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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Setembro Vermelho: insuficiência cardíaca grave deixa de ser sentença e ganha novas perspectivas com os avanços da cardiologia

A doença crônica consiste na perda da capacidade do coração em bombear sangue de forma eficiente para o corpo, explica especialista do Hospital São José

 

No nono mês do ano, celebra-se o setembro vermelho, período de conscientização e prevenção das doenças cardiovasculares. Condições como o infarto agudo do miocárdio, a insuficiência cardíaca grave, a hipertensão arterial, o acidente vascular cerebral (AVC) e as arritmias cardíacas representam a principal causa de morte no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 30% dos óbitos ao ano no Brasil. 

Apesar disso, a insuficiência cardíaca (IC), doença historicamente associada a graves problemas de saúde e limitações severas na rotina dos pacientes, passa por um momento de transformação na medicina. Seu diagnóstico, mesmo nos casos mais graves, não deve mais ser encarado como uma sentença final, revela a Dra. Mirna Fontoura, chefe de cardiologia do Hospital São José. 

“A insuficiência cardíaca é considerada uma síndrome clínica resultante de alterações estruturais e funcionais do coração, comprometendo assim a capacidade do sangue bombear adequadamente. Neste ano de 2026, a doença está sendo um tema muito relevante, pois uma nova definição universal traz uma visão mais ampla, dinâmica e conectada à prática clínica”, explica a cardiologista.

Isso é uma realidade graças à expansão significativa do arsenal terapêutico para combater a insuficiência cardíaca. Hoje, o tratamento vai desde mudanças no estilo de vida, restrição no consumo de sódio e vacinação até a prática de reabilitação cardíaca, procedimentos percutâneos, cirurgias e o acompanhamento ambulatorial contínuo. A introdução de novas medicações e tecnologias também têm transformado o prognóstico de pacientes que antes tinham poucas opções de manejo clínico. 

"No momento, dispomos de medicações modificadoras do curso da doença que impactam diretamente na redução da mortalidade e melhoram a qualidade de vida do paciente. Além disso, contamos com cirurgias minimamente invasivas que melhoram a classe funcional, ou seja, aliviam os sintomas.", explica a Dra. Mirna Fontoura. No entanto, esse tratamento vai depender da fase de desenvolvimento da doença. Afinal, a insuficiência cardíaca pode ser classificada do Estágio A até D (que representa a IC grave). 

Para os casos de Estágio D, nos quais as terapias convencionais já não apresentam a resposta necessária, a tecnologia assume um papel central por meio dos dispositivos de assistência ventricular, conhecidos popularmente como coração artificial. “São dispositivos de assistência ventricular indicados como terapia de destino, para uso definitivo, ou então como uma ponte, um tratamento provisório, até a realização do transplante cardíaco”, completa a médica. 

Dentre os sinais sintomas mais comuns na insuficiência cardíaca estão a falta de ar progressiva, fadiga constante, tosse noturna, palpitações e inchaço (edema) nas pernas, além do aumento do volume abdominal.

Apesar da gravidade dos sintomas no estágio avançado, a grande virada de chave na cardiologia está na identificação assintomática da doença. "Um ponto de grande importância é a detecção precoce nos estágios iniciais do paciente. Ou seja, no Estágio A, quando o paciente apresenta apenas fatores de risco, e no Estágio B, quando o paciente já apresenta alterações estruturais cardíacas, mas ainda sem demonstrar sintomas", alerta a médica. 

Portanto, a prevenção e o diagnóstico ainda são as duas grandes ferramentas para o combate à insuficiência cardíaca. Por isso, as campanhas de conscientização, como o setembro vermelho, são fundamentais para evitar o avanço das doenças cardiovasculares.

“A prevenção se estende a todas as práticas que englobam a saúde cardiovascular: a adoção de bons hábitos, o controle rigoroso da pressão arterial, do diabetes e do colesterol, a cessação do tabagismo e do etilismo, e uma dieta saudável e equilibrada com controle no consumo de sódio”, conclui a chefe do serviço de cardiologia do Hospital São José.


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