tratáveis e, no Brasil, há mais de 1,2 milhão de cegos. As principais causas que levam à cegueira e à perda do olho são infecções congênitas, catarata, retinopatia em bebês prematuros, glaucoma e tumores oculares. Além das doenças, a perda visual pode acontecer em casos de acidentes de trânsito, armas de fogo e até em atividades esportivas.

O processo de recuperação inicia-se com a cirurgia para reposição do volume perdido, adequada para cada caso e com o objetivo principal de tratar a falta do globo ocular ou os olhos cegos inestéticos e, por vezes, dolorosos. As cirurgias mais comuns são: evisceração, remoção do conteúdo ocular com preservação das camadas externas do olho; ou enucleação, que é a remoção do globo ocular, geralmente nos casos tumorais.

Em ambas as situações, durante a cirurgia coloca-se um implante esférico, devolvendo o volume perdido. Essa cirurgia é muito importante para restabelecer estética à cavidade orbitária, em uma reconstrução cirúrgica realizada por especialista que visa deixar a área preparada para a adaptação a uma futura prótese ocular.

Há ainda casos em que procedimentos menos invasivos podem ser realizados para diminuir a sensibilidade ocular, facilitando a adaptação da prótese sobre o próprio olho atrófico. Para que o paciente volte a levar uma vida normal após a cirurgia, arte e tecnologia unem-se como alternativa para mudar a realidade de quem vive esse drama – e a prótese ocular ou lente escleral pintada é confeccionada individualmente.

É este o trabalho do especialista em cirurgia reconstrutiva e estética das pálpebras, via lacrimal e Órbita, que possibilita que estes pacientes passem pela reabilitação funcional e estética da cavidade anoftálmica. “Atualmente, podemos contar com procedimentos cirúrgicos que devolvem o volume perdido, por meio de implantes orbitários ou a própria gordura do paciente. Além disso, após 45 dias da cirurgia os pacientes estão aptos à colocação de próteses oculares, ou lente escleral pintada, que imitam com perfeição a íris humana, desde cores até detalhes das características do outro olho”, relata Dr. André Borba, relator do livro Oculoplástica e Oncologia ocular, tema oficial do Conselho Brasileiro de Oftalmología 2021. A prótese ocular é uma forma de reabilitação funcional e estética da face, impacta diretamente na aceitação pessoal e social do paciente e não está longe do alcance do cidadão. Além disso, vale destacar que no último mês, entrou em vigor a Lei 14.126/2021, mais conhecida como "Lei Amália Barros", que viabiliza o reconhecimento legal das pessoas com visão monocular na qualidade pessoa com deficiência sensorial do tipo visual. Em outras palavras a nova lei reconhece o amparo legal da pessoa com visão monocular para fins de direitos das pessoas com deficiência. 



André Borba - professor e fundador da Oculoplastics Academy, médico-cirurgião Oculoplástico, especialista em Cirurgia Reconstrutiva e Estética das Pálpebras e Via Lacrimal pela UCLA – EUA, com doutorado em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo (USP). Membro titular das Sociedades Brasileira, Americana, Pan-Americana e Europeia de Cirurgia Plástica Ocular, além da Sociedade Brasileira e Portuguesa de Medicina Estética. É professor da pós-graduação em Medicina Estética da Faculdade de Medicina da Universidade de Alcalá, em Madrid (Espanha).
Instagram: @drandreborba

 

Julho Verde: saiba como prevenir os tumores de cabeça e pescoço

Cirurgião da BP cita os principais sintomas e o momento ideal para procurar um especialista; chance de cura é maior quando a doença está na fase inicial

 

O mês de julho é marcado pela conscientização do câncer de cabeça e pescoço, que atinge anualmente cerca de 36 mil novos casos no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Essa categoria abrange desde tumores cerebrais e de boca até o câncer de tireoide e couro cabeludo. Os sintomas iniciais são corriqueiros e costumam passar despercebidos pelo paciente, o que impacta as chances de cura, indica Giulianno Molina de Melo, cirurgião da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Infelizmente, cerca de 60% dos casos são diagnosticados em fases avançadas da doença.

 

“As dúvidas mais frequentes são sobre câncer de tireoide, de pele e de boca. Normalmente aparece uma ferida, uma bolinha estranha, ou ocorrem até mesmo alterações na voz”, relata o médico da BP. A persistência destes sinais por mais de duas semanas é o principal indicativo de que pode se tratar de um tumor maligno. “O tumor é evolutivo, aparece e vai crescendo gradualmente, até um momento que fica tão evidente que o paciente decide procurar ajuda. Nesse ponto, a doença já se espalhou para outras áreas, como a gengiva, o dente, o osso”, diz.

 

Em estágios iniciais, é possível remover o tumor por meio de uma pequena incisão, mas conforme as células cancerosas se espalham, é necessário realizar uma cirurgia oncológica complexa, com margens cirúrgicas e reconstrução dos tecidos. Os quadros localmente avançados requerem também quimioterapia e radioterapia adicionais.  “Então o tratamento é mais oneroso, cansativo e demorado, e a taxa de sobrevida não é boa, porque está mais avançado”, expõe o cirurgião.

 

O principal fator de risco é o tabagismo, responsável por 85% dos casos, alerta o INCA. O consumo de álcool em excesso também é um agravante, podendo aumentar em até 30 vezes a chance de câncer. Além disso, nas últimas décadas, o vírus do Papiloma Humano (HPV), uma infecção sexualmente transmissível, tem sido associado a um aumento nos casos. As melhores maneiras de prevenção são evitar o fumo associado a bebidas alcoólicas e se vacinar contra HPV antes de iniciar a atividade sexual.

 

O especialista recomenda que as pessoas se examinem em frente ao espelho e observem o movimento da laringe enquanto bebem água, a fim de detectar a presença de nódulos ou gânglios visíveis no pescoço e na tireoide. Dentistas, fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas são aliados importantes na identificação e sinalização dos sintomas, e a avalição inicial desses profissionais é crucial para que o paciente seja encaminhado ao cirurgião de cabeça e pescoço. Para estabelecer o diagnóstico definitivo, são necessários exames de imagem ou biópsia, na qual o material é retirado diretamente nas lesões acessíveis e analisado por um patologista.

 

Em algumas situações, a tireoide chega a comprimir a traqueia, podendo ser confundida com bronquite. Já o crescimento de um papiloma provoca coriza prolongada, e essa reação inflamatória pode ser associada erroneamente a rinite alérgica. Para descartar a possibilidade de outras enfermidades, o cirurgião reforça a importância de procurar centros especializados como a BP, que oferecem atendimento multidisciplinar e cuidados integrados.

 

O hub de saúde é referência no tratamento do câncer de cabeça e pescoço, contando com um Centro de Oncologia e Hematologia que tem equipes renomadas de oncologistas, radio-oncologistas, cirurgiões, e especialistas vinculados a áreas de suporte imprescindíveis, como odontologia, nutrição, medicina nuclear, patologia e biologia molecular.

 

BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo

Deficiência androgênica no idoso pode ser confundida com sinais da velhice

30% dos pacientes com diabetes tipo 2 podem ter a deficiência androgênica

                                           #SBEMSP


Em alguns indivíduos, o nível de testosterona fica abaixo do ideal e isso leva a sintomas. E essa deficiência androgênica - que normalmente ocorre no idoso - pode ser chamada de hipogonadismo de instalação tardia. O que evitamos mesmo é o termo andropausa, porque não é uma queda abrupta como acontece na mulher”, explica Dr. Leonardo Parr, endocrinologista da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).

 

Nos homens, existe uma queda progressiva dos níveis de testosterona a partir dos 30 anos de idade: uma redução aproximada de 1% a cada ano a partir de 30 anos de idade. Diferentemente da mulher, o homem não apresenta uma queda abrupta dos níveis de testosterona, ela é progressiva e muitos homens não vão chegar a ter sintomas.

 

Segundo Dr. Leonardo, os sinais clássicos para deficiência androgênica do idoso se confundem com os do próprio envelhecimento ou de outras doenças da idade avançada, tais como redução da libido, redução da força e massa muscular e apatia diante das atividades habituais. Há uma diminuição dos pelos pubianos e das axilas, redução do crescimento da barba e aumento da gordura visceral. Em casos mais severos, há alterações de atenção, de memória, dificuldade de concentração e, em alguns casos, quadros de depressão por causa da deficiência do hormônio masculino.

 

"Nos homens com deficiência androgênica, o aumento de gordura visceral também vai aumentar a resistência insulínica e a chance de o paciente ter diabetes gerando um ambiente inflamatório. A gordura visceral é capaz de transformar a testosterona em estrogênio (que é o hormônio feminino) através de um processo chamado aromatização, elevando de maneira inapropriada os níveis desse hormônio e piorando os sintomas relacionados ao hipogonadismo. Cerca de 30% dos pacientes com diabetes tipo 2 podem ter a deficiência androgênica do idoso e 25% dos pacientes com obesidade também poderão apresentar a mesma deficiência hormonal”, comenta o endocrinologista.

 

Ele destaca também a importância do tratamento individualizado, feito com a reposição da testosterona. “Cabe aqui também alertar: infelizmente temos visto com frequência manipulações de testosterona e nós não temos como comprovar que a formulação apresentará a quantidade do hormônio necessária com exatidão. Além disso, é preciso avaliar os benefícios que esse tratamento está trazendo para o paciente em relação às suas queixas e os possíveis efeitos colaterais. Portanto, reposição de testosterona apenas quando ela está abaixo dos níveis considerados normais e sempre com ‘acompanhamento de um endocrinologista e metabologista”, finaliza Dr. Leonardo.

 

SBEM-SP - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo
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