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terça-feira, 21 de março de 2017

Mulheres têm mais catarata, diz IBGE



Diagnóstico entre elas é 29% maior. Saiba como reduzir os riscos.


A última Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE revela que a prevalência da catarata é 29% maior entre as  brasileiras do que entre eles.  Atinge 31,9% das mulheres contra 24,6% dos homens com 60 anos ou mais. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier uma das explicações para esta diferença são os picos de estrógenos do ciclo menstrual. Isso porque, quando os  hormônios sobem o cristalino  absorve mais água e à medida que os hormônios voltam ao nível normal o cristalino desidrata. A repetição deste processo ao longo da vida reprodutiva estimula a opacificação do cristalino que caracteriza a catarata.

O especialista afirma que geralmente a doença aparece após os 60 anos. Por causa de TRH (terapia de reposição hormonal) utilizada pelas mulheres  após a menopausa, entre 45 e 50 anos, pode ser antecipada na população feminina.  Isso porque a TRH aumenta a produção da proteína C-reativa também associada  à opacificação do cristalino.
A boa notícia é que a cirurgia, único tratamento efetivo que substitui o cristalino do olho por uma lente intraocular pode eliminar a dependência dos óculos de grau que são rejeitados por uma em cada 3 brasileiras. 


Efeito na lágrima

Queiroz Neto resalta que outro efeito dos hormônios femininos sobre a saúde ocular é a síndrome do olho seco. É uma alteração, explica, na quantidade ou qualidade da lágrima que tem a função de proteger e nutrir a córnea, lente externa do olho que trabalha junto com o cristalino para focalizar as imagens na retina.

Os sintomas da síndrome são: olhos vermelhos, sensação de corpo estranho, ardência, coceira e visão borrada. O oftalmologista diz que o tratamento pode ser feito com colírio de lágrima artificial mas pontua que instilar mais de 4 vezes/dia pode irritar os olhos quando a fórmula contém conservante. Em casos mais severos o médico recomenda o uso de cápsulas de semente de linhaça. Isso porque, contém ômega 3, essencial para manter a camada lipídica da lágrima que evita a evaporação da camada aquosa. "Incluir sardinha, salmão ou bacalhau na dieta também ajuda a manter o filme lacrimal em equilíbrio", afirma


Outros riscos

O oftalmologista ressalta que outros fatores de risco para o desenvolvimento da catarata que têm maior prevalência entre mulheres são a maior exposição dos olhos à radiação UV nos banhos de sol prolongados, o estresse da dupla jornada de trabalho e a maior prevalência do diabetes entre elas. 

Para proteger os olhos da radiação UV, o especialista afirma que óculos com filtro UV devem ser usados  inclusive nos dias nublados. Isso porque,  70% da radiação atravessa as nuvens e a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é proteger os olhos com lentes que filtram 100% da radiação sempre que a radiação ultrapassar o índice de 6. Para quem usa óculos de grau, ele lembra que as lentes corretivas transparentes também podem ter proteção UV.

Para reduzir os efeitos do estresse sobre a visão recomenda 3 horas de atividades físicas/semana. Isso porque, exercícios físicos diminuir a formação de radicais livres e melhoraram o condicionamento cardíaco que está relacionado à boa circulação no sistema ocular e à saúde da retina.

Segundo levantamento da OMS no Brasil 8.8% das mulheres e 8,1% dos homens têm diabetes, sendo que  76% não conseguem manter a glicemia sob controle. O oftalmologista adverte que a falta de controle glicêmico forma depósitos de sorbitol no cristalino e antecipa a formação da catarata. Outro risco, ressalta é o desenvolvimento de retinopatia que leva à perda visual permanente. Por isso, o controle da glicemia deve ser diário para garantir a visão.







Digestão em dia: aposte nos probióticos para equilibrar a flora intestinal e afastar a diarreia



 



Dieta equilibrada e alimentos ricos em fibras são fortes aliados na luta contra a disbiose


Aquele nó repentino no estômago seguido da urgência de ir ao banheiro – quem já passou por essa situação sabe como a diarreia pode atrapalhar a rotina. Da mesma forma, quando o intestino fica preguiçoso, os sintomas são bastante incômodos: constipação, flatulências, irritabilidade... E ainda que pareçam corriqueiros, é preciso ficar alerta: quando persistentes, esses sinais podem indicar que algo não vai bem na flora intestinal.  Por auxiliar no processo digestivo e, até mesmo na imunidade, o equilíbrio desse delicado sistema é de extrema importância para a saúde. Neste momento, a dieta tem um papel fundamental, pois exerce grande influência sob essa microbiota, podendo ajudar a prevenir e combater anormalidades do habito intestinal. Quer saber no que apostar para afastar a má digestão e garantir uma flora intestinal equilibrada? Saiba mais agora.

Bactérias do bem

É quase imperceptível: neste exato momento, milhares de bactérias trabalham no seu trato gastrointestinal para garantir o bom funcionamento desse sistema. Ao mesmo tempo, esses mesmos agentes microscópicos monitoram e participam da resposta imunológica local, permanecendo alerta para possíveis ataques externos. Num primeiro momento pode parecer estranho que bactérias, microrganismos comumente associados a doenças, sejam essenciais para a boa saúde. Porém, essas, especificamente, compõem o que chamamos de microflora intestinal, um complexo sistema que exerce, entre outras funções, o papel de barreira contra agentes patogênicos, ou seja, capazes de causar doenças.  

Para que este cenário permaneça harmonioso, é preciso que as bactérias boas sejam mais numerosas que as nocivas, estado conhecido como “equilíbrio” da flora intestinal. Por outro lado, quando alguma anormalidade perturba esse balanço e os microrganismos benéficos ficam em desvantagem, o indivíduo pode apresentar alterações do habito intestinal, situação conhecida como disbiose. Resultado: sintomas como diarreia, prisão de ventre, dores estomacais, inchaço e, até mesmo, baixa na imunidade.

Alimentação em cheque

Não é a toa que a maioria das pessoas costuma associar o desconforto ocasional a um exagero na dieta ou a uma refeição pouco usual. De acordo com a nutricionista Joana Carollo, embora a disbiose possa estar ligada a diversos fatores, a alimentação é uma das questões mais relevantes, pois “pode propiciar tanto um cenário contrário quanto favorável à proliferação desses microrganismos”. E mesmo quando essa anormalidade não está diretamente ligada aos hábitos alimentares, a dieta tem um papel determinante no reestabelecimento da saúde.

A questão não está ligada somente a regularização do intestino: “como a disbiose pode afetar a mucosa intestinal, existe também a preocupação em relação ao estado nutricional do indivíduo, uma vez que o problema pode impactar a absorção de vitaminas e sais minerais. Soma-se ainda o risco maior de desidratação (no caso de diarreia crônica), cenário que pode fragilizar ainda mais a saúde”. Sendo assim, é preciso atentar para as escolhas do cardápio e investir em alimentos que fortaleçam a flora, tanto para prevenir quanto para enfrentar estes problemas.

Dieta pró-flora intestinal

Já dizia a sabedoria popular que é melhor prevenir um problema do que remediá-lo. Nesse sentido, uma das principais formas de se evitar a disbiose é investir numa alimentação equilibrada, rica em fibras.  Isso porque alimentos fibrosos tem a capacidade de propiciar um “habitat” mais favorável à proliferação dos microrganismos benéficos. Conforme explica a Joanna “Por terem uma estrutura complexa, de difícil digestão, esses elementos permanecem praticamente inalterados ao longo do processo digestivo. Isso beneficia a flora, pois, além contribuir para a eliminação de agentes nocivos, as fibras fermentam no intestino e servem de alimento para as bactérias boas”.  Justamente por isso é essencial consumir regularmente alimentos integrais e vegetais com cascas, talos e folhas – é justamente aí que estão as fibras.

Prebióticos

E apesar de todos os tipos serem benéficos à digestão, algumas fibras, especificamente, possuem maior capacidade de fermentação no intestino, proporcionando, justamente, um este ambiente mais favorável às bactérias do bem. Essa classe de fibras, também conhecidas como prebióticos, pode estimular microrganismos específicos, auxiliando a recompor a flora. A nutricionista cita alguns exemplos “A pectina presente na maçã, a inulina, presente no alho e a goma acácia, presente, principalmente, em suplementos alimentares, entram nessa categoria. Por chegarem praticamente intactas no cólon, induzem alterações positivas nessa microbiota”.

Probióticos

Ao contrário dos prebióticos, que apenas influenciam sob o ambiente das bactérias, os probióticos agem efetivamente sob a biota. Isso porque esses compostos alimentares contam com uma quantidade especifica de microrganismos vivos, auxiliando a elevar seletivamente o número de agentes que compõem a flora. “Usando uma analogia, é como se para um exército em batalha recebesse mais soldados. E quando este batalhão encontra-se em desvantagem, o envio de um contingente extra pode fazer toda a diferença. Os probióticos são, justamente, este reforço para a flora e podem ser muito eficazes na hora de tratar uma microbiota deficiente.” – exemplifica a Joanna.

Algumas bebidas e iogurtes fermentados são conhecidos por essa característica, bem como suplementos próprios para o tratamento da disbiose. Porém, a nutricionista alerta que é preciso atentar para a embalagem do produto, pois para ser classificado como probiótico o alimento/suplemento deve conter algum microrganismo (benéfico) vivo, cuja especificação deve constar no rótulo.

Restaurando o equilíbrio

E o que fazer quando o problema já existe? Ao tratar uma alteração severa do habito intestinal é preciso muita cautela.  Fazer mudanças deliberadas na dieta, incluindo fibras e probióticos sem qualquer equilíbrio, certamente não irá reverter o problema. Não é por menos que os termos prebióticos e probióticos se diferenciam justamente nos prefixos pré (anterior) e pró (posterior): ambos compostos são igualmente necessários para a boa manutenção da flora e no enfrentamento da disbiose. Porém, como esse sistema depende de um delicado equilíbrio, quando existe um problema estabelecido é preciso analisar as necessidades individuais do paciente e, somente então, inserir estrategicamente estes compostos na dieta, considerando, sobretudo que a composição da flora varia de pessoa para pessoa.

Neste momento, o uso de simbióticos pode ser de grande valia, pois esses suplementos combinam, de maneira balanceada, tanto fibras prebióticas, quanto microrganismos específicos. Grandes aliados no tratamento de diarreias e constipações, esses suplementos podem, até mesmo, ser usados para melhorar a resposta imune do indivíduo, auxiliando no tratamento de infecções. Ainda assim, é fundamental buscar orientação médica para sua ingestão, visto que somente um profissional de saúde saberá determinar a quantidade e tipo de fibra necessária para reverter o quadro, bem como quais microrganismos precisam de reforço.

Diante disso, a nutricionista conclui “As atitudes do dia a dia, sobretudo uma alimentação balanceada, são os fatores que mais contribuem para a manutenção de uma flora intestinal saudável. Porém, como este equilíbrio é muito tênue, a própria rotina pode fazer com que este equilíbrio se perca. Sendo assim, quando alguma coisa sai do normal, é fundamental buscar auxilio médico para cuidar do problema com segurança”.




Fonte: Nova Nutrii





Estudo inédito revela subtipo de Salmonella enterica Variação da bactéria é mais invasiva e resistente



Cientistas da UNESP do Laboratório PASIQUIBAC na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara, liderados pelo Prof. Cristiano Gallina Moreira, publicaram o artigo “Multilocus Sequence Typing of Salmonella Typhimurium reveals the presence of the highly invasive ST313 in Brazil”, disponibilizado online no último dia 10/3 na revista científica “Infection, Genetics and Evolution”.

O estudo foi fruto da parceria com os cientistas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), sob a reponsabilidade da Profa. Dra. Juliana Pfrimer Falcão, o Food and Drug Administration, dos Estados Unidos, além do Instituto Adolfo Lutz de Ribeirão Preto e a Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro participaram com a cessão das linhagens.

O trabalho revela de maneira inédita a presença de um subtipo mais invasivo e mais resistente de Salmonella enterica sorovariedade Typhimurium no Brasil até o momento somente descrito na literatura como existente na África Subsaariana. De forma surpreendente para vários especialistas da área em demais países. Ao contrário de outros subtipos de Salmonella Typhimurium, que em humanos provocam gastroenterite, com febre, náuseas, vômito e diarreia, essa variação da bactéria consegue quebrar a barreira do epitélio gastrointestinal e disseminar-se na circulação sanguínea, provocando infecção sistêmica e aumentando em 25% os casos de morte como relatado em estudos anteriores. “Este novo relato é filogeneticamente extremamente interessante, porém muito preocupante em termos de saúde pública”, avalia Cristiano.

A pesquisa surgiu da tese de doutorado defendida por Fernanda de Almeida na USP de Ribeirão Preto em 2016 e cada grupo de cientistas ficou responsável por uma área. A equipe coordenada pela Professora Dra. Juliana Pfrimer Falcão reuniu e identificou através de estudos moleculares as amostras, além de estudar a epidemiologia das linhagens, contando também com a colaboração da aluna Amanda A. Seribelli. O laboratório PASIQUIBAC da UNESP colaborou com um todo seu conhecimento na área de patogenicidade bacteriana e sinalização química em bactérias, onde o Professor Cristiano e o doutorando Patrick da Silva pesquisaram a patogenicidade das bactérias, ou seja a capacidade que estas novas linhagens tem em desenvolver seus mecanismos específicos pelos quais são capazes de provocar doenças. “No caso específico do tipo clonal ST313 isto é muito preocupante, devido a sua virulência descrita na literatura por colaboradores nossos nos EUA e também agora pelo nosso grupo com amostras isoladas aqui no Brasil”, o Professor Cristiano ainda acrescenta “Já temos resultados preliminares com colaboradores de outras localidades do estado de São Paulo, onde acreditamos que estas linhagens de ST313 estão disseminadas em demais pacientes hospitalizados, o que é um problema muito sério”.

Outro problema que o Prof. Cristiano aponta é sobre a dificuldade de se identificar o subtipo no país, problema que para o grupo pode estar relacionado à não obrigatoriedade de notificação de casos esporádicos de Salmonella no Brasil, apesar de raramente serem reportados surtos alimentares pelas autoridades competentes. Sem isso, há poucos dados disponíveis para análise e o acesso a estes é muitas vezes difícil. “Muitos casos esporádicos infelizmente passam desapercebidos, sem sua devida identificação e servem de alerta para a sociedade, até mesmo despertando interesse de pesquisadores e especialistas da área nos EUA e Europa sobre este importante relato aqui do Brasil”, alerta o pesquisador.

A pesquisa aponta ainda mais um problema, a falta de notificação. Segundo os pesquisadores, é o uso indiscriminado de antibióticos de amplo espectro contra diferentes linhagens e diferentes espécies bacterianas. Durante um período a medicação funciona, mas, com o passar do tempo, os organismos unicelulares se tornam resistentes e o remédio pode deixar de surtir efeito. Nesse cenário, a situação sai do controle antes que os centros de pesquisa consigam concluir de que forma a bactéria atua especificamente.

Os pesquisadores do PASIQUIBAC pretendem agora realizar ensaios in vivo para melhor compreender os mecanismos do ST313 no hospedeiro, e assim desvendar nuances da relação patógeno-hospedeiro, desta forma maiores investimentos junto às agências de fomento possibilitarão continuidade a estas pesquisas, inicialmente a mesma foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no Laboratório PASIQUIBAC, sob a responsabilidade e coordenação do Prof. Cristiano G. Moreira, que finaliza “Estamos sempre abertos a novas colaborações e dispostos a melhor entender estes detalhes da patologia de enterobactérias, bem como estudar a prevalência destas amostras bacterianas que apresentam risco à nossa sociedade”.







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