No Dia Internacional da Pessoa Idosa, especialista
explica como identificar riscos antes da primeira fratura e por que o cuidado
precisa continuar mesmo após uma cirurgia
Estudo brasileiro publicado em agosto no periódico Archives of Osteoporosis1 identificou uma diferença expressiva na realização de exames para avaliar a saúde dos ossos entre homens e mulheres. Nos registros do Sistema Único de Saúde (SUS) de 2022, foram realizadas 182 densitometrias por 100 mil homens com 50 anos ou mais, contra 2.177 por 100 mil mulheres.
O exame auxilia no diagnóstico da osteoporose, doença que enfraquece os ossos e aumenta o risco de fraturas. Os resultados sugerem que ela pode estar sendo menos diagnosticada entre homens.
A pesquisa analisou dados de 2008 a 2022 e identificou mais de 583 mil registros de fraturas na região do quadril nessa faixa etária. O levantamento não investigou os motivos individuais da diferença na realização de exames, mas reforça uma discussão importante para o Dia Internacional da Pessoa Idosa, celebrado 1º de outubro: por que a saúde óssea ainda recebe menos atenção no cuidado masculino?
“A
osteoporose ainda é muito associada às mulheres e à menopausa. Isso pode fazer
com que o homem não se reconheça como alguém em risco e que a investigação seja
menos lembrada nas consultas. Como a doença costuma avançar sem dor, a ausência
de sintomas também pode transmitir uma falsa sensação de segurança”, explica o
Dr. Daniel Daniachi, ortopedista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Quem precisa avaliar a saúde dos ossos?
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Osteoporose, do Ministério da Saúde, indica a densitometria para mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70, ou antes dessas idades quando existem fatores de risco. Entre eles estão baixo peso, fratura anterior e uso de medicamentos ou presença de doenças que afetam a saúde óssea.
“Homens e mulheres devem informar ao médico sobre fraturas anteriores, histórico familiar de osteoporose, tabagismo, consumo excessivo de álcool e uso prolongado de corticoides. Nos homens, também precisamos considerar alterações hormonais e alguns tratamentos para câncer de próstata que reduzem a ação da testosterona e podem favorecer a perda óssea”, orienta o ortopedista.
A
investigação não depende apenas de sintomas. “Uma fratura depois de uma queda
simples já merece avaliação. Perder altura, ficar mais curvado ou apresentar
dor persistente nas costas também exige atenção: esses sinais podem ter
diferentes causas, entre elas fraturas nos ossos da coluna. Não sentir dor ou
aparentar força física não exclui a possibilidade de osteoporose”, acrescenta.
Uma queda simples pode revelar fragilidade
Uma fratura após cair da própria altura pode indicar que os ossos estão enfraquecidos. Quem já sofreu uma fratura por fragilidade tem maior risco de enfrentar outra, o que torna necessário investigar a causa e manter o acompanhamento.
“O tombo explica como a lesão aconteceu, mas precisamos entender por que o osso se rompeu. Nos homens, é importante não encerrar o cuidado tratando apenas o acidente. Nas mulheres, mesmo quando a osteoporose já é conhecida, uma nova fratura exige reavaliar o tratamento”, ressalta o Dr. Daniachi.
A
prevenção reúne cuidados com os ossos e medidas para evitar quedas. “Exercícios
de força e equilíbrio adaptados a cada pessoa e alimentação adequada fazem
parte desse cuidado. Em casa, melhorar a iluminação e retirar obstáculos
ajudam. Também vale revisar com o médico remédios que possam causar tontura.
Suplementos de cálcio e vitamina D dependem da necessidade individual e não
substituem os medicamentos para osteoporose quando indicados”, explica.
Quando uma fratura pode exigir prótese
Uma das consequências mais graves é a fratura na parte superior do fêmur, o osso da coxa, próximo ao quadril. Essas lesões geralmente exigem cirurgia. Em algumas fraturas do colo do fêmur, o deslocamento dos fragmentos pode prejudicar a circulação de sangue e dificultar a cicatrização. Nesses casos, pode ser indicada uma prótese para substituir a parte comprometida da articulação.
“Ter osteoporose não significa precisar de prótese. A doença pode favorecer uma fratura, e as características da lesão ajudam a definir se o tratamento será com prótese, placas, parafusos ou hastes. Também consideramos as outras doenças prévias do paciente e como ele caminhava antes”, esclarece o ortopedista.
Em pacientes mais frágeis, o tratamento pode demandar atendimento de alta complexidade, com participação de ortopedistas, anestesiologistas, equipe clínica e profissionais de reabilitação.
“Precisamos
tratar a fratura, controlar as outras condições de saúde e ajudar a pessoa a
voltar a se movimentar com segurança. A prótese não fortalece os demais ossos:
o acompanhamento da osteoporose precisa continuar depois da alta, inclusive nos
homens que nunca tinham sido investigados. O objetivo é evitar novas lesões e
preservar a independência”, conclui.
Hospital
Alemão Oswaldo Cruz
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