Investir em tecnologia industrial exige recursos,
planejamento e uma visão clara dos resultados que se pretende alcançar.
Contudo, em um cenário de pressão por produtividade e eficiência, existe o
risco de que decisões importantes sejam tomadas com base em expectativas
irreais ou mitos sobre a Indústria 4.0 que, certamente, podem limitar os ganhos
operacionais e reduzir a capacidade de competir em um mercado cada vez mais
exigente.
Embora
a transformação digital esteja avançando na indústria brasileira, sua
incorporação ainda ocorre de maneira desigual. Dados divulgados pela CNI,
apontam que cerca de 59% das indústrias do país utilizam apenas uma ou duas
tecnologias digitais, mostrando que a presença dessas ferramentas não
significa, necessariamente, uma transformação abrangente dos processos
produtivos.
Para
que a Indústria 4.0 contribua, efetivamente, para a competitividade deste
setor, é preciso superar visões equivocadas sobre sua implementação e
compreender como essas soluções se conectam à estratégia, à gestão e às
necessidades de cada operação. Para isso, listamos os maiores mitos nesse
sentido, que precisam ser quebrados:
#1 É apenas para grandes empresas: mais do que o tamanho da operação, o que determina
a capacidade de avançar nessa jornada é a qualidade dos dados, a organização
dos processos e a existência de uma governança capaz de assegurar que as
informações sejam registradas, tratadas e utilizadas corretamente. Afinal, até
mesmo grandes indústrias podem enfrentar dificuldades quando ainda dependem de
planilhas dispersas e procedimentos pouco estruturados.
#2 IA e automação podem resolver problemas estruturais sozinhas: por mais que a evolução da automação e da
inteligência artificial permita delegar tarefas, integrar sistemas e agilizar
atividades que, antes, dependiam de intervenções manuais, isso não significa
que devam assumir todas as responsabilidades, ou que sua adoção dispense a
participação humana. Para gerar resultados, essas ferramentas dependem de
informações organizadas, processos bem definidos e critérios claros de
utilização – do contrário, poderão acelerar erros e reproduzir inconsistências
em maior escala.
#3 É preciso trocar todo o maquinário para modernizar: modernizar uma operação industrial não significa,
necessariamente, substituir equipamentos e renovar todo o parque fabril. Embora
novas máquinas possam oferecer ganhos importantes em determinadas situações, a
decisão precisa considerar o retorno esperado, as condições da estrutura
existente e as possibilidades de evolução por meio de sistemas, integração e
gestão tecnológica.
#4 A Indústria 4.0 é um projeto exclusivo de TI: embora essa área tenha um papel fundamental na
implementação e na sustentação das soluções digitais, a transformação
industrial não pode ser conduzida exclusivamente por ela. São as áreas
operacionais que ajudam a identificar gargalos, definir necessidades e
estabelecer como as informações devem circular ao longo dos processos. Por
isso, sem o envolvimento da alta direção, expectativas bem definidas e acompanhamento
contínuo, projetos tecnicamente bem executados podem não entregar os resultados
esperados pela organização.
#5 Quanto mais tecnologia, maior a maturidade digital: uma indústria moderna não é, necessariamente,
aquela que possui mais robôs, sensores ou ferramentas de inteligência
artificial, mas aquela que consegue utilizar a tecnologia de forma confiável e
segura. Para isso, a qualidade dos dados e os controles sobre seu
armazenamento, acesso e utilização são tão importantes quanto os recursos de
automação. Empresas que digitalizam processos sem estruturar rotinas de backup,
proteção das informações e validação dos registros podem ampliar sua exposição
a falhas e interrupções operacionais.
#6 A mesma tecnologia funciona para qualquer operação industrial: não existe uma solução capaz de atender,
integralmente, às necessidades de todas as indústrias, porque cada uma parte de
uma realidade diferente, com processos, recursos, desafios e objetivos próprios.
Por isso, a transformação não deve começar pela escolha de uma ferramenta, mas
pelo diagnóstico da situação atual e pela definição do que a empresa pretende
alcançar. A partir daí, é possível estabelecer prioridades, identificar lacunas
e construir uma jornada de implementação compatível com sua capacidade
operacional e financeira.
Nenhuma
indústria se transforma ignorando a própria história, mas também não consegue
se manter competitiva vivendo dela. A modernização exige compreender a cultura
organizacional, respeitar os processos que sustentaram o negócio até aqui e
identificar o que precisa mudar para atender às demandas do futuro.
Isso
significa abandonar a ideia de que a Indústria 4.0 se resume a máquinas novas
ou sistemas sofisticados, reconhecendo que a tecnologia só gera valor quando
está conectada à estratégia, às pessoas e à realidade da operação. Do
contrário, quando os efeitos aparecem na produtividade, nos custos e na perda
de competitividade, muitas vezes a conta já ficou mais cara do que deveria.
Paulo Cesar dos Santos - Sales Manager da H&CO Brasil.
H&CO
https://www.hco.com/
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