A doença crônica consiste na perda da capacidade do coração em bombear sangue de forma eficiente para o corpo, explica especialista do Hospital São José
No nono mês do ano, celebra-se o setembro
vermelho, período de conscientização e prevenção das doenças cardiovasculares.
Condições como o infarto agudo do miocárdio, a insuficiência cardíaca grave, a
hipertensão arterial, o acidente vascular cerebral (AVC) e as arritmias
cardíacas representam a principal causa de morte no país. Segundo dados do
Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de
30% dos óbitos ao ano no Brasil.
Apesar disso, a insuficiência
cardíaca (IC), doença historicamente associada a graves problemas de saúde e
limitações severas na rotina dos pacientes, passa por um momento de
transformação na medicina. Seu diagnóstico, mesmo nos casos mais graves, não
deve mais ser encarado como uma sentença final, revela a Dra. Mirna Fontoura,
chefe de cardiologia do Hospital São José.
“A insuficiência cardíaca é considerada uma síndrome clínica resultante de alterações estruturais e funcionais do coração, comprometendo assim a capacidade do sangue bombear adequadamente. Neste ano de 2026, a doença está sendo um tema muito relevante, pois uma nova definição universal traz uma visão mais ampla, dinâmica e conectada à prática clínica”, explica a cardiologista.
Isso é uma realidade graças à expansão significativa do arsenal terapêutico para combater a insuficiência cardíaca. Hoje, o tratamento vai desde mudanças no estilo de vida, restrição no consumo de sódio e vacinação até a prática de reabilitação cardíaca, procedimentos percutâneos, cirurgias e o acompanhamento ambulatorial contínuo. A introdução de novas medicações e tecnologias também têm transformado o prognóstico de pacientes que antes tinham poucas opções de manejo clínico.
"No momento, dispomos de
medicações modificadoras do curso da doença que impactam diretamente na redução
da mortalidade e melhoram a qualidade de vida do paciente. Além disso, contamos
com cirurgias minimamente invasivas que melhoram a classe funcional, ou seja,
aliviam os sintomas.", explica a Dra. Mirna Fontoura. No entanto, esse
tratamento vai depender da fase de desenvolvimento da doença. Afinal, a
insuficiência cardíaca pode ser classificada do Estágio A até D (que representa
a IC grave).
Para os casos de Estágio D, nos
quais as terapias convencionais já não apresentam a resposta necessária, a
tecnologia assume um papel central por meio dos dispositivos de assistência
ventricular, conhecidos popularmente como coração artificial. “São dispositivos
de assistência ventricular indicados como terapia de destino, para uso
definitivo, ou então como uma ponte, um tratamento provisório, até a realização
do transplante cardíaco”, completa a médica.
Dentre os sinais sintomas mais
comuns na insuficiência cardíaca estão a falta de ar progressiva, fadiga
constante, tosse noturna, palpitações e inchaço (edema) nas pernas, além do
aumento do volume abdominal.
Apesar da gravidade dos sintomas no
estágio avançado, a grande virada de chave na cardiologia está na identificação
assintomática da doença. "Um ponto de grande importância é a detecção
precoce nos estágios iniciais do paciente. Ou seja, no Estágio A, quando o
paciente apresenta apenas fatores de risco, e no Estágio B, quando o paciente
já apresenta alterações estruturais cardíacas, mas ainda sem demonstrar
sintomas", alerta a médica.
Portanto, a prevenção e o
diagnóstico ainda são as duas grandes ferramentas para o combate à
insuficiência cardíaca. Por isso, as campanhas de conscientização, como o
setembro vermelho, são fundamentais para evitar o avanço das doenças
cardiovasculares.
“A prevenção se estende a todas as práticas que englobam a saúde cardiovascular: a adoção de bons hábitos, o controle rigoroso da pressão arterial, do diabetes e do colesterol, a cessação do tabagismo e do etilismo, e uma dieta saudável e equilibrada com controle no consumo de sódio”, conclui a chefe do serviço de cardiologia do Hospital São José.
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