Reumatologista do Vera Cruz Hospital,
em Campinas (SP), explica sinais da artrite psoriásica e destaca importância do
diagnóstico precoce 
Psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele
Magnific
Dor nas articulações, inchaço e rigidez ao acordar podem indicar
algo além de um desconforto passageiro, especialmente em pessoas com psoríase.
A doença inflamatória crônica, conhecida pelas manifestações na pele, também
pode estar associada à artrite psoriásica, uma doença reumática que afeta as
articulações e pode comprometer tendões e outras estruturas. Reconhecer os
sintomas é importante para evitar atrasos no diagnóstico e reduzir o risco de
danos articulares.
Segundo o Consenso Brasileiro de Psoríase 2024, da Sociedade
Brasileira de Dermatologia (SBD), a artrite psoriásica pode atingir até 44% das
pessoas com psoríase. Ela integra o grupo de mais de 120 doenças reumáticas
que, conforme estimativa divulgada pela Sociedade Brasileira de Reumatologia em
2023, acometem mais de 15 milhões de brasileiros. O tema ganha destaque em duas
datas consecutivas: 29 de outubro, Dia Nacional e Mundial da Psoríase, e 30 de
outubro, Dia Nacional de Luta do Paciente Reumático.
Embora as lesões na pele, como placas avermelhadas e descamativas,
geralmente apareçam primeiro, os sintomas articulares podem antecedê-las.
Alterações nas unhas também podem fazer parte do quadro. Além das articulações,
a inflamação pode atingir as enteses, regiões onde tendões e ligamentos se
inserem nos ossos. Nem todas as pessoas com psoríase desenvolverão artrite
psoriásica, mas o histórico familiar e a presença de sintomas articulares
merecem atenção.
“Não devemos descartar a possibilidade de artrite psoriásica
apenas porque a pessoa ainda não apresenta lesões visíveis na pele,
principalmente quando há histórico familiar. Por isso, sintomas articulares
sugestivos precisam ser investigados”, explica a reumatologista do Vera Cruz
Hospital, em Campinas (SP), Letícia Kolachinski Brandão.
Além de dor, inchaço e rigidez ao acordar, a artrite psoriásica
pode provocar dificuldade para movimentar as mãos, os pés e outras regiões do
corpo. A inflamação também pode causar dor nos calcanhares e em outras áreas de
inserção dos tendões. Em alguns casos, ocorre a dactilite, caracterizada pelo
inchaço de um dedo inteiro da mão ou do pé. A dor lombar também pode estar
presente. Como esses sintomas podem ter diferentes causas, o diagnóstico
depende da avaliação clínica. “O diagnóstico considera os sintomas, o histórico
pessoal e familiar, o exame físico e, quando necessário, exames laboratoriais e
de imagem. Não existe um único exame capaz de confirmar ou descartar todos os
casos. O reumatologista precisa reunir essas informações para compreender o
quadro de cada paciente”, detalha a médica.
A investigação precoce é importante porque a inflamação persistente pode causar danos nas articulações, reduzir a mobilidade e comprometer a capacidade funcional. “A avaliação conjunta das manifestações na pele e nas articulações ajuda a compreender o quadro e a orientar o tratamento. O acompanhamento regular também permite avaliar a atividade da doença, verificar a resposta à terapia e fazer os ajustes necessários”, afirma Letícia.
O tratamento é individualizado e pode incluir
medicamentos para controlar a dor e a inflamação, além de terapias
imunomoduladoras e biológicas, conforme a indicação médica. A prática
supervisionada de exercícios físicos, o controle do peso quando indicado e a
interrupção do tabagismo também podem contribuir para o cuidado. “Embora não
exista cura definitiva, o tratamento adequado pode controlar a inflamação,
reduzir os sintomas e ajudar a preservar a capacidade funcional e a qualidade
de vida”, pontua a reumatologista.
Pessoas com psoríase que apresentem dores articulares persistentes
ou recorrentes, inchaço, rigidez ao acordar ou dificuldade de movimentação
devem procurar avaliação com um reumatologista. O acompanhamento dermatológico
também é importante para o controle das manifestações na pele.
Vera
Cruz Hospital
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