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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Por que a dor faz tanto corredor desistir do esporte — e como evitar o abandono das pistas

Lesão é o principal motivo de abandono entre corredores iniciantes, segundo estudo holandês. Fisioterapeuta explica por que tratar só o ponto que dói costuma não resolver


Para muita gente, a corrida começa como uma forma de cuidar da saúde. O problema é quando o prazer dá lugar a um desconforto constante: o corredor tenta ignorar, reduz a distância, cancela a prova do fim de semana e, quando percebe, encosta o tênis de vez.

Esse abandono é comum. A pesquisa Por Dentro do Corre (Olympikus/Box1824) estima 15 milhões de corredores no país, mas 48% começaram há menos de um ano, sinal de alta rotatividade. A pesquisa não detalha os motivos, e a ciência ajuda a explicar: um estudo holandês com 774 iniciantes mostrou que 29,5% pararam de correr em seis meses. A lesão foi o principal motivo, citada por 48% dos que desistiram.

Dores nos pés, tornozelos e joelhos raramente têm causa única. Costumam combinar aumento rápido de quilometragem, descanso insuficiente, lesões anteriores mal resolvidas e particularidades da biomecânica. O erro mais comum é mascarar o ponto onde dói sem investigar a origem da sobrecarga.

“Quando uma pessoa corre, diferentes estruturas do corpo trabalham de forma integrada. Por isso, o local onde a dor aparece nem sempre corresponde à sua origem. A dor no joelho durante a corrida começa no joelho? Nem sempre”, explica Mateus Martinez, diretor técnico da Pés Sem Dor e responsável pela Pés Sem Dor Corre. Fisioterapeuta formado pela USP, mestre pela University of Queensland (Austrália) e maratonista qualificado para a Maratona de Boston, ele defende avaliar o histórico, a rotina de treino e a mecânica do movimento antes de tratar o sintoma.

 

O joelho reclama, mas a carga vem de baixo

Joelho, tornozelo e perna concentram a maior parte das lesões em corredores, segundo revisão do Journal of Sport and Health Science. A cada passada, o corpo recebe do solo de duas a três vezes o próprio peso, e pé, tornozelo, joelho e quadril dividem essa carga. Quando o pé apoia de forma assimétrica, a divisão muda, e estruturas acima dele passam a trabalhar além do que suportam.

Nem toda dor vem do pé: força do quadril, técnica e volume de treino também contam. Mas é por ele que a investigação costuma começar. Na base da Pés Sem Dor, com mais de 15 mil corredores avaliados em cinco anos, o calcanhar é a região de dor mais relatada.

“Sentiu que a dor persiste, piora durante a corrida ou faz você mudar o jeito de pisar? Esse é o sinal de que é hora de buscar uma avaliação especializada”, alerta o fisioterapeuta. Dor pontual em um osso que piora com o impacto pode indicar fratura por estresse e requer avaliação rápida.

 

Diagnóstico e soluções sob medida

A Pés Sem Dor avalia o corredor com base no histórico de treinos, na baropodometria (que mapeia a pressão sob o pé, tanto em repouso quanto em movimento) e no escaneamento 3D. Dessa leitura nasceu a palmilha da Pés Sem Dor Corre, produzida a partir das medidas de cada pé, respeitando as assimetrias.

A estrutura combina uma base de TPU impressa em 3D, para estabilidade e suporte, com insertos de E-TPU no calcanhar, espuma que se deforma sob a carga e devolve cerca de 55% da energia em ensaio de ressalto, contra 37% do EVA convencional. Meta-análise do British Journal of Sports Medicine encontrou redução de 28% no risco geral de lesões com palmilhas de contorno anatômico.

“A ideia não é engessar o movimento, mas oferecer um suporte sob medida que complemente o tênis e respeite o desenho de cada pé. A palmilha é uma parte do plano; ajuste de carga, fortalecimento e recuperação são as outras”, explica Martinez.

Sentir dor não precisa ser a linha de chegada. Ouvir os sinais do corpo não significa parar, mas ajustar a rota: buscar orientação, cuidar da biomecânica e respeitar a recuperação é o caminho para voltar a correr com segurança.

 

Pés Sem Dor

Pés Sem Dor Corre

 

Fontes e referências

1.    Olympikus / Box1824. Por Dentro do Corre, 2ª edição (novembro de 2025). olympikus.com.br/pordentrodocorre

2.    Fokkema T et al. Reasons and predictors of discontinuation of running after a running program for novice runners. J Sci Med Sport. 2019;22(1):106-111. doi:10.1016/j.jsams.2018.06.003

3.    Kakouris N, Yener N, Fong DTP. A systematic review of running-related musculoskeletal injuries in runners. J Sport Health Sci. 2021;10(5):513-522. doi:10.1016/j.jshs.2021.04.001

4.    Bonanno DR et al. Effectiveness of foot orthoses and shock-absorbing insoles for the prevention of injury: a systematic review and meta-analysis. Br J Sports Med. 2017;51(2):86-96. doi:10.1136/bjsports-2016-096671


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