Entidade
reforça a importância da atualização da carteira vacinal antes da gestação, já
que imunizantes como o do sarampo não devem ser aplicados durante a gravidez
A infecção por sarampo durante a gestação pode trazer consequências graves para a saúde materna e aumentar o risco de desfechos adversos para o bebê, como prematuridade, baixo peso ao nascer, abortamento e morte fetal. Diante desse cenário, a ginecologista Dra. Susana Cristina Aidé Viviani Fialho, presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, alerta que a checagem da carteira vacinal deve fazer parte da rotina de cuidados da mulher que pretende engravidar, especialmente porque algumas vacinas não são indicadas durante a gestação.
“É muito
importante que, no período pré-concepcional, o ginecologista e o obstetra façam
uma atualização do calendário vacinal da mulher. Algumas vacinas não devem ser
administradas durante a gestação, como as de vírus vivo atenuado, por
apresentarem risco teórico de acometimento do feto. Por isso, o ideal é que a
mulher já engravide com a vacinação em dia”, explica.
É o caso, por
exemplo, das vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola, varicela e dengue,
todas compostas por vírus vivos atenuados. Essas vacinas não devem ser
aplicadas durante a gravidez. Se forem administradas inadvertidamente, isso não
representa indicação de interrupção da gestação, mas a recomendação é evitar
seu uso nesse período, pois segundo a ginecologista, existe um risco teórico de
infecção do feto, por terem vírus vivo atenuado.
A especialista
também ressalta que a vacina contra o HPV, embora não seja de vírus vivo
atenuado, também não é indicada durante a gestação, já que não há estudos
realizados com mulheres grávidas.
A preocupação
com o sarampo ganha relevância porque a gestação, por si só,
provoca alterações fisiológicas importantes no organismo da mulher. Mudanças
nos sistemas respiratório, cardiovascular e imunológico tornam a gestante mais
vulnerável a complicações infecciosas.
“Durante a
gravidez, a mulher apresenta modificações fisiológicas próprias desse período,
inclusive uma imunossupressão relativa, que é necessária para que o organismo
possa receber o feto. Isso faz com que ela fique mais suscetível às
complicações das infecções”, afirma a Dra. Susana.
Nos casos de
sarampo, o impacto sobre o bebê não ocorre de forma direta, como acontece na
síndrome congênita da rubéola, mas pode surgir como reflexo do agravamento do
quadro materno. Quanto mais intensa for a infecção — com febre, comprometimento
inflamatório sistêmico, hipoxemia e complicações como pneumonia —, maiores
podem ser os riscos gestacionais.
“Não existe, no
caso do sarampo, uma síndrome congênita específica como ocorre com a rubéola.
Os efeitos sobre o feto tendem a ser indiretos, a partir do comprometimento
materno. Dependendo da gravidade do quadro, pode haver aumento do risco de
prematuridade, baixo peso ao nascer, abortamento e morte fetal”,
destaca Dra. Susana.
Para a FEBRASGO, a mensagem é clara: o planejamento da gravidez também deve incluir a revisão da situação vacinal. Ao atualizar a carteira antes de engravidar, a mulher amplia sua proteção justamente em uma fase em que parte das vacinas já não poderá ser administrada.
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO
Campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher
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@feitoparaelaoficial
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