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quinta-feira, 8 de março de 2018

Passei dos 30 e agora?



Medo de não engravidar é uma preocupação frequente entre as mulheres que optam por ter o primeiro filho após os 30 anos.


Quando se toma a decisão de engravidar, qualquer demora já provoca ansiedade.  É bastante comum encontrar um casal que, após decidir que chegou hora de ter um filho, se surpreenda com a demora da concepção – situação que acaba gerando uma maior preocupação para quem deseja ser mãe após os 30 anos.

De acordo com o ginecologista e obstetra do Hospital Nossa Senhora das Graças, Dr. Francisco Furtado Filho, a gravidez na faixa dos 30 aos 40 anos é uma escolha muito comum das mulheres e tem aumentado nos últimos anos. "É uma tendência mundial", afirma o médico. Os fatores envolvidos nessa decisão são diversos – a busca por estabilidade profissional, espera por um relacionamento estável, o desejo de atingir segurança financeira ou, ainda, a incerteza sobre o desejo de ser mãe", relata.

 Do ponto de vista médico o período dos 20 a 30 anos é a idade ideal para engravidar, porque após os 30 a taxa de fertilidade cai. Ao contrário dos homens, que produzem espermatozóides durante toda a vida, a mulher já nasce com todos os óvulos "prontos". Com o tempo, os óvulos e os próprios ovários envelhecem. "Dos 45 aos 49 anos, a probabilidade de a mulher engravidar naturalmente é de 3 % a 4 % e a partir daí , a chance cai para 1 %", acrescenta Dr. Francisco.

Mas às vezes não é só o fator idade que pode comprometer a tentativa de engravidar. É necessário investigar as causas. A endometriose, por exemplo, é responsável por cerca de 40% das causas femininas da infertilidade. "Em algumas pacientes ela se manifesta apenas discretamente, com leve aumento na intensidade das cólicas menstruais.

 Em outras, pode ser um martírio, com dores fortes e sangramentos abundantes. Em qualquer uma das situações, seja qual for o grau de endometriose, a fertilidade pode estar comprometida", explica o médico. Além disso, problemas decorrentes de miomas uterinos, doenças sexualmente transmissíveis e estilo de vida também são causas que influenciam quando o assunto é dificuldade de engravidar. "Preconiza-se que mulheres até os 35 anos de idade que não engravidam em 12 meses de exposição à gravidez deverão iniciar investigação, inclusive do marido/parceiro. Após os 36 anos não aguardamos mais do que 6 meses", informa o médico .

Sobre o uso do anticoncepcional, muitas mulheres acabam associando o longo período de uso à infertilidade. Mas, de acordo com o médico, não há provas científicas que isso interfira. "Antigamente , os médicos recomendavam que se fizessem "intervalos" sem a pílula de tempos em tempos , mas hoje em dia a recomendação não existe mais", comenta Dr. Francisco. "Mulheres com vida sexual ativa e que não fazem mais o uso de métodos anticoncepcionais, podem engravidar em no máximo um ano", diz.

Dr. Francisco comenta que diante desses aspectos abordados, é crescente a procura de muitas mulheres pelo congelamento de óvulos. "Essa técnica nos permite armazenar, de forma segura por vitrificação ( técnica de congelamento ), os óvulos dessas pacientes, com objetivo de que, caso tenham dificuldades para engravidar naturalmente no futuro possam ter a disposição óvulos próprios", afirma.


Riscos da gravidez tardia

Os riscos de uma gravidez tardia podem ser contornados com uma preparação prévia e um pré-natal com acompanhamento adequado. "Quanto mais saudável estiver a mulher, maior a chance que os nove meses transcorram com tranqüilidade", diz Dr. Francisco.

O primeiro passo desta preparação é colocar a carteira de vacinação em dia. "Pelo menos três meses antes de engravidar, a mulher precisa se proteger contra rubéola, sarampo, caxumba, hepatite A e B e catapora", comenta. Também não podem faltar os testes de sorologia para hepatite B e C e HIV.

Os problemas de saúde pré-existentes também devem ser analisados mais de perto no caso de uma gestação tardia. "Casos como os de hipotireoidismo merecem atenção especial porque são mais comuns em pessoas acima dos 35 anos e podem interferir numa gravidez", orienta Dr. Francisco.

Mulheres portadoras de doenças crônicas, tais como pressão alta e diabetes também merecem atenção especial e aconselhamento do obstetra antes de tentar a gravidez. "O ginecologista que acompanha esta mulher deve fornecer informações quanto ao curso da gravidez quando se tem hipertensão arterial ou diabetes", explica. Ainda segundo o médico, é importante que essas doenças estejam bem controladas antes da tentativa de engravidar, pois mesmo sem apresentar pressão alta e diabetes pré-existentes, essas condições se desenvolvem mais comumente em mulheres que engravidam após os 35 anos. "Como resultado desse risco aumentado, exames e monitoramento especiais durante a gravidez podem ser recomendados", finaliza.



Mulheres ainda enfrentam dificuldades para entrar no mercado de trabalho, segundo pesquisa



Um dos principais motivos é a maternidade


Segundo um estudo realizado em 2017 pela Organização Internacional do Trabalho, OIT, o aumento de mulheres no mercado de trabalho faria o PIB crescer 3,3% que é equivalente a R$282 bilhões e acrescentaria R$131 bilhões às receitas tributárias. Essas informações estão no relatório Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências para Mulheres 2017.

Mas, para isso acontecer, seria necessário reduzir 25% da desigualdade na taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho até 2025, os países que fazem parte do G20 já se comprometeram a diminuir esse número nos próximos anos.

São vários fatores que impedem maior representatividade feminina no mercado, entre eles, a maternidade. Com tantas exigências das empresas, ainda é possível perceber que ser mãe pode ser um impedimento para as mulheres.

“Antes da maternidade nunca tive problema em voltar para o mercado de trabalho, quando voltei de licença fui eu quem quis sair do emprego por motivos pessoais, depois de um certo tempo quando resolvi retornar, estava ganhando muito menos e durou apenas um ano. E durante dois anos, todas as vezes que tinha entrevista, sempre me perguntavam sobre a minha vida pessoal e familiar, o que é bem diferente de querer saber se a pessoa é dedicada ou proativa, por exemplo”, conta Glauce Pereira, diretora administrativa da Best View Inglês, plataforma online de curso de idiomas.

Aline Giron, que trabalha no departamento de marketing da Best View Inglês, também teve dificuldades em voltar ao mercado de trabalho após ter ficado um período se dedicando a maternidade. “A verdade é que não importa o quanto uma mulher seja boa no que faz, encontrar uma oportunidade que ainda a permita ser mãe é um desafio imenso. É claro, ninguém estava me impedindo, mas o que eu encontrei foram oportunidades que me privariam do meu tempo com meus filhos”, conta.

Rodrigo Bucollo, CEO da Best View Inglês, diz que entende a importância da força feminina no mercado e que trabalha para que na própria empresa não exista preconceitos e imposição de padrões a serem seguidos. “Sabemos que muitas mulheres fazem jornada dupla para dar conta de tudo, não contratar uma mulher porque ela tem filhos, além de preconceituoso, seria bobagem da minha parte, afinal, por que eu não teria em minha equipe alguém que realmente agrega à empresa? É importante que os gestores trabalhem para desconstruir o preconceito e machismo presentes na rotina do ambiente corporativo e que deem as suas colaboradoras condições de manter em ordem a vida profissional e pessoal”, finaliza.



Em São Paulo, a cada 50 mulheres candidatas, apenas uma é eleita


As postulantes a cargos eletivos na capital paulista também encontram dificuldades para conseguir recursos de campanha


Para uma mulher ser eleita na cidade de São Paulo são necessárias 50 candidatas, enquanto para eleger um homem bastam cerca de 20. É o que aponta o estudo inédito “Um olhar sobre a participação da mulher na política institucional na cidade de São Paulo entre 2008 e 2016”, realizado pelo Movimento Transparência Partidária, coordenado pelo cientista político Marcelo Issa. 

De acordo com o levantamento da organização, além das mulheres enfrentarem uma taxa de sucesso de apenas 2,2% nos pleitos paulistanos, elas também encontram dificuldades em conseguir financiadores de campanha. 

A pesquisa, baseada em dados públicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostra que, nas eleições de 2016 - a primeira a proibir o financiamento empresarial e permitir apenas doações de pessoas físicas - o valor médio arrecadado pelos vereadores e vereadoras foi semelhante: cerca de R$ 400 mil.  

Mas, enquanto apenas 53% das campanhas femininas vitoriosas foram bancadas com doações de colaboradores, os homens que venceram a última eleição municipal captaram 82% de recursos com pessoas fisicas.  Isso revela que as mulheres têm mais dificuldades que os homens na hora de buscar financiadores de campanha. 

A análise dos dados feita pelo Transparência Partidária também destaca a baixa quantidade de mulheres nas funções de direção dos partidos. Atualmente,  apenas 24% dos postos de chefia partidária no munícipio são ocupados por elas - índice próximo dos 20% de mulheres eleitas nas eleições.


Veja mais conclusões do estudo:

- Nas últimas três eleições a quantidade de mulheres eleitas na capital mais que dobrou. Em 2016, foram 11 mulheres eleitas na cidade, contra apenas cinco em 2008: um crescimento de 120%.

- A quantidade de mulheres candidatas em São Paulo vem crescendo. Em 2008 elas eram apenas 23% do total de candidatos, mas em 2016 as candidaturas femininas já passaram dos 30%.

- Entre 2008 e 2016 houve duas vezes e meia mais candidatos homens que candidatas mulheres na cidade de São Paulo. Foram 2.553 candidaturas masculinas para os cargos de prefeito e vereador contra 1.000 candidaturas de mulheres para esses mesmos cargos;

-   No período, apenas 14% das candidaturas vitoriosas na cidade foram femininas.



Marcelo Issa - Cientista político e advogado, mestre em Ciência Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). MBA em Relações Governamentais pela FGV. Bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com extensão em políticas públicas pela Universidade de Salamanca (Espanha). Trabalhou em organizações do Terceiro Setor dedicadas ao monitoramento do poder público e participou de diversos projetos de consultoria em gestão estratégica para organismos públicos nacionais e latino-americanos. É professor da disciplina Participação Social Efetiva: como fazer advocacy no curso Advocacy e Políticas Públicas: teoria e prática, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). 


Movimento Transparência Partidária
O Transparência Partidária é uma organização sem fins lucrativos, financiada por pessoas da sociedade civil, que nasceu em 2016 com propostas claras para promover mais transparência, oxigenação e integridade nos partidos políticos brasileiros.



Eu Fiscalizo


A força da mulher




O Dia Internacional da Mulher, 8 de março, destaca a força e a coragem femininas tão presentes em nossas vidas. Nós do setor agro sempre soubemos que elas são parte essencial em na atividade no campo, que vem a cada dia ganhando mais participação e liderança delas.
 
Substantivo feminino, a agricultura está sendo cada vez mais feita por mulheres, como mostra uma recente pesquisa da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA): elas ocupam 30% dos cargos de comando no campo, três vezes mais do que em 2013, quando este número era de 10%.
 
Quando não são as principais responsáveis pelas propriedades, elas atuam como administradoras, dividem as atividades com um familiar ou estão sendo preparadas para assumir essas funções. Elas não são mais apenas as “filhas do dono”, elas agora são as próprias donas.
 
O levantamento foi feito ao longo de 2017, com 2.090 agricultores e 717 pecuaristas de 15 Estados, e mostra um crescimento enriquecedor que, em parte, é fruto da tecnologia. Com o aumento das inovações tecnológicas no campo, a força física deixou de ser uma barreira para muitas atividades.
 
A mulher antes acabava indo parar no campo quando ficava viúva ou quando perdia os pais. Mas a importância crescente do agronegócio também veio acompanhada de uma revolução cultural. Os jovens querem permanecer no campo, muitas mulheres não são mais criadas para ficar em segundo plano e esses novos agentes estão transformando a agropecuária.
 
Dados da Food and Agriculture Organization (FAO), das Nações Unidas, indicam que mais da metade dos alimentos que chegam às mesas em todo o mundo são produzidos pelas mulheres, principalmente por meio da agricultura familiar.
 
E nas nações menos desenvolvidas, a presença delas no agronegócio é ainda mais expressiva: mais de 70% das mulheres economicamente ativas nesses países trabalham na agricultura. Na África e no Caribe, por exemplo, 80% dos trabalhos domésticos e rurais são executados pelas mulheres.
 
Elas produzem até 80% dos gêneros alimentícios básicos. Ressalta-se que na África, cerca de 70% de toda a mão de obra agrícola é constituída por mulheres, que produzem 90% da comida daquele continente.
 
Trata-se de uma nova realidade, onde 36,2% das mulheres optaram pelo trabalho no campo. Soma-se a isso o fato de que elas estão cada vez mais preparadas para exercer as funções pertinentes à agropecuária. Uma em cada quatro mulheres do agro tem formação superior, enquanto que entre os homens este índice cai para um em cada cinco.
 
Um exemplo é a participação das mulheres na tradicional Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), de Piracicaba. A presença feminina na Universidade já atinge, em média, 50% nos cursos de graduação, especialmente na Agronomia.
 
Esse movimento feminino traz não somente uma enriquecedora diversidade, mas também qualificação para aumento de produtividade e renda. Uma qualificação necessária em tempos de atividade no campo permeada por drones, GPS e aplicativos para smartphones.
 
É um caminho sem volta que só agrega ao setor. Quem melhor do que a mulher entende que a semente precisa ser plantada no momento certo e necessita de cuidados constantes até se transformar em um fruto a ser colhido?
 
Embora os homens ainda sejam maioria no setor, nada menos do que 81% dos entrevistados pela pesquisa consideram que a participação da mulher no campo é essencial. É reconhecer que não há uma disputa entre os sexos, é saber que unidos, homens e mulheres, somos mais fortes, produtivos e rentáveis.
 
Bastaria dizer que a agricultura tem uma deusa, e não um deus. Ceres representa a fertilidade da terra e o ciclo da vida. O plantar e o nascer, o cuidar e aperfeiçoar.
 
Parabéns a todas as mulheres!





Arnaldo Jardim - secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e deputado federal PPS/SP (licenciado)





 

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