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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Xaropes têm eficácia limitada e oferecem riscos à saúde das crianças, alerta otorrinolaringologista

 Especialista desmistifica o uso de medicamentos, aponta que grande parte da tosse tem origem no nariz e detalha os sinais de alerta que devem levar os pais ao consultório

 

Campeã de dúvidas e motivo de grande angústia entre pais e cuidadores, a tosse costuma ser o gatilho para a busca imediata por farmácias e xaropes. No entanto, o que muitos desconhecem é que, na grande maioria das vezes, o sintoma não é uma doença, mas sim um mecanismo de defesa crucial do organismo. Para esclarecer o assunto e combater mitos, a Dra. Roberta Pilla, otorrinolaringologista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), alerta que a busca por soluções rápidas pode trazer mais riscos do que benefícios.

Segundo a especialista, grande parte da tosse persistente nas crianças não se origina nos pulmões, mas sim nas vias aéreas superiores, decorrente de quadros de rinite, resfriados ou do gotejamento pós-nasal, quando o muco do nariz escorre para a garganta. Além disso, após infecções virais, a mucosa pode permanecer sensível por semanas, fazendo com que a chamada tosse pós-infecciosa dure de duas a quatro semanas sem representar complicações.


O perigo dos xaropes e a busca por alívio rápido

Diante de noites mal dormidas, é comum que famílias recorram a medicamentos supressores. Contudo, a médica reforça que as principais sociedades médicas recomendam evitar o uso desses produtos na infância.

"A tosse é um sintoma que gera muita preocupação, principalmente porque costuma atrapalhar o sono da criança e da família. No entanto, hoje sabemos que a maioria dos xaropes para tosse tem eficácia muito limitada ou inexistente em crianças, podendo causar efeitos adversos como sonolência excessiva, agitação e até intoxicações por uso inadequado. O foco deve ser identificar a causa e tratá-la adequadamente, e não apenas tentar suprimi-la", destaca a Dra. Roberta Pilla.


Dicas práticas: o que realmente funciona?

Em vez de xaropes, a otorrinolaringologista aponta que medidas simples e de suporte trazem resultados muito mais seguros e eficazes para o conforto da criança:

Lavagem nasal: Uso regular de solução salina para desobstruir as vias aéreas.

Hidratação reforçada: Manter a criança bem hidratada para fluidificar as secreções.

Controle ambiental: Garantir ambientes arejados e livres de fumaça de cigarro e outros irritantes.

Alternativas naturais: O uso de mel (para crianças acima de 1 ano), que possui respaldo científico na melhora da tosse noturna.

"Costumo explicar aos pais que não existe um xarope capaz de 'curar' a tosse. Muitas vezes, a melhor conduta é oferecer conforto à criança enquanto o organismo se recupera. Mais importante do que contar quantas vezes ela tosse é observar como ela está entre os episódios: se brinca, se alimenta bem e se mantém ativa", pontua a especialista.


Sinais de alerta: quando procurar o médico?

Apesar de ser geralmente benigna, a tosse exige avaliação profissional quando associada a sintomas específicos. Os pais devem buscar atendimento de urgência ou consultar o pediatra/otorrinolaringologista se a criança apresentar:

-Falta de ar, respiração acelerada ou afundamento das costelas.

-Chiado importante no peito ou lábios arroxeados.

-Febre alta persistente, sonolência excessiva ou prostração.

-Dificuldade para se alimentar ou beber líquidos.

-Tosse com duração superior a quatro semanas ou episódios de engasgo.




Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil, Laringologia e Voz, Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica, Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003), Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004), Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009), Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016), Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016), Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022), 2019-2020: Presidente do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF, 2021- 2022: Secretaria Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF, Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica do Hospital Infantil Sabará (SP/São Paulo), Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica dos Hospitais do Grupo Maternidade Santa Joana e Pró-Matre (SP/ São Paulo), Médica do Grupo de Otorrinolaringologia do CDB Diagnósticos, Médica Otorrinolaringologista do Hospital Moriah (SP/São Paulo), Médica Otorrinolaringologista do Ambulatório da Rede Record de Televisão (SP/ São Paulo).



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