Identificação em estágios iniciais amplia as possibilidades de tratamento e pode reduzir o risco de sequelas neurológicas
Alterações de comportamento, lapsos de memória e perda de equilíbrio podem ser os primeiros sinais de um tumor cerebral — e não a dor de cabeça, como muitos imaginam. A conscientização sobre esses sintomas é o pilar central do "Maio Cinza", mês dedicado mundialmente ao combate e à prevenção da doença.
No Brasil, cerca de 11 mil novos casos são diagnosticados todos os anos, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O movimento Maio Cinza alerta que parte deles ainda é identificada em fases mais avançadas, quando os sintomas já se intensificaram.
O principal desafio está justamente na identificação precoce da doença. “Diferentemente de outros tipos de câncer, os tumores cerebrais podem se manifestar por sinais sutis, frequentemente confundidos com estresse, cansaço ou até alterações do envelhecimento”, conta a Dra. Pamela Leite, oncologista do Hcor.
Ainda segundo a especialista, os sintomas variam de acordo com a localização do tumor no cérebro. “Como o órgão é responsável por funções cognitivas, motoras e emocionais, a doença pode se manifestar não como dor, mas como mudanças na forma de pensar, sentir ou se movimentar. Mesmo quando se apresenta como dor de cabeça, é persistente e progressiva, diferente de casos isolados de cefaleia e enxaqueca”, explica.
O diagnóstico em estágios iniciais amplia as possibilidades de tratamento e pode reduzir o risco de sequelas neurológicas. “Com os avanços em exames de imagem, como a ressonância magnética, e de técnicas cirúrgicas mais precisas, a intervenção precoce tem impacto direto na preservação de funções cognitivas e motoras”, ressalta a especialista.
O reconhecimento tardio segue como um desafio clínico relevante.
Por isso, reconhecer sinais fora do padrão habitual é fundamental para
antecipar a investigação médica. Entre eles, estão:
- Mudanças de personalidade: irritabilidade súbita, apatia ou perda de inibições sociais
em pessoas que não apresentavam esse comportamento
- Déficit cognitivo: lapsos de
memória frequentes, dificuldade para encontrar palavras simples ou perda
de concentração em atividades rotineiras
- Alterações visuais: visão dupla,
perda de visão periférica — muitas vezes percebida ao esbarrar em objetos
— ou dificuldade para focar
- Comprometimento motor: fraqueza em
apenas um lado do corpo ou perda de equilíbrio ao caminhar, sem causa
aparente
- Crises convulsivas: o surgimento de
uma primeira convulsão em adultos sem histórico prévio exige uma melhor
investigação
“Não se trata de gerar pânico, mas de reconhecer padrões fora do
habitual. Sintomas neurológicos novos, persistentes ou progressivos devem ser
investigados, especialmente quando começam a interferir na rotina”, reforça a
oncologista.
Hcor

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