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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O perigo oculto de fingir orgasmos na saúde feminina

Simular o clímax pode mascarar disfunções graves e prejudicar o assoalho pélvico, especialista explica as diferenças entre a prática empírica e a abordagem clínica.

 

Cerca de 60% das mulheres já fingiram um orgasmo em algum momento da vida sexual. O dado, apontado por pesquisas sobre comportamento e saúde íntima feminina, revela um hábito comum, mas que vai além do descompasso interpessoal na cama. Por trás da tentativa de encerrar a relação rápido ou agradar a parceria, encobre-se um reflexo direto na saúde física: a desconexão com o próprio corpo e o encobertamento de disfunções do assoalho pélvico. 

Para a fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira, a simulação frequente do clímax costuma ser o primeiro sinal de que a mulher desconhece a dinâmica da própria musculatura. "Quando a pessoa finge, ela cria uma resposta postural e muscular artificial. Ela contrai glúteos, prende a respiração e simula um espasmo que não aconteceu biologicamente. A longo prazo, isso ensina o cérebro a associar o sexo ao esforço consciente e ao estresse, e não ao relaxamento que o orgasmo real exige", analisa a especialista.

Nesse cenário de busca por prazer e desempenho, métodos empíricos como o pompoarismo ganharam força no cotidiano feminino. No entanto, há distinções cruciais entre a prática milenar orientar e a fisioterapia pélvica. Enquanto o pompoarismo foca na coordenação muscular voltada ao estímulo e à performance sexual, a fisioterapia atua como ciência clínica, baseada no diagnóstico funcional de estruturas que sustentam bexiga, útero e intestino.

A fisioterapeuta alerta que praticar exercícios de contração sem acompanhamento pode surtir o efeito oposto ao desejado. "Muitas mulheres chegam ao consultório praticando pompoarismo por conta própria para tentar sentir mais, sem saber que já possuem hipertonia, que é a tensão excessiva na região. Se uma musculatura que já está rígida for muito exigida, o resultado não é prazer, mas dor na relação, e até incontinência urinária", explica Flaviana.

O ato de mascarar a ausência de clímax também atrasa o diagnóstico de problemas estruturais que poderiam ser tratados de forma simples. A falta de sensibilidade, a dificuldade de atingir o clímax e o desconforto durante o ato não devem ser normalizados nem camuflados sob atuações na intimidade, já que o assoalho pélvico precisa de avaliação individualizada para responder corretamente aos estímulos.

"A reabilitação pélvica não busca ensinar a apresentar o prazer, mas a recuperar a função, a circulação e a sensibilidade do corpo. O primeiro passo para uma vida sexual saudável é parar de atuar e começar a entender a anatomia real", conclui a palestrante.



Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica.Palestrante
@flavianateixeirafisiopelvica | flavianafisiopelvica.com.br


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