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domingo, 17 de maio de 2026

O que os cavalos podem revelar sobre nós

Divulgação
Caroline Kovari Szajman reúne centenas de participantes em vivências com cavalos na natureza e propõe uma leitura direta de padrões de comportamento

 

Nem tudo o que orienta o comportamento passa pela consciência. Em alguns casos, isso só se torna evidente quando algo rompe a lógica habitual das relações e das respostas automáticas. É a partir dessa experiência que Caroline Kovari Szajman conduz seu trabalho. 

Há mais de duas décadas, Carol se dedica a processos de autopercepção. E desde 2019, faz atendimentos individuais, vivências presenciais e encontros online. Foi dessa trajetória que nasceu o INLUMINATION, plataforma que reúne os cursos, vivências e experiências conduzidos por ela a partir de práticas ligadas à consciência, presença e autopercepção. 

Seu trabalho acontece principalmente em imersões na natureza, onde conduz grupos em experiências que envolvem presença, escuta e interação com animais, em especial os cavalos. Ao longo do ano, realiza entre seis e sete atendimentos individuais por semana, além de ciclos contínuos de vivências. 

Durante os encontros, as pessoas observam como cada um se coloca diante do cavalo. Postura, respiração, intenção e até tensões mais sutis entram na relação. E o cavalo responde. Às vezes se aproxima, às vezes se afasta. Às vezes acompanha, às vezes resiste. 

“Os cavalos não respondem à narrativa que a gente constrói sobre si mesmo. Eles respondem ao estado real em que a pessoa está. E isso não passa pela mente, passa pelo corpo, pela coerência entre o que se sente e o que se expressa”, diz Caroline. 

A escolha dos cavalos não é estética nem simbólica. Como animais de manada, eles operam por leitura constante do ambiente e dos sinais não verbais. São sensíveis a variações sutis de comportamento e não filtram essa percepção por linguagem ou interpretação racional. 

Quando essa interação é inserida em um contexto estruturado, passa a funcionar como uma forma direta de observação. Sem mediação verbal, o participante percebe padrões que dificilmente seriam acessados em situações cotidianas. Reações automáticas, mecanismos de defesa e formas de se posicionar deixam de ser abstratos e passam a ser visíveis, no corpo e na relação.
 


Menos ansiedade 

Do ponto de vista do comportamento animal, essa sensibilidade tem sido objeto de investigação científica. Estudos recentes, como Horses can learn to identify joy and sadness against other basic emotions from human facial expressions, indicam que cavalos conseguem aprender a diferenciar expressões humanas e responder a elas de forma distinta. 

Embora a produção científica sobre esse tipo de abordagem ainda seja limitada, há evidências de que a interação com animais pode contribuir para o bem-estar emocional. A American Psychological Association reúne pesquisas que indicam que esse tipo de prática pode ajudar na redução de ansiedade, estresse e outros sintomas comportamentais. 

As vivências acontecem na Fazenda Essênia, em São Francisco Xavier, no interior de São Paulo, em grupos reduzidos, entre 12 e 16 participantes, com duração de três a seis dias. A agenda inclui diferentes formatos, desde experiências de fim de semana, como “O Chamado do Coração com Cavalos”, até imersões mais longas, como “O Ser Natureza” e “U/Manada”, além de sessões individuais. “Não há um roteiro fixo para os encontros. Cada grupo se organiza a partir do que emerge na interação com os cavalos e com o ambiente, o que faz com que nenhuma vivência se repita da mesma forma”, diz. 

Para Caroline, o que está em jogo não é interpretar o comportamento, mas vivenciá-lo. “Existe uma ideia de controle muito forte nas relações humanas. Com o cavalo, isso não funciona. Se não há presença, se não há clareza, ele não acompanha. E isso exige um tipo de escuta diferente, que não é racional. No fim, o que acontece ali é direto, não dá para sustentar discurso. O que aparece é o que está acontecendo de fato”, afirma.

 

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