Especialista explica por que alterações bruscas de temperatura, pressão atmosférica e umidade podem desencadear crises de cefaleia e enxaqueca em pessoas mais sensíveis
Com mudanças bruscas de temperatura cada vez mais frequentes,
muitas pessoas relatam um desconforto quase imediato: a dor de cabeça que surge
quando o tempo muda. Para alguns, basta a chegada de uma frente fria, um
aumento repentino do calor ou até a previsão de chuva para o incômodo aparecer.
No Dia Nacional de Combate à Cefaleia, celebrado em 19 de maio, especialistas
alertam que essa relação entre clima e dor de cabeça é real, e mais comum do
que se imagina.
Segundo o neurocirurgião Otávio Turolo, médico do
Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), o organismo sente os efeitos das
mudanças climáticas de forma intensa, especialmente em pessoas que já possuem
predisposição para crises de cefaleia ou enxaqueca. “Nosso corpo adora rotina.
Quando o tempo vira de repente — esfria muito ou esquenta rápido —, o organismo
precisa trabalhar dobrado para se adaptar. Para quem já tem tendência à dor de
cabeça, essa mudança brusca funciona como um gatilho”, explica.
Dor de cabeça “do clima” não é
superstição
Embora muita gente ainda trate o assunto como
exagero ou superstição, a medicina já reconhece a influência do clima nas dores
de cabeça. “Existe até quem tenha vergonha de dizer que sente dor porque vai
chover, como se fosse uma crença popular. Mas isso tem explicação biológica”,
afirma Turolo.
Entre os fatores climáticos que mais influenciam
estão as variações de temperatura, pressão atmosférica e umidade do ar. O
especialista destaca que o choque térmico é um dos principais vilões da rotina
moderna. “Sair de um ambiente com ar-condicionado gelado direto para o calor
intenso da rua pode ativar a dor rapidamente”, pontua.
O que acontece no cérebro durante a
mudança de clima?
Do ponto de vista neurológico, a sensibilidade ao
clima acontece porque as mudanças ambientais “irritam” estruturas nervosas da
face e da cabeça, além de alterarem substâncias químicas do cérebro
responsáveis pela proteção contra a dor. Quando esse equilíbrio é afetado, a
cefaleia aparece com mais facilidade.
As mulheres e pessoas que sofrem de enxaqueca
crônica costumam estar entre os grupos mais vulneráveis às oscilações
climáticas. Isso porque já possuem um sistema neurológico naturalmente mais
sensível, além das influências hormonais que podem potencializar as crises.
Quando a dor de cabeça exige atenção
médica e como prevenir crises
Apesar de, na maioria das vezes, a dor desaparecer
espontaneamente, alguns sinais exigem atenção imediata. “Se a dor surgir de
forma explosiva, for a pior já sentida na vida ou vier acompanhada de febre, é
fundamental procurar atendimento médico rapidamente”, alerta o neurocirurgião.
Para quem já identificou o clima como gatilho,
algumas medidas preventivas podem ajudar a reduzir as crises. Hidratação
adequada, sono regulado e alimentação equilibrada fazem diferença
principalmente em dias de mudanças bruscas no tempo. “Se a previsão indica uma
virada climática, o ideal é evitar sobrecarregar o corpo. Pequenos cuidados
podem impedir que a dor apareça ou diminuir bastante a intensidade dela”,
finaliza o médico.
Hospital
Evangélico de Sorocaba

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