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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Apenas 13 dos 62 candidatos competitivos a governador têm planos abrangentes para o saneamento, com metas concretas para o mandato

 

  • Levantamento do Instituto Trata Brasil avalia a presença do compromisso com o saneamento nos planos de governo dos candidatos com maior probabilidade de serem eleitos ou de disputar o segundo turno;
A maior parte dos planos de governo trata o tema saneamento de forma transversal, abordando dois ou três dos quatro eixos analisados;
  • Os 13 planos abrangentes estão distribuídos por 12 estados. Pernambuco é a única UF em que os dois planos incluídos na amostra receberam essa classificação máxima;
  • Os cinco planos classificados como superficiais, que abordam apenas um dos quatro eixos, aparecem no Amazonas, no Acre, no Maranhão, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina;
Dentro dos eixos avaliados, universalização é a proposta mais citada pelos candidatos, com 87%, contra 24% de governança de dados e 26% de metas tangíveis, as menos citadas;
  • A pauta entrou no debate eleitoral, mas ainda precisa ganhar maior profundidade, metas verificáveis e instrumentos de acompanhamento.

 

O Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, lança a primeira edição do "Estudo sobre as Eleições de 2026: o Comprometimento dos Candidatos a Governador com o Saneamento". A pesquisa analisa o comprometimento dos candidatos com as pautas de saneamento em seus planos de governo, com destaque para os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem. 

Com cerca de 33 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada e quase 90 milhões sem coleta de esgoto, o levantamento chega em um momento decisivo. Faltam sete anos para 2033, prazo definido para a universalização do saneamento no país, e as eleições de 2026 ocorrem em uma janela importante, já que o mandato 2027–2030 será decisivo para o avanço do setor no país. 

Mais do que analisar documentos, o intuito da pesquisa é identificar em que medida os candidatos competitivos aos governos estaduais incorporaram, em seus programas, compromissos com a agenda de saneamento básico. A leitura dos resultados permitirá observar três dimensões principais:

  • Presença do tema: avalia se o tema saneamento aparece ou não como parte da agenda programática dos candidatos; 
  • Profundidade da abordagem: mensura a aderência dos planos aos eixos e propostas definidos na metodologia; e
  • Aderência ao déficit local: analisa a relação entre o comprometimento manifesto nos planos e a realidade do déficit de saneamento enfrentado pela população em cada recorte territorial.

A avaliação do estudo se limita ao conteúdo dos planos de governo e ao grau de comprometimento com a agenda de saneamento básico, sem intuito de defender, favorecer ou recomendar qualquer partido ou candidatura.

 

COMO FORAM AVALIADOS OS PLANOS DE GOVERNO?

Para análise dos planos de governo, o estudo considera os candidatos que têm a maior probabilidade de serem eleitos ou de disputar o segundo turno, permitindo atribuir maior responsabilidade pública aos candidatos com base naquilo que se comprometeram em seus respectivos planos[1]. 

Com relação à escolha das pesquisas de intenção de voto, elegeu-se o levantamento realizado pela Quaest por ser o único dos institutos de grande porte com a capilaridade necessária para a geração de dados em quase[2] todos os estados. Para isso, como recorte temporal, foram utilizadas as primeiras rodadas de pesquisas de intenção de voto para os governos estaduais[3], divulgadas entre 22 de agosto e 4 de setembro de 2026.

 

Quadro 1: Número de Candidatos Competitivos Selecionados por Estado

UF

Estado

Número de Candidatos

AC

Acre

3

AL

Alagoas

2

AM

Amazonas

3

AP

Amapá

2

BA

Bahia

2

CE

Ceará

2

DF

Distrito Federal

3

ES

Espírito Santo

2

GO

Goiás

2

MA

Maranhão

2

MG

Minas Gerais

3

MS

Mato Grosso do Sul

2

MT

Mato Grosso

3

PA

Pará

2

PB

Paraíba

3

PE

Pernambuco

2

PI

Piauí

2

PR

Paraná

2

RJ

Rio de Janeiro

2

RN

Rio Grande do Norte

3

RO

Rondônia

3

RR

Roraima

2

RS

Rio Grande do Sul

2

SC

Santa Catarina

2

SE

Sergipe

2

SP

São Paulo

2

TO

Tocantins

2

BR

Brasil

62

Fonte: Laakso e Taagepera (1979); Quaest (2026); Datafolha (2026). Elaboração: GO Associados

 

Ao todo, foram considerados os 26 estados e o Distrito Federal, resultando numa amostra total de 62 candidatos. Todos os planos foram obtidos diretamente através do sítio eletrônico do TSE, adotando como recorte temporal o dia 15 de setembro de 2026 para viabilizar a análise antes do primeiro turno das eleições.

Cabe ressaltar que, na data do levantamento, algumas propostas constavam como versões preliminares na plataforma oficial. Assim, eventuais alterações ou atualizações realizadas após essa data não estarão refletidas nos resultados do estudo. 

Para avaliação de cada um desses planos, foram consideradas as diretrizes definidas na plataforma Voto no Saneamento[4], desenvolvida pelo Instituto Trata Brasil. Desta forma, foram escolhidos quatro eixos e nove propostas que um plano de governo precisa reunir para o avanço dos serviços de saneamento básico.

 

Quadro 2: Eixos e Propostas Relevantes em Saneamento Básico

Eixo

Título

Propostas

Eixo I

Planejar, regionalizar e coordenar para a universalização

Proposta I: Avançar na regionalização do saneamento para integrar municípios e viabilizar investimentos.

Proposta II: Planejar a universalização com metas regionais, prioridades de investimento e inclusão de áreas rurais e informais.

Eixo II

Viabilizar investimentos e superar gargalos para a universalização

Proposta I: Viabilizar o acesso efetivo das famílias de baixa renda às redes de água e esgoto, com foco em conexão, tarifa social e inclusão de territórios urbanos vulneráveis.

Proposta II: Apoiar o saneamento rural e o atendimento de comunidades isoladas com soluções adequadas, sustentáveis e adaptadas à realidade local.

Proposta III: Mobilizar instrumentos estaduais de apoio e financiamento para acelerar a universalização e destravar investimentos prioritários.

Eixo III

Governança e regulação do saneamento básico

Proposta I: Fortalecer institucionalmente a agência reguladora estadual.

Proposta II: Estruturar e incentivar a regulação dos serviços de drenagem urbana.

Proposta III: Estruturar e integrar a governança de dados e informações do saneamento.

Eixo IV

Metas tangíveis

N/A

Fonte: Plataforma Voto no Saneamento (Instituto Trata Brasil, 2026). Elaboração: GO Associados.

 

O estudo verifica se os planos dos candidatos atendem cada uma dessas nove propostas. Com relação ao eixo de Metas Tangíveis, foi avaliado se os candidatos se comprometiam com metas objetivas, estruturais e verificáveis ao final do mandato. 

Os planos foram classificados em quatro categorias distintas, a depender do número de eixos atendidos. Cabe notar que, para que um eixo seja considerado atendido, basta que uma única proposta desse eixo seja abordada no plano. Ou seja, o critério é permissivo na medida em que permite a atribuição de "nota máxima" a planos que tenham atendido a somente quatro das nove propostas, desde que cada uma esteja contemplada em cada um dos quatro eixos definidos.

 

Quadro 3: Categorias de Classificação por Eixos Atendidos 

Abordagem

Cor

Critério de Classificação

1. Ausente

Vermelho

Não menciona o tema de saneamento em nenhum trecho da proposta.

2. Superficial

Laranja

Desenvolve apenas um dos quatro eixos com profundidade suficiente para ser considerado atendido, sem estender essa abordagem aos demais eixos.

3. Transversal

Amarelo

Desenvolve dois ou três dos quatro eixos (os três temáticos e/ou a meta tangível), sem alcançar a cobertura simultânea dos quatro.

4. Abrangente

Verde

Desenvolve todos os eixos, incluindo comprometimento com metas tangíveis.

                                                                                   Elaboração: GO Associados.

 

Uma vez classificados os planos, essas informações foram cruzadas com os principais indicadores de saneamento básico dos respectivos estados, extraídos da última edição do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SINISA), referentes ao ano de 2024.

 

PANORAMA NACIONAL 

Dos 62 planos de governo avaliados, 5 tiveram a abordagem classificada como superficial, por abordar somente um dos eixos; 44 (mais de 70%) tiveram abordagem classificada como transversal, sendo que 15 abordaram somente dois eixos, enquanto 29 abordaram três eixos, e 13 tiveram abordagem classificada como abrangente, por abordarem todos os quatro eixos. 

Entre as propostas mais abordadas nos planos de governo, a de universalização foi a que mais apareceu, sendo mencionada em 54 (87%) dos 62 planos. O resultado é o esperado, visto que as metas têm limite legal previsto para 2033 – prazo que se concretizará no próximo ciclo eleitoral.

 

Quadro 4: Eixos e Propostas Mais Abordados  

Fonte: TSE (2026). Elaboração: GO Associados


Por outro lado, as propostas com menos menções foram as de governança de dados e informações de saneamento básico e de metas tangíveis, aparecendo em 15 (24%) e 16 (26%) dos planos de governo, respectivamente. Este último resultado era esperado, visto que um comprometimento com propostas concretas envolve um nível de aprofundamento no tema que poucos candidatos estão dispostos a assumir. 

O retrato nacional do estudo mostra um avanço importante, mas ainda incompleto. O saneamento básico aparece em todos os planos avaliados. A presença do assunto, porém, não significa necessariamente compromisso estruturado. Em conjunto, os resultados permitem destacar três características principais da abordagem do saneamento nos planos de governo analisados:

  • Abordagem transversal: a maior parte dos planos trata a agenda de forma transversal, abordando dois ou três dos quatro eixos analisados.
  • Classificação abrangente: apenas 13 candidatos, ou 21%, alcançam a classificação atingindo os quatro eixos analisados.
  • Retrato nacional: a pauta entrou no debate eleitoral, mas ainda precisa ganhar maior profundidade, metas verificáveis e instrumentos de acompanhamento.


PANORAMA REGIONAL 

A análise regional busca identificar se o padrão nacional se sustenta de forma homogênea pelo território ou se há variação relevante entre as regiões. O quadro abaixo contrasta o nível médio de comprometimento dos planos de governo entre as cinco macrorregiões brasileiras, com os respectivos indicadores do SINISA (2024): atendimento de água, coleta de esgoto, tratamento de esgoto e investimento por habitante.

 

Quadro 5: Comprometimento Médio e Indicadores SINISA, por Região

 

Região

Média Simples

Atendimento Total de Água
(%)

Atendimento Total de Esgoto
(%)

Tratamento Total de Esgoto
(%)

Investimento por Habitante

Nordeste

2,95

73,70

35,90

34,63

R$ 73,57

Sul

2,83

88,32

57,72

46,56

R$ 122,50

Sudeste

2,78

92,11

81,94

62,33

R$ 129,38

Norte

2,71

62,81

24,65

22,49

R$ 56,31

Centro-Oeste

2,70

89,71

68,31

54,74

R$ 116,56

 

Região

Média Simples

Atendimento Total de Água
(%)

Atendimento Total de Esgoto
(%)

Tratamento Total de Esgoto
(%)

Investimento por Habitante

Nordeste

2,95

73,70

35,90

34,63

R$ 73,57

Sul

2,83

88,32

57,72

46,56

R$ 122,50

Sudeste

2,78

92,11

81,94

62,33

R$ 129,38

Norte

2,71

62,81

24,65

22,49

R$ 56,31

Centro-Oeste

2,70

89,71

68,31

54,74

R$ 116,56

                                Fonte: SINISA (2024), TSE (2026). Elaboração: GO Associados

  

É possível observar que o comprometimento dos candidatos competitivos com o saneamento não acompanha a situação real do setor em cada região, o que impede a identificação de um padrão regional simples. 

Em primeiro lugar, a região Nordeste apresenta o maior comprometimento médio nacional (2,95), mesmo que apresente os segundos piores indicadores do SINISA. A região Sudeste, que apresenta os melhores patamares nos indicadores citados, ocupa a terceira posição em comprometimento médio dos candidatos (2,78). Por outro lado, a região Norte, que apresenta os piores indicadores de saneamento apresentados, aparece como a penúltima média em comprometimento (2,71). Por fim, o Centro-Oeste acentua esse descolamento, sendo o detentor da segunda melhor posição para a cobertura de água, coleta e tratamento de esgoto do país, ao mesmo tempo que registra a menor média entre as cinco regiões (2,70).

A análise regional permite destacar os seguintes pontos principais:

  • Heterogeneidade regional não possui um padrão simples: o comprometimento com o saneamento não se distribui de forma homogênea pelo país, mas também não segue um padrão regional único ou direto.
  • Descolamento do déficit regional: não há evidência clara de que regiões com maiores déficits apresentem planos mais robustos, nem de que regiões com melhores indicadores deixem o tema em segundo plano.
  • Centralidade do debate: o resultado sugere que a agenda de saneamento depende menos da localização geográfica, isoladamente considerada, e mais da forma como cada disputa eleitoral e cada candidatura incorporam o tema em seus programas.

 

PANORAMA ESTADUAL

Para ilustrar os resultados da avaliação para o nível estadual, o mapa abaixo apresenta a classificação média para cada uma das 27 UFs, permitindo uma leitura visual imediata da distribuição espacial do comprometimento dos candidatos competitivos com o saneamento.

 

MAPA 1: Comprometimento Médio, por Estado

 

Fonte: TSE (2026). Elaboração: GO Associados.

 

Assim como observado no panorama regional, não se encontra um padrão claro por região para a classificação dos planos de governo. Há alguma concentração de classificações mais elevadas nos estados do Nordeste e do Sudeste, com destaque para Pernambuco (o único caso que obteve nota máxima, com ambos os planos classificados como abrangentes), Piauí, São Paulo e Espírito Santo.

 

Quadro 6: Comprometimento Médio e Indicadores do SINISA (2024) 

 

UF

Comprometimento Médio

Atendimento Total de Água
(%)

Atendimento Total de Esgoto
(%)

Tratamento Total de Esgoto
(%)

Investimento
Médio por
Habitante

PE

4,00

71,56

29,35

28,35

R$ 77,84

BA

3,50

83,40

43,99

46,99

R$ 77,22

ES

3,50

78,12

57,11

46,08

R$ 164,42

PI

3,50

92,33

54,23

16,83

R$ 60,53

PR

3,50

89,49

77,51

77,56

R$ 142,39

SP

3,50

97,36

93,28

72,86

R$ 150,66

AL

3,50

73,27

22,32

47,32

R$ 87,44

DF

3,33

97,45

91,77

81,26

R$ 89,99

RO

3,33

53,51

13,28

17,42

R$ 68,62

PA

3,00

51,56

19,11

17,45

R$ 32,90

PB

3,00

59,45

38,61

40,46

R$ 74,05

RS

3,00

86,17

47,78

25,39

R$ 109,03

SE

3,00

93,74

51,63

37,67

R$ 77,55

TO

3,00

84,23

37,02

35,33

R$ 157,09

AM

2,67

81,28

32,26

13,10

R$ 69,31

MT

2,67

86,67

53,09

28,52

R$ 123,53

RN

2,67

76,38

31,41

35,02

R$ 70,22

AP

2,50

71,29

9,29

15,72

R$ 82,50

GO

2,50

88,83

66,32

62,31

R$ 109,93

AC

2,33

44,27

11,04

25,06

R$ 14,95

MG

2,33

83,53

78,43

47,08

R$ 83,96

CE

2,00

72,17

32,60

32,75

R$ 94,54

MS

2,00

87,84

63,65

45,64

R$ 151,45

RR

2,00

76,92

64,41

90,62

R$ 31,45

RJ

2,00

92,04

61,47

51,18

R$ 120,43

SC

2,00

89,56

35,89

31,82

R$ 112,11

MA

1,50

53,68

27,39

12,24

R$ 32,37

                  Fonte: SINISA (2024); TSE (2026). Elaboração: GO Associados.

 

A leitura conjunta do comprometimento médio dos candidatos e dos indicadores do SINISA reforça a ausência de uma relação sistemática entre a situação da infraestrutura de saneamento e a atenção dedicada ao tema nos planos de governo. Estados com níveis semelhantes de comprometimento apresentam realidades muito distintas. Um exemplo é o contraste entre o Distrito Federal e Rondônia, que compartilham a mesma média (3,33), mas apresentam resultados muito diferentes nos indicadores do SINISA. 

A mesma falta de correspondência aparece quando se observam os extremos. Pernambuco é o único estado a alcançar a média máxima de comprometimento, de 4,00, embora menos de 30% do esgoto seja coletado e tratado. Em sentido semelhante, alguns dos déficits mais graves do país não estão associados às menores médias de comprometimento. O Acre, que apresenta o menor atendimento de água (44,27%) e o menor investimento médio por habitante (R$ 14,95), registra média de 2,33. 

O Maranhão, por sua vez, constitui um caso em que baixo comprometimento e indicadores desfavoráveis aparecem simultaneamente. O estado registra a menor média de comprometimento entre as 27 unidades da Federação (1,50) e o menor percentual de esgoto tratado do país (12,24%). Além disso, apresenta o 3º menor investimento médio por habitante (R$ 32,37), o 4º menor atendimento de água (53,68%) e o 6º menor atendimento de esgoto (27,39%). Esse caso, contudo, não altera o padrão mais amplo observado no conjunto dos estados. 

Em outras palavras, apesar de casos pontuais em que maior déficit e menor comprometimento aparecem associados, não há evidência de que os candidatos direcionem maior comprometimento com o saneamento em função da gravidade do déficit local, nem no sentido de priorizar os estados com pior infraestrutura, nem no de negligenciar aqueles já mais avançados.

 

PANORAMA POR CANDIDATURAS

Para a análise das candidaturas, optou-se por não identificar nominalmente os candidatos, uma vez que o objetivo do estudo é avaliar a presença do saneamento nos programas eleitorais, sem recomendar o voto. 

Dos 62 planos de governo analisados, 13 (21%) apresentaram planos classificados como abrangentes, o que significa que o documento teve ao menos uma proposta considerada atendida em cada um dos três eixos temáticos da metodologia e incluiu pelo menos uma meta tangível relacionada ao abastecimento de água, ao esgotamento sanitário ou à drenagem urbana. A categoria indica, portanto, a cobertura dos quatro eixos avaliados, sem significar que o plano tenha contemplado integralmente todas as propostas do Estudo. 

Conforme já destacado, a classificação considera exclusivamente o conteúdo dos planos de governo disponíveis até 15 de setembro de 2026 e não contempla eventuais atualizações posteriores.

 

MAPA 2: Classificação dos Planos por Candidatura e UF

 

(*) Cada ponto representa uma candidatura
Fonte: TSE (2026). Elaboração: GO Associados


A maior parte dos planos avaliados foi classificada como transversal, com 44 casos, enquanto a abordagem superficial foi a menos frequente, presente em apenas 5 casos. A abordagem transversal é predominante em todas as regiões, chegando a 90% dos planos no Centro-Oeste, enquanto a superficial aparece com menor frequência, mais presente no Sul (17%) e ausente no próprio Centro-Oeste.

Os 13 planos classificados como abrangentes estão distribuídos por 12 estados. Pernambuco é a única UF em que os dois planos incluídos na amostra receberam essa classificação máxima. O resultado mostra que a cobertura dos quatro eixos, embora ainda minoritária no conjunto nacional, não está restrita a uma única disputa estadual ou região do país.

 

Quadro 7: Distribuição dos Planos por Classificação e Região

 

Região

Abrangente (%)

Transversal (%)

Superficial (%)

Total de Candidaturas Competitivas

Nordeste

30%

65%

5%

20

Sul

17%

67%

17%

6

Sudeste

22%

67%

11%

9

Norte

18%

71%

12%

17

Centro-Oeste

10%

90%

0%

10

                             Fonte: TSE (2026). Elaboração: GO Associados.

 

O Nordeste reúne o maior número de planos abrangentes, com seis casos entre as 20 candidaturas selecionadas na região, equivalentes a 30%. Em seguida aparecem o Sudeste, com dois casos entre nove candidaturas, ou 22%. A região Norte apresenta três entre 17, ou 18%, o Sul, com um entre seis, ou 17%; e o Centro-Oeste, com um entre dez, ou 10%. Essas diferenças são descritivas e devem ser interpretadas com a devida cautela, por abranger apenas as candidaturas consideradas competitivas eleitoralmente.

A análise dos planos permite identificar alguns padrões relacionados ao perfil das candidaturas e à relação entre o grau de comprometimento com o saneamento e a situação dos serviços nos estados. Três resultados merecem destaque:

  • Efeito reeleição: entre os 9 governadores em exercício que buscam a recondução, 4 apresentaram planos classificados como abrangentes (44%). Entre as demais 53 candidaturas, 8 alcançaram essa classificação (15%). Assim, na amostra analisada, a proporção de planos abrangentes é quase três vezes maior entre os candidatos à reeleição;
  • Relação com indicadores estaduais: a classificação dos planos não apresenta correlação estatisticamente significativa com os indicadores de saneamento dos estados analisados. Em outras palavras, estados com maiores déficits de atendimento não apresentam, de forma sistemática, candidaturas com planos mais abrangentes, em linha com os resultados apresentados nas subseções anteriores; e
  • Presença geral e limitações da análise: os planos classificados como abrangentes estão presentes em todas as regiões do país e em contextos distintos de saneamento, mas permanecem minoritários, representando 21% das candidaturas competitivas analisadas. Os resultados devem ser interpretados considerando o recorte adotado pelo estudo, que contempla apenas as candidaturas consideradas competitivas eleitoralmente.

Ou seja, os planos abrangentes aparecem em diferentes regiões, contextos eleitorais e realidades de saneamento, mas ainda representam pouco mais de um quinto das candidaturas competitivas analisadas.

 

CONCLUSÃO 

Estamos a pouco menos de sete anos dos prazos para o cumprimento das metas de universalização definidas até 2033, ou seja, atender 99% da população com acesso à água e 90% com coleta e tratamento de esgoto. Apesar de o saneamento ter entrado na pauta eleitoral, ele ainda é pouco aprofundado, indicando que o saneamento básico segue sendo tratado como uma política de baixa visibilidade. 

Somente 13 (21%) dos planos analisados foram classificados como abrangentes, contemplando os quatro eixos avaliados, inclusive o compromisso com ao menos uma meta tangível, enquanto 44 planos (71%) apresentaram abordagem transversal, contemplando dois ou três dos quatro eixos considerados, e cinco (8%) apresentaram abordagem superficial. 

Além disso, apesar de a universalização ter sido a proposta mais presente nos documentos, abordada por 54 dos 62 planos (87%), as metas tangíveis apareceram entre as menos citadas, presentes em apenas 16 planos (26%). O Marco Legal do Saneamento já estabelece o caminho, mas assumi-lo como compromisso concreto no plano de governo é o que permite detalhar o que será feito, quantas pessoas passarão a ter acesso aos serviços básicos e qual será o percentual de cobertura alcançado. 

O estudo também reforça que não foi encontrada relação estatisticamente significativa entre o comprometimento dos planos de governo e a gravidade do déficit de saneamento nos estados, medida pelos indicadores do SINISA (2024): estados com pior cobertura de água e esgoto não recebem, em média, planos mais desenvolvidos sobre o tema, tampouco os mais avançados negligenciam a pauta com maior frequência.

A mensagem central que o estudo deixa para o próximo ciclo eleitoral é a de que o comprometimento com o saneamento básico não é uma função do tamanho do problema, mas uma escolha de cada candidato, e escolhas podem ser cobradas. Enquanto o saneamento permanecer com baixa visibilidade nas urnas, ele continuará invisível também nas torneiras, nas redes de esgoto e nas vidas de milhões de brasileiros que ainda esperam por ele. 

"O levantamento busca jogar luz sobre como o tema do saneamento vem sendo abordado nos planos de governo dos candidatos que assumirão o mandato de 2027 a 2030, um momento decisivo para a universalização do saneamento, já que o país se aproxima do prazo limite de 2033. Vemos que a agenda do saneamento entrou nos planos, o que é um passo importante, mas não basta aparecer somente no papel e continuar como uma promessa abstrata. Por trás de cada plano de governo estão milhões de vidas que vivem sem acesso aos serviços básicos. O saneamento vai além da infraestrutura, é saúde, qualidade de vida e dignidade. Quando o plano de governo não trata o tema com a magnitude necessária, esse efeito recai no dia a dia da população” – avalia Luana Pretto, Presidente-executiva do Instituto Trata Brasil. 

“Um dos resultados mais relevantes do estudo é que a gravidade do déficit de saneamento não se traduz, de forma sistemática, em maior comprometimento nos planos de governo. Estados com situações muito diferentes apresentam níveis semelhantes de atenção ao tema, e apenas 13 dos 62 planos analisados cobrem os quatro eixos avaliados, incluindo ao menos uma meta tangível para o mandato. Com a proximidade de 2033, o próximo mandato será decisivo para transformar referências gerais ao saneamento em compromissos verificáveis, investimentos e capacidade efetiva de execução” – avalia Gesner Oliveira, Sócio-executivo da GO Associados.
  


Instituto Trata Brasil - ITB
Para mais informações, acesse Link

 


[1] Para a identificação do número de candidatos competitivos em cada estado e no Distrito Federal, adotou-se o critério de Laakso e Taagepera (1979), adaptado para o percentual de intenção de voto de cada candidato. Para maior detalhamento, veja o Estudo completo no sítio eletrônico do Instituto Trata Brasil (ITB).

[2] A Quaest não realizou levantamento no estado do Piauí no período analisado. Para esse estado, utilizou-se a pesquisa do Datafolha, com data de 22 de agosto de 2026.

[3] Disponíveis em: https://quaest.com.br/relatorios/. Acesso em: 9 set. 2026.

[4] Acesse o site em: Link.



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