Médico aponta fatores de risco pouco lembrados pela população, detalha os sinais que exigem socorro imediato e explica o que deve ser considerado em um check-up cardiológico de rotina
Com o dia a dia agitado, sinais como cansaço, falta de ar ao fazer
um esforço ou uma dor no peito podem ser atribuídos ao estresse, à falta de
descanso ou até ao excesso de tarefas. Mas quando se trata da saúde do coração,
alterações que parecem comuns podem indicar condições que exigem atenção. Em um
país onde as doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de
morte, reconhecer esses sinais e buscar atendimento adequado pode fazer a
diferença.
Segundo o Ministério da Saúde, o infarto agudo do miocárdio é a
principal causa de mortes no país, com uma estimativa de 300 mil a 400 mil
casos por ano e um óbito a cada cinco a sete ocorrências. Em São Paulo, um
balanço divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde mostra que, entre janeiro
de 2023 e julho de 2025, foram registradas 13.800 internações por infarto e
9.394 por AVC na rede municipal.
O Setembro Vermelho, campanha de conscientização sobre as doenças
cardiovasculares que tem como referência o Dia Mundial do Coração, celebrado em
29 de setembro, reforça a importância de olhar para esses problemas antes que
eles se manifestem de forma grave.
Fatores
de risco que passam despercebidos
De acordo com Francisco José, médico da área de cardiologia do
AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, hipertensão,
diabetes, colesterol alto e tabagismo estão entre os fatores mais lembrados
quando o assunto é risco cardiovascular, mas a lista é mais ampla. “É preciso
considerar a genética familiar e a obesidade, além de hábitos como a inatividade
física e a alimentação rica em sal, ultraprocessados e açúcar”, afirma.
Principais fatores de risco:
- Hipertensão: muitas vezes
não apresenta sinais perceptíveis, mas mantém os vasos sanguíneos sob
pressão elevada e aumenta o risco de infarto e AVC.
- Diabetes: o excesso de
glicose no sangue, quando não controlado, pode provocar danos aos vasos
sanguíneos e favorecer doenças cardiovasculares.
- Colesterol elevado: níveis
alterados, especialmente de LDL, podem contribuir para o acúmulo de placas
nas artérias e aumentar o risco cardiovascular.
- Histórico familiar: a presença de
doenças cardiovasculares na família pode indicar uma predisposição que
deve ser considerada na avaliação individual.
- Excesso de peso: está associado
a alterações metabólicas e ao desenvolvimento de condições como
hipertensão e diabetes.
- Idade: o risco
cardiovascular aumenta ao longo do envelhecimento, tornando a avaliação
dos fatores de risco ainda mais importante.
Sinais
que exigem atendimento imediato
De acordo com o médico, o infarto costuma se manifestar por meio
de uma dor forte no centro do peito, que pode irradiar para o braço esquerdo,
para a lateral esquerda do pescoço e, em alguns casos, para a mandíbula. O
quadro também pode vir acompanhado de náuseas, vômitos e suor intenso
.
A dor pode ainda se estender para as costas e o rosto e ser
acompanhada de sensação de peso ou aperto no tórax, suor frio, palidez, falta
de ar e sensação de desmaio, de acordo com o Ministério da Saúde. Diante da
suspeita de infarto, a orientação é acionar o SAMU, pelo telefone 192, para que
o atendimento comece ainda no local e o hospital seja avisado antes da chegada
do paciente.
A apresentação dos sintomas, porém, pode variar de acordo com o
paciente. “Em mulheres, idosos e diabéticos, a dor pode ser atípica, diferente
dessa descrição e, no paciente diabético, pode não haver dor”, explica o
médico. Essa variação tende a contribuir para o atraso na busca por
atendimento.
Os sinais do AVC são mais variados, pois o quadro pode ser
isquêmico ou hemorrágico. Entre as manifestações mais comuns estão alterações
na fala e o comprometimento de um dos lados do corpo, tanto nos membros
superiores quanto nos inferiores.
O
que entra no check-up cardiológico
Mesmo sem sintomas, Francisco ressalta que o acompanhamento médico
pode ajudar a identificar fatores de risco cardiovascular antes que eles
provoquem complicações. A avaliação não é igual para todas as pessoas: idade,
histórico familiar, pressão arterial, níveis de colesterol, diabetes,
tabagismo, excesso de peso, sedentarismo e outros fatores ajudam o profissional
a definir quais exames são necessários. A Sociedade Brasileira de Cardiologia
recomenda a avaliação rotineira dos fatores de risco em adultos de 40 a 75 anos
e o monitoramento periódico também entre 20 e 39 anos.
O acompanhamento pode começar por medidas e exames mais básicos,
como aferição da pressão arterial e exames laboratoriais para avaliar
colesterol e glicemia. Exames cardiológicos, como eletrocardiograma e teste
ergométrico, podem ser solicitados de acordo com o perfil de risco, sintomas,
histórico clínico ou objetivo da avaliação. A Diretriz Brasileira de Ergometria
de 2024, por exemplo, considera o teste ergométrico em situações específicas,
inclusive para pessoas assintomáticas que apresentam múltiplos fatores de risco
cardiovascular, e não como um exame obrigatório para toda a população.
Hábitos
que reduzem o risco
Embora alguns fatores não possam ser modificados, mudanças na
rotina podem contribuir para reduzir o risco cardiovascular. “No dia a dia, é
preciso minimizar o estresse com caminhada, ioga ou academia e dormir de seis a
oito horas, além de manter o peso adequado ao índice de massa corporal e
ajustar a nutrição com acompanhamento profissional”, orienta o médico. Entre as
principais medidas estão:
1)
Praticar atividade física: ajuda no controle do peso, da pressão arterial, da glicemia e de
outros fatores relacionados à saúde cardiovascular.
2)
Não fumar: o
tabagismo prejudica os vasos sanguíneos e aumenta o risco de infarto, AVC e
outras doenças cardiovasculares.
3)
Ter uma alimentação equilibrada: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e
reduzir o consumo de ultraprocessados, sal, açúcares e gorduras contribui para
o controle de fatores de risco.
4)
Dormir bem:
manter uma rotina regular de sono e buscar uma boa qualidade de descanso pode
favorecer o controle da pressão arterial e do metabolismo.
5)
Manejar o estresse:
encontrar formas saudáveis de lidar com o estresse pode ajudar a evitar seus
efeitos sobre a pressão arterial e a própria rotina.
6)
Reduzir o consumo de álcool: o consumo excessivo está associado ao aumento da pressão arterial
e a outros problemas que podem afetar a saúde cardiovascular.
Cartão de TODOS
AmorSaúde

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