![]() |
| Nas latas de alumínio para bebidas, Brasil mantém índices de reciclagem acima de 96% há mais de 15 anos. Foto: Divulgação/ ABAL |
No Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio (28/10), ABAL destaca que 54% do metal consumido no Brasil em 2025 veio da reciclagem e que o país é referência mundial em economia circular
O
mercado global de alumínio vive um momento de forte tensão entre oferta e
demanda, e a reciclagem surge como uma das respostas mais eficientes para
enfrentá-la. A guerra no Golfo Pérsico, região que responde por cerca de 10% da
produção mundial, e a escalada tarifária promovida pelos Estados Unidos
desorganizaram rotas e fluxos comerciais, pressionando ainda mais a oferta. O
resultado já aparece nos números: a CRU, consultoria global de inteligência de
mercado focada em commodities como mineração e metais, estima que o déficit
global de alumínio alcançou 647 mil toneladas no segundo trimestre de
2026.
É
nesse cenário que a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) reforça a
comemoração, nesta quarta-feira (28), do Dia Nacional da Reciclagem do
Alumínio, data instituída pela entidade há 23 anos para reconhecer uma das
cadeias mais bem estruturadas do país.
Segundo o International Aluminum Institute (IAI), a demanda global por alumínio deve crescer 40% até 2030, impulsionada pela transição energética em setores como transporte, construção civil e geração de energia, todos fortemente dependentes do metal e engajados na redução de emissões. Para atender a esse aumento, a reciclagem será fundamental: por ser um material que pode ser reciclado infinitas vezes sem perder suas propriedades, o alumínio permite ampliar a oferta sem depender exclusivamente da produção primária.
Nesse
contexto, o Brasil tem uma posição de destaque. Nas latas de alumínio para
bebidas, o Brasil mantém há mais de 15 anos índices de reciclagem acima de 96%,
o que o coloca entre os líderes mundiais e o consolida como referência em
economia circular.
Em
2025, 54% de todo o alumínio consumido no país vieram da reciclagem. Além das
latinhas, entram nessa conta resíduos de diferentes produtos, dos segmentos de
construção civil, transporte e bens duráveis, incluindo as aparas da indústria.
Essa estrutura diversificada garante segurança de suprimento como fonte
complementar ao alumínio primário, no momento em que a oferta internacional
está sob pressão.
A
vantagem também é de eficiência energética. Cada tonelada de alumínio reciclado
economiza cerca de 95% da energia utilizada na produção primária, o que
contribui diretamente para a redução de emissões de carbono e para a
descarbonização das cadeias que utilizam o metal.
“Em
um cenário de demanda crescente, déficit de oferta e instabilidade geopolítica,
a sucata de alumínio deixa de ser apenas um resíduo e se consolida como insumo
estratégico. O Brasil tem uma cadeia de reciclagem eficiente e consolidada, e
nosso desafio é garantir que esse diferencial continue sendo competitivo e
atenda em primeiro lugar a economia nacional”, afirma Janaina Donas,
presidente-executiva da ABAL.

Nenhum comentário:
Postar um comentário