Dr. Rodolfo Gusmão, médico integrativo e CEO do Instituto Aeon, explica quais sinais merecem atenção e por que a mamografia continua essencial.
Quando se fala em câncer de mama, a primeira imagem que costuma
vir à cabeça é a de um caroço palpável. Embora o nódulo seja um dos sinais mais
conhecidos da doença, ele não é o único. Alterações na textura da pele,
mudanças no mamilo e secreções inesperadas também podem indicar que algo
precisa ser investigado.
O alerta ganha importância durante o Outubro Rosa, campanha
dedicada à conscientização sobre o câncer de mama e à importância do
diagnóstico precoce. Para o Dr. Rodolfo Gusmão, médico integrativo e CEO do
Instituto Aeon, reconhecer mudanças no próprio corpo é importante, mas não
substitui o acompanhamento médico.
“Existe uma associação muito forte entre câncer de mama e a
presença de um caroço. O problema é que algumas alterações podem aparecer de
outras formas. Conhecer esses sinais ajuda a identificar quando é necessário
procurar uma avaliação, mesmo que não exista nenhum nódulo perceptível”,
explica o médico.
Os
sinais que vão além do nódulo
Entre as alterações que merecem atenção estão a retração ou o
espessamento da pele da mama, especialmente quando ela adquire uma aparência semelhante
à casca de laranja. Mudanças recentes no formato do mamilo, como uma inversão
que não existia anteriormente, e descamação persistente também precisam ser
avaliadas.
Outro sinal importante é a saída espontânea de secreção pelo
mamilo, principalmente quando ocorre em apenas uma mama, sem relação com a
amamentação. Vermelhidão persistente, especialmente quando não há uma causa
infecciosa aparente, também pode justificar investigação.
Essas manifestações não significam necessariamente a presença de
câncer. Muitas podem estar relacionadas a condições benignas, mas a
persistência ou o aparecimento de mudanças novas exige atenção.
“O objetivo não é transformar qualquer alteração em motivo de
medo, mas entender que o corpo pode apresentar sinais diferentes. O que merece
investigação é principalmente aquilo que surge de forma inesperada, persiste ou
representa uma mudança em relação ao padrão habitual daquela pessoa”, destaca
Dr. Rodolfo.
Dor
na mama é sinal de câncer?
A dor mamária costuma gerar preocupação, mas, quando aparece de
forma isolada e sem outras alterações associadas, raramente está relacionada ao
câncer de mama. Na maioria das vezes, o desconforto tem origem benigna e pode
estar associado às oscilações hormonais do ciclo menstrual, entre outras
causas.
Isso não significa, porém, que a dor deva ser ignorada. Quando é
persistente, localizada ou acompanhada de outras mudanças, a avaliação médica é
importante para identificar sua origem.
“Nem toda dor representa um sinal de gravidade, assim como a
ausência de dor não significa que está tudo bem. O mais importante é observar o
contexto, a persistência dos sintomas e a presença de outras alterações”,
explica o especialista.
Autoconhecimento
não substitui mamografia
Observar as próprias mamas e reconhecer mudanças no corpo são
atitudes importantes, mas não substituem os exames de rastreamento. A
mamografia permite identificar alterações que ainda não são perceptíveis ao
toque ou à observação, aumentando as possibilidades de detectar a doença em
fases iniciais.
A idade de início e a periodicidade do rastreamento devem
considerar as recomendações médicas vigentes e o risco individual. Mulheres com
histórico familiar relevante ou outros fatores de risco podem precisar de
acompanhamento específico.
“O autoconhecimento corporal e a mamografia têm funções complementares.
Um ajuda a reconhecer mudanças que surgem no dia a dia; o outro pode
identificar alterações antes mesmo de qualquer sintoma. Nenhuma dessas
estratégias deve ser vista como substituta da outra”, ressalta Dr. Rodolfo.
O
principal alerta é não esperar aparecer um caroço
A detecção precoce continua sendo uma das principais estratégias
para melhorar as possibilidades de tratamento do câncer de mama. Por isso, o
cuidado não deve começar apenas quando um nódulo se torna palpável.
Mudanças persistentes na pele, no mamilo ou no aspecto das mamas
merecem avaliação profissional, independentemente da idade ou da realização
recente de exames de rotina.
“Conhecer o próprio corpo é importante, mas não significa assumir
a responsabilidade de identificar uma doença sozinha. O fundamental é procurar
orientação diante de alterações persistentes e manter o acompanhamento
recomendado. Quanto mais cedo uma alteração suspeita é investigada, maiores são
as possibilidades de agir no momento adequado”, conclui o médico.
Instituto Aeon
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