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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Carreiras à prova de eleições: como ler o cenário a seu favor

O próximo governo não vai decidir os próximos passos da sua carreira, mas com certeza vai definir parte das regras do jogo. Em época de eleição, é natural que a nossa atenção seja sugada pelos grandes temas nacionais, como segurança, saúde e educação. Mas para quem trabalha, empreende ou lidera equipes, existe uma outra face nessa história.

Decisões políticas mexem diretamente no ecossistema onde as empresas atuam. Elas ditam quem contrata, quem segura investimentos e para onde o dinheiro vai. No fim das contas, a responsabilidade pela sua trajetória continua sendo sua. O terreno onde você vai caminhar, no entanto, pode mudar completamente.

Pense, por exemplo, na matemática do seu bolso. Mudanças em impostos, na tributação de dividendos ou em incentivos fiscais alteram o custo de tudo. Para uma empresa, isso pode ser a diferença entre abrir uma nova filial ou congelar vagas. Para você, como profissional, pode mudar totalmente a balança entre valer a pena ter carteira assinada, abrir um CNPJ ou atuar como prestador de serviços. A decisão final é sua, mas a conta que sustenta essa escolha muda.

Além disso, governos escolhem onde colocar energia — e dinheiro. Crédito subsidiado, obras de infraestrutura, foco no agronegócio, defesa ou tecnologia. Dependendo de quem está no comando, a maré sobe para alguns setores e desce para outros. E isso importa muito, porque carreiras não sobrevivem fora da lei de oferta e demanda. 

Você pode manter o seu nível de excelência e, ainda assim, ver o seu mercado perder dinamismo. Planejar a carreira hoje é olhar não só para o que você sabe fazer, mas para onde o vento está soprando.

Há também a forma como o mercado "compra" o seu trabalho. Alterações em leis trabalhistas ou regulações de terceirização fazem as organizações repensarem seus quadros o tempo todo. De repente, para os profissionais mais experientes, a pergunta deixa de ser apenas "quanto vou ganhar?" e passa a ser "qual formato de contratação faz mais sentido agora?".

E tem um detalhe: o valor das suas habilidades tem prazo de validade. Políticas de incentivo à inovação podem acelerar a chegada de tecnologias que barateiam ou substituem certas funções. O que ontem era raro e bem pago, amanhã pode virar commodity. O segredo passa a ser entender quais das suas capacidades continuam difíceis de robotizar e pelas quais os clientes continuam dispostos a pagar mais.

Até a política externa entra nessa conta. O jeito que o país se relaciona lá fora dita quais mercados vão se abrir. Seu currículo pode ser exatamente o mesmo, mas se o Brasil muda suas parcerias, idiomas específicos e experiências internacionais ganham ou perdem peso de uma hora para a outra.

Mas, no fim de tudo, a variável mais decisiva atende por um nome simples: confiança. Empresas só investem e contratam quando conseguem prever um mínimo de retorno e calcular riscos. Mudanças de regras o tempo todo, brigas institucionais e insegurança jurídica travam a economia. E como isso chega até você? Em forma de promoções adiadas, menos vagas, orçamentos curtos e medo de assumir compromissos de longo prazo.

A moral da história não é terceirizar a culpa (ou o sucesso) da sua carreira para a política. O ponto é que não dá para ignorar o tabuleiro. Você não controla o ambiente. Mas quem entende o jogo sabe muito bem como se mover dentro dele.


Clara Laface - Consultora em posicionamento de marca pessoal, apoia líderes, executivos, empresários e profissionais em fases de crescimento, reposicionamento ou recolocação no mercado. No ambiente corporativo, atua em comunicação interna e gestão de crise, com foco no alinhamento de mensagens, fortalecimento da cultura e engajamento de equipes. Ministra treinamentos e palestras sobre posicionamento profissional e comunicação. Foi VP de Marketing da AICI Brasil (2022–2024), é colunista do Portal Be News e docente na Comunica Escola de Comunicação e Imagem.


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