terça-feira, 14 de julho de 2026

Julho Verde alerta para o câncer de cabeça e pescoço e reforça o papel da Fonoaudiologia na recuperação de funções essenciais

Campanha chama atenção para sinais persistentes, diagnóstico precoce e acompanhamento fonoaudiológico antes, durante e após o tratamento

 

Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir, alterações na voz, caroços no pescoço e perda de peso sem causa aparente são sinais que merecem atenção. Durante o Julho Verde, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, o alerta não se restringe ao diagnóstico precoce. Também chama a atenção para um aspecto muitas vezes pouco conhecido: a necessidade de preservar e reabilitar funções essenciais, como comunicação, alimentação e respiração.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cabeça e pescoço compreende tumores que acometem a cavidade oral, língua, faringe, laringe, tireóide, seios paranasais, tendo o tabagismo e o consumo de álcool como principais fatores de risco. Nos últimos anos, a infecção pelo HPV também passou a ter papel importante, especialmente nos tumores de orofaringe.

Em Santa Catarina, o INCA estima para 2026 1.010 novos casos de câncer de cavidade oral e 450 novos casos de câncer de laringe. Entre os subgrupos, são projetados 720 casos de câncer de lábios e cavidade oral, 50 de glândulas salivares e 240 de orofaringe. Somadas as estimativas de cavidade oral e laringe, o estado chega a 1.460 novos casos em áreas que podem comprometer diretamente a comunicação, a alimentação segura e a respiração. 

Para a fonoaudióloga Camila Ferreira Molento (CRFa 3-8304), especialista em reabilitação oncológica, o tratamento não termina quando o tumor é controlado.

“O câncer de cabeça e pescoço pode comprometer funções que fazem parte da vida diária e da identidade da pessoa. Falar, comer, engolir e respirar com segurança são capacidades que precisam ser preservadas sempre que possível e reabilitadas quando afetadas. Esse cuidado começa antes mesmo do tratamento oncológico.”

A evidência científica recomenda que o acompanhamento fonoaudiológico seja iniciado antes do tratamento, permitindo identificar alterações pré-existentes, orientar exercícios preventivos e estabelecer parâmetros funcionais para o acompanhamento. Essa abordagem, conhecida como pré-habilitação, está associada à melhor preservação da deglutição, menor dependência de alimentação por sonda e melhores resultados funcionais ao longo do tratamento.

Durante e após cirurgias, radioterapia ou quimioterapia, a Fonoaudiologia atua na avaliação e reabilitação da deglutição, voz, fala, mastigação e comunicação, reduzindo complicações, favorecendo o retorno à alimentação por via oral e contribuindo para a recuperação funcional.

A orientação permanece a mesma: sintomas persistentes por mais de duas semanas devem ser investigados. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as possibilidades de tratamentos menos agressivos e de preservação das funções que garantem independência e participação social.

“Salvar vidas é fundamental. Preservar a capacidade de falar, comer e se comunicar também faz parte do tratamento. É nesse espaço que a Fonoaudiologia exerce um papel essencial dentro da equipe multiprofissional”, finaliza a fonoaudióloga.

 

Conselho Regional de Fonoaudiologia - 3ª Região- CREFONO 3

 

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