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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Muito além da neve: lagos revelam outro lado do inverno em Bariloche

Foto: Emprotur Bariloche
Destino argentino revela como o ciclo da natureza une montanhas brancas e navegações panorâmicas em uma única e surpreendente experiência de viagem

 

Durante o inverno, é fácil associar Bariloche apenas à neve, imaginar montanhas totalmente cobertas de gelo, estações de esqui e paisagens brancas. Mas existem outros protagonistas que transformam a experiência na Patagônia argentina e que ainda passam despercebidos por muitos visitantes: os lagos e rios. 

Espalhados entre montanhas nevadas e florestas andinas, eles revelam um lado menos comentado do destino. Enquanto a neve atrai os turistas, são as águas cristalinas do Nahuel Huapi e de outros lagos da região que proporcionam algumas das experiências mais marcantes da viagem, como navegações panorâmicas, gastronomia à beira d'água, caminhadas contemplativas e cenários onde a água pode ser observada em diferentes estados da natureza. 

O contraste ajuda a explicar o fascínio. A mesma água que cai em forma de neve sobre a Cordilheira dos Andes alimenta os lagos que moldam a paisagem patagônica. É justamente essa convivência entre neve, gelo e água que cria um cenário raro, capaz de oferecer ao visitante duas das principais atrações do inverno em uma única experiência. 

Segundo o Emprotur (Ente Misto de Promoção Turística de Bariloche), cresce a procura por atividades que vão além dos esportes de inverno. Passeios lacustres, experiências gastronômicas exclusivas e roteiros de contemplação ganham espaço entre os visitantes brasileiros, especialmente aqueles que viajam em família, casais ou grupos em busca de uma viagem mais completa. 

"Os lagos são parte essencial da identidade de Bariloche. Durante o inverno, eles oferecem uma perspectiva diferente da Patagônia, com paisagens e experiências que unem natureza, tranquilidade e exclusividade", afirma Eric Guzmán, presidente do Emprotur Bariloche.

 

Experiências sobre as águas

Entre as atividades mais procuradas está a navegação pelo Lago Nahuel Huapi, que permite conhecer diferentes pontos da região, incluindo ilhas, bosques e mirantes naturais. O passeio oferece uma visão privilegiada da Cordilheira dos Andes e das montanhas cobertas de neve. 

Entre os roteiros mais tradicionais está a excursão para a Isla Victoria e o Bosque de Arrayanes, onde os visitantes percorrem trilhas em meio a uma floresta única, conhecida pelos característicos troncos de coloração canela. Durante o inverno, o contraste entre a vegetação e as montanhas nevadas cria cenários propícios para fotos diferenciadas. 

Outra opção é o passeio para Puerto Blest e a Cascada de los Cántaros, combinado com a navegação pelo Lago Frías. O roteiro permite conhecer uma das áreas mais preservadas do Parque Nacional Nahuel Huapi, cercada por florestas andinas e águas de tonalidade esverdeada, resultado da presença de minerais provenientes dos glaciares da região. 

Para quem busca experiências menos convencionais, a exploração do Brazo Tristeza oferece uma imersão em áreas de natureza praticamente intocada. 

Já os visitantes que desejam exclusividade encontram a possibilidade de realizar passeios em veleiros privados, a experiência combina contemplação, conforto e vistas privilegiadas da paisagem patagônica.

 

Inverno além das pistas

A diversidade de experiências contribui para ampliar o tempo de permanência dos turistas na cidade. Muitos visitantes combinam dias de esqui e snowboard com passeios lacustres, circuitos gastronômicos, visitas a cervejarias artesanais e atividades de bem-estar. 

“A tendência acompanha uma mudança no perfil do viajante, que busca destinos capazes de oferecer diferentes formas de aproveitar a temporada de inverno. Em Bariloche, os lagos cumprem esse papel ao proporcionar momentos de desaceleração e contato profundo com a natureza”, confirma Guzmán. 

Com conectividade aérea recorde para a temporada de inverno, Bariloche terá voos diretos a partir de São Paulo (Guarulhos e Campinas), Belo Horizonte e Porto Alegre. A oferta inclui mais de 30 frequências semanais e aumento de operações em companhias como LATAM, Azul, GOL e Aerolíneas Argentinas, ampliando o acesso dos brasileiros ao destino. Com isso, a expectativa é que milhares de visitantes descubram que o inverno em Bariloche vai muito além da neve. Entre montanhas, lagos glaciais e bosques centenários, a cidade reafirma sua posição como um dos destinos mais completos da América do Sul.

 

Emprotur Bariloche  


Avanço no e-commerce de produtos manipulados

A promulgação recente da Lei nº 23.313/2026 pelo Estado do Paraná representa um avanço importante para o setor magistral brasileiro. Embora seus efeitos jurídicos estejam restritos ao território paranaense, seu significado ultrapassa as fronteiras estaduais ao reacender um debate que há anos mobiliza empresas, entidades e o próprio Poder Judiciário: até que ponto normas infralegais podem limitar atividades que a legislação estadual e federal não vedam expressamente? 

A nova legislação autoriza que farmácias de manipulação mantenham estoque de preparações magistrais isentas de prescrição médica, exponham esses produtos ao consumidor e realizem sua comercialização remota, por meio do comércio eletrônico, desde que observados critérios técnicos e sanitários. Também permite a manutenção de estoque mediante justificativa técnica do farmacêutico responsável. 

À primeira vista, pode parecer uma mudança pontual. Na prática, porém, ela elimina um dos principais motivos que levam farmácias de manipulação a recorrerem ao Judiciário. Há anos, milhares de empresas discutem judicialmente restrições impostas pela RDC nº 67/2007 da Anvisa, que proíbe a formação de estoques mínimos de preparações magistrais e sua exposição com finalidade comercial. O resultado é um ambiente de insegurança jurídica, no qual o exercício de atividades de baixo risco depende frequentemente de decisões judiciais. 

Até então, apenas o Rio Grande do Sul possuía legislação semelhante, em vigor desde 2019. Agora, o Paraná adota o mesmo caminho e demonstra que os estados podem contribuir para a modernização da atividade farmacêutica, reduzindo a excessiva judicialização que hoje onera empresas, Poder Judiciário e a própria administração pública. 

Os benefícios vão além da desburocratização. A possibilidade de manter pequeno estoque de produtos isentos de prescrição melhora a eficiência operacional, reduz desperdícios, acelera o atendimento ao consumidor e permite que as farmácias ampliem sua presença no comércio eletrônico, modalidade que se consolidou como uma das principais formas de consumo no país. Em um mercado cada vez mais digital, impedir que esses estabelecimentos exponham produtos de baixo risco ou realizem vendas online significa impor uma desvantagem competitiva sem justificativa proporcional. 

Naturalmente, a flexibilização não elimina a responsabilidade técnica. Pelo contrário. A própria lei reforça que cabe ao farmacêutico responsável assegurar a qualidade das preparações, manter registros e observar as boas práticas de manipulação. A inovação regulatória não reduz o rigor sanitário; apenas elimina entraves que, na prática, pouco contribuíam para a proteção da saúde pública. 

Entretanto, permanece um desafio relevante. A experiência dos últimos anos demonstra que a existência de leis estaduais ou mesmo de decisões judiciais favoráveis em âmbito local não impede autuações e restrições impostas pela Anvisa, em âmbito federal. Há casos em que empresas obtiveram autorização judicial para comercializar preparações magistrais em ambiente virtual, mas continuaram enfrentando resistência administrativa da Agencia Essa realidade evidencia que o problema não se resume ao texto da norma, mas também à harmonização entre os diferentes níveis de fiscalização. 

Ainda assim, a iniciativa paranaense estabelece um precedente importante. Ao reconhecer a possibilidade de estoque técnico e da comercialização eletrônica de preparações magistrais isentas de prescrição, o estado sinaliza que é possível compatibilizar segurança sanitária, desenvolvimento econômico e liberdade de iniciativa. 

O Brasil precisa reduzir a litigiosidade desnecessária. Quando uma atividade segura, regulamentada e exercida sob responsabilidade técnica depende de ações judiciais para funcionar plenamente, há evidente falha no ambiente regulatório. O Paraná oferece uma resposta concreta a esse problema e pode servir de inspiração para outros estados e, sobretudo, para uma revisão nacional das regras que hoje disciplinam o setor magistral. 

Mais do que uma vitória regional, trata-se de um passo importante em direção a um modelo regulatório mais moderno, coerente e compatível com a realidade da assistência farmacêutica e do comércio contemporâneo.

 


Claudia de Lucca Mano - advogada e consultora empresarial atuando desde 1999 na área de vigilância sanitária e assuntos regulatórios

 

Nova lei pode antecipar entrada de medicamentos no Brasil e muda estratégia de farmacêuticas

Lei nº 15.440/2026 elimina exigência de registro prévio no país de origem para medicamentos importados, mas mantém obrigação de comprovar Boas Práticas de Fabricação junto à Anvisa

 

A Lei nº 15.440/2026 pode mudar a forma como medicamentos chegam ao Brasil. A nova regra elimina a exigência de que medicamentos importados tenham sido registrados primeiro no país de origem antes de serem submetidos à análise da Anvisa. 

Na prática, a mudança pode fazer com que empresas farmacêuticas incluam o Brasil mais cedo em seus planos de lançamento. Hoje, muitas tecnologias em saúde chegam primeiro a outros mercados e só depois entram no processo brasileiro. Com a nova lei, o país pode se tornar uma opção mais direta para companhias que desenvolvem medicamentos inovadores, sintéticos e biológicos, além de genéricos e biossimilares. 

A mudança, no entanto, não significa aprovação automática nem redução das exigências sanitárias. As empresas continuam obrigadas a comprovar Boas Práticas de Fabricação, demonstrando que o medicamento é produzido dentro de padrões adequados de qualidade, segurança e controle.
 

Para Fernanda Manhães, diretora de Serviços Regulatórios da ClarkeModet Brasil, a nova lei pode ter impacto tanto para o acesso a medicamentos quanto para a estratégia das empresas que pretendem atuar no mercado brasileiro.

“A mudança é relevante porque retira uma etapa que podia atrasar a chegada de medicamentos ao Brasil. Antes, no caso de produtos importados, a empresa precisava comprovar que o medicamento já havia sido registrado no país de origem. Agora, o Brasil pode ser considerado desde as etapas iniciais da estratégia regulatória global dessas companhias”, afirma. 

Segundo a executiva, o impacto pode ser especialmente importante para medicamentos inovadores, sintéticos e biológicos, bem como para genéricos e biossimilares. “A nova regra permite que empresas incluam o mercado brasileiro desde o início do planejamento, e não apenas depois de concluírem processos em outros países. Para os pacientes, o possível efeito positivo está na ampliação das chances de acesso a novas terapias em menos tempo”, analisa. 

Fernanda ressalta, porém, que a mudança não reduz o rigor sanitário. “A exigência de Boas Práticas de Fabricação segue sendo essencial. Ou seja, a empresa continua tendo que demonstrar que o medicamento é produzido de acordo com padrões adequados de qualidade e segurança”, explica. 

Para as empresas, o novo cenário exige planejamento. “Quem pretende trazer medicamentos ao Brasil precisa se organizar desde já, com documentação, certificações e estratégia regulatória bem definidas”, conclui Fernanda.

 

Dólar acima de R$ 5,15: especialista alerta para erros ao comprar moeda para as férias de julho

Divulgação
Especialista do ARQ explica como reduzir os custos com câmbio e evitar que a volatilidade da moeda comprometa o orçamento da viagem 

 

Julho marca o início das férias escolares e, para milhares de brasileiros que vão viajar ao exterior, um fator ganha ainda mais relevância no planejamento: o câmbio. Com o dólar operando acima de R$ 5,15, a variação da moeda pode impactar significativamente o custo da viagem, especialmente para quem deixa a compra de dólares para a última hora. 

Segundo Leonardo Bernini, diretor-geral do ARQ no Brasil, o principal erro dos viajantes é concentrar toda a conversão de moeda poucos dias antes do embarque, ficando totalmente expostos à cotação do momento. 

"Assim como pesquisamos passagens e hospedagens com antecedência, o câmbio também deve fazer parte do planejamento da viagem. Acompanhar a cotação e realizar a conversão aos poucos ajuda a reduzir o impacto das oscilações do mercado e traz mais previsibilidade para o orçamento", afirma. 

Além da cotação do dólar, o executivo destaca que muitos consumidores ainda deixam de avaliar o custo total da operação, que inclui spread, impostos e tarifas cobradas pelas instituições financeiras. 

"O valor final da conversão não depende apenas da cotação da moeda. É importante analisar todas as taxas envolvidas, porque pequenas diferenças podem representar uma economia relevante ao longo da viagem", explica Bernini. 

Nesse cenário, as contas globais têm conquistado espaço entre os brasileiros que buscam praticidade e custos mais competitivos para viagens internacionais. A modalidade permite converter recursos antes da viagem e utilizar o saldo diretamente no exterior, reduzindo a necessidade de comprar grandes quantias em espécie ou depender exclusivamente do cartão de crédito internacional. 

No caso do ARQ, a plataforma oferece conversão de reais para dólares digitais com custo total de conversão de 0.5% incluindo spread e impostos aplicáveis, permitindo que o usuário acompanhe a cotação e escolha o melhor momento para converter seus recursos. 

Para quem pretende embarcar nas próximas semanas, Bernini recomenda alguns cuidados simples que podem fazer diferença no orçamento: 

  • acompanhar a cotação do dólar com antecedência;
  • evitar concentrar toda a compra de moeda na véspera da viagem;
  • comparar o custo efetivo das operações, considerando spread, impostos e tarifas;
  • priorizar soluções que permitam converter recursos gradualmente, conforme a variação do câmbio; 

"Cada vez mais brasileiros entendem que economizar na viagem começa antes mesmo do embarque. Um bom planejamento financeiro permite aproveitar oportunidades de câmbio mais favoráveis e evita gastos desnecessários durante o período no exterior", conclui o executivo.

 


ARQ
https://www.arqfinance.com/pt-BR

 

Monitoramento hidrológico permite acompanhar evolução da estiagem na Região Norte

Foto: ESB Professional / Shutterstock
Dados indicam que, na maioria das estações da Bacia do Rio Amazonas, o nível está dentro da normalidade para o período

 

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) realiza o monitoramento hidrológico da Região Norte para subsidiar o planejamento dos órgãos públicos e da Defesa Civil diante dos prognósticos climáticos que indicam a configuração do fenômeno El Niño, no segundo semestre de 2026. As informações têm caráter preventivo, permitindo a adoção antecipada de medidas de mitigação. 

As análises do SGB mostram que o ano de 2026 começou com condições hidrológicas mais favoráveis na bacia do rio Amazonas, com período de cheias dentro da normalidade. O cenário é diferente do enfrentado em 2024 – ano em que a região amazônica registrou a pior seca desde o início dos registros históricos em 1903. Isso ocorreu porque os níveis de pico da cheia em 2023 ficaram abaixo da média, fazendo com que o ano de 2024 já começasse com cotas reduzidas e, devido à escassez persistente de chuvas, culminou na seca mais severa da série histórica. 

A evolução da estiagem dependerá das chuvas que devem ocorrer nos próximos meses, uma vez que as precipitações durante o período seco são fundamentais para evitar uma vazante acelerada, a exemplo do que ocorreu em 2023. O monitoramento hidrológico e a atualização dos modelos prognósticos são realizados continuamente.


Cenário atual

De acordo com as informações do monitoramento, a maioria das estações está dentro da normalidade para o período. A exceção é o rio Acre, em Rio Branco (AC), que sofre com chuva abaixo da média nos últimos dois meses. Na estação, o nível do rio apresentou redução nos últimos dias e não há previsão de volumes expressivos de chuva para a próxima quinzena, o que pode agravar o quadro de estiagem no local. 

Em Manaus (AM), o recuo observado no rio Negro representa um comportamento esperado para o período de transição da cheia para a vazante, que configura o início do processo de vazante deste ano. Segundo os dados do 27º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas, divulgado nesta terça-feira (7/07), o nível na estação de Manaus registra 28,38 m, permanecendo acima da média, dentro da faixa de normalidade para a época e ainda acima da cota de inundação (fixada em 27,50 metros).

 

Rio

Município

Cota (m) do dia 07/07

Situação

Negro

Manaus (AM)

28,38 m

Acima da média, dentro da faixa de normalidade para o período

Solimões

Tabatinga (AM)

7,08 m

Acima da média, dentro da faixa de normalidade para o período

Madeira

Porto Velho (RO)

7,42 m

Dentro da faixa de normalidade para o período

Branco

Boa Vista (RR)

5,88 m

Dentro da faixa de normalidade para o período

Tapajós

Santarém (PA)

6,77 m

Dentro da faixa de normalidade para o período

  

Integração institucional e o "Painel do El Niño"

O SGB faz parte do grupo interministerial coordenado pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, que reúne órgãos de diferentes áreas para atuar em conjunto na mitigação dos impactos climáticos no Pantanal e na Amazônia. Entre as ações desenvolvidas está o Painel do El Niño, que integra informações hidrológicas produzidas pelo SGB a modelos meteorológicos e climatológicos utilizados pelas instituições participantes. Confira o Boletim Mensal nº 01 de Junho de 2026. 

Acompanhe os dados em tempo real no portal do SACE: www.sgb.gov.br/sace/amazonas


Fortalecemos a I.A. Mas e a I.N.?

 

Nunca foi tão fácil parecer produtivo. E, talvez por isso, nunca tenha sido tão importante continuar pensando por conta própria. Sou um entusiasta declarado e usuário diário da Inteligência Artificial (IA). Defendo seu potencial inquestionável de eliminar tarefas repetitivas, acelerar processos e abrir espaço para o pensamento estratégico. Contudo, o debate sobre a IA há muito tempo deixou de ser exclusividade dos departamentos de tecnologia para ocupar o centro da nossa rotina corporativa, trazendo consigo um paradoxo incômodo: implementamos ferramentas em larga escala para reduzir o trabalho burocrático e aliviar a pressão sobre as equipes, mas o que testemunhamos ao redor são recordes de esgotamento mental, ansiedade e uma crescente dependência de respostas prontas.

 

O problema não reside na tecnologia em si, mas na forma passiva como estamos reagindo a ela, trocando o esforço analítico pela mera gestão de comandos e terceirizando nossa capacidade de reflexão. Essa inquietação ganha contornos científicos quando revisitamos o chamado Efeito Flynn, que documentou o aumento médio de cerca de dois a três pontos de QI por década em diversos países ao longo do século 20. O sinal de alerta surgiu quando essa curva começou a se inverter.

 

Um estudo liderado por Bjørn Bratsberg e Ole Rogeberg, analisou mais de 730 mil recrutas militares noruegueses e mostrou que os escores cognitivos atingiram o pico na coorte de 1975 e vêm declinando cerca de 0,2 ponto por ano desde então. Como esse declínio foi observado inclusive dentro das mesmas famílias, com irmãos mais novos pontuando menos que os mais velhos, os pesquisadores descartaram explicações genéticas e apontaram fatores ambientais como principal causa. Uma revisão sistemática publicada na em uma revista encontrou tendência semelhante em diversos países desenvolvidos.

 

A IA Generativa não explica, sozinha, esse fenômeno, mas amplia um comportamento que merece atenção. Em um estudo experimental publicado em 2025, pesquisadores observaram que participantes que utilizaram o ChatGPT concluíram tarefas de escrita mais rapidamente, porém apresentaram menor engajamento cognitivo e menor retenção do conteúdo produzido. Os autores descrevem esse fenômeno como uma espécie de “dívida cognitiva”: o cérebro executa a tarefa, mas retém significativamente menos conhecimento do processo. Trata-se de uma dinâmica que guarda semelhanças com a aviação comercial, em que pilotos excessivamente dependentes da automação podem apresentar perda de habilidades críticas quando precisam assumir o controle manual em emergências.

 

Essa percepção é reforçada por outra pesquisa. O levantamento mostrou que, quanto maior a confiança depositada na IA, menor tende a ser o esforço de pensamento crítico empregado pelos profissionais. Em contrapartida, aqueles que demonstravam maior confiança em seu próprio conhecimento eram justamente os que mais questionavam, validavam e refinavam as respostas produzidas pela tecnologia. Os pesquisadores chamam atenção para o risco da chamada “convergência mecanizada”: quando todos passam a aceitar sugestões semelhantes sem reflexão adicional, ideias, soluções e estratégias tornam-se progressivamente mais homogêneas.

 

No fim das contas, os modelos de IA são treinados a partir de enormes volumes de dados produzidos anteriormente. São extraordinários para reconhecer padrões, sintetizar conhecimento e acelerar decisões. Mas criatividade, inovação e visão de futuro dependem da capacidade humana de imaginar aquilo que ainda não existe. Por isso, acredito que o diferencial competitivo das próximas décadas estará menos na capacidade de utilizar IA e mais na habilidade de exercer julgamento independente, liderança, empatia e pensamento crítico, atributos que continuam sendo essencialmente humanos.

 

A tecnologia deve atuar como um amplificador cognitivo, ajudando-nos a administrar a avalanche diária de informações e liberando tempo para atividades de maior abstração. O erro começa quando uma ferramenta de apoio passa a substituir o intelecto. Esse desafio também se estende à educação. Não basta alfabetizar as novas gerações para o uso da IA; será igualmente necessário fortalecer a curiosidade, a argumentação, a autonomia intelectual e a capacidade de formular boas perguntas. Em um mundo repleto de respostas instantâneas, pensar continuará sendo uma vantagem competitiva.

 

Essa preocupação extrapola o ambiente corporativo. Hoje valorizamos produtos “feitos à mão” ou a tradicional "comida caseira" justamente porque representam autenticidade em um mundo cada vez mais automatizado. Talvez estejamos caminhando para algo semelhante na produção intelectual e artística. A inauguração, em junho deste ano, do Dataland, em Los Angeles (um museu dedicado exclusivamente a obras produzidas por IA) simboliza essa nova era. É um avanço tecnológico fascinante. Ainda assim, espero que nunca chegue o dia em que uma livraria precise reservar uma seção intitulada “Escrito por Humanos”. Se isso acontecer, talvez tenhamos deixado de valorizar justamente aquilo que tornou possível criar a própria IA: a nossa Inteligência Natural (IN).

 

A IA continuará evoluindo em ritmo exponencial, e essa é uma excelente notícia. O verdadeiro diferencial competitivo do futuro, entretanto, não pertencerá a quem utiliza mais tecnologia, mas a quem souber utilizá-la sem renunciar ao esforço cognitivo que nos tornou humanos. Como alerta Yuval Noah Harari, uma das grandes questões da nossa era será preservar a confiança entre as pessoas em meio às transformações tecnológicas. Eu acrescentaria outra: preservar a confiança na nossa própria capacidade de pensar. Afinal, se não cuidarmos deliberadamente da nossa IN, nenhum algoritmo fará isso por nós.

 

E você, o que tem feito para manter a sua IN em dia no meio de tanta IA?

  

Marco Silva e Silva - diretor-executivo da GFT Tecnologies no Brasil


Empresa que vende muito e não vê lucro: o preço de decidir pelo cansaço

Especialista mostra como a falta de critérios técnicos e de metas metrificadas faz empresárias experientes operarem no prejuízo sem perceber.

 

Faturamento em alta nem sempre significa um negócio saudável. Para muitas empresárias, a sensação de trabalhar cada vez mais, vender cada vez mais e, ainda assim, não enxergar o lucro esperado tem se tornado uma realidade. Em muitos casos, o problema não está na capacidade de vender, mas na forma como as decisões são tomadas no dia a dia da empresa.

Essa percepção é reforçada por uma pesquisa da consultoria McKinsey, que aponta que empresas que utilizam indicadores consistentes para orientar decisões estratégicas apresentam desempenho financeiro significativamente superior àquelas que atuam com base apenas na experiência ou na intuição. O levantamento evidencia que decisões fundamentadas em dados aumentam a eficiência operacional e reduzem desperdícios.

Para Alê Freitas, mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real e CEO da Anima Impacto Consultoria, um dos maiores erros das empreendedoras é administrar a empresa no modo sobrevivência. "Quando a gestora está constantemente sobrecarregada, ela passa a decidir para resolver urgências, e não para construir resultados sustentáveis. O cansaço compromete a clareza, a análise e a capacidade de enxergar onde realmente está o lucro do negócio", explica.

Segundo a especialista, é comum encontrar empresas com alto volume de vendas, mas com margens reduzidas ou até negativas. Isso acontece porque decisões relacionadas a preços, descontos, contratações, investimentos e prioridades acabam sendo tomadas sem critérios objetivos ou acompanhamento de indicadores financeiros.

Outro problema frequente é a ausência de metas realmente mensuráveis. Muitas líderes estabelecem objetivos genéricos, como "vender mais" ou "crescer", mas deixam de acompanhar indicadores essenciais, como margem de lucro, ticket médio, custos operacionais, produtividade da equipe e rentabilidade de cada serviço ou produto.

"Quem mede apenas faturamento pode criar uma falsa sensação de sucesso. O que mantém uma empresa saudável não é quanto ela vende, mas quanto efetivamente sobra depois que todas as despesas são pagas. Crescer sem acompanhar esses números pode significar apenas aumentar o volume de trabalho sem gerar mais resultado financeiro", afirma Alê.

Ela destaca que outro desafio está no excesso de centralização. Quando todas as decisões dependem exclusivamente da empresária, a tendência é que o desgaste aumente e a gestão se torne cada vez mais reativa. A criação de processos, rotinas de acompanhamento e critérios claros para tomada de decisão reduz esse peso e permite que a líder atue de forma mais estratégica.

Para a mentora, transformar uma empresa em um negócio lucrativo exige abandonar a gestão baseada apenas na intuição e construir uma cultura orientada por planejamento, indicadores e revisões constantes. "Liderar não é apagar incêndios todos os dias. É criar condições para que a empresa cresça com consistência, previsibilidade e lucro."

No fim das contas, vender muito pode até transmitir uma imagem de sucesso, mas é a capacidade de tomar decisões conscientes, baseadas em dados e alinhadas aos objetivos do negócio que determina se todo o esforço da empreendedora está, de fato, gerando resultados financeiros duradouros. 



Fonte: Alê Freitas — Mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real | CEO da Anima Impacto Consultoria.


O que fazer quando o INSS dá alta, mas a empresa rejeita o retorno?

Especialista explica os direitos do trabalhador que fica sem salário e sem benefício devido ao conflito de laudos entre o perito e o médico do trabalho.

 

Receber alta do INSS deveria representar o retorno à rotina profissional e o encerramento de um período de afastamento. No entanto, para muitos trabalhadores, o processo acaba se transformando em um problema ainda maior: o benefício é encerrado pelo instituto, mas a empresa entende que o funcionário ainda não está apto para voltar ao trabalho.

Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mostram que milhões de benefícios por incapacidade temporária são concedidos anualmente no Brasil. Em parte desses casos, o encerramento do benefício acaba gerando divergências entre a avaliação do perito do INSS e o parecer do médico do trabalho da empresa, criando situações de insegurança para o trabalhador. O resultado é uma situação conhecida como "limbo previdenciário", em que a pessoa fica sem receber salário e sem acesso ao benefício previdenciário.

Segundo a advogada Dra. Marina Aguayo, especialista em Direito e Processo do Trabalho, Mediação e Carreira, esse cenário costuma gerar dúvidas e preocupação, principalmente porque o trabalhador acredita que, após a alta previdenciária, poderá retomar suas atividades normalmente.

“O empregado recebe a informação de que está apto pelo INSS e procura a empresa para retornar ao trabalho. Quando o médico ocupacional entende que ele ainda não possui condições para exercer suas funções, surge um impasse que pode deixar o trabalhador sem renda e sem saber como agir”, explica.

De acordo com a especialista, a legislação e o entendimento da Justiça do Trabalho vêm reconhecendo que o empregado não pode ser deixado em uma situação de total desamparo em razão de divergências entre avaliações médicas. O conflito entre os laudos não deve resultar na ausência completa de proteção ao trabalhador.

Em muitos casos, a empresa precisa buscar alternativas para solucionar a situação, seja por meio da readaptação funcional, seja pela adoção de medidas que permitam a regularização do vínculo enquanto a condição de saúde do empregado é reavaliada.

“A responsabilidade pela solução desse impasse não pode ser transferida integralmente ao trabalhador. Ele não pode ser penalizado porque o médico da empresa e o perito do INSS chegaram a conclusões diferentes sobre sua capacidade laboral”, afirma Dra.Marina.

Além dos impactos financeiros, o limbo previdenciário costuma trazer consequências emocionais importantes. A incerteza sobre a continuidade da renda e a insegurança em relação ao futuro profissional podem agravar o quadro de pessoas que já enfrentam problemas de saúde ou estão em processo de recuperação.

Por isso, a orientação é que o trabalhador mantenha toda a documentação médica organizada, registre formalmente as comunicações realizadas com a empresa e procure orientação jurídica especializada assim que perceber que está nessa situação. A análise individual do caso é fundamental para identificar quais medidas podem ser adotadas.

“O mais importante é que o trabalhador saiba que não está sem proteção jurídica. Existem caminhos legais para enfrentar esse problema e garantir a preservação dos seus direitos. Quanto mais cedo houver orientação adequada, maiores são as chances de evitar prejuízos financeiros e profissionais”, conclui.

 


Fonte: Dra. Marina Aguayo – Advogada especialista em Direito e Processo do Trabalho, Mediação e Carreira.


Violência contra crianças e adolescentes começa dentro de casa e cada vez mais cedo, alerta psicóloga Marcella Araújo

Dados do Atlas da Violência 2026 revelam aumento de mais de quatro vezes nas notificações de violência sexual contra crianças de 0 a 4 anos; especialista defende ações integradas de proteção

 

A violência contra crianças e adolescentes no Brasil tem começado cada vez mais cedo e, na maioria das vezes, dentro do ambiente que deveria oferecer proteção. Os dados mais recentes do Atlas da Violência 2026 acendem um alerta para um fenômeno que especialistas consideram urgente: a exposição precoce de crianças a diferentes formas de violência e seus impactos duradouros no desenvolvimento.

 

O levantamento, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que as notificações de violência sexual contra crianças de 0 a 4 anos cresceram mais de quatro vezes entre 2014 e 2024, passando de 1.671 para 7.845 registros. Na faixa de 5 a 14 anos, considerada a de maior concentração absoluta de casos, as notificações saltaram de 6.594 para 29.135 no mesmo período. O estudo destaca ainda que cerca de dois terços das ocorrências envolvendo crianças de até 14 anos acontecem dentro da própria residência. Entre as vítimas de 0 a 4 anos, esse percentual chega a 79,9%.

 

Para a psicóloga e pesquisadora Marcella Araújo, os números revelam um problema que não pode ser tratado apenas como questão de segurança pública. "Quando observamos que a violência atinge crianças ainda nos primeiros anos de vida e que ela acontece majoritariamente dentro de casa, estamos falando de uma crise que atravessa as relações familiares, a proteção social, a saúde e a educação. A violência não começa na rua, em muitos casos ela começa justamente nos espaços onde a criança deveria encontrar cuidado e segurança", afirma.

 

Segundo a especialista, um dos aspectos mais preocupantes do relatório é a evidência de que diferentes formas de violência costumam coexistir ao longo da trajetória de uma mesma criança. Negligência, violência psicológica, violência física e violência sexual frequentemente se acumulam, produzindo impactos profundos sobre o desenvolvimento emocional, cognitivo e social.

 

"Não podemos olhar para um episódio de violência como um fato isolado. Muitas crianças vivem processos contínuos de exposição a diferentes formas de violação. Quanto mais precoce é essa exposição, maiores tendem a ser os impactos sobre o desenvolvimento e sobre a forma como essa criança irá construir vínculos e compreender o mundo ao seu redor", explica.

 

O Atlas também chama atenção para o papel da escola. Além de concentrar a maior parte dos casos na faixa entre 5 e 14 anos, o ambiente escolar aparece como espaço estratégico para identificação, acolhimento e notificação de situações de violência, ao mesmo tempo em que também registra agressões físicas, violência psicológica e bullying.

 

Para Marcella, isso reforça a necessidade de investir na formação de profissionais da educação. "A escola ocupa uma posição privilegiada na rede de proteção porque é muitas vezes o primeiro lugar onde os sinais aparecem. Professores, coordenadores e equipes pedagógicas precisam estar preparados para reconhecer mudanças de comportamento, acolher relatos e acionar os fluxos de proteção adequados. A responsabilidade não é individual, mas institucional."

 

Outro dado relevante é a desigualdade de gênero presente nas estatísticas: 86,9% das vítimas de violência sexual são meninas. O relatório associa esse padrão a relações históricas de poder, controle sobre os corpos femininos e à disseminação de discursos que naturalizam a dominação masculina, inclusive em ambientes digitais.

 

"A violência sexual não pode ser analisada apenas como um problema individual ou familiar. Ela também está relacionada à forma como a sociedade constrói relações de gênero. Falar sobre respeito, consentimento e relações saudáveis desde cedo é uma medida de proteção e de prevenção", afirma.

 

A adolescência também aparece como um período de vulnerabilidade crescente. Embora a violência doméstica diminua proporcionalmente nessa fase, aumentam os riscos associados aos espaços públicos, à violência entre pares, ao ambiente digital e ao sofrimento psíquico. O Atlas aponta crescimento de 41,7% na taxa de suicídio entre adolescentes e jovens entre 2014 e 2024, evidenciando a necessidade de ampliar o acesso a redes de apoio e cuidado.

 

Psicóloga formada pela Universidade Federal de Uberlândia, mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo e com MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getulio Vargas, Marcella Araújo atua na formação de profissionais da educação, psicologia e políticas públicas. Sua atuação é fundamentada na psicologia histórico-cultural e tem como foco o desenvolvimento de crianças e adolescentes, a qualificação da escuta e a construção de práticas institucionais que fortaleçam a proteção integral.

 

Para ela, os dados do Atlas reforçam a necessidade de abandonar respostas fragmentadas. "Não existe uma solução única para um problema tão complexo. A proteção de crianças e adolescentes exige articulação entre escola, família, assistência social, saúde e políticas públicas. Quando cada setor atua isoladamente, as lacunas aumentam. Quando a rede funciona de forma integrada, as possibilidades de proteção também aumentam. 


As mulheres conquistaram espaço na liderança das agências de live marketing. O desafio agora é a autoridade


Comecei a trabalhar com eventos aos 20 anos. Naquela época, era raro encontrar mulheres ocupando posições de liderança nas agências. A maioria dos cargos de direção era ocupada por homens e, em muitos ambientes, a autoridade feminina precisava ser conquistada antes mesmo que qualquer resultado pudesse ser avaliado.

Em diversas situações, a competência não era presumida. Era testada. E, em alguns casos, questionada.

Em uma reunião no início da minha carreira, ouvi uma frase que nunca esqueci: “mulher não pode dar opinião, mulher executa”. Aquilo me marcou menos pelo impacto imediato e mais pelo que revelava sobre o ambiente em que eu estava inserida. Não se tratava de um episódio isolado, mas de uma percepção estrutural sobre o papel da mulher em ambientes de decisão.

Ao longo dos anos, precisei aprender a construir credibilidade de forma consistente, muitas vezes antes mesmo de ter a chance de exercer plenamente a liderança. Era necessário entregar resultados de forma recorrente para alcançar um nível de reconhecimento que, em muitos casos, era automaticamente atribuído a profissionais homens em posições equivalentes.

O mercado de live marketing evoluiu de forma significativa desde então.

Hoje, vemos mais mulheres ocupando posições de liderança, direção e empreendedorismo. As agências e marcas também passaram a reconhecer a importância de equipes diversas, entendendo que diferentes perspectivas ampliam repertórios e geram experiências mais relevantes.

Mas existe uma diferença importante entre ocupar espaço e exercer autoridade.

Pesquisas recentes sobre liderança feminina ajudam a iluminar esse ponto. O relatório Women in the Workplace 2025, produzido pela McKinsey & Company em parceria com a LeanIn.Org, mostra que, embora a presença feminina em cargos de liderança tenha avançado ao longo dos anos, mulheres ainda enfrentam barreiras consistentes para progressão na carreira e para reconhecimento de sua autoridade profissional, especialmente em níveis mais altos de gestão.

Na prática, isso significa que o desafio não está apenas em chegar aos cargos de liderança, mas em ser reconhecida como liderança de fato.

No universo do live marketing, esse tema ganha ainda mais relevância. Trabalhamos em um setor baseado em relacionamento, tomada de decisão rápida, criatividade e gestão de grandes equipes e projetos complexos. Nesse contexto, a autoridade não deveria estar associada a gênero, mas sim a capacidade de execução, visão estratégica e construção de resultados.

Ainda assim, muitas mulheres seguem relatando a necessidade de validar sua competência de forma mais constante para terem suas decisões aceitas com o mesmo nível de naturalidade que o de seus pares masculinos.

Ao mesmo tempo, é impossível ignorar o avanço dos últimos anos.

As mulheres estão mais presentes em posições de comando, liderando empresas, fundando negócios e ocupando espaços estratégicos em diferentes áreas da comunicação e do marketing. Essa transformação não aconteceu por concessão, mas por mérito, consistência e pela construção de trajetórias sólidas ao longo do tempo.

Também houve uma mudança importante por parte das organizações. A diversidade deixou de ser tratada apenas como um valor simbólico e passou a ser reconhecida como um fator de desempenho. Equipes mais diversas tendem a ampliar a capacidade de análise, criatividade e conexão com diferentes públicos, o que impacta diretamente a qualidade das experiências que são criadas.

Ainda assim, o debate sobre liderança feminina não está encerrado. Ele apenas mudou de estágio.

Se antes a discussão era sobre acesso, hoje ela passa a ser sobre legitimidade. Sobre influência. Sobre autoridade.

E talvez esse seja o ponto mais importante da evolução. Porque não basta estar na sala de decisões. É preciso que a voz dentro dela tenha o mesmo peso, o mesmo reconhecimento e a mesma escuta qualificada, independentemente de quem a emite.

O avanço da liderança feminina é real. Mas o próximo passo ainda é o mais desafiador: garantir que presença e autoridade caminhem juntas.




Flávia Morizono - cofundadora e diretora da Joia. Experiências que Transformam, agência especializada em live marketing, brand experience e eventos corporativos.

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