Um dado alarmante coloca a saúde ocular no centro do
debate sobre segurança do idoso: 81,4% dos idosos institucionalizados
apresentavam déficit visual; Destes, 54,2% relataram quedas, segundo estudo da
Revista Brasileira de Oftalmologia. O número é o ponto de partida do alerta que
o Hospital CEMA, referência em oftalmologia e otorrinolaringologia, com
atuação há 50 anos no Brasil.
Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do
problema no país: 11.801 idosos morreram em decorrência de acidentes domésticos
entre 2023 e 2024, a maioria por quedas. A Organização Mundial da Saúde (OMS)
reconhece a visão reduzida como um dos fatores associados às quedas em idosos,
ao lado de alterações de mobilidade, equilíbrio, cognição, uso de medicamentos
e características do ambiente.
Entre esses fatores, a baixa visão segue como um dos
mais subestimados — e, segundo o Hospital CEMA, uma das mais fáceis de
prevenir.
A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) estima que a catarata atinja entre 70% e 75% dos brasileiros com mais de 70 anos — uma condição tratável, mas que segue subdiagnosticada porque a visão embaçada costuma ser atribuída apenas à idade. No Brasil, cerca de 6 milhões de pessoas vivem com baixa visão, e outras 29 milhões relatam dificuldade permanente para enxergar mesmo usando óculos, segundo o IBGE.
"A queda de um idoso raramente é acaso. É, na
maioria das vezes, o resultado de um risco que se acumulou silenciosamente — e
a visão é um dos fatores mais negligenciados nesse processo", afirma Dr.
Luis Eduardo Braz S. Melo, oftalmologista do Hospital CEMA. "Quando o
idoso deixa de enxergar bem um degrau ou um desnível no chão de casa, o risco
de queda aumenta — especialmente quando essa dificuldade visual se soma a
outros fatores, como perda de equilíbrio, fraqueza muscular ou uso de
determinados medicamentos. E, na maioria dos casos, a perda visual pode ser
identificada e tratada com uma avaliação oftalmológica adequada."
Prevenção começa pelo diagnóstico
Entre as recomendações da instituição para reduzir o
risco de quedas relacionadas à visão estão:
- Avaliação oftalmológica
periódica a partir dos 50–60 anos, ou conforme orientação médica;
- Atualização periódica do grau
dos óculos;
- Reforço da iluminação em
corredores, escadas e banheiros;
- Remoção de tapetes soltos e
obstáculos nas rotas de circulação mais usadas pelo idoso;
- Avaliação geriátrica e revisão de medicamentos que possam afetar equilíbrio e estabilidade.
"Cuidar da visão é, também, cuidar da segurança do
paciente. O diagnóstico oftalmológico precoce é uma das formas mais simples e
eficazes de reduzir o número de quedas e preservar a autonomia do idoso",
finaliza especialista do Hospital CEMA.
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