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Com a popularização de smartphones, tablets e leitores digitais, o hábito de ler deixou de estar necessariamente associado às páginas de papel. Hoje, livros impressos e e-books convivem na rotina de estudantes e leitores, cada um com características que podem favorecer diferentes experiências de leitura. Mas, afinal, existe um formato melhor?
Segundo Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), mais importante do que estabelecer uma oposição entre papel e tecnologia, é entender que cada formato pode cumprir uma função diferente.“Para um estudante que precisa compreender um conteúdo complexo, por exemplo, o ambiente de leitura e o nível de concentração podem fazer tanta diferença quanto o suporte escolhido”, explica Henrique. Segundo ele, o suporte utilizado pode influenciar a maneira como as informações são processadas no cérebro. “Em atividades que exigem concentração prolongada, compreensão profunda e retenção de conteúdo, a leitura em papel tende a apresentar vantagens, enquanto as telas podem ser mais convenientes para leituras rápidas, mobilidade e conteúdos que incorporam recursos multimídia”.
Já na fase de alfabetização, o livro impresso tem papel insubstituível na construção da relação da criança com a linguagem escrita. “O contato físico com as páginas, a possibilidade de acompanhar a sequência das palavras, apontar para letras e ilustrações e manusear o livro ajudam a desenvolver noções de direção da leitura, organização do texto e correspondência entre a linguagem oral e a escrita. Além disso, a experiência compartilhada de um adulto lendo um livro físico com a criança pode favorecer a atenção, a interação e a criação de vínculos positivos com a leitura”, acrescenta Dias.
Prós e contras do livro impresso
Na opinião de Rayssa Rodrigues, professora de produção textual e literatura na Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), entre os principais benefícios do livro impresso está a possibilidade de realizar uma leitura com menos estímulos concorrentes. Diferentemente de celulares, tablets e computadores, o livro físico não apresenta notificações, links, aplicativos ou outros elementos capazes de interromper a atenção. Além disso, a disposição fixa das páginas pode ajudar o leitor a construir uma referência espacial do conteúdo, facilitando a localização de informações e a percepção do avanço da leitura.
Outro aspecto é a experiência sensorial. Folhear páginas, fazer anotações, marcar trechos e visualizar fisicamente o tamanho da obra são elementos que fazem parte da relação de muitos leitores com o livro. “O livro impresso oferece uma experiência bastante concreta de leitura e pode favorecer a concentração, especialmente quando o estudante precisa permanecer por mais tempo diante de um conteúdo. Ao mesmo tempo, ele ocupa espaço físico, pode ser mais pesado para transportar e é preciso também considerar o preço, que costuma ser maior do que a versão digital”, afirma Rayssa.
Quando se pensa na questão ambiental, os livros impressos exigem uma cadeia de produção, impressão, armazenamento e distribuição. A fabricação do papel utiliza recursos naturais, enquanto transporte e logística contribuem para aumentar o impacto ambiental da publicação.
Prós e contras do livro digital
Na opinião de Ana Cláudia Fidelis, coordenadora dos projetos literários do colégio Progresso Bilíngue de Campinas (SP), o livro digital apresenta como uma de suas principais vantagens a praticidade. Um único dispositivo pode armazenar dezenas ou centenas de títulos, permitindo que o leitor carregue uma biblioteca inteira sem o peso e o volume dos exemplares físicos. Recursos como ajuste do tamanho da fonte, iluminação da tela, busca por palavras e acesso a dicionários também podem tornar a leitura mais adaptável às necessidades individuais.
“O digital não deve ser visto como inimigo da leitura. Ele amplia o acesso e oferece ferramentas que o livro convencional não consegue oferecer. O desafio é ensinar o estudante a utilizar esse ambiente de maneira intencional, reduzindo as distrações e escolhendo os recursos que realmente contribuem para a compreensão do conteúdo. Desta forma, a compreensão no digital será tão profunda quanto é na versão impressa”, explica.
Ana Cláudia acrescenta que a principal limitação está relacionada ao próprio ambiente digital. Em celulares e computadores, notificações, aplicativos, redes sociais e outros estímulos podem competir pela atenção do leitor. A rolagem contínua também pode alterar a percepção espacial do texto.
No contexto educacional, os recursos digitais podem ampliar a experiência do estudante: dependendo da plataforma, um livro pode incorporar vídeos, áudios, animações, mapas, infográficos, hiperlinks e outros objetos interativos. Isso permite que determinados conteúdos sejam explorados por diferentes linguagens e pode ser especialmente interessante em atividades que combinam texto, imagem e recursos audiovisuais. Materiais didáticos digitais, por exemplo, já incorporam objetos como podcasts, vídeos, mapas clicáveis e infográficos interativos.
Por outro lado, quando se pensa na questão ambiental, os livros digitais eliminam etapas como impressão, encadernação, armazenamento físico e transporte de exemplares, o que pode reduzir o uso de papel e os impactos associados à logística. Mas sua produção e leitura dependem de dispositivos eletrônicos, cuja fabricação utiliza matérias-primas e energia, além de gerar resíduos eletrônicos ao final de sua vida útil. Assim, o impacto ambiental do formato digital também depende de fatores como a durabilidade dos aparelhos, a frequência de uso e a matriz energética utilizada.
Independente do formato, o importante é ler
Juliana Nico, coordenadora pedagógica da Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP), afirma que mais do que defender um formato ou outro, é preciso formar leitores capazes de se concentrar, compreender, interpretar, questionar e estabelecer relações com aquilo que leem. “O livro impresso e o digital podem coexistir e, quando utilizados de maneira consciente, ambos contribuem para aproximar crianças, jovens e adultos da leitura. No fim, o melhor formato é aquele que ajuda o leitor a manter o vínculo com o texto e transformar a leitura em conhecimento e experiência.”
Nesse cenário, as escolas devem ajudar os estudantes a desenvolver estratégias para diferentes situações de leitura, para lazer e para fins pedagógicos. “Um romance pode ser lido no formato que proporciona maior conforto; já um livro paradidático para projetos escolares, exige menos distrações e estratégias específicas de compreensão e, por isso, nesse caso adotamos apenas o formato físico”, finaliza Juliana.
International Schools Partnership -ISP
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