Dados do Vigitel 2025 apontam que 20,2% dos adultos dormem
menos de seis horas por noite; especialistas alertam para os impactos na saúde
mental, no metabolismo e no coração
Magnific
Dormir
bem deixou de ser apenas uma questão de disposição para o dia seguinte. O sono
é um dos pilares da saúde e está diretamente relacionado ao funcionamento do
coração, do cérebro, do sistema imunológico e do metabolismo. No Brasil, porém,
uma parcela significativa da população ainda dorme menos do que o necessário.
Dados do Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, mostram que 20,2% dos adultos
residentes nas capitais brasileiras dormem menos de seis horas por noite.
O levantamento
também revela que 31,7% dos moradores das capitais apresentam pelo menos um
sintoma de insônia. Entre as mulheres o destaque é maior, 21,3% delas afirmaram
dormir menos de seis horas por noite, contra 18,9% dos homens e pessoas com 65
anos ou mais, a prevalência chega a 23,1%.
O médico e
professor de Medicina do Sono na Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr
Marcelo Andrade Starling, comenta que esses números mostram que o sono precisa
ser tratado como uma prioridade para a saúde individual e pública. Dormir pouco
prejudica a atenção, a memória, a tomada de decisões e o equilíbrio emocional,
podendo causar irritabilidade, dificuldade de concentração, queda no rendimento
e maior risco de acidentes.
“Quando a
privação de sono se torna frequente, também está associada a maior risco de
hipertensão, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares,
além de ansiedade e depressão. Não há uma fronteira exata entre hábito e risco.
Uma única noite mal dormida já pode comprometer a segurança ao dirigir, mas a
preocupação aumenta quando dormir menos do que o necessário vira rotina. Para a
maioria dos adultos, dormir habitualmente menos de sete horas merece atenção,
sobretudo abaixo de seis horas. Além disso, não é preciso esperar o cansaço se
intensificar para agir, pois a pessoa pode se acostumar à sensação de sono
insuficiente sem recuperar seu desempenho”.
Os sintomas de
insônia seguem tendência semelhante, atingindo 36,2% das mulheres e 26,2% dos
homens. O médico destaca que, para a maioria dos adultos, a recomendação é
dormir entre sete e nove horas por noite. No entanto, a quantidade de horas não
é o único fator a considerar. Acordar frequentemente sem se sentir descansado,
apresentar sonolência durante o dia, dificuldade de concentração ou problemas
recorrentes para adormecer e manter o sono são sinais de alerta. O ronco alto,
as pausas na respiração percebidas por outra pessoa e os despertares
acompanhados de engasgos também merecem atenção e devem ser investigados, pois
podem indicar apneia do sono.
“O sono é um
processo neurobiológico essencial para a saúde. Durante esse período, o cérebro
consolida memórias e processa informações, enquanto o corpo realiza processos
de reparação, regulação hormonal, controle do metabolismo e defesa imunológica.
Para melhorar a qualidade do sono, é fundamental manter uma rotina, com
horários regulares, exposição à luz natural durante o dia, atividade física e
um quarto escuro, silencioso e confortável. À noite, vale reduzir a luz e o uso
de telas, reservar um tempo para desacelerar e evitar cafeína antes de dormir”,
complementa o docente da Afya.
Benefícios
para a saúde cardiovascular
Um estudo
apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC Congress
2024) analisou 90.903 participantes do UK Biobank e investigou a chamada
compensação do sono nos fins de semana. Ao longo de 14 anos de acompanhamento,
às pessoas que mais compensavam o sono perdido durante a semana apresentaram
risco 20% menor de desenvolver doença cardíaca em comparação com aquelas que
não praticavam o método.
O médico cardiologista e professor da Afya Ipatinga, Dr. Norberto de Sá Neto, explica que a privação de sono e os episódios de redução da oxigenação do sangue, chamados de hipoxemia, podem aumentar o risco cardiovascular, favorecendo problemas como hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto.
“Entre os
fatores associados à apneia do sono, a hipóxia (redução da disponibilidade de
oxigênio nos tecidos) é um indicador importante do risco cardiovascular. Sua
intensidade, associada à presença de outras doenças cardiovasculares, pode
influenciar o risco de desenvolver ou agravar essas condições”.
Dr Norberto Neto
ressalta que o risco também aumenta conforme se acumulam fatores como
obesidade, diabetes, sedentarismo, hipertensão e outras doenças
cardiovasculares. “Por isso, o cuidado não deve se limitar ao sono, é
fundamental adotar uma abordagem cardiovascular global, controlando os fatores
de risco, tratando a obesidade e a hipertensão, melhorando a qualidade do sono
e reduzindo o peso. Tudo isso está relacionado à qualidade do sono e à redução do
risco cardiovascular”, conclui.
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