Especialista alerta para os riscos de comprar o acessório sem medição milimétrica e prescrição médica, o que anula o efeito terapêutico e pode agravar quadros de insuficiência arterial silenciosa
.
Sabe aquela sensação de perna pesada e
cansada no fim do dia que faz muita gente ir direto à farmácia buscar uma
solução rápida? O gesto parece inofensivo, mas esconde um risco sério para a
saúde. Na tentativa de aliviar o inchaço, milhares de pessoas compram meias
elásticas por conta própria, ignorando que o acessório é um tratamento
terapêutico e não um item comum de vestuário. Quando usada sem a devida
orientação profissional, essa meia que deveria ajudar o sangue a subir pode
acabar funcionando como um verdadeiro torniquete, garroteando a perna e
travando a circulação.
O grande erro da maioria das pessoas
está em achar que qualquer compressão serve ou que basta escolher um modelo
pela etiqueta de P, M ou G. Segundo o Dr. Henrique Abreu, o acessório precisa
ser encarado com a mesma responsabilidade de um remédio prescrito. “Existe uma
ideia errada de que o importante é apenas apertar. Se a pessoa compra um
tamanho menor ou usa uma compressão inadequada, o tecido dobra atrás do joelho
ou no tornozelo e cria uma barreira física na perna. Em vez de dar o impulso
necessário para o sangue voltar ao coração, a meia acaba prendendo a circulação
e piorando o inchaço”, conta.
O perigo se torna ainda mais crítico
quando o paciente já tem algum problema vascular silencioso e nem desconfia,
como a insuficiência arterial, condição em que as artérias estão estreitadas e
o sangue já encontra extrema dificuldade para chegar até os pés. Nesses casos,
estrangular a perna com um tecido elástico reduz dramaticamente a irrigação de
oxigênio que os tecidos precisam para sobreviver. O resultado dessa combinação
pode ser devastador, provocando dores insuportáveis, feridas de difícil
cicatrização e, nos cenários mais graves, a necrose do membro.
Para garantir que o acessório cumpra
seu papel sem colocar a vida em risco, o processo de escolha exige critérios
rigorosos. É preciso utilizar uma fita métrica para medir o diâmetro do
tornozelo, da panturrilha e o comprimento da perna, além de realizar exames
clínicos para checar como está o fluxo sanguíneo. “A meia verdadeiramente
terapêutica trabalha com compressão graduada: ela aperta com mais força na
região do tornozelo e vai soltando a pressão suavemente à medida que sobe pela
perna. Essa mecânica só funciona se a medida for exata. Fora disso, o paciente
gasta dinheiro à toa e ainda expõe o corpo a complicações sérias”, explica o
médico.
Esse alerta vale também para quem
costuma comprar a meia por impulso para enfrentar voos de longa distância ou
para usar durante treinos e corridas. Diante do surgimento frequente de
sintomas como peso, dor, varizes ou inchaço persistente nos pés e tornozelos, a
atitude mais segura é agendar uma consulta especializada antes de ir ao balcão
da farmácia, garantindo um diagnóstico preciso sobre o que a sua circulação
realmente precisa.
instagram: @dr.henrique.abreu
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