Poucas pessoas sabem que é possível morar
na Espanha e seguir trabalhando para empresas remotaente, seja CLT ou PJ,
experta Camila Bruckschen explica
A Espanha consolidou-se como o "porto seguro" para a
crescente comunidade de nômades digitais brasileiros. Diferente de outros
destinos europeus, o governo espanhol oferece uma vantagem competitiva
imbatível para cidadãos de países ibero-americanos: o indivíduo pode trabalhar
para empresas que não são espanholas, remotamente, e solicitar a
nacionalidade em 2 anos vivendo no país para o profissional
brasileiro, o Visto de Nômade Digital (VND) não é apenas uma permissão de
residência, mas uma ponte estratégica para o passaporte europeu.
Um dos pontos mais importantes e, por vezes, mal compreendidos, é
a origem da fonte pagadora. O nômade digital brasileiro pode continuar
trabalhando para sua empresa no Brasil (seja como CLT ou PJ) ou para empresas
de qualquer outra nacionalidade (EUA, Europa, etc.), desde que o trabalho seja
realizado de forma remota.
"A lei é clara: o profissional precisa provar que
seu trabalho pode ser executado à distância e que o vínculo com a empresa
existe há pelo menos três meses", explica Vinícius,
especialista em vistos da CB
Asesoría. "Muitos brasileiros não sabem que
manter o emprego no Brasil é possível e que podem morar na Espanha",
analisa o especialista.
A concessão do visto está atrelada ao Salário Mínimo
Interprofissional (SMI) da Espanha. Para o brasileiro que planeja a mudança, é
fundamental converter seus ganhos (seja em Reais, Dólares ou Euros) para
atingir os seguintes patamares mínimos:
- Profissional individual: 200% do SMI (Aprox. 2.849 € mensais).
- Titular + 1 dependente (cônjuge ou filho): +75% do SMI (Total aprox. 3.919 €).
- Família de 3 pessoas: +25% para o
segundo dependente (Total aprox. 4.274 €).
A presença brasileira em solo espanhol é expressiva e crescente.
Estima-se que existam mais de 160.000 brasileiros residentes de forma legal na
Espanha, sem contar aqueles com dupla nacionalidade. Cidades como Madri,
Barcelona e Valência tornaram-se hubs de tecnologia onde o português é ouvido
com frequência em espaços de coworking. O Brasil figura constantemente entre os
principais países emissores de pedidos de vistos de residência para
profissionais qualificados e nômades digitais na última década.
Para o brasileiro que mira o passaporte
europeu, o planejamento do tempo é vital. Vinicius, especialista nesse tipo de
visto na CB ASESORIA, alerta para uma diferença crucial no local da aplicação:
- Via consulado (No Brasil): O visto inicial é de 1 ano. Em alguns casos, esse primeiro
ano pode ter entraves na contagem para a nacionalidade.
- Via Espanha (Aplicação local): Ao entrar como turista e aplicar diretamente em território
espanhol, o nômade recebe uma autorização de 3 anos. Este período é
contado integralmente para os 2 anos necessários para a cidadania.
Para quem deseja o passaporte, a liberdade de viajar pelo mundo
sofre uma pequena restrição: para a residência, não se pode ficar mais de 6
meses fora por ano da Espanha. Porém, para a nacionalidade, o rigor é maior: o
brasileiro não deve se ausentar da Espanha por mais de 90 dias consecutivos
dentro do período de dois anos.
"O planejamento familiar é o que garante o sucesso. Cônjuges
de nômades também recebem autorização de trabalho, o que permite que a renda
familiar seja composta por ambos, facilitando a vida na Europa", finaliza
Camila Bruckschen, diretora geral da CB Asesoría.
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