• Levantamento com 4,3 mil jovens mostra que a aprendizagem contribui para a inserção profissional e para o desenvolvimento de habilidades
• Dados mostram que 50% dos egressos
reconhecem a iniciativa como decisiva para conseguir o trabalho ou estágio
atual
• Com 54% ainda estudando, jovens
mantêm forte vínculo com formação e empregabilidade
•
Mais de 60% dos egressos estão inseridos no mercado de trabalho, principalmente
em vagas CLT, estágio e aprendizagem
Somando todas as
formas de ocupação, 63,3% dos jovens estão inseridos no mercado de trabalho —
seja em regime CLT (36,8%), em estágio (10,8%), como aprendizes (9,8%) ou em
outras atividades profissionais, como trabalho autônomo, informal e
empreendedorismo. Ainda assim, 36,7% não estão trabalhando atualmente,
evidenciando um cenário de transição típico do início da vida profissional.
O perfil
identificado aponta para um público majoritariamente feminino (62,8%) e
concentrado na faixa dos 18 aos 21 anos, que reúne mais da metade dos
participantes. Trata-se de jovens em fase de transição, ainda fortemente
vinculados à educação: 54,57% seguem estudando, enquanto 42,89% já concluíram
sua formação. Entre os níveis educacionais, predominam ensino médio (50,29%) e
ensino superior (38,38%), indicando avanço na escolaridade desse grupo.
Para o
superintendente-geral do CIEE, Humberto Casagrande, a aprendizagem tem papel
estruturante nesse processo. “O programa oferece ao jovem uma base concreta de
formação. Ele passa a entender como funciona o ambiente profissional,
desenvolve disciplina, responsabilidade e começa a construir referências que
orientam sua trajetória”, afirma.
Os dados de
percepção reforçam o papel social da aprendizagem na formação desses jovens.
Mais de 91% afirmam que desenvolveram habilidades de trabalho em equipe,
enquanto cerca de 89% relatam evolução em princípios éticos e 86% em
organização e gestão do tempo. A aprendizagem também impacta dimensões mais
amplas: mais de 93% dizem que o programa contribuiu para o desenvolvimento
pessoal e mais de 94% para o desenvolvimento profissional. Além disso, há
reflexos diretos na vida social e familiar, com mais de 85% apontando melhora no
convívio e cerca de 82% indicando impacto positivo na ampliação da renda
familiar.
No recorte
socioeconômico, o levantamento evidencia a presença significativa de jovens de
baixa e média renda. A maior parte está concentrada em famílias que recebem
entre um e três salários mínimos, com destaque para 29,9% na faixa de R$ 1.412
a R$ 2.824. Nesse contexto, a renda obtida após a aprendizagem assume papel
relevante: 24,5% utilizam o salário para o próprio sustento e 18,04% contribuem
com as despesas familiares.
Segundo Maria
Nilce Mota, superintendente de Ação Social e Filantropia do CIEE e coordenadora
do levantamento, esse dado reforça o alcance social da iniciativa. “A
aprendizagem cria oportunidades reais de inserção produtiva, especialmente para
jovens que muitas vezes não teriam acesso a esse tipo de experiência. O impacto
se reflete na autonomia e na capacidade de contribuir com a própria família”,
explica.
A inserção no
mercado revela um cenário típico de transição entre formação e estabilidade
profissional. Atualmente, 36,8% dos egressos já estão empregados sob regime CLT
fora da aprendizagem, enquanto 9,8% seguem como aprendizes e 10,8% atuam como
estagiários.
Casagrande
destaca que esse movimento é esperado no início da vida profissional. “A
aprendizagem não resolve apenas o primeiro emprego, ela prepara o jovem para o
percurso. Mesmo quando há descontinuidade imediata, o repertório adquirido
aumenta as chances de reinserção e crescimento ao longo do tempo”, diz.
Os dados também
mostram que os jovens seguem mobilizados em torno da construção de suas
trajetórias profissionais, mantendo forte vínculo com oportunidades de estágio,
aprendizagem e vagas formais.
Maria Nilce
reforça que esse engajamento é um dos principais resultados do programa. “A
experiência desperta no jovem o interesse em seguir ativo no mercado, em buscar
novas oportunidades e em evoluir profissionalmente. Isso é fundamental para a
construção de trajetórias mais sólidas”, afirma.
Para Casagrande,
a pesquisa reforça o papel do CIEE como ponte para o mercado. “O CIEE atua
justamente para ampliar o acesso e reduzir barreiras. A intermediação
qualificada ajuda a conectar jovens preparados com empresas que buscam novos
talentos”, afirma.
A remuneração
permanece concentrada nas faixas iniciais do mercado de trabalho, com maior
incidência entre um e dois salários mínimos. Mais do que consumo, o rendimento
cumpre função de base, direcionado principalmente à subsistência e ao apoio
familiar.
“A aprendizagem
tem um efeito estruturante. Ela não apenas gera renda, mas contribui para
organização financeira, desenvolvimento pessoal e visão de futuro”, conclui
Maria Nilce.
Os resultados
reforçam o papel da aprendizagem como instrumento de inclusão produtiva,
conectando educação, trabalho e desenvolvimento social em um momento decisivo
da vida dos jovens.
Sobre o levantamento e o Programa Jovem Aprendiz CIEE
O levantamento do CIEE avaliou a realidade de 4.341 egressos do Programa Jovem Aprendiz em todo o Brasil, considerando os resultados consolidados ao longo de 2025. Atualmente, a instituição possui mais de 80 mil aprendizes com contratos ativos em todo o país. A pesquisa tem caráter dinâmico, com atualização contínua dos dados, e busca mensurar o impacto da aprendizagem na inserção dos participantes no mercado de trabalho.
Fundamentado na Lei 10.097/2000, o Programa Jovem Aprendiz promove o protagonismo juvenil ao integrar formação teórica e experiência prática, preparando os participantes para os desafios do mercado. Atualmente, o CIEE oferece 16 cursos de capacitação em mais de 180 polos distribuídos pelo país, contribuindo para o desenvolvimento de jovens mais qualificados e apoiando empresas na formação de profissionais alinhados às suas estratégias e cultura organizacional.
Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE
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