Enquanto algumas mulheres vivem lutando contra a vontade
de “comer tudo” em momentos de ansiedade, outras seguem o caminho oposto: comem
muito pouco, passam horas sem sentir fome e acreditam que isso seja um sinal de
equilíbrio ou até de um “bom metabolismo”. Mas, segundo a coordenadora de
Nutrição e Dietética do São Cristóvão Saúde, Cintya Bassi, essa relação com a
alimentação pode esconder um organismo em estado de alerta constante.
Magnific
““Tem aquela mulher que não resiste a um chocolate
e aquela que acredita que comer pouco já é suficiente para a rotina. E é sobre
essa que precisamos nos atentar”, explica a especialista.
De acordo com Cintya, muitas pacientes relatam que
sempre comeram pouco, ficam longos períodos sem se alimentar e, mesmo assim,
não conseguem emagrecer. Para ela, esse comportamento não significa
necessariamente saúde metabólica. “Muitas vezes, o corpo só está pensando em
sobreviver com o mínimo possível, porque essa mulher passou anos submetendo o
organismo a dietas restritivas, baixa ingestão alimentar, ansiedade e
substituição de refeições”, afirma.
A nutricionista destaca que a ausência de fome pode
ser um sinal de que o organismo perdeu a capacidade de regular adequadamente os
sinais naturais de alimentação e saciedade. “Existe uma diferença enorme entre
não sentir fome e ter saúde metabólica. Quando o corpo recebe pouca energia por
muito tempo, ele começa a desligar sinais importantes, inclusive o da fome”,
explica.
Segundo ela, embora algumas mulheres consigam
perder peso inicialmente, o custo para o organismo pode ser alto. “O que acontece
muitas vezes é a perda de massa muscular, energia, força e disposição. O
metabolismo fica cansado, adaptado e tentando sobreviver dentro da rotina que
essa pessoa criou ao longo dos anos”, diz.
Cintya também chama atenção para o impacto
emocional e físico desse comportamento. “Algumas mulheres chegam no meio da
tarde completamente sem energia, sem concentração e sem vontade para nada.
Ainda assim, acreditam que precisam comer menos ainda para emagrecer”, comenta.
A especialista reforça que emagrecimento saudável
não está ligado apenas à redução da quantidade de comida, mas à qualidade da
nutrição e ao equilíbrio metabólico. Ela também alerta para o risco de seguir
orientações sem acompanhamento profissional, especialmente dicas disseminadas
nas redes sociais por pessoas sem formação adequada, que incentivam longos
períodos de jejum e restrições severas sem considerar as necessidades
individuais de cada organismo. “Nem toda mulher precisa reduzir comida. Muitas
precisam voltar a se nutrir direito para finalmente perder gordura de verdade”,
conclui.
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