| Um dos sintomas mais frequentemente ignorados é o cansaço persistente |
Cansaço constante, sono ruim e até pressão alta costumam ser encarados como parte da rotina, mas podem indicar que o organismo está pedindo atenção
Você se considera uma pessoa saudável?
A resposta costuma vir rapidamente, principalmente entre quem não convive com
uma doença diagnosticada. Mas será que ausência de diagnóstico significa, de
fato, ter saúde? Cansaço constante, noites mal dormidas, sedentarismo, dores
frequentes e até a pressão alta silenciosa são exemplos de situações que muitas
pessoas incorporam à rotina sem imaginar que podem representar um sinal de
alerta.
Segundo o clínico geral Rafael Chagas,
médico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), o conceito de saúde vai muito
além de exames laboratoriais normais ou da ausência de doenças. "Ser
saudável hoje, mais do que apresentar bons exames e não ter uma doença, é estar
se sentindo bem consigo mesmo, não sentir dificuldades para realizar atividades
diárias básicas e perceber uma boa qualidade de vida. Precisamos olhar para a
saúde física e mental como um todo. Cansaço excessivo, infecções recorrentes,
alimentação inadequada, sono ruim e falta de momentos de lazer podem indicar
que algo não está bem", explica.
Um dos sintomas mais frequentemente
ignorados é o cansaço persistente. Em uma rotina marcada por trabalho, estudos
e excesso de compromissos, sentir-se cansado acaba sendo encarado como algo
normal. No entanto, quando essa sensação permanece mesmo após uma boa noite de
sono ou sem uma causa evidente, merece investigação. "Quando o cansaço se
torna uma queixa constante, sem uma explicação aparente e persiste mesmo após
descanso adequado, é importante procurar avaliação médica para identificar
possíveis causas", orienta.
Dormir pouco ou acordar cansado também
não deve ser encarado apenas como consequência do estresse. Alterações na
qualidade do sono podem estar relacionadas a transtornos como ansiedade e depressão,
mas também a doenças respiratórias e neurológicas, como a apneia do sono, que
compromete o descanso e pode afetar diversos aspectos da saúde.
Outro problema que costuma passar
despercebido é a hipertensão arterial. Conhecida como uma doença silenciosa,
ela frequentemente não provoca sintomas até que ocorram complicações mais
graves. "A pressão alta acaba sendo negligenciada justamente porque
dificilmente causa sintomas nas fases iniciais. Quando permanece elevada por
longos períodos, pode provocar lesões muitas vezes irreversíveis em órgãos
importantes, como coração e rins. Por isso, o acompanhamento de rotina é
fundamental", alerta o médico.
Além da fadiga e das alterações no
sono, outros sinais também costumam ser ignorados pela população. Falta de ar
ao subir escadas, dores recorrentes, sonolência persistente, sede excessiva,
aumento da frequência urinária, mudanças repentinas no apetite e lesões na pele
sem causa aparente são exemplos de manifestações que podem indicar diferentes
problemas de saúde e justificam uma avaliação médica.
Quando fazer um check-up?
Mesmo pessoas que se consideram
saudáveis devem manter consultas preventivas. De acordo com o especialista,
adultos a partir dos 18 anos, sem queixas e sem fatores de risco, podem
realizar um check-up a cada dois anos. Já pessoas acima de 35 anos, com
alterações em exames ou histórico familiar de doenças importantes, devem
realizar acompanhamento anual.
Embora não exista uma única fórmula
para manter a saúde, o médico destaca que incorporar a prática regular de
exercícios físicos está entre as mudanças de hábito com maior impacto na
prevenção de doenças. "A atividade física ajuda a controlar a pressão
arterial e a glicemia, fortalece músculos e articulações, melhora a qualidade
do sono e contribui para a saúde mental. O importante é escolher uma modalidade
adequada às condições de cada pessoa e contar com orientação profissional para
iniciar essa rotina de forma segura", conclui.
Hospital
Evangélico de Sorocaba
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