Medicamento aprovado pela Anvisa deve ampliar acesso pelo SUS ao tratamento da púrpura trombocitopênica imune (PTI), condição que pode causar sangramentos graves
O Brasil acaba de ganhar uma nova alternativa de tratamento para uma doença rara que pode afetar entre 8 mil e 50 mil pessoas no país: a púrpura trombocitopênica imune (PTI). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro medicamento genérico indicado para a condição, abrindo caminho para ampliar o acesso dos pacientes à terapia — especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).
A PTI é uma doença autoimune em que o próprio organismo passa a destruir as plaquetas, células responsáveis pela coagulação do sangue. A redução dessas células pode provocar sangramentos espontâneos, hematomas e, em casos mais graves, hemorragias internas, exigindo acompanhamento médico contínuo.
O novo medicamento, disponibilizado no Brasil pelo laboratório farmacêutico Natcofarma, já foi aprovado pela Anvisa e chega ao mercado agora. A expectativa é de impacto direto no sistema público: atualmente, cerca de 94% da demanda por essa terapia no país está concentrada no SUS.
A chegada do genérico deve representar uma redução mínima de 35% no custo em relação ao medicamento de referência, ampliando o acesso e contribuindo para reduzir episódios de desabastecimento.
Embora o foco principal seja o atendimento ao sistema público, o medicamento também poderá ser utilizado no setor privado, incluindo hospitais e operadoras de saúde.
“A
chegada do primeiro genérico no Brasil para esta patologia
representa um avanço importante para ampliar o acesso ao tratamento de
pacientes com PTI, mantendo os mesmos padrões de qualidade, segurança e
eficácia do medicamento de referência”, afirma Eduardo Rocha, CEO da Natcofarma
Brasil.
Tratamento e diagnóstico ainda são desafios
Hoje, a terapia é utilizada principalmente em pacientes que não respondem aos tratamentos iniciais, como corticoides e imunoglobulina. Nesses casos, a alternativa medicamentosa é fundamental para controlar a doença e evitar complicações.
Em muitos casos, a PTI pode ser silenciosa ou apresentar sintomas pouco específicos, o que contribui para atrasos no diagnóstico. Entre os sinais mais comuns estão manchas roxas na pele, sangramentos nas gengivas e no nariz, além de fadiga.
A introdução do genérico reforça uma estratégia consolidada no sistema de saúde brasileiro: ampliar o acesso a medicamentos mantendo padrões rigorosos de qualidade, segurança e eficácia. A aprovação do produto segue os critérios técnicos exigidos pela Anvisa, que incluem a comprovação de equivalência terapêutica em relação ao medicamento de referência.
A resolução de registro do medicamento foi publicada no Diário Oficial da União (Resolução-RE nº 493, de 6 de fevereiro de 2026), disponível para consulta pública.
Além da oferta do medicamento, a Natcofarma Brasil também pretende ampliar iniciativas voltadas ao diagnóstico precoce, suporte ao tratamento e à disseminação de conhecimento sobre a doença. Entre as ações previstas estão atividades de educação médica continuada, direcionadas a hematologistas e farmacêuticos, além de parcerias com instituições e associações de pacientes.
A empresa também mantém iniciativas em conjunto com a ONG PTI Brasil, com o objetivo de apoiar a conscientização sobre a doença e contribuir para o fortalecimento do cuidado aos pacientes.
A expectativa é que a nova opção contribua
para fortalecer o tratamento de doenças hematológicas no país, especialmente em
um cenário de crescente demanda por terapias de uso contínuo e alto custo.
Natcofarma Brasil


Nenhum comentário:
Postar um comentário