sábado, 27 de junho de 2026

PMMA: o que é mito e o que é verdade sobre a substância que voltou ao centro do debate após casos graves

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Especialista explica os principais riscos, complicações e esclarece dúvidas sobre a substância que teve o uso estético proibido pela Anvisa.


A morte recente de uma paciente após um procedimento estético com preenchimento glúteo reacendeu o alerta sobre os riscos do PMMA (polimetilmetacrilato), substância que há anos gera preocupação entre especialistas. O caso trouxe novamente à tona discussões sobre segurança, fiscalização e os perigos da aplicação de grandes volumes do produto para fins estéticos. 

O PMMA (polimetilmetacrilato) é um polímero sintético autorizado pela Anvisa apenas para indicações médicas específicas, como a correção de lipoatrofia em pacientes que utilizam medicamentos antirretrovirais. O uso da substância para fins estéticos não é permitido pela agência reguladora. "O PMMA é autorizado para situações médicas específicas e de uso restrito por médicos. Quando isso é extrapolado para fins estéticos, está em desacordo com a regulamentação", explica o cirurgião plástico Dr. Marcio Harada.O médico cirurgião Dr. Marcio Harada, listou quais são os principais mitos e verdades, sobre o PMMA, confira:


1. MITO: O PMMA é igual aos preenchedores comuns utilizados no rosto e no corpo.

Na realidade, o PMMA possui uma característica que o diferencia dos demais preenchedores, ele é permanente e não é absorvido pelo organismo. "O grande problema do PMMA é que ele é um preenchimento permanente. Depois que o paciente coloca, ele permanece no organismo e, na maioria dos casos, só pode ser retirado por meio de cirurgia", comenta o Dr. Marcio Harada.


2. VERDADE: O PMMA pode causar complicações graves e até colocar a vida do paciente em risco.

Entre os riscos estão embolia pulmonar, necrose, infecções, migração do produto e reações inflamatórias importantes."Se partículas atingirem um vaso sanguíneo, elas podem migrar pela circulação e provocar complicações graves, como o tromboembolismo pulmonar. Além disso, o produto pode causar necrose, infecções e reações inflamatórias severas", alerta o especialista.


3. MITO: Se surgir algum problema, basta tomar medicamentos que tudo será resolvido.

Embora alguns sintomas possam ser controlados com antibióticos e corticoides, isso nem sempre elimina o problema definitivamente. "O tratamento clínico pode controlar processos inflamatórios e infecciosos, mas, em muitos casos, especialmente quando há infecções recorrentes, o tratamento cirúrgico acaba sendo necessário", afirma o Dr. Harada.


4. VERDADE: A remoção do PMMA é difícil e nem sempre consegue retirar todo o produto.

Por estar integrado aos tecidos, a retirada costuma ser complexa e pode exigir procedimentos cirúrgicos extensos. "Remover o PMMA é muito difícil. Na maior parte das situações, a retirada só é possível por cirurgia e nem sempre é possível remover todo o material", explica o médico.


5. MITO: O risco existe apenas quando o procedimento é realizado por pessoas sem formação médica.

Mesmo quando aplicado por médicos, o PMMA continua sendo um produto de risco e exige indicação muito criteriosa. "O paciente precisa entender que preenchedores permanentes podem gerar complicações permanentes. Nenhum procedimento é isento de riscos, principalmente quando envolve substâncias permanentes’, destaca o Cirurgião Plástico .


6. VERDADE: O PMMA pode desencadear reações inflamatórias anos após a aplicação.

As complicações nem sempre aparecem imediatamente e podem surgir muito tempo depois do procedimento. "O organismo pode reagir ao PMMA como um corpo estranho, formando nódulos, inflamações e até infecções tardias. Existem pacientes que convivem com complicações por muitos anos", comenta o médico cirurgião plástico.


7. MITO: Grandes volumes de PMMA trazem apenas resultados estéticos maiores.

Quanto maior a quantidade aplicada, maior tende a ser o risco de complicações. "Pacientes submetidos a grandes volumes de PMMA podem apresentar complicações sistêmicas muito mais complexas, incluindo quadros de hipercalcemia grave que podem evoluir para insuficiência renal.", complementa o doutor.


8. VERDADE: Pacientes bem informados tendem a tomar decisões mais seguras

Entender os riscos e as limitações do procedimento é fundamental antes de qualquer aplicação. "A regra de ouro é que o paciente seja informado sobre todos os riscos e benefícios. Como se trata de um produto permanente, a decisão precisa ser tomada com muita responsabilidade e consciência", finaliza o Dr. Marcio Harada.
 

Dr. Márcio Harada - cirurgião plástico com clínica em São Paulo (SP) e uma trajetória marcada por disciplina e superação, influência de sua origem em uma família de imigrantes japoneses. Formado com sólida base em cirurgia geral e plástica, teve passagens pela Santa Casa de São Paulo e atuação voluntária no Hospital Sírio-Libanês. Especialista em procedimentos de contorno corporal, mamas e face, destaca-se pelo foco em resultados naturais, harmônicos e seguros. É reconhecido por sua atuação em cirurgias de Mommy Makeover e na correção do chamado “umbigo triste” pós-plástica, que impacta a autoestima de muitas mulheres. Com abordagem humanizada e acompanhamento próximo no pré e pós-operatório, o médico prioriza segurança, ética e personalização em cada paciente, reforçando a cirurgia plástica como ferramenta de autoestima e qualidade de vida.



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