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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

"Será que estou entrando na menopausa?" Especialista explica como reconhecer os primeiros sinais do climatério

Milhões de brasileiras vivem essa fase, mas muitas ainda confundem climatério com menopausa e demoram a buscar orientação médica. Ginecologista explica como identificar cada etapa e quando é hora de procurar ajuda

 

Mudanças no ciclo menstrual, ondas de calor, dificuldade para dormir, alterações de humor, perda da libido e até dificuldade de concentração. Para muitas mulheres, especialmente a partir dos 40 anos de idade, esses sinais despertam uma dúvida comum: afinal, isso já é menopausa? 

Na maioria das vezes, ainda não. O mais provável é que o organismo esteja passando pelo climatério, período de transição hormonal que antecede a menopausa e que pode durar vários anos. Apesar de fazer parte do envelhecimento natural feminino, essa fase ainda é cercada por desinformação e frequentemente passa despercebida, fazendo com que muitas mulheres convivam com sintomas sem entender o que está acontecendo com o próprio corpo. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a menopausa natural costuma ocorrer entre os 45 e os 55 anos, sendo confirmada apenas após 12 meses consecutivos sem menstruação, sem outra causa clínica que explique essa ausência. Já o climatério, também chamado de transição menopausal ou perimenopausa, pode começar anos antes, período em que os ovários passam a produzir hormônios de forma irregular e surgem os primeiros sintomas. 

No Brasil, o tema merece atenção. Dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) estimam que aproximadamente 17 milhões de brasileiras vivem atualmente o climatério, enquanto cerca de 9,2 milhões já passaram pela menopausa, número que cresce com o aumento da expectativa de vida feminina. 

Além da confusão entre climatério e menopausa, a falta de informação ainda é um dos principais desafios para a saúde feminina nessa fase da vida. Um estudo brasileiro publicado em 2025 na revista científica PLOS One, que avaliou mais de 1.100 mulheres entre 40 e 65 anos, mostrou que apenas 30,3% das participantes estavam satisfeitas com as informações recebidas sobre menopausa e opções de tratamento. O levantamento também revelou que 92,97% demonstraram pouco ou nenhum conhecimento sobre terapia hormonal, reforçando a necessidade de ampliar o acesso à informação qualificada e ao acompanhamento médico. 

"A menopausa não representa um fim, mas uma transição natural e significativa na biografia feminina”, explica o ginecologista Dr. Dorval de Andrade Tessari, disponível na plataforma Doctoralia e autor do livro Climatério e Menopausa – Uma conversa sincera, longe das paixões, que será lançado em 21 de agosto, em Caxias do Sul (RS). No livro, Dr. Dorval explora os fundamentos hormonais – do papel do estradiol à compreensão da “janela de oportunidade” na terapia hormonal (THM). “Com informação e conhecimento necessários, a mulher pode, em conjunto com o seu médico, tomar decisões informadas e seguras”, acrescenta Dr. Dorval. 

O climatério pode provocar sintomas que nem sempre são imediatamente relacionados às oscilações hormonais. "Muitas pacientes chegam ao consultório preocupadas apenas com as ondas de calor, mas relatam cansaço, insônia, irritabilidade, ansiedade, perda da memória recente, dificuldade de concentração ou diminuição da libido sem imaginar que tudo isso pode fazer parte dessa fase. Por isso, é importante olhar para o conjunto dos sintomas e não apenas para a interrupção da menstruação", afirma o especialista.
 

Climatério e menopausa: qual é a diferença?

Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, eles representam momentos diferentes da vida reprodutiva da mulher. 

Climatério é todo o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva. Nessa etapa, a produção de estrogênio diminui gradualmente, provocando alterações hormonais que podem causar sintomas de intensidades variadas. 

Já a menopausa não é uma fase prolongada, mas um marco biológico: corresponde à última menstruação da mulher, sendo confirmada apenas após um ano completo sem menstruar.
 

Sinais que podem indicar o início do climatério

Embora cada mulher vivencie essa fase de maneira diferente, alguns sintomas são bastante frequentes:

  • irregularidade menstrual
  • ondas de calor (fogachos)
  • suor noturno
  • dificuldade para dormir
  • alterações de humor
  • irritabilidade
  • ansiedade
  • dificuldade de concentração
  • perda da libido
  • ressecamento vaginal
  • fadiga
  • ganho de gordura abdominal

"O climatério não precisa ser enfrentado em silêncio. Hoje existem diversas estratégias para aliviar os sintomas, desde mudanças no estilo de vida até tratamentos individualizados, quando indicados. Quanto mais cedo a mulher compreender o que está acontecendo com seu corpo, maiores são as possibilidades de manter sua saúde física, emocional e sexual ao longo dessa etapa", destaca o Dr. Dorval.
 

Quando é hora de procurar um ginecologista? 

Os especialistas recomendam buscar avaliação médica sempre que as alterações hormonais começarem a interferir na qualidade de vida ou surgirem dúvidas sobre a origem dos sintomas. 

Além de confirmar se as manifestações estão relacionadas ao climatério, a consulta permite descartar outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes, como doenças da tireoide, distúrbios do sono, ansiedade ou alterações metabólicas. O acompanhamento também é importante para orientar medidas de prevenção voltadas à saúde óssea, cardiovascular e metabólica, já que a redução dos níveis de estrogênio aumenta o risco de algumas doenças ao longo dos anos.


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