A cada minuto sem tratamento, células cerebrais
podem sofrer danos permanentes; neurologista do Hospital Santa Catarina -
Paulista explica como identificar os sintomas
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma emergência médica em que o
intervalo entre o início dos sintomas e o atendimento pode influenciar as
chances de recuperação e o risco de sequelas. Boca torta, fala enrolada, perda
de força em um lado do corpo, alteração súbita da visão e confusão mental são
sinais que exigem ação imediata. Nesses casos, a orientação é buscar um serviço
de urgência o mais rápido possível, mesmo que haja uma aparente melhora.
A agilidade é especialmente importante nos casos em que uma
artéria cerebral é obstruída e o fluxo sanguíneo para o cérebro é interrompido.
“Tempo é cérebro. Quanto mais cedo o paciente chega ao hospital, maior a chance
de preservar tecido cerebral que ainda pode ser salvo”, explica o Dr. Maurício
Hoshino, neurologista do Hospital Santa Catarina - Paulista. A expressão resume
o impacto do atraso no atendimento: a cada minuto sem tratamento, células
cerebrais podem sofrer danos permanentes, com efeitos sobre movimentos, fala,
visão e outras funções neurológicas.
Um estudo clássico publicado na revista Stroke estimou que, em
casos de AVC isquêmico provocado pela obstrução de um grande vaso e sem
tratamento, milhões de neurônios podem ser perdidos a cada minuto. O dado
reforça a relação direta entre o tempo de atendimento e o prognóstico. Ao redor
da área central atingida existe uma região de tecido cerebral que ainda pode
ser recuperada. A manutenção da circulação nessa área depende da rapidez com
que o fluxo sanguíneo é restabelecido.
Frio e calor intensos aumentam o risco
Períodos de frio e calor intensos podem aumentar o risco de
eventos cerebrovasculares. Mudanças bruscas de temperatura influenciam a
pressão arterial e outros fatores do organismo, o que contribui para a ocorrência
de AVC em algumas pessoas. Diante dessa possibilidade, a orientação é simples e
deve ser seguida à risca: reconhecer os sinais e buscar ajuda imediatamente.
Um grande estudo internacional publicado no JAMA em 2024,
que analisou mais de 2 mil pacientes submetidos a tratamento de reperfusão,
reforçou que a velocidade do atendimento está diretamente associada a melhores
desfechos funcionais. Os pesquisadores observaram que pacientes tratados mais
precocemente apresentaram maior chance de recuperação independente,
especialmente quando a intervenção foi realizada dentro das primeiras horas
após o início dos sintomas.
O tratamento do AVC evoluiu e hoje existem abordagens que podem
ajudar a restabelecer o fluxo sanguíneo no cérebro, como medicamentos e procedimentos
que removem o bloqueio em casos selecionados. No entanto, essas intervenções
dependem diretamente do tempo. “Não é seguro tentar decidir em casa se ainda há
prazo para tratamento. Essa avaliação deve ser feita em ambiente hospitalar”,
reforça o Dr. Hoshino.
Nenhum sintoma deve ser ignorado
Mesmo quando os sintomas desaparecem em pouco tempo, o episódio
não deve ser ignorado. Em alguns casos, isso pode indicar um alerta temporário
do organismo, que ainda assim precisa ser investigado para evitar novos eventos
mais graves. “Mesmo que os sintomas melhorem, o paciente deve ser avaliado com
urgência, uma vez que pode ter ocorrido um ataque isquêmico transitório”,
orienta o especialista.
Um dos desafios é reconhecer que nem sempre o AVC se apresenta de
forma intensa. Qualquer alteração neurológica súbita deve ser valorizada, como
dificuldade para falar, perda de força, desequilíbrio, confusão mental ou perda
parcial da visão. Outro ponto importante é que o AVC não acontece apenas em
pessoas idosas. Adultos jovens também podem ser afetados, especialmente quando
há condições de saúde não diagnosticadas ou fatores de risco específicos.
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