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quarta-feira, 22 de março de 2017

Dia Mundial da Água



A relação da água com os pacientes renais crônicos


Quando se comemora o Dia Mundial da Água, todos as reflexões se voltam para a necessidade de economia e uso consciente deste recurso.

Sabe-se também que a ingestão de água diariamente é indispensável, independente da prática de esportes ou da idade da pessoa. Porém, uma coisa que poucos têm conhecimento é que para os pacientes renais a regra é diferente.

Durante o tratamento de hemodiálise, os pacientes não podem ingerir água e líquido livremente, como café, chás e alimentos ricos em água. Isso porque, com a ausência de funcionamento dos rins, o líquido em geral fica armazenado no corpo, assim como as demais toxinas nocivas ao organismo, saindo apenas durante o processo da hemodiálise. Lembrando-se que cada paciente possui uma prescrição específica, de acordo com sua saúde.

"Alguns pacientes mesmo com os rins comprometidos conseguem eliminar um pouco de urina. Neste caso, ele pode ingerir um pouco mais de líquido que os demais", explica o médico nefrologista da Fundação Pró-Rim de Gurupi/TO, Dr. Alexandre Luís Pasquali.

Quando o líquido e toxinas ficam armazenadas no organismo em grande quantidade, existe o risco de morte ao paciente. "Por isso, sempre orientamos que o paciente não deve faltar às sessões de diálise e devem seguir todas as orientações médicas de forma correta. Um dia a menos de diálise, pode ser fatal", explica o médico.

Se por um lado a água não é indicada para os pacientes renais, por outro, ela é essencial durante as sessões de hemodiálise. É a partir dela que ocorre a filtração do sangue nos pacientes. Se a água não for corretamente tratada, vários contaminantes químicos, bacteriológicos e tóxicos poderão ser transferidos para os pacientes, levando ao aparecimento de efeitos adversos, muitas vezes letais.

Para cada sessão de hemodiálise, com duração de cerca de quatro horas, são necessários 400 litros de água, desde o processo inicial. Segundo Maicon Aurélio de Vargas, coordenador de manutenção do tratamento de água da Fundação Pró-Rim, a água para hemodiálise precisa passar por processos físicos, químicos e bacteriológicos para garantir a sua pureza. “É um trabalho complexo, muito técnico e que exige atenção e qualidade em todas as etapas”, acrescenta.





Fundação Pró-Rim 




Campanha alerta para os impactos da destruição do Cerrado




Alguns estados já têm tido racionamento de água e especialistas afirmam que o desmatamento do Cerrado é uma das causas do problema. Amanhã, 22 de março, é comemorado o Dia Mundial da Água, e você sabia que o Cerrado é fundamental para continuarmos tendo água no Brasil?

Notícias sobre racionamento de água já foram manchetes em alguns estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e agora Brasília. Diferentes estudos da Universidade Federal de Goiás, da Universidade de Brasília, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e da Brown University (publicada na revista científica Global Change Biology em 2016) apontam que o desmatamento no Cerrado é uma das causas para a crise. Isso porque o bioma é considerado o berço das águas, é no Cerrado onde estão localizados os três grandes aquíferos que abastecem boa parte do país: Guarani, Urucuia e Bambuí.

O Cerrado ocupa um quarto do território nacional e está localizado no coração do Brasil, abrangendo 13 estados. Apesar de sua importância para o equilíbrio ambiental, o Cerrado tem sido destruído nas últimas décadas para a expansão do agronegócio e grandes empreendimentos e mais de 50% da sua vegetação já foi desmatada.

A legislação brasileira não garante plena proteção ao Cerrado. Apenas 11% do Cerrado é coberto por reservas ou unidades de conservação, comparados com quase 50% da Amazônia. Enquanto um proprietário de terras é obrigado a proteger 80% da floresta se sua fazenda estiver na Amazônia, no Cerrado essa porcentagem cai para 35%. Em outras palavras, o desmatamento permitido, legal, é muito mais comum.

Com o objetivo de alertar a sociedade para esse e outros impactos, 43 organizações e movimentos sociais se uniram para lançar a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado. A campanha busca valorizar a biodiversidade e as culturas dos povos e comunidades do Cerrado, que lutam pela sua preservação. A água é o mote atual da Campanha (Sem Cerrado, sem água, sem vida) para reforçar o papel central do Cerrado no abastecimento de água do país.

A Campanha prevê ações ao longo dos próximos dois anos, e, além de dar visibilidade ao bioma, busca promover a visibilidade dos povos e comunidades tradicionais que vivem nas regiões de Cerrado, já que eles convivem historicamente de forma harmônica com o meio ambiente. As organizações envolvidas buscam também trazer para a esfera política o debate sobre a elevação do status do Cerrado para Patrimônio Nacional e exigir um acordo político para estancar o desmatamento.



Organizações promotoras da Campanha
Associação União das Aldeias Apinajés/PEMPXÀ – ActionAid Brasil – CNBB/Pastorais Sociais – Agência 10envolvimento – APA/TO – ANQ – AATR/BA – ABRA – APIB – CPT – CONTAG – CIMI –  CUT/GO – CPP – Cáritas Brasileira – CEBI – CESE –  CEDAC – Coletivo de Fundos e Fechos de Pasto do Oeste da Bahia – Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do DF – CONAQ – FASE – FBSSAN – FETAET - FETAEMA – CONTRAF-BRASIL/FETRAF – Gwatá/UEG – IBRACE – ISPN – MJD – MIQCB – MPP – MMC – MPA – MST – MAB – MOPIC – SPM – Rede Cerrado – Redessan – Rede Social de Direitos Humanos – Rede de Agroecologia do Maranhão – TIJUPA –  Via Campesina – FIAN Brasil.





Áreas irregulares nas 27 capitais brasileiras perdem um volume de água suficiente para abastecer mais de 2,7 milhões de pessoas durante 1 ano



Estudo da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental para marcar a Semana da Água aponta que as perdas de água em áreas irregulares correspondem a 27% do volume de água perdido nas capitais brasileiras. “É urgente regularizar estas ligações para reduzir perdas de água e levar mais saúde, qualidade de vida e cidadania para população brasileira”, alerta o presidente nacional da ABES, Roberval Tavares de Souza.

 

O IBGE identificou por meio do Censo 2010, nas 27 capitais do país, mais de 7 milhões de pessoas vivendo em áreas irregulares, em precárias condições com relação aos serviços essenciais. A regularização do abastecimento nessas áreas pode significar a recuperação de 27% de todo o volume perdido de água nas capitais – 485,5 milhões de m³ por ano, volume suficiente para abastecer 2,7 milhões de pessoas durante 1 ano.
Estes dados integram o estudo “Perdas de água nas capitais do Brasil um olhar sobre as áreas irregulares”, que a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES divulga para marcar a Semana da Água.
Além dos óbvios benefícios que essa economia de água representa ao meio ambiente, a regularização tem impactos bastante significativos à saúde pública: segundo estudo recente da Organização Mundial da Saúde, intervenções que melhoraram o acesso à água potável efetivamente reduziram a morbidade por diarreia em crianças em 45%.
Para o presidente nacional da ABES, Roberval Tavares de Souza, é urgente que os agentes de saneamento no país se mobilizem para que se realize a regularização destas ligações a fim de reduzir perdas de água e levar mais saúde para população. ”É uma questão de saúde, de qualidade de vida, de inclusão social e de cidadania”, frisa o engenheiro.


Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES




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