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A morte recente de uma paciente após um procedimento
estético com preenchimento glúteo reacendeu o alerta sobre os riscos do PMMA
(polimetilmetacrilato), substância que há anos gera preocupação
entre especialistas. O caso trouxe novamente à tona discussões sobre segurança,
fiscalização e os perigos da aplicação de grandes volumes do produto para fins
estéticos.
O PMMA (polimetilmetacrilato) é um polímero sintético autorizado
pela Anvisa apenas para indicações médicas específicas, como
a correção de lipoatrofia em pacientes que utilizam medicamentos
antirretrovirais. O uso da substância para fins estéticos não é permitido pela
agência reguladora. "O PMMA é autorizado para situações médicas
específicas e de uso restrito por médicos. Quando isso é extrapolado para fins
estéticos, está em desacordo com a regulamentação", explica o cirurgião
plástico Dr. Marcio Harada.O médico cirurgião Dr. Marcio Harada,
listou quais são os principais mitos e verdades, sobre o PMMA, confira:
1. MITO: O PMMA é igual aos preenchedores comuns utilizados
no rosto e no corpo.
Na realidade, o PMMA possui uma característica que o diferencia
dos demais preenchedores, ele é permanente e não é absorvido pelo organismo.
"O grande problema do PMMA é que ele é um preenchimento permanente. Depois
que o paciente coloca, ele permanece no organismo e, na maioria dos casos, só
pode ser retirado por meio de cirurgia", comenta o Dr. Marcio Harada.
2. VERDADE: O PMMA pode causar complicações graves e até
colocar a vida do paciente em risco.
Entre os riscos estão embolia pulmonar, necrose, infecções,
migração do produto e reações inflamatórias importantes."Se partículas
atingirem um vaso sanguíneo, elas podem migrar pela circulação e provocar
complicações graves, como o tromboembolismo pulmonar. Além disso, o produto
pode causar necrose, infecções e reações inflamatórias severas", alerta o
especialista.
3. MITO: Se surgir algum problema, basta tomar medicamentos
que tudo será resolvido.
Embora alguns sintomas possam ser controlados com antibióticos e
corticoides, isso nem sempre elimina o problema definitivamente. "O
tratamento clínico pode controlar processos inflamatórios e infecciosos, mas,
em muitos casos, especialmente quando há infecções recorrentes, o tratamento
cirúrgico acaba sendo necessário", afirma o
Dr. Harada.
4. VERDADE: A remoção do PMMA é difícil e nem sempre
consegue retirar todo o produto.
Por estar integrado aos tecidos, a retirada costuma ser complexa e
pode exigir procedimentos cirúrgicos extensos. "Remover o PMMA é muito
difícil. Na maior parte das situações, a retirada só é possível por cirurgia e
nem sempre é possível remover todo o material", explica o médico.
5. MITO: O risco existe apenas quando o procedimento é
realizado por pessoas sem formação médica.
Mesmo quando aplicado por médicos, o PMMA continua sendo um
produto de risco e exige indicação muito criteriosa. "O paciente precisa
entender que preenchedores permanentes podem gerar complicações permanentes.
Nenhum procedimento é isento de riscos, principalmente quando envolve
substâncias permanentes’, destaca o Cirurgião Plástico .
6. VERDADE: O PMMA pode desencadear reações inflamatórias
anos após a aplicação.
As complicações nem sempre aparecem imediatamente e podem surgir
muito tempo depois do procedimento. "O organismo pode reagir ao PMMA como
um corpo estranho, formando nódulos, inflamações e até infecções tardias.
Existem pacientes que convivem com complicações por muitos anos", comenta
o médico cirurgião plástico.
7. MITO: Grandes volumes de PMMA trazem apenas resultados
estéticos maiores.
Quanto maior a quantidade aplicada, maior tende a ser o risco de
complicações. "Pacientes submetidos a grandes volumes de PMMA podem
apresentar complicações sistêmicas muito mais complexas, incluindo quadros de
hipercalcemia grave que podem evoluir para insuficiência renal.",
complementa o doutor.
8. VERDADE: Pacientes bem informados tendem a tomar decisões
mais seguras
Entender os riscos e as limitações do procedimento é fundamental
antes de qualquer aplicação. "A regra de ouro é que o paciente seja
informado sobre todos os riscos e benefícios. Como se trata de um produto
permanente, a decisão precisa ser tomada com muita responsabilidade e
consciência", finaliza o Dr. Marcio Harada.
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