Como escritora brasileira vivendo na Suécia, penso na
força que uma história pode ter quando atravessa fronteiras. Ela não precisa
falar diretamente sobre saudade para aproximar alguém de casa, pode fazer isso
pelo ritmo de uma frase, por uma palavra conhecida, uma paisagem ou um
personagem familiar.
Viver longe do Brasil muda a maneira como percebemos
coisas que antes pareciam tão naturais. A língua, por exemplo, está no
cotidiano, nas lembranças e nas palavras que usamos para explicar o mundo a
quem amamos. Quando estamos em outro país, percebemos que ela também é um lugar
de pertencimento; muitas vezes, basta abrir uma obra de autor brasileiro para
sentir essa presença.
A literatura brasileira reúne muitas vozes, regiões e
maneiras de enxergar a vida. Ao escolher esses livros, contribuímos para que
suas narrativas continuem sendo contadas. Para quem está longe, essa escolha
pode ganhar um significado especial. Muitos procuram títulos brasileiros para
ler com os filhos e para que as crianças tenham contato com o idioma também
fora de casa. Nas páginas, elas encontram palavras que escutam dos pais,
cenários que evocam a terra natal e referências com quem se identificam. A
leitura permite que cresçam ligadas ao lugar onde vivem e mantenham uma relação
com o Brasil. Uma coisa não apaga a outra.
Mas valorizar a literatura nacional não é importante
apenas no exterior. Em solo brasileiro, ler esses autores é descobrir toda a
riqueza e diversidade do país. Há relatos que nos fazem reconhecer experiências
parecidas com as nossas e outros que nos apresentam realidades diferentes. Em
ambos, podemos encontrar motivos para imaginar, questionar e olhar o mundo com
mais atenção. 
Divulgação
Esse reconhecimento pode começar em gestos simples:
escolher um livro de um autor nacional, visitar uma biblioteca, ler com uma
criança ou indicar uma obra a um amigo. Assim, ajudamos as histórias a circular
e os leitores a encontrá-las, pois a literatura feita no Brasil merece não só
estar nas conversas entre amigos e famílias, mas também nas escolas e em
bibliotecas pelo mundo.
Por isso, exalto cada livro que nos leva a outro lugar e, às vezes, nos devolve um pouco ao nosso. Para quem vive no exterior, uma história brasileira pode encurtar distâncias. Para quem está no Brasil, pode revelar novas paisagens dentro do próprio país. Ler nossos autores é manter a língua em movimento, reconhecer nossas muitas raízes e abrir espaço para o que ainda será escrito.
Isabel Cintra - escritora
brasileira radicada na Suécia e autora de Joana Joaninha. Atua na
divulgação da língua portuguesa no exterior.

Nenhum comentário:
Postar um comentário