Mais do que prover, a empresária que assume o papel de líder estratégica educa pelo exemplo de autonomia; entenda como o posicionamento firme na empresa impacta a formação da próxima geração e a saúde da família.
Segundo dados do Sebrae, as mulheres já
representam mais de 34% dos empreendedores no Brasil, mas seguem liderando
também os índices de sobrecarga dentro de casa. Entre reuniões, decisões
estratégicas, operação da empresa e demandas familiares, muitas empresárias
acabam ocupando um papel silencioso: o de “faz-tudo” do negócio. Na tentativa
de controlar cada detalhe, assumem funções operacionais, centralizam
responsabilidades e transformam a rotina em uma extensão permanente do
trabalho. O impacto, no entanto, vai além da empresa e alcança diretamente a
dinâmica familiar e a formação dos filhos.
Para Alê Freitas, mentora em Liderança
Feminina Aplicada ao Negócio Real e CEO da Anima Impacto Consultoria, o
problema é que esse modelo acaba sendo confundido com comprometimento. “Existe
uma romantização da mulher que dá conta de tudo. Muitas empresárias acreditam
que estar em todas as funções demonstra responsabilidade, quando, na prática,
isso cria empresas dependentes da dona e uma rotina constante de exaustão”,
afirma.
Segundo ela, o impacto desse
comportamento ultrapassa os resultados financeiros e alcança diretamente a
dinâmica familiar. “Os filhos não aprendem apenas com o que a mãe fala. Eles
aprendem observando como ela vive. Quando crescem vendo uma mulher sem limites,
sobrecarregada e emocionalmente consumida pelo trabalho, tendem a normalizar
relações baseadas em excesso, urgência e autocobrança”, explica.
Na prática, muitas empresárias
permanecem presas à execução mesmo após o crescimento do negócio. A dificuldade
em delegar, distribuir responsabilidades e confiar na equipe faz com que a
empresa continue funcionando em torno da presença constante da dona. “Liderança
não é controlar tudo. Liderança é estruturar processos, organizar decisões e
construir um negócio que não dependa da mulher estar apagando incêndio o tempo
inteiro”, destaca Alê.
Esse padrão também interfere na relação
com os filhos. Em muitos casos, a empresária está fisicamente presente, mas
mentalmente absorvida pelas demandas da empresa. A dificuldade em se
desconectar do operacional reduz a qualidade da convivência familiar e aumenta
a sensação permanente de cansaço e insuficiência.
Por outro lado, quando a mulher assume
uma posição mais estratégica dentro da empresa, os reflexos também aparecem
dentro de casa. Delegar, estabelecer critérios e desenvolver autonomia na
equipe deixa de ser apenas uma decisão empresarial e passa a funcionar como
exemplo prático para os filhos. “Quando a mãe entende que liderança não é sobre
carregar tudo sozinha, ela ensina, na prática, que responsabilidade não precisa
estar associada ao esgotamento”, afirma.
Para Alê Freitas, amadurecer a liderança feminina também passa por abandonar a ideia de que presença significa controle absoluto. “Ser DONA não é trabalhar menos. É parar de operar como a funcionária mais cara do negócio e assumir o papel de quem organiza o crescimento, sustenta decisões e cria estrutura para a empresa funcionar com autonomia”, conclui.
Fonte: Alê Freitas — Mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real | CEO da Anima Impacto Consultoria
Nenhum comentário:
Postar um comentário