Alimentação, sedentarismo e outros costumes podem causar doenças cardíacas, saiba mais
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo
o mundo, de acordo com a OMS. No Brasil, as enfermidades que atingem o coração também se
apresentam em níveis preocupantes. Segundo o Ministério da Saúde, ocorrem entre
300 mil e 400 mil infartos todos os anos no país, e o número de brasileiros com insuficiência cardíaca já ultrapassa os dois milhões.
O alto índice de doenças cardiovasculares está associado ao estilo
de vida atual. Nesse sentido, Kely Cruz, médica da área de cardiologia no
AmorSaúde, alerta que “vários hábitos do dia a dia podem aumentar o risco
cardiovascular. Entre os principais estão o sedentarismo e a alimentação rica
em sal, açúcar, gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados”.
A médica explica que pequenas mudanças na rotina podem ajudar a
evitar doenças cardiovasculares e defende que conhecer os fatores que fazem mal
à saúde do coração é importante para evitar hábitos prejudiciais.
Hábitos que prejudicam o coração
Além do sedentarismo, que causa a perda do condicionamento físico e faz com que as artérias se tornem menos elásticas, o que dificulta a passagem do sangue e exige mais força do coração, existem ainda outras ações do dia a dia que prejudicam o coração. De acordo com Kely, os principais hábitos são:
- Excesso de peso: “estar acima
do peso favorece a resistência à insulina, o aumento da pressão arterial e
a piora do colesterol. Todos esses fatores fazem com que o coração se
esforce mais para bombear o sangue e podem causar problemas ao órgão em
longo prazo”, resume;
- Má alimentação:
“ultraprocessados costumam ter maior quantidade de sódio, açúcares
adicionados e gorduras, o que aumenta o colesterol e eleva a pressão
sanguínea. Além disso, esse alimentos costumam substituir pratos ricos em
fibras, vitaminas e minerais, que fazem bem para o coração”, explica;
- Tabagismo: “fumar é um dos
principais fatores de risco cardiovascular evitáveis. O cigarro causa
lesão do revestimento interno das artérias, aumenta a inflamação, favorece
a formação de placas de gordura e aumenta a tendência à formação de
coágulos. Com isso, cresce o risco de infarto, AVC e doença arterial
periférica. Isso também se aplica aos cigarros eletrônicos, que não devem
ser considerados inofensivos”, detalha;
- Consumo excessivo de bebidas alcoólicas: “o álcool também merece atenção. O consumo elevado pode
aumentar a pressão arterial, favorecer arritmias e o ganho de peso e, em
algumas situações, enfraquecer o músculo cardíaco”, alerta;
- Poucas horas de sono: “ter um sono de
má qualidade está relacionado a maior risco de hipertensão, alterações
metabólicas, ganho de peso e pior controle da glicose. Distúrbios como a
apneia obstrutiva do sono também podem aumentar a liberação de cortisol e
a inflamação, contribuindo para a elevação da pressão arterial”,
sintetiza;
- Estresse crônico: “o estresse provoca ativação persistente de hormônios que podem aumentar frequência cardíaca e pressão arterial. Além disso, pessoas sob estresse contínuo frequentemente dormem pior, alimentam-se pior, fazem menos atividade física ou aumentam o consumo de cigarro e álcool, o que potencializa o risco”, defende.
A médica ainda explica que doenças cardíacas geralmente não
ocorrem em decorrência de um único fator, mas de uma combinação de múltiplos.
“A hipertensão, o aumento do colesterol, o diabetes, a obesidade e a inflamação
dos vasos sanguíneos são doenças silenciosas e que ocorrem em conjunto em
muitos pacientes. Com o passar dos anos, esses fatores facilitam a formação de
placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto, AVC e outras
doenças cardiovasculares”, ela afirma.
Como mudar a rotina?
“Não é necessário transformar toda a rotina de uma vez. Mudanças
consistentes e sustentáveis costumam ser mais importantes do que medidas
radicais feitas por pouco tempo”, explica a médica. Para a profissional,
algumas atitudes, como caminhar mais, preferir as escadas e ter uma alimentação
natural, já têm grande impacto na saúde do coração.
Kely defende que o primeiro passo para adotar um estilo de vida
saudável para o coração pode ser começar a fazer atividades físicas. “O
exercício regular tem efeito protetor porque contribui para o controle da
pressão, do peso, da glicemia e dos níveis de gordura no sangue, além de
melhorar a capacidade cardiorrespiratória”, resume.
A médica afirma que, para a maioria dos adultos, 150 minutos de
atividade física moderada por semana ou 75 minutos de atividade mais intensa,
além de exercícios de fortalecimento muscular, são suficientes para manter a
saúde.
Além disso, é ideal adotar uma dieta mais natural: “o padrão
alimentar mais favorável ao coração é aquele baseado em frutas, verduras,
legumes, feijão, cereais integrais, castanhas, sementes, peixes e outras fontes
adequadas de proteína, priorizando alimentos minimamente processados”,
descreve.
A importância de realizar exames
“O cuidado cardiovascular deve começar antes de existir uma
doença. Não existe uma idade única em que alguém deva começar a se preocupar
com o coração. O ideal é que fatores de risco sejam avaliados ao longo da vida
adulta”, explica Kely.
A médica recomenda que pessoas de todas as faixas etárias realizem
consultas e pesquisem o histórico pessoal e familiar, levando em conta a
presença de sintomas cardíacos, a medida da pressão arterial, o peso e o índice
de massa corporal.
Ela explica que um médico recomendará os exames mais adequados
para cada um dos casos. “A indicação deve depender dos sintomas, dos fatores de
risco e da história do paciente, mas exames como eletrocardiograma,
ecocardiograma, teste ergométrico e exames de imagem podem ser extremamente
úteis”, afirma.
De acordo com a profissional, os testes mais comuns são os de
colesterol, triglicerídeos, glicemia e hemoglobina glicada, que avaliam a
gordura e o açúcar no sangue. No entanto, no caso de pessoas idosas, com
diabetes, fumantes ou com histórico de doença cardiovascular na família, mais
testes podem ser necessários.
AmorSaúde

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