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| Imagem documenta o processo de criação da mostra que entra em cartaz no Museu das Culturas Indígenas. Foto: Eduardo Duwe Museu das Culturas Indígenas |
“Ayvu Porã – Belas Palavras”, em cartaz a partir de 27 de junho, reúne narrativas tradicionais, xilogravuras e radioarte em uma instalação audiovisual construída coletivamente pelos mestres Guarani Mbya e as comunidades indígenas de São Paulo.
O Museu das
Culturas Indígenas (MCI) inaugura, em 27 de junho, a exposição
temporária Ayvu Porã - Belas Palavras, uma experiência imersiva que
convida o público a conhecer a riqueza da tradição oral Guarani Mbya por meio
de gravuras, instalações audiovisuais e radioarte desenvolvidos coletivamente
por comunidades indígenas do Estado de São Paulo. O MCI é uma instituição da
Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo,
gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de
Portinari), em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.
Com apoio do
ProAC, do Instituto Çare e do Museu das Culturas Indígenas, o projeto criado
pelo coletivo Tenonderã Ayvu envolveu as aldeias Tekoa Itaendy (São Paulo), Rio
Silveira (Bertioga), Tangará (Itanhaém), Guyra Pepo (Tapiraí) e Takuary-Ty
(Cananéia) em oficinas de escuta, desenho, xilogravura, produção artesanal de
papel e tintas e registro audiovisual. O resultado é uma exposição que
articula arte, memória, educação e espiritualidade e reafirma a importância dos
saberes indígenas na construção de acervos contemporâneos produzidos com
protagonismo das próprias comunidades.
A palavra como origem
O título da mostra faz referência ao conjunto de rezas e cantos tradicionais Guarani conhecidos como “Ayvu Porã”, as “Belas Palavras”, consideradas manifestações vivas dos espíritos ancestrais. Inspirada na cosmologia Guarani Mbya, a exposição parte da compreensão de que a palavra é também sopro, memória e força criadora. A partir dessa perspectiva, a madeira e o avaxy eteí, o milho tradicional — elementos sagrados associados ao poder criador de Nhanderu — tornam-se suportes para gravar histórias, cantos e ensinamentos compartilhados por diferentes gerações.

Peças produzidas para a exposição.
Foto: Eduardo Duwe
Museu das Culturas Indígenas
A obra dialoga diretamente com os fundamentos cosmológicos Guarani ao aproximar o visitante de narrativas que relacionam céu, terra, água, árvore e ar como elementos inseparáveis da existência. A mostra propõe uma experiência de aproximação com formas indígenas de compreender e habitar o mundo.
Escuta, memória e criação coletiva
Durante as atividades de produção das obras, crianças, jovens e adultos participaram de rodas de conversa conduzidas por lideranças espirituais Guarani Mbya. As histórias compartilhadas pelos anciãos foram registradas em áudio e vídeo e, posteriormente, transformadas em desenhos e gravuras produzidos coletivamente. O processo artístico torna-se, assim, uma ferramenta de preservação da memória e de fortalecimento dos vínculos entre gerações.
No centro
dessa metodologia está o conceito de “omonhendu”, expressão Guarani associada
ao ato de “fazer escutar”. A escuta, nesse contexto, não é passiva: ela
mobiliza o corpo, a imaginação e a criação, transforma narrativas orais em
imagens, sons e objetos que perpetuam os conhecimentos ancestrais.
Arte, território e protagonismo indígena
A exposição
apresenta matrizes xilográficas, gravuras, registros audiovisuais em uma
instalação sonora construída a partir das narrativas registradas nas aldeias
participantes. Parte desse acervo poderá ser acessada posteriormente pelo público
por meio de uma webradio especialmente concebida para a obra, ampliando o
contato com histórias tradicionalmente compartilhadas nas casas de reza e nos
espaços comunitários.
Os materiais
utilizados na mostra são majoritariamente provenientes dos territórios Guarani
Mbya, como a madeira de árvores caídas naturalmente, milho tradicional
cultivado nas aldeias e pigmentos produzidos a partir de argila, jenipapo e
urucum. A exposição também incorpora técnicas japonesas de fabricação artesanal
de papel à base de água, desenvolvidas ao longo das oficinas realizadas com as
comunidades participantes.
A
aproximação entre esses saberes de culturas tão distantes não ocorre apenas por
questões técnicas. Segundo os idealizadores do projeto, as tradições japonesas
e Guarani Mbya compartilham uma compreensão da natureza como uma presença viva
e espiritualmente habitada. Nesse contexto, madeira, papel, pigmentos e água
deixam de ser apenas suportes artísticos e passam a integrar a própria
narrativa da exposição ao conectar matéria, memória, território e
transformação.
Além de
valorizar a oralidade, a exposição contribui para a formação de um acervo
contemporâneo de histórias, iconografias e registros audiovisuais produzidos
com protagonismo indígena. O projeto dialoga com iniciativas anteriores do
coletivo Tenonderã Ayvu, responsável por ações como o documentário Tenonderã
– Um Olhar para o Futuro, o livro artesanal Pyxai, o
videoclipe Pemomba Eme e festivais culturais realizados no
território Guarani do Jaraguá.
SERVIÇO
Ayvu Porã -
Belas Palavras
Abertura: 27/06/2026
Visitação: de terça a domingo, das 9h às 18h; às
quintas até 20h
Museu das Culturas Indígenas
Endereço: Rua Dona Germaine Burchard, 451, Água
Branca – São Paulo/SP
Telefone: (11)
3873-1541
E-mail: contato@museudasculturasindigenas.org.br
Site:
www.museudasculturasindigenas.org.br
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