Banco de Alimentos e oficinas de culinária focadas em receitas que utilizam 100% do alimento nos CRESANs fazem parte da cadeia reconhecida internacionalmente pelo Guinness World Records
No Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos, instituído pela Assembleia Geral da ONU e celebrado em 29 de setembro, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento (SESANA), destaca o trabalho do Banco de Alimentos Municipal e dos Centros de Referência de Segurança Alimentar e Nutricional (CRESANs) no combate ao desperdício.
Pelo Banco de Alimentos do Município, de janeiro a agosto de 2026, o equipamento destinou 391 toneladas de alimentos a organizações da sociedade civil (OSCs) que atuam nos territórios, sendo 55 toneladas somente em agosto. Considerando o período de 2025 até maio de 2026, foram 826 toneladas doadas a OSCs cadastradas; desde o início do Banco de Alimentos, com histórico desde 2021, mais de 4,5 mil toneladas foram doadas a instituições solidárias.
Os números da capital dialogam com um problema nacional: segundo o Relatório Diagnóstico sobre a Fome e o Desperdício de Alimentos no Brasil (2022), do Pacto Contra a Fome, o Brasil produz 161,3 milhões de toneladas de alimentos por ano e cerca de 55,4 milhões de toneladas são desperdiçadas, quase ⅓ do total. O dado ganha ainda mais peso diante de outro: 3 a cada 10 famílias brasileiras convivem com algum grau de insegurança alimentar, seja leve, moderada ou grave. Embora o Brasil esteja novamente fora do Mapa da Fome, segundo a FAO 2026, o desafio de garantir acesso regular e adequado à alimentação permanece.
E é neste sentido que a importância de garantir uma rede integrada de políticas e serviços é crucial para que a missão continue impactando pessoas, de forma ampla e eficaz. Reconhecida internacionalmente como detentora do maior programa municipal de segurança alimentar e nutricional e de abastecimento do planeta, a Prefeitura de São Paulo alia convênios entre o Banco de Alimentos e o Armazém Solidário — destinando parte dos alimentos, como arroz, açúcar, farinha e até ração pet que seriam alvos de descarte, mesmo estando em condições próprias para consumo, nas gôndolas gratuitas dos Armazéns Solidários — e entre os Centros de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional (CRESANs) — em que a outra parcela de alimentos aptos viram ingredientes para as oficinas livres e gratuitas dos CRESANs Butantã e Vila Maria, que, por sua vez, incentivam o consumo consciente e ensinam técnicas de reaproveitamento e aproveitamento integral de alimentos pela série “Cozinhe sem Desperdício”. A soma dos programas fortifica a cadeia de distribuição de alimentos e exemplifica, na prática, o bom uso e ensinamento sobre como cada um pode fazer sua parte e contribuir à causa.
“Todos os nossos programas de Segurança Alimentar e Nutricional são regidos com esta base. A entrega de refeições gratuitas do Rede Cozinha Escola e do Rede Cozinha Cidadã assegura, no Termo de Colaboração com as OSCs credenciadas, a entrega de 41 mil refeições por dia. Não só garantimos que esse número circule diariamente por São Paulo e visamos atender o maior número de munícipes com insegurança alimentar, mas também definimos a meta para que todo o custo e insumos comprados sejam suficientes para atender a leva, nem para mais, nem para menos, sem gerar qualquer tipo de prejuízo”, esclarece Vitor Arruda, secretário-executivo de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento da Prefeitura de São Paulo.
Banco de Alimentos como polo do reaproveitamento de alimentos da capital
O Banco de Alimentos, em atividade desde 2002 na Vila Maria, capta e redistribui doações de mercados varejistas e atacadistas, centrais de abastecimento e, em menor expressão, de pessoas físicas. Muitos desses itens perderam o valor comercial por avarias na embalagem, mas seguem próprios para o consumo. É a triagem, realizada pela equipe do Banco, que separa o que pode ser doado do que não pode.
Todos os dias, veículos da SESANA, refrigerados quando necessário, rodam pelos mercados parceiros para transportar os itens. Ao chegarem, os produtos são separados por tipo em salas específicas, e toda a equipe utiliza equipamentos de proteção e higiene, como luvas e toucas, quando há contato direto com o alimento.
A análise varia conforme a categoria:
• Secos (arroz, macarrão, farinhas,
feijão, sal e açúcar): avaliação de vencimento, propriedades organolépticas,
integridade e embalagem.
• Hortifruti: descarte de itens com
mofo visível, casca excessivamente enrugada ou murcha, partes muito moles, odor
ácido ou fermentado, manchas pretas extensas e/ou perfurações profundas.
• Carnes e proteínas: inspeção da embalagem e verificação de mudança de cor, textura pegajosa, cheiro forte, manchas estranhas, excesso de líquido ou embalagem estufada, com controle de temperatura em todas as etapas.
Produtos próximos ao vencimento têm triagem e distribuição ainda mais ágeis, para que sejam consumidos dentro do prazo do rótulo. Feita a triagem, o rateio entre os itens é proporcional, e a entrega ocorre assim que o representante da OSC chega ao Banco de Alimentos da Vila Maria.
A fim de minimizar a perda de alimentos que chegam impróprios para
uso e que demandam mais urgência de armazenamento e preservação, o Banco de
Alimentos dispõe de uma câmara fria, que chega três vezes maior graças à
recém-reforma concluída do espaço, com 46 m² de capacidade, que permite receber
maiores quantidades de frutas, verduras e legumes e prolonga a vida útil dos
alimentos armazenados — partindo do mesmo levantamento do Pacto Contra a Fome,
10,8 milhões de toneladas dos alimentos desperdiçados no país são perdidas no
período pós-colheita, que inclui armazenamento e transporte; o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) complementa o armazenamento adequado como uma das
alternativas para reduzir essas perdas, justificando a pertinência da ampliação
do espaço interno da câmara fria.
Rede de reaproveitamento de alimentos fortifica a economia
A missão de evitar o desperdício de alimentos ganha uma nova atratividade ao ser considerada, pela Prefeitura de São Paulo, uma cadeia que necessita de cada vez mais capacitação e mão de obra.
Somente no Banco de Alimentos, são 29 pessoas do POT (Programa Operação Trabalho, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho) e 18 motoristas ajudantes que se deslocam para captar alimentos descartados por supermercados e atacarejos parceiros da iniciativa, gerando mais renda e, consequentemente, poder de compra e qualificação ao mercado de trabalho, por meio das oficinas de capacitação realizadas mensalmente pelo núcleo de COSAN (Coordenadoria de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento) da SESANA.
Além de que a parceria entre redes de atacado, varejo e mercados
evita gastos de investimento, realocados a assistências sociais credenciadas do
Banco de Alimentos, transformando bairros carentes, para que ganhem um novo
significado: alimentar quem mais precisa e unir elos entre o território.
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São Paulo possui o maior programa de Segurança Alimentar do
planeta, segundo o Guinness.
Em dezembro de 2025, a cidade de São Paulo foi reconhecida
internacionalmente pela GUINNESS WORLD RECORDS™ como detentora do maior
programa municipal de segurança alimentar do planeta. Foram distribuídas mais
de 933 toneladas de alimento em 24 horas, e a municipalidade alcançou um número
superior a 3 milhões de refeições gratuitas por dia, contando com entregas de
refeições prontas, produtos in natura e cestas básicas a pessoas de baixa
renda.
Acesse todos os programas de segurança alimentar da Prefeitura de
São Paulo clicando aqui.
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