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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Os brasileiros estão mais preocupados com saúde e bem-estar, mas por que isso não está freando a diabetes no país?

Cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com a diabetes, mas o acompanhamento e o trabalho coordenado multiprofissional ainda não é regra entre os pacientes para a melhora dos indicadores clínicos
 

O brasileiro nunca se preocupou tanto com a balança, a alimentação e a rotina de treinos. Um levantamento recente da Sami Saúde trouxe dados que, em um primeiro momento, são bastante positivos: 73% das pessoas afirmam praticar atividades físicas pelo menos três vezes por semana, e a busca por acompanhamento com nutricionistas e conteúdos de saúde na internet é elevada. Os dados apontam para uma geração cada vez mais interessada em viver melhor. 

Mas há um contraponto que o setor de saúde suplementar ainda não conseguiu resolver. Mesmo com a população teoricamente mais ativa e atenta, o diabetes tipo 2 continua avançando silenciosamente. Já são cerca de 20 milhões de brasileiros convivendo com a doença, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). 

O questionamento então que aparece é: por que a explosão do mercado de bem-estar e a busca por especialistas isolados não estão sendo suficientes para conter os diagnósticos e as consequências de uma doença crônica? 

De acordo com Lilian Chaves, Médica de Família, da Sami, a resposta está na raiz do modelo tradicional de saúde: a falta de direção. Fomos ensinados a consumir saúde em fatias. O paciente percebe que precisa mudar de hábitos, marca uma consulta com o nutricionista por conta própria, faz alguns exames laboratoriais aleatórios e tenta encaixar a academia na rotina. O problema é que a diabetes não é uma condição simples, mas sim complexa, que evolui sem dar sinais por anos. Sem um fio condutor que una esses pontos, o esforço do paciente pode não estar sendo utilizado da maneira mais eficiente. 

“O nutricionista sozinho, por melhor que seja, não consegue vencer a engrenagem do diabetes se o paciente estiver solto no sistema. Para que a mudança na dieta ou o treino na academia se transformem em um indicador clínico real, é preciso haver coordenação. E esse é o papel fundamental do médico de família, que consegue acompanhar e evitar a piora de quadros clínicos, ou mesmo antecipar futuros problemas”, explica. 

No Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, o grande debate não deveria ser apenas sobre o que comer ou quanto treinar, mas sobre como estamos gerenciando o paciente. “Quando há um médico pessoal liderando o caso, o cenário muda. É ele quem olha o histórico completo, identifica o estágio de "pré-diabetes" anos antes de a doença se consolidar e aciona a equipe de nutrição e enfermagem com uma estratégia integrada, com dieta, exercício, exames e medicações. O enfermeiro ajuda a monitorar a rotina e o uso correto dos remédios pelo chat, o nutricionista ajusta o plano alimentar, e o médico acompanha a evolução das taxas de glicemia de perto”, complementa. 

Para a médica, viver o avanço das doenças crônicas no Brasil exige parar de tratar a saúde de forma fragmentada. “O futuro da medicina e a própria sustentabilidade financeira do setor dependem da transformação da busca isolada por bem-estar em um cuidado contínuo e coordenado, feito por profissionais preparados e trabalhando em equipe”, finaliza Lilian. 

A pesquisa foi realizada em junho de 2026 por meio de chatbots inteligentes, em substituição aos questionários tradicionais. Foram acionados mais de 1,2 mil homens e mulheres de 18 a 55 anos, das classes A, B e C, decisores de benefícios em MEIs e microempresas da capital paulista. Os dados foram coletados em quatro etapas, entre 2022 e 2026.

 

Sami

 

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