Docente do Senac Caxias do Sul explica diferenças entre cafés, métodos de extração e dá dicas para quem quer explorar novas possibilidades com a bebida
Presente na rotina de milhões de brasileiros, o
café carrega uma relação que vai muito além do hábito de consumo. A bebida está
ligada à história, à cultura e à economia do país, que é o maior produtor de
café do mundo. No Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de
outubro, a data é uma oportunidade para conhecer melhor os
diferentes tipos de café, formas de preparo e possibilidades de harmonização.
De acordo com a docente do curso de gastronomia do Senac Caxias
do Sul e também barista, Vanessa Lopes, a relação dos
brasileiros com o café é resultado de diferentes fatores. “É uma relação
econômica, histórica e cultural. O Brasil é o maior produtor de café do mundo,
o que torna o produto acessível à população”, explica. Segundo ela, mesmo com
oscilações de preço provocadas por fatores climáticos, o consumo permanece
presente no cotidiano brasileiro.
Do tradicional ao especial
Para quem deseja começar a entender melhor o
universo do café, a especialista explica que é possível encontrar diferentes
classificações nas embalagens, como extraforte, tradicional, superior, gourmet
e especial. A classificação considera principalmente a qualidade dos grãos e a
quantidade de defeitos encontrados. “O café extraforte é a
categoria de qualidade inferior, enquanto o café especial representa a
categoria de maior qualidade”, destaca Vanessa.
A diferença também aparece no processo de produção.
Segundo a docente, os cafés especiais apresentam maior controle em
toda a cadeia produtiva e contam com rastreabilidade,
permitindo conhecer informações como região produtora, propriedade e, em alguns
casos, produtor e lote. As torras também costumam ser mais claras ou médias,
buscando preservar e destacar as características naturais do grão.
O preparo também transforma a
experiência
Não é apenas o tipo de café que influencia o
resultado na xícara. O método de preparo e o tipo de filtro utilizado
também interferem diretamente nas características da bebida.
Entre os métodos estão a percolação, como V60, Melitta, Chemex e Koar; a
infusão, como a Prensa Francesa; e a pressão, como espresso, Aeropress e Moka
Italiana. “Os filtros também fazem diferença. Os de papel retêm óleos e
partículas, resultando em uma bebida mais limpa e translúcida, enquanto os de
metal permitem maior passagem de óleos e resíduos, deixando o café mais
encorpado”, ensina a docente.
Em casa, alguns cuidados simples podem melhorar o
resultado. Vanessa recomenda escaldar o filtro de papel antes do preparo,
tanto para retirar possíveis sabores residuais quanto para aquecer o
recipiente. A escolha da moagem também deve considerar o método
utilizado. Moagens grossas são indicadas para métodos de infusão e filtros de
metal; médias, para métodos de percolação com filtros de papel; e finas, para
métodos de pressão, como o espresso.
Café também pode ser gelado e
harmonizado
Versátil, o café pode ser utilizado em bebidas
quentes, geladas e até em receitas alcoólicas. Para os dias mais quentes,
opções como Iced Coffee, preparado com café e gelo, e Iced Latte,
com café, leite e gelo, são alternativas simples para experimentar em casa. A
partir delas, é possível acrescentar ingredientes como laranja, limão, caramelo,
caldas e geleias.
A bebida também pode ser combinada com diferentes
alimentos, como chocolates, doces, frutas, pães, queijos e pratos salgados.
Para Vanessa, a melhor maneira de descobrir novas harmonizações é experimentar.
“Escolha um café, prove-o sozinho e depois com diferentes alimentos, observando
como os sabores se complementam ou se modificam”, orienta. Entre suas
combinações favoritas está o café de processo fermentado com chocolate branco.
Segundo ela, a acidez característica do café tende a harmonizar com a gordura
do chocolate.
Para quem deseja desenvolver o paladar, a dica é
provar cafés diferentes e comparar características como aroma, sabor, acidez,
doçura, corpo e finalização. Experimentar diferentes origens, torras, processos
e métodos de preparo ajuda a criar um repertório sensorial e identificar
preferências. Para quem quer se aprofundar no assunto, o Senac
oferece cursos voltados ao universo do café, com conteúdos relacionados a
preparo, métodos de extração, características sensoriais e degustação. As
formações também abordam temas como moagem, regulagem, extração e preparo de
diferentes bebidas.
Vanessa
Fontoura - Mtb. 0020664/RS

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