Lifting facial da moda pode comprometer
naturalidade e segurança dos resultados
Pixabay
Nas
redes sociais, celebridades e criadores de conteúdo compartilham diariamente
transformações faciais que rapidamente se tornam referência para quem busca
rejuvenescimento. O aumento da pressão estética e o uso das canetas
emagrecedoras mudaram o perfil de quem procura o lifting, antes mais comum em
pacientes maduros. O procedimento agora também atrai pessoas na casa dos 30
anos, o que reforça a necessidade de avaliação individualizada.
A
evolução não é apenas de demanda, a cirurgia também mudou. "O lifting
facial evoluiu porque a cirurgia moderna deixou de tratar apenas a pele. Hoje,
avaliamos camadas profundas, ligamentos, compartimentos de gordura,
musculatura, pescoço e dinâmica da expressão. Quando a técnica respeita essa
leitura anatômica, o resultado fica mais natural e proporcional", explica
David Di Sessa, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia
Plástica.
Essa
leitura começa antes de qualquer incisão. O cirurgião observa flacidez, volume
facial, espessura cutânea, posição das sobrancelhas, sulcos, contorno
mandibular, pescoço e histórico de procedimentos prévios. A análise minuciosa
evita exageros, corrige expectativas irreais e permite escolher uma técnica
compatível com o envelhecimento individual.
Entre
as abordagens mais conhecidas está o lifting cervicofacial, indicado para tratar
flacidez no terço médio e inferior da face, além do pescoço. A técnica
reposiciona tecidos, melhora o contorno da mandíbula e reduz a sobra cervical.
Quando bem planejada, recupera sustentação sem apagar características pessoais
ou modificar a identidade facial.
“Outra
técnica muito utilizada é a endoscópica, com ela conseguimos tratar o terço
superior e o terço médio da face com incisões posicionadas no couro cabeludo,
sem cortes ao redor da orelha. Essa cirurgia por vídeo, permite uma visão
ampliada das estruturas profundas e ajuda a reposicionar os tecidos com
precisão, preservando a naturalidade e reduzindo sinais externos da cirurgia”,
explica Di Sessa.
Nos
últimos meses, o deep plane ganhou destaque nas redes sociais por atuar em
planos mais profundos do rosto, um método que afasta as estruturas de sustentação
e reposiciona os tecidos com menor tensão sobre a pele. Apesar da visibilidade
e dos bons resultados, não é uma solução universal. A indicação depende da
anatomia, do grau de flacidez, da qualidade dos tecidos e da experiência do
cirurgião.
"O
deep plane é uma técnica poderosa quando existe indicação correta, mas não pode
ser vendido como sinônimo de melhor lifting para todos. Em cirurgia facial,
profundidade não substitui diagnóstico. Um paciente pode se beneficiar dessa
abordagem, enquanto outro terá resultado mais seguro e natural com SMAS,
minilifting ou associação de técnicas", afirma o cirurgião membro da SBCP.
O
lifting pelo SMAS — sistema músculo-aponeurótico superficial — permite reposicionar
camadas de sustentação da face sem depender apenas da tração cutânea,
contribuindo para resultados mais duradouros e naturais, especialmente em casos
de flacidez moderada ou acentuada. A escolha da extensão cirúrgica varia
conforme o envelhecimento, o formato do rosto e a necessidade real. Para
pacientes com flacidez inicial, o minilifting pode ser suficiente: a cirurgia
tem menor área de descolamento e foco em regiões específicas, como mandíbula e
parte inferior da face, mas ainda assim exige planejamento rigoroso para evitar
resultados discretos demais ou pouco duradouros.
"A
face envelhece em várias camadas ao mesmo tempo. Existe perda de gordura,
frouxidão ligamentar, queda dos tecidos, alterações ósseas e mudança na pele.
Por isso, uma cirurgia bem indicada exige repertório técnico e visão global. O
cirurgião precisa dominar diferentes caminhos para escolher o mais adequado, e
não adaptar o paciente à técnica que está em evidência", reforça o
especialista.
Há
ainda o lifting temporal, que atua na queda lateral das sobrancelhas e na perda
de sustentação do olhar, podendo suavizar o aspecto cansado sem alterar a
expressão. Em alguns casos, é associado à blefaroplastia, enxertia de gordura,
lipoaspiração cervical ou tratamentos de qualidade de pele e a combinação
correta, como em toda cirurgia facial, depende de diagnóstico, não de
tendência.
"A
evolução tecnológica também ampliou a precisão do planejamento cirúrgico atual.
Recursos de imagem, refinamento das incisões, técnicas menos invasivas, melhor
controle de cicatrizes e compreensão das estruturas profundas permitem
abordagens individualizadas. O objetivo atual não é transformar a fisionomia,
mas recuperar sustentação, suavizar sinais do tempo e preservar
naturalidade", conclui David.
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