Especialista desmistifica o uso de medicamentos, aponta que grande parte da tosse tem origem no nariz e detalha os sinais de alerta que devem levar os pais ao consultório
Campeã
de dúvidas e motivo de grande angústia entre pais e cuidadores, a tosse costuma
ser o gatilho para a busca imediata por farmácias e xaropes. No entanto, o que
muitos desconhecem é que, na grande maioria das vezes, o sintoma não é uma
doença, mas sim um mecanismo de defesa crucial do organismo. Para esclarecer o
assunto e combater mitos, a Dra. Roberta Pilla, otorrinolaringologista da Associação
Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF),
alerta que a busca por soluções rápidas pode trazer mais riscos do que
benefícios.
Segundo
a especialista, grande parte da tosse persistente nas crianças não se origina
nos pulmões, mas sim nas vias aéreas superiores, decorrente de quadros de
rinite, resfriados ou do gotejamento pós-nasal, quando o muco do nariz escorre
para a garganta. Além disso, após infecções virais, a mucosa pode permanecer
sensível por semanas, fazendo com que a chamada tosse pós-infecciosa dure de
duas a quatro semanas sem representar complicações.
O perigo dos xaropes e a busca por alívio rápido
Diante
de noites mal dormidas, é comum que famílias recorram a medicamentos
supressores. Contudo, a médica reforça que as principais sociedades médicas
recomendam evitar o uso desses produtos na infância.
"A
tosse é um sintoma que gera muita preocupação, principalmente porque costuma
atrapalhar o sono da criança e da família. No entanto, hoje sabemos que a
maioria dos xaropes para tosse tem eficácia muito limitada ou inexistente em
crianças, podendo causar efeitos adversos como sonolência excessiva, agitação e
até intoxicações por uso inadequado. O foco deve ser identificar a causa e
tratá-la adequadamente, e não apenas tentar suprimi-la", destaca a Dra.
Roberta Pilla.
Dicas práticas: o que realmente funciona?
Em
vez de xaropes, a otorrinolaringologista aponta que medidas simples e de
suporte trazem resultados muito mais seguros e eficazes para o conforto da criança:
Lavagem nasal: Uso regular
de solução salina para desobstruir as vias aéreas.
Hidratação reforçada:
Manter a criança bem hidratada para fluidificar as secreções.
Controle ambiental:
Garantir ambientes arejados e livres de fumaça de cigarro e outros irritantes.
Alternativas naturais:
O uso de mel (para crianças acima de 1 ano), que possui respaldo científico na
melhora da tosse noturna.
"Costumo
explicar aos pais que não existe um xarope capaz de 'curar' a tosse. Muitas
vezes, a melhor conduta é oferecer conforto à criança enquanto o organismo se
recupera. Mais importante do que contar quantas vezes ela tosse é observar como
ela está entre os episódios: se brinca, se alimenta bem e se mantém
ativa", pontua a especialista.
Sinais de alerta: quando procurar o médico?
Apesar
de ser geralmente benigna, a tosse exige avaliação profissional quando
associada a sintomas específicos. Os pais devem buscar atendimento de urgência
ou consultar o pediatra/otorrinolaringologista se a criança apresentar:
-Falta
de ar, respiração acelerada ou afundamento das costelas.
-Chiado
importante no peito ou lábios arroxeados.
-Febre
alta persistente, sonolência excessiva ou prostração.
-Dificuldade
para se alimentar ou beber líquidos.
-Tosse
com duração superior a quatro semanas ou episódios de engasgo.
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