Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC) orienta sobre sintomas, tratamentos e cuidados com lesões articulares mais comuns com o avanço da idade
Pentear o cabelo, alcançar um objeto no armário ou até vestir uma camiseta. Movimentos simples, que fazem parte da rotina, podem começar a causar dor e dificuldade com o passar dos anos. Isso acontece porque o envelhecimento também afeta as estruturas do ombro, especialmente o manguito rotador, conjunto de músculos e tendões responsável pelos movimentos e pela estabilidade da articulação. Com o tempo, essa região sofre um desgaste natural e fica mais vulnerável a lesões, mesmo sem grandes esforços ou traumas.
Um estudo finlandês, com imagens do ombro, publicado neste ano, aponta que alterações no manguito rotador estão presentes na quase totalidade das pessoas acima dos 40 anos.
Os sintomas costumam surgir aos poucos e, muitas vezes, são ignorados no início por parecerem apenas um desconforto comum da idade. Dor persistente no ombro, dificuldade para levantar o braço, perda de força e incômodo ao dormir ou realizar tarefas simples do dia a dia estão entre os principais sinais de alerta. “É comum que pacientes associem essas dores apenas à idade e demorem para buscar ajuda. Mas, dependendo do grau da lesão, a limitação pode impactar bastante a qualidade de vida e a independência da pessoa”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo, Dr. Eduardo Malavolta.
Em muitos casos, o tratamento inicial é conservador, principalmente quando a lesão é identificada precocemente. Fisioterapia, fortalecimento muscular e acompanhamento especializado costumam ajudar no controle da dor e na recuperação dos movimentos, além de auxiliar na recuperação funcional do ombro.
Nos quadros mais avançados, quando há perda importante da função do ombro ou ruptura significativa dos tendões, a cirurgia pode ser indicada para restaurar os movimentos e aliviar os sintomas. “Em geral, é necessário um período de cerca de seis semanas de imobilização, com uso de tipoia, seguido por fisioterapia prolongada, normalmente por pelo menos quatro meses. A recuperação completa pode levar cerca de seis meses, exigindo dedicação do paciente ao processo de reabilitação”, fala.
Já nos casos de lesões muito graves, em que o reparo do manguito rotador não é suficiente, o especialista explica que podem, eventualmente, ser necessárias transferências musculares - quando muda um músculo da sua função original para fazer a função do manguito rotador, e, eventualmente, artroplastias, que são as próteses do ombro.
“Embora
o desgaste do ombro esteja relacionado ao envelhecimento natural do corpo, manter
a musculatura fortalecida e procurar acompanhamento médico diante de sintomas
persistentes pode fazer diferença na evolução do quadro e na recuperação do
paciente”, conclui.
Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo - SBCOC

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