Simular o clímax pode mascarar disfunções graves e prejudicar o assoalho pélvico, especialista explica as diferenças entre a prática empírica e a abordagem clínica.
Cerca de 60% das mulheres já fingiram
um orgasmo em algum momento da vida sexual. O dado, apontado por pesquisas
sobre comportamento e saúde íntima feminina, revela um hábito comum, mas que
vai além do descompasso interpessoal na cama. Por trás da tentativa de encerrar
a relação rápido ou agradar a parceria, encobre-se um reflexo direto na saúde
física: a desconexão com o próprio corpo e o encobertamento de disfunções do
assoalho pélvico.
Para a fisioterapeuta pélvica e
palestrante Flaviana Teixeira, a simulação frequente do clímax costuma ser o
primeiro sinal de que a mulher desconhece a dinâmica da própria musculatura.
"Quando a pessoa finge, ela cria uma resposta postural e muscular artificial.
Ela contrai glúteos, prende a respiração e simula um espasmo que não aconteceu
biologicamente. A longo prazo, isso ensina o cérebro a associar o sexo ao
esforço consciente e ao estresse, e não ao relaxamento que o orgasmo real
exige", analisa a especialista.
Nesse cenário de busca por prazer e
desempenho, métodos empíricos como o pompoarismo ganharam força no cotidiano
feminino. No entanto, há distinções cruciais entre a prática milenar orientar e
a fisioterapia pélvica. Enquanto o pompoarismo foca na coordenação muscular
voltada ao estímulo e à performance sexual, a fisioterapia atua como ciência
clínica, baseada no diagnóstico funcional de estruturas que sustentam bexiga,
útero e intestino.
A fisioterapeuta alerta que praticar
exercícios de contração sem acompanhamento pode surtir o efeito oposto ao
desejado. "Muitas mulheres chegam ao consultório praticando pompoarismo
por conta própria para tentar sentir mais, sem saber que já possuem hipertonia,
que é a tensão excessiva na região. Se uma musculatura que já está rígida for
muito exigida, o resultado não é prazer, mas dor na relação, e até
incontinência urinária", explica Flaviana.
O ato de mascarar a ausência de clímax
também atrasa o diagnóstico de problemas estruturais que poderiam ser tratados
de forma simples. A falta de sensibilidade, a dificuldade de atingir o clímax e
o desconforto durante o ato não devem ser normalizados nem camuflados sob
atuações na intimidade, já que o assoalho pélvico precisa de avaliação
individualizada para responder corretamente aos estímulos.
"A reabilitação pélvica não busca ensinar a apresentar o prazer, mas a recuperar a função, a circulação e a sensibilidade do corpo. O primeiro passo para uma vida sexual saudável é parar de atuar e começar a entender a anatomia real", conclui a palestrante.
Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica.Palestrante
@flavianateixeirafisiopelvica | flavianafisiopelvica.com.br
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