Lesão é o principal motivo de abandono entre corredores iniciantes, segundo estudo holandês. Fisioterapeuta explica por que tratar só o ponto que dói costuma não resolver
Para muita gente, a corrida começa como uma forma de cuidar da
saúde. O problema é quando o prazer dá lugar a um desconforto constante: o
corredor tenta ignorar, reduz a distância, cancela a prova do fim de semana e, quando
percebe, encosta o tênis de vez.
Esse abandono é comum. A pesquisa Por Dentro do Corre
(Olympikus/Box1824) estima 15 milhões de corredores no país, mas 48% começaram
há menos de um ano, sinal de alta rotatividade. A pesquisa não detalha os
motivos, e a ciência ajuda a explicar: um estudo holandês com 774 iniciantes
mostrou que 29,5% pararam de correr em seis meses. A lesão foi o principal
motivo, citada por 48% dos que desistiram.
Dores nos pés, tornozelos e joelhos raramente têm causa única.
Costumam combinar aumento rápido de quilometragem, descanso insuficiente, lesões
anteriores mal resolvidas e particularidades da biomecânica. O erro mais comum
é mascarar o ponto onde dói sem investigar a origem da sobrecarga.
“Quando uma pessoa corre, diferentes estruturas do corpo trabalham
de forma integrada. Por isso, o local onde a dor aparece nem sempre corresponde
à sua origem. A dor no joelho durante a corrida começa no joelho? Nem sempre”,
explica Mateus Martinez, diretor técnico da Pés Sem Dor e responsável pela Pés
Sem Dor Corre. Fisioterapeuta formado pela USP, mestre pela University of
Queensland (Austrália) e maratonista qualificado para a Maratona de Boston, ele
defende avaliar o histórico, a rotina de treino e a mecânica do movimento antes
de tratar o sintoma.
O joelho
reclama, mas a carga vem de baixo
Joelho, tornozelo e perna concentram a maior parte das lesões em
corredores, segundo revisão do Journal of Sport and Health Science.
A cada passada, o corpo recebe do solo de duas a três vezes o próprio peso, e
pé, tornozelo, joelho e quadril dividem essa carga. Quando o pé apoia de forma
assimétrica, a divisão muda, e estruturas acima dele passam a trabalhar além do
que suportam.
Nem toda dor vem do pé: força do quadril, técnica e volume de
treino também contam. Mas é por ele que a investigação costuma começar. Na base
da Pés Sem Dor, com mais de 15 mil corredores avaliados em cinco anos, o
calcanhar é a região de dor mais relatada.
“Sentiu que a dor persiste, piora durante a corrida ou faz você
mudar o jeito de pisar? Esse é o sinal de que é hora de buscar uma avaliação especializada”,
alerta o fisioterapeuta. Dor pontual em um osso que piora com o impacto pode
indicar fratura por estresse e requer avaliação rápida.
Diagnóstico e
soluções sob medida
A Pés Sem Dor avalia o corredor com base no histórico de treinos,
na baropodometria (que mapeia a pressão sob o pé, tanto em repouso quanto em
movimento) e no escaneamento 3D. Dessa leitura nasceu a palmilha da Pés Sem Dor
Corre, produzida a partir das medidas de cada pé, respeitando as assimetrias.
A estrutura combina uma base de TPU impressa em 3D, para
estabilidade e suporte, com insertos de E-TPU no calcanhar, espuma que se
deforma sob a carga e devolve cerca de 55% da energia em ensaio de ressalto,
contra 37% do EVA convencional. Meta-análise do British Journal of Sports Medicine
encontrou redução de 28% no risco geral de lesões com palmilhas de contorno
anatômico.
“A ideia não é engessar o movimento, mas oferecer um suporte sob
medida que complemente o tênis e respeite o desenho de cada pé. A palmilha é
uma parte do plano; ajuste de carga, fortalecimento e recuperação são as
outras”, explica Martinez.
Sentir dor não precisa ser a linha de chegada. Ouvir os sinais do
corpo não significa parar, mas ajustar a rota: buscar orientação, cuidar da
biomecânica e respeitar a recuperação é o caminho para voltar a correr com
segurança.
Pés Sem Dor
Pés Sem Dor Corre
Fontes e referências
1. Olympikus / Box1824. Por Dentro do Corre,
2ª edição (novembro de 2025). olympikus.com.br/pordentrodocorre
2. Fokkema T et al. Reasons and predictors
of discontinuation of running after a running program for novice runners. J Sci
Med Sport. 2019;22(1):106-111. doi:10.1016/j.jsams.2018.06.003
3. Kakouris N, Yener N, Fong DTP. A
systematic review of running-related musculoskeletal injuries in runners. J
Sport Health Sci. 2021;10(5):513-522. doi:10.1016/j.jshs.2021.04.001
4.
Bonanno DR et al. Effectiveness of foot orthoses and shock-absorbing insoles
for the prevention of injury: a systematic review and meta-analysis. Br J
Sports Med. 2017;51(2):86-96. doi:10.1136/bjsports-2016-096671

Nenhum comentário:
Postar um comentário