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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Jovem Aprendiz não termina no contrato: 60% dos egressos do CIEE estão no mercado de trabalho

• Levantamento com 4,3 mil jovens mostra que a aprendizagem contribui para a inserção profissional e para o desenvolvimento de habilidades

 

• Dados mostram que 50% dos egressos reconhecem a iniciativa como decisiva para conseguir o trabalho ou estágio atual

 

• Com 54% ainda estudando, jovens mantêm forte vínculo com formação e empregabilidade

 

• Mais de 60% dos egressos estão inseridos no mercado de trabalho, principalmente em vagas CLT, estágio e aprendizagem

 

Somando todas as formas de ocupação, 63,3% dos jovens estão inseridos no mercado de trabalho — seja em regime CLT (36,8%), em estágio (10,8%), como aprendizes (9,8%) ou em outras atividades profissionais, como trabalho autônomo, informal e empreendedorismo. Ainda assim, 36,7% não estão trabalhando atualmente, evidenciando um cenário de transição típico do início da vida profissional.

 

O perfil identificado aponta para um público majoritariamente feminino (62,8%) e concentrado na faixa dos 18 aos 21 anos, que reúne mais da metade dos participantes. Trata-se de jovens em fase de transição, ainda fortemente vinculados à educação: 54,57% seguem estudando, enquanto 42,89% já concluíram sua formação. Entre os níveis educacionais, predominam ensino médio (50,29%) e ensino superior (38,38%), indicando avanço na escolaridade desse grupo.

 

Para o superintendente-geral do CIEE, Humberto Casagrande, a aprendizagem tem papel estruturante nesse processo. “O programa oferece ao jovem uma base concreta de formação. Ele passa a entender como funciona o ambiente profissional, desenvolve disciplina, responsabilidade e começa a construir referências que orientam sua trajetória”, afirma.

 

Os dados de percepção reforçam o papel social da aprendizagem na formação desses jovens. Mais de 91% afirmam que desenvolveram habilidades de trabalho em equipe, enquanto cerca de 89% relatam evolução em princípios éticos e 86% em organização e gestão do tempo. A aprendizagem também impacta dimensões mais amplas: mais de 93% dizem que o programa contribuiu para o desenvolvimento pessoal e mais de 94% para o desenvolvimento profissional. Além disso, há reflexos diretos na vida social e familiar, com mais de 85% apontando melhora no convívio e cerca de 82% indicando impacto positivo na ampliação da renda familiar.

 

No recorte socioeconômico, o levantamento evidencia a presença significativa de jovens de baixa e média renda. A maior parte está concentrada em famílias que recebem entre um e três salários mínimos, com destaque para 29,9% na faixa de R$ 1.412 a R$ 2.824. Nesse contexto, a renda obtida após a aprendizagem assume papel relevante: 24,5% utilizam o salário para o próprio sustento e 18,04% contribuem com as despesas familiares.

 

Segundo Maria Nilce Mota, superintendente de Ação Social e Filantropia do CIEE e coordenadora do levantamento, esse dado reforça o alcance social da iniciativa. “A aprendizagem cria oportunidades reais de inserção produtiva, especialmente para jovens que muitas vezes não teriam acesso a esse tipo de experiência. O impacto se reflete na autonomia e na capacidade de contribuir com a própria família”, explica.

 

A inserção no mercado revela um cenário típico de transição entre formação e estabilidade profissional. Atualmente, 36,8% dos egressos já estão empregados sob regime CLT fora da aprendizagem, enquanto 9,8% seguem como aprendizes e 10,8% atuam como estagiários.

 

Casagrande destaca que esse movimento é esperado no início da vida profissional. “A aprendizagem não resolve apenas o primeiro emprego, ela prepara o jovem para o percurso. Mesmo quando há descontinuidade imediata, o repertório adquirido aumenta as chances de reinserção e crescimento ao longo do tempo”, diz.

 

Os dados também mostram que os jovens seguem mobilizados em torno da construção de suas trajetórias profissionais, mantendo forte vínculo com oportunidades de estágio, aprendizagem e vagas formais.

 

Maria Nilce reforça que esse engajamento é um dos principais resultados do programa. “A experiência desperta no jovem o interesse em seguir ativo no mercado, em buscar novas oportunidades e em evoluir profissionalmente. Isso é fundamental para a construção de trajetórias mais sólidas”, afirma.

 

Para Casagrande, a pesquisa reforça o papel do CIEE como ponte para o mercado. “O CIEE atua justamente para ampliar o acesso e reduzir barreiras. A intermediação qualificada ajuda a conectar jovens preparados com empresas que buscam novos talentos”, afirma.

 

A remuneração permanece concentrada nas faixas iniciais do mercado de trabalho, com maior incidência entre um e dois salários mínimos. Mais do que consumo, o rendimento cumpre função de base, direcionado principalmente à subsistência e ao apoio familiar.


“A aprendizagem tem um efeito estruturante. Ela não apenas gera renda, mas contribui para organização financeira, desenvolvimento pessoal e visão de futuro”, conclui Maria Nilce.

 

Os resultados reforçam o papel da aprendizagem como instrumento de inclusão produtiva, conectando educação, trabalho e desenvolvimento social em um momento decisivo da vida dos jovens.

 

Sobre o levantamento e o Programa Jovem Aprendiz CIEE

O levantamento do CIEE avaliou a realidade de 4.341 egressos do Programa Jovem Aprendiz em todo o Brasil, considerando os resultados consolidados ao longo de 2025. Atualmente, a instituição possui mais de 80 mil aprendizes com contratos ativos em todo o país. A pesquisa tem caráter dinâmico, com atualização contínua dos dados, e busca mensurar o impacto da aprendizagem na inserção dos participantes no mercado de trabalho. 


Fundamentado na Lei 10.097/2000, o Programa Jovem Aprendiz promove o protagonismo juvenil ao integrar formação teórica e experiência prática, preparando os participantes para os desafios do mercado. Atualmente, o CIEE oferece 16 cursos de capacitação em mais de 180 polos distribuídos pelo país, contribuindo para o desenvolvimento de jovens mais qualificados e apoiando empresas na formação de profissionais alinhados às suas estratégias e cultura organizacional. 



Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE
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