Pesquisar no Blog

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Uso incorreto de meias de compressão por conta própria pode garrotear a perna e piorar a circulação

Especialista alerta para os riscos de comprar o acessório sem medição milimétrica e prescrição médica, o que anula o efeito terapêutico e pode agravar quadros de insuficiência arterial silenciosa

.

Sabe aquela sensação de perna pesada e cansada no fim do dia que faz muita gente ir direto à farmácia buscar uma solução rápida? O gesto parece inofensivo, mas esconde um risco sério para a saúde. Na tentativa de aliviar o inchaço, milhares de pessoas compram meias elásticas por conta própria, ignorando que o acessório é um tratamento terapêutico e não um item comum de vestuário. Quando usada sem a devida orientação profissional, essa meia que deveria ajudar o sangue a subir pode acabar funcionando como um verdadeiro torniquete, garroteando a perna e travando a circulação.

O grande erro da maioria das pessoas está em achar que qualquer compressão serve ou que basta escolher um modelo pela etiqueta de P, M ou G. Segundo o Dr. Henrique Abreu, o acessório precisa ser encarado com a mesma responsabilidade de um remédio prescrito. “Existe uma ideia errada de que o importante é apenas apertar. Se a pessoa compra um tamanho menor ou usa uma compressão inadequada, o tecido dobra atrás do joelho ou no tornozelo e cria uma barreira física na perna. Em vez de dar o impulso necessário para o sangue voltar ao coração, a meia acaba prendendo a circulação e piorando o inchaço”, conta.

O perigo se torna ainda mais crítico quando o paciente já tem algum problema vascular silencioso e nem desconfia, como a insuficiência arterial, condição em que as artérias estão estreitadas e o sangue já encontra extrema dificuldade para chegar até os pés. Nesses casos, estrangular a perna com um tecido elástico reduz dramaticamente a irrigação de oxigênio que os tecidos precisam para sobreviver. O resultado dessa combinação pode ser devastador, provocando dores insuportáveis, feridas de difícil cicatrização e, nos cenários mais graves, a necrose do membro.

Para garantir que o acessório cumpra seu papel sem colocar a vida em risco, o processo de escolha exige critérios rigorosos. É preciso utilizar uma fita métrica para medir o diâmetro do tornozelo, da panturrilha e o comprimento da perna, além de realizar exames clínicos para checar como está o fluxo sanguíneo. “A meia verdadeiramente terapêutica trabalha com compressão graduada: ela aperta com mais força na região do tornozelo e vai soltando a pressão suavemente à medida que sobe pela perna. Essa mecânica só funciona se a medida for exata. Fora disso, o paciente gasta dinheiro à toa e ainda expõe o corpo a complicações sérias”, explica o médico.

Esse alerta vale também para quem costuma comprar a meia por impulso para enfrentar voos de longa distância ou para usar durante treinos e corridas. Diante do surgimento frequente de sintomas como peso, dor, varizes ou inchaço persistente nos pés e tornozelos, a atitude mais segura é agendar uma consulta especializada antes de ir ao balcão da farmácia, garantindo um diagnóstico preciso sobre o que a sua circulação realmente precisa.

 

Fonte: Dr. Henrique Abreu | Especialista em Cirurgia Vascular
instagram: @dr.henrique.abreu

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados